
MEUS SONETOS VOLUME 020
Data 24/11/2010 07:39:13 | Tópico: Sonetos
| 1901
Amigo tantas vezes procurei Em meio a tempestades violentas, As mãos que com as quais tanto apascentas, No rumo mais sensato que encontrei.
Amigo, como é bom poder dizer De quanto necessito do teu braço, Seguindo a vida inteira, passo a passo, Começo outro futuro perceber
Distante do que fora a minha vida, Em solidão terrível, sem ninguém, Agora que percebo o raro bem
Encontro na verdade uma saída Envolta em total luz e claridade, Na força mais sublime da amizade...
1902
Amigo te dedico em amizade Meus versos de aprendiz em poesia. Por certo reconheço a claridade Que trazes ao recanto, em alegria...
Tu tens neste teu jeito brincalhão A forma de trazer o teu carinho, Dedico-te com todo o coração Os versos que hoje faço, sem espinho.
Nos ramos do arvoredo lusitano Teus versos são decerto mais jocosos. Mas saiba que viver é sempre um plano Sonhando com seus dias mais formosos...
Amigo, nesta vida tanta cruz, Alegra-nos teu canto, bom Jesus...
1903
Amigo vai dizê presse coitado Qui num tive vontade di matá Um sujeito que é cabra disgramado Qui num dêxa nem sór ir clariá
Todo tempo qui têve foi marcado Pur vontáde bem triste di lutá Contra nóis tudim, povo isfomiado Lá no nosso sértão, Minas Gerá...
Apois eu falo, conto prás madami Qui nus meus tempo sêmpe fui correto. Num tem nêsse meu mundo quem recrami.
Prôs dotô sêmpe trago as minha figa, Me disgosta tratá cum aninseto Um bom minêro num suporta intriga...
1904
Amigo verdadeiro não se esconde Nas horas mais difíceis, tempestade. Não deixa seu amigo perder bonde E sabe dos caminhos na cidade.
Às vezes eu procuro e não sei onde, Parece que esta história é falsidade, Gritando como um louco. Quem responde? Aonde encontrarei uma amizade?
Porém ao perceber que a solidão Chegou mais que depressa em minha vida, Olhando para o Céu, para a amplidão.
Zilhões de estrelas brilham com beleza Existe alguém que mostra uma saída Numa amizade plena de certeza...
1905
Amigo, eu te convido; venha à mesa Aonde a poesia faz a festa, Felicidade imensa já se atesta Bebendo a rara fonte da beleza.
Que trazes com teu verso, sem surpresa, A noite sem limites, desembesta, E a velha solidão, bruxa funesta Do canto em harmonia, vira presa.
Ergamos, pois um brinde à fantasia, Tocando na viola, uma modinha, Que um dia “até pensei que fosse minha”
E a cada novo gole se recria. Até que embriagado – lua e gim, Esta música exploda dentro em mim...
1906
Amigo, eu te proponho novos versos Que falem de esperança e de alegria. Por mais que sejam tristes e diversos Os dias se renovam, fantasia...
Passando pelos astros, universos Se mostram encantados, poesia. Se os medos se perderam, tão dispersos, Um novo mundo, a sorte prometia...
Palavras que vão soltas, liberdade. Nas asas dos sonetos que tu fazes, O sonho se mistura à realidade.
Por isso, companheiro se permita, Que a vida te trará em outras faces A vida na verdade, mais bonita...
1907
Amigos, para sempre, nós seremos, Ninguém nem nada pode mais fazer Com que percamos norte, nossos remos Serão a garantia do querer
Futuro em que por fim, nós poderemos Gritar ao mundo todo que o poder Nas mãos com alegria nós detemos E nisso nossa glória em bel prazer
Quem tem esta alegria dentro em si Já pode agradecer, pois tem ali Suprema magnitude de um desejo
Que emana de um amor assim perfeito, Trazendo a liberdade como pleito Invade qual posseiro, benfazejo.
1908
Amigos, compartilho o mesmo canto De uma esperança viva em liberdade. O sonho que se mostra por encanto Dum povo que preserve em unidade
A força que se entranha, causa espanto A quem não concebeu tal amizade. No rosto envelhecido pelo pranto Quem sabe, num sorriso outra verdade.
Dos índios e dos negros maltrapilhos, Durante tanto tempo espoliados Pisando com firmeza novos trilhos
No brado que se mostre temerário Deixando para trás dias passados Trazendo um grito forte e libertário!
1909
Amigos; compartilho O mesmo sentimento Deveras quando tento Vencer o ledo trilho Ausento do estribilho E bebo o sofrimento E assim eu me alimento Do quanto em paz polvilho. A sorte poderia Gerar a fantasia Ou mesmo um novo tempo; Porém ao se entranhar Alcanço este luar E venço um contratempo.
1910
Amigos; encontrei pelo caminho, Alguns se foram, outros me acompanham. Eu agradeço a Deus não ser sozinho, Unidos, na verdade, todos ganham.
Ao vento os teus cabelos já se assanham O mar quebra na areia em burburinho. Saudades do que tive não me arranham Refaço noutra senda o mesmo ninho.
Sou parte de um conjunto, nada mais. Não creio fazer falta a muita gente, A morte na certeza, último cais
Virá sem hora certa de chegada, Por isso minha amiga, amor urgente. Não deixe pra amanhã, pode ser nada...
1911
Amigos de verdade? Raridade... A vida traz carências mal supridas. Perdidos nós buscamos claridade Em meio a tantas trevas noutras vidas.
Palavras que denotam despedidas Usadas com total tranqüilidade, Às vezes encontramos as saídas Nas portas mal fechadas. Na verdade
São poucos os que trazem vero afeto, Amigo para ser chamado assim Não pode fraquejar um só momento,
Senão ao se mostrar mais incompleto Deste anjo se transforma até que o fim Provoque então cruel desabamento...
1912
Amigos não se mede em quantidade, Quem pensa ser amigo qualquer um Se perde ao conhecer a falsidade Depois acha que nunca teve algum. O tempo nos demonstra essa verdade, Amigo se conhece é pelo zoom, É necessário ter sinceridade Senão não vai chegar, lugar nenhum... Assim como garimpas um brilhante Assim como cultivas uma bromélia Uma amizade tem que ser constante, Na busca e no cuidado valendo ouro, Uma alma que noutra alma já se espelha, Amigo vale mais do que um tesouro!
1913
Amigos que em momentos mais diversos Encontram-se nas ruas e nos bares, Mesmo que tão distantes ou dispersos Fazendo da amizade seus altares,
Afastam sentimentos mais perversos, Alçando a liberdade vão aos ares. Por isto, companheira, nos meus versos, Felicidades chegam, vêm aos pares.
Não deixe que esta ausência nos destrua, Decerto em ti percebo a claridade. A nossa convivência continua
Mesmo que tão somente em pensamento. Buscando o teu apoio num momento Eu percebo o valor desta amizade...
1914
Amigos que encontrei pelo caminho, Deixados pela estrada em cada curva, Às vezes caminhando tão sozinho, Senti minha visão deveras turva,
Porém em outros dias, logo após, Noutras cidades tive outra amizade, Atando e desatando tantos nós, Da negra solidão à claridade.
Os sonhos se perderam, se encontraram Mas sinto que valeu, sempre sonhar. Por vezes os meus passos tanto erraram, E o rumo deslumbrado devagar.
Meu coração aos poucos mais pesado, Bandeia, e vou andando assim, de lado..
1915
Amigos são bem poucos; reconheço. Mas tenho aqui comigo esta certeza Trazendo à minha vida tal leveza Que impede qualquer lágrima ou tropeço.
De todos os caminhos, sempre peço A glória de poder ter a beleza Do amor que se estendendo põe a mesa E vira a nossa vida já do avesso.
Sabendo do carinho que hoje trazes, Escuto emocionado; as belas frases, Moldando a mais perfeita liberdade.
A todos agradeço e me permito Dizer do dia claro e tão bonito Coberto pelos lumes da amizade!
1916
Amigos teus carinhos agradeço, Um velho repentista não merece Fazendo da esperança o endereço. Do amor e da amizade tola prece.
Um aprendiz teimoso, um caipira Que veio dos sertões lá das Gerais Minha alma sertaneja traz catira Guardada nos meus olhos, nos bornais.
Não sou e nem serei um escritor, Somente no improviso dos meus versos Eu tento me esconder da imensa dor Na qual vejo os meus sonhos vãos, imersos.
Fazendo dos poemas meus brinquedos Expondo vez em quando meus segredos...
1917
Amigos; encontrei bastante vezes, Porém uma amizade verdadeira Que traga tanto apoio em hora certa Decerto são bem poucas pela vida.
Pior do que um amigo traiçoeiro? Eu sei que nem Satã foi mais cruel. Ao retirar o apoio na passada Jogado pela escada, tombo certo.
Negando um gole de água no deserto, Se na hora necessária não está Melhor que nunca houvera, e sem ter sido Com toda uma certeza faz vazios
Os passos que esperava rumo à sorte. Amigos que encontrei? Melhor a morte!
1918
Amizade profícua, encontro em ti Regada todo dia com carinho. Distante mas tão próxima daqui. Tu sabes e conheces o caminho
Que leva ao coração de um sonhador; Teus versos embelezam minha vida Poema mavioso e sedutor Trazendo uma esperança já perdida...
Não deixe que amizade assim termine, São poucas as que temos, com certeza. Que em Deus o nosso rumo se ilumine
E traga a sensação mais benfazeja Florindo tua senda com beleza É o que este teu amigo te deseja.
1919
Amizade qual um lume que nos guia Por entre tempestades e procelas. Navegando nos astros, por estrelas Moldada na emoção do dia a dia.
Expressada em perfeita sintonia Tornando nossas vidas bem mais belas. Um canto que se faz em harmonia Amiga, com certeza tu revelas
E trazes esperanças por refrão. Registro de carinho a cada verso. Contigo não serei jamais disperso
Unindo sempre a ti meu coração. Uníssona cantiga que entoamos, Mais fortes, par a par, nós caminhamos...
1920
Amizade qual um lume Gerando a claridade Que quando nos invade O sonho em paz se assume E o tempo ora resume Bem mais que a liberdade E nisto sempre agrade Desta alma o bom perfume. Vencendo as artimanhas Da vida quando ganhas Além desta esperança Meu passo rumo a ti No quanto me verti, Além decerto avança.
1921
Amizade que encanta é divina Uma força que sempre me atrai. Tanta treva amizade ilumina Sem perguntas bem sabe se vai.
Noite intensa no céu estrelado Amizade faz tanto brilhar. Não se importa com tempo passado, Bem mais forte que o simples amar;
Nas histórias tão tristes da vida Uma amiga me faz ser feliz. Não permite que a dor distraída Nos convide pro mal que se quis.
Tantas luzes refletem tua alma, Me conhece, da mão toda a palma...
1922
Amizade que se faz em cada verso Vagando sem destino, um coração, Percorro meu caminho, no universo E faço deste mote uma lição
Que mostra-se distante do perverso Destino que se forma em solidão. Não quero mais seguir, sempre disperso, Por isso amiga eu peço-te perdão...
Às vezes maltratei nossa amizade Em outras me esqueci completamente. Porém o mundo mostra, na saudade,
Quão importante estar sempre presente, Cuidado deste amor com lealdade, Mostrando a cada dia o que se sente...
1923
Amizade sincera é um remédio Que cura ou que mitiga qualquer mal, Mesmo quando a tristeza faz assédio A solidão se chega em baixo astral, Quem tem amigo, nunca encontra o tédio, Já vence a tempestade no final.
Abraços mais sinceros, um sorriso Que é franco e que se faz sem dar alarde Conselho de um amigo é mais preciso, É bom primeiro ouvir antes que, tarde A porta em pensavas paraíso Se mostrando infernal, na realidade.
Amigos não nos mentem. Falsidade Caminha bem distante da amizade...
1924
Amizade tempera nossa vida Salgada pela dor de uma distância Trazendo em cada verso a despedida, Formada por injusta discrepância Que faz do diferente voz unida No passo sem sentido, uma elegância...
Aflitas esperanças de mudança Deixadas já faz tempo numa estante Vivendo mais conforme cada dança Acende cada luz em todo instante E faz da diferença uma aliança Defesas que se criam num rompante.
Viemos de lugares bem distintos, Cachaças misturadas com absintos...
1925
Amizade verdadeira Enfrentando com coragem Se mostrando companheira Encarando uma viagem
Que se faz a vida inteira Não dando nenhuma margem À dúvida traiçoeira Não se perde por bobagem
Minha amiga, a nossa lei É feita dessa amizade Muito bom que eu te encontrei,
Isso traz felicidade Tanto tempo eu procurei Minha amiga de verdade...
1926
Amizade, interesses diversos Que se ataram em laços profundos. Entranhada nos mais belos versos São diversos mas íntimos mundos.
Nas receitas de felicidade Amizade não pode faltar. Nos ajuda a saber que a verdade É o caminho mais belo a passar.
Não se esqueça que a vida termina Num momento qualquer, não avisa. A paixão que nos toma, alucina, Tempestade que, após, vira brisa.
Amizade é um vento sereno, Com o tempo, se aumenta, vai pleno...
1927
Amo, sinceramente sei que te amo... Não posso mais fugir à realidade Nas horas mais tristonhas, na saudade, Teu nome sempre falo e, manso, chamo!
Desculpe se por vezes te reclamo Que não estás. Transcendo essa verdade. Muitas vezes, mal sinto e te difamo, Por certo, já perdi tranqüilidade...
Amor que tanto mata quanto brilha, Não posso mais calar o sentimento... Angústias e delírios, meu tormento.
Guardado, na gaveta, o teu retrato... Quem teve vida tristonha, andarilha Não sabe ser amado. E te maltrato...
1928
Amo-te como nunca amei na vida, Da forma mais sensata e mais voraz. Meus versos se encantaram mais querida Com tua silhueta bela e audaz.
Sem medo nem da angústia ou solidão, Agora já caminho bem mais leve. Felicidade rege o coração Provoca uma emoção que já se atreve.
Presságios tão benignos me abençoam, A sorte está lançada e sou feliz. Os pensamentos tão libertos voam, Já posso te dizer: tenho o que quis!
Leva contigo essa alma apaixonada, Sem teus carinhos morro, não sou nada
1929
Amo-te obscuramente nas caladas, Nas sombras e nos restos que sobraram... As flores por demais são perfumadas Encantos que produzem as anteparam.
Os brilhos das estrelas e da lua, A riqueza de rainhas e princesas, A beleza tão cruel tão densa e nua, Chamas em tantas camas, bem acesas...
Não, meu amor jamais fomos assim, Velamos nosso amor tal qual um filho, Na mansidão completa de um jardim, Sem mata, sem cascata, mar e trilho...
Apenas um amor manso e tão leve Nos dando a sensação que a vida é breve...
1930
Amo esta noite intensa e sussurrante Tremendo em nossa cama sem parar. Navego por teu corpo, caminhante Em busca dos prazeres de te amar.
Na areia onde esse mar se arrebenta, Em ondas nosso caso desenrola. Paixão tão insensata e violenta Meu pensamento, alado, já decola...
E sinto essa presença, que é perene, Da boca que bendiz e que me xinga. Não sinto tanta dor que me envenene Ao vê-la seminua amor se vinga...
E volto qual um cão abandonado, Lambendo tuas mãos, apaixonado!
1931
Amo o tempo que passa e nunca volta, Amo os olhos tão belos da morena. Amo amor que por vezes me revolta, Mas sempre, novamente vem e acena...
Amo a beleza argêntea desta lua, Refletindo teus olhos neste mar. O meu canto de paz se continua Mal sabendo em meu verso te encontrar.
Sonho de vida doura meu futuro E pousa nos teus braços, borboleta. O manto em solidão que foi escuro, Não deixa que mais erros eu cometa.
Eu quero seu amor, rosa amarela, Que a noite, em maravilha, me revela...
1932
Amo tão sorrateiro, amineirado, Que chega sem pedir, sem falar nada. Aos poucos dominando, está do lado E quase não sentimos a alvorada
Do amor que se faz sempre delicado. Minha alma se percebe assim tocada Por este sentimento desejado. As tuas mãos, menina... Mãos de fada...
O teu sorriso belo e tão sereno... Dominas o meu mundo, pouco a pouco. Na mansidão gostosa do veneno
Que provo a cada dia e me vicia... No amor que já me invade, doce e louco, Encantos e delícias... a magia...
1933
Amo-te! És esperança e mais que isto, A própria vida louca que se esvai... Mas, cada vez que penso: te conquisto; U’a lágrima sofrida vem e trai...
Muitas vezes pensei: Eu não existo; Mas, sorrateiramente, o manto cai Num sorriso feliz nunca mais visto, Retornas esperanças... Sou teu pai,
Amigo, amante, luz e escuridão... Tento mentir seguro, mas tropeço... Muitas vezes sorris o coração,
Um minuto depois, novo endereço, Quem parecera sim, revolve o não. Quem és? Disfarces que me dás, avesso...
1934
Amor, mesmo que em versos vale a pena, Ascende a Deus em luzes sem igual. Mudando em nossa vida toda cena, Num gesto em que se mostra sensual,
Vontade de prazer amor acena, Encantos que me dás, sensacional. Meus sonhos te encontrando, amada em flor, Traduzem novo dia, encantador.
Não quero te perder, tu sabes disso, Cultivo em meu canteiro, nosso sonho. Em ti encontro a rosa em pleno viço,
E um mundo mais feliz, eu te proponho, Desejo que me toma, assim cobiço, Viver eternamente um bem risonho
1935
Amor, não necessita falar nada Meus olhos já respondem tua carta. Visão de noite bela, enluarada, De cores e pendores; doce e farta.
Sentindo o teu perfume, minha amada, Tristeza logo vai e se descarta A sorte nos teus braços derramada, Teu corpo de meus olhos não se aparta.
E vibro com desejos e vontades O canto alvissareiro da esperança. Promessas de festejos e de dança
Vibrando num momento, eternidades. Sorrindo, o teu olhar já me anuncia O mundo na divina poesia...
1936
Amor, se verdadeiro já se lava Nos olhos de quem amo. É tão premente Gritar ao mundo inteiro o que se sente, Mostrando olhar liberto, sem ter trava.
Quem antes deste sonho se encontrava Passando pela vida simplesmente, Vivendo em solidão mais descontente Nas trevas da existência não notava
A claridade intensa de um momento Que nos permite sempre renascer, Tocado pelo amor, em brando vento,
Permite-se sonhar e perceber Beleza em que se encontra o sentimento Que é feito em alegria e faz viver...
1937
Amor? Jamais achei nos alfarrábios! Nem mesmo nos compêndios, dicionários Semeio velhos grãos desnecessários E finjo ter achado os astrolábios.
Heróis que antes julgara fortes, sábios Na verdade somente vãos otários Cevando mausoléus e relicários Lábeis tolices ganham velhos lábios...
Hábeis soturnas aves voam soltas, As ondas são terríveis, se revoltas, A poesia? Inútil velharia.
Vomito sobre os pés quando eu declaro O sonho que pudesse ser mais claro E morre na fugaz tabacaria...
1938
Amor, minh’alma triste te procura Em meio a decepções, eu sigo só. No afã de ser feliz, restou-me o pó, E dentro da garganta, esta secura.
A noite eternamente fria, escura, Dos olhos lacrimando resta a dó Amarga minha vida este jiló Inútil poder crer n’alguma cura.
Quem sabe, após a curva do caminho, Cansado de seguir sempre sozinho O coração permita um novo sonho.
Imerso na fogueira dos desejos, Os sonhos caminheiros tão andejos Na trilha de teus passos, louco, ponho...
1939
Amor, feliz engenho, tece prendas Divinas, mas cruéis, tenha a certeza. Às vezes nos mutila com destreza, Desabrigando em belas, nobres tendas.
Segredos que talvez tu não desvendas, Servidas iguarias sobre a mesa, Um agridoce gosto que embeleza Rompendo com vigor, frágeis emendas.
Na solidez perpétua da esperança, A senda mais gentil e movediça. Em si traz a bonança e a tempestade
Num ritmo variável, a alma dança E em cores tão diversas brilha e viça Enigma de um amor: dualidade...
1940
Amor? Quem será tal desconhecido Que por vezes bateu em minha porta Palavra sem sentido, mesmo torta, Deveras um caminho desvalido.
Quem dera ter o peito apodrecido Fortuita fantasia, não me importa, Um verme que alegria, cedo aborta, Antes não tivesse nunca havido.
A lua mal disfarça o falso brilho Que teima atravessar sombrias trevas. Enquanto em poesias já relevas
As tramas deste Amor, louco andarilho, Estampo nos meus versos a decepção Expondo este cadáver: coração!
1941
Amor; preciso tanto de você, Não posso lhe esquecer um só instante Sonhar um sonho belo e fascinante O meu olhar procura e nada vê.
Quem dera se eu soubesse, então por que... Seu corpo delicado e provocante Agora está por certo tão distante, Nem mesmo na esperança, alma inda crê.
Saudoso deste amor; sigo carente, O coração vazio, vai ausente Ouvindo uma canção ainda sonho
Com todos os seus beijos, nada vem... Sozinho neste mundo, sem ninguém, Apenas solidão. Vago, tristonho...
1942
Amor, redemoinho que me toma, Ao envolver-me mostra o seu poder. Numa emoção divina, mais que soma, Amor multiplicando o meu prazer
Nas mãos tão delicadas e macias, Promessas de emoção e liberdade, Imersas em nós dois as alegrias Acenam com total felicidade.
Pegadas que deixamos por aí, Ao caminharmos juntos, lado a lado, Amor tão benfazejo; encontro em ti Por isto este meu canto apaixonado.
Amor tanto redime quanto cura, Na placidez me encharca de ternura...
1943
Amor, bala perdida que atingindo O peito distraído não tem pena. Enquanto teu requebro amor acena, De dores e alegrias me tingindo.
Às vezes idiota; outras tão lindo, Quem ama nunca pensa ou concatena Nas pernas torneadas da morena, Num sorriso, ao inferno conduzindo.
Sereno ou tempestade, não importa, Amor ao arrombar janela e porta, Qual um salteador em noite clara.
Ao mesmo tempo morde e dá lambida Bagunça num instante e nossa vida, É jóia vagabunda, falsa e rara...
1944
Amor, numa expressão quase fantástica Bem mais do que paixão. É fanatismo. Não posso caminhar, minha alma estática Tomada por vulcão num cataclismo,
Por mais que inda persista em resistir, Atada nos teus olhos te persegue, Às vezes inda tento prosseguir, Sem barcos como existe quem navegue?
Amor se transformando em frenesi Além do que seria concebível. Nos passos deste encanto eu me perdi,
E agora não consigo imaginar Sem ter o teu carinho, fato incrível, Não posso e nem mais quero respirar!
1945
Amor, jura secreta que fizemos Em noite de luar, maravilhosa. De todos os desejos que sabemos, Colhemos neste amor, espinho e rosa.
Que então de farto mel nos lambuzemos, De fel já basta a vida, caprichosa, Assim o belo dia que nós vemos Envolverá o amor em verso e prosa.
Os corpos que se buscam mais febris, Conhecem dos prazeres seus ardis, Mas teimam em tentar felicidade.
Abarco em pensamentos tuas sendas, Deitando o nosso sonho em simples tendas Que nos protegerão da tempestade...
1946
Amor, não me pergunte se eu te quero Repare em meu olhar quando te vejo, Expressa com vontade o meu desejo Abranda um coração outrora fero.
Se tantas vezes digo que venero Não é somente assim por um ensejo, Um sentimento imenso, até sobejo, Demonstra o que de ti, querida espero.
Tu tens, pois a certeza do que eu sinto, E nada impedirá que sejas minha. Minha alma se da tua se avizinha
É como se bebesse tanto absinto, E flutuasse solta no universo A resposta? Foi dada em cada verso...
1947
Amor, vento solar que nos assola Mudando a direção dos nossos passos, Seguindo estas pegadas, belos traços, Minha alma delirante já decola
Retrato mais fiel da intensa glória Que traz em versos mansos, claridade, O amor quando se mostra em realidade Transforma, num segundo, nossa história.
Dos sonhos que eu sonhei, o mais perfeito, No qual sendo feliz, eu me deleito Versando sobre nós ora te digo
De tudo o que mais quero, esteja certa A mais sublime e clara descoberta Traduz o que mais quero, amor e abrigo..
1948
Amor, rosa dos ventos, timoneiro Que leva a minha barca ao infinito, Encanto em perfeição e corriqueiro Fazendo da alegria nosso rito.
Dos deuses o mais claro mensageiro, De todos os meus sonhos, mais bendito, Ourives e também o garimpeiro Separa diamante de granito.
Nos vãos do nosso peito, ao adentrar, Entranha a divindade, esteja certa Que a força deste amor, jamais deserta
Aquele que se deu sem perguntar. Deixando-se levar na correnteza, Terás o Paraíso, com certeza...
1949
Amor, quando sentires na janela O vento te chamando, mansamente Nos olhos imaginas esta tela Formada por um lume iridescente
Em múltiplas imagens refletidas Espelhos devorando girassóis, Atadas pelos sonhos, nossas vidas Estendem no infinito, tais faróis...
Rastreio cada passo que tu dás, Olhando para estrelas e cometas. O amor que extasiada, a noite traz Entrando na janela pelas gretas
Apalpando teu corpo, o gozo alcança Num frêmito divino, amor nos lança.
1950
Amor; jamais alguém vai impedir Tua vitória em tempos de batalhas. Às vezes mesmo em fios de navalhas A sorte te compele a prosseguir.
Estrelas tão diversas vão luzir Acobertando assim as tuas falhas E quando nas ilhargas vêm ferir Tenazes, tuas mãos tudo estraçalhas.
Vencendo com soberba e galhardia, Amor ao encetar a poesia Demonstra-se em poder, o soberano.
Enquanto em resistência insuperável, Teimosamente um sonho tão amável Protege contra o medo e o desengano...
1951
Amor, um sentimento poderoso, Às vezes violento, outras gentil Amansa um coração mais belicoso, Porém algumas vezes faz ser vil
Aquele quem outrora carinhoso A quem domina faz então servil, Da vida eu quero mais que um simples gozo O toque tão suave, assim gentil
Tomando a nossa vida num segundo, Mudando de repente, o nosso mundo Encontra da alegria, fonte e mina.
Porém se tantas vezes vou sedento Não tenho outro caminho, e neste intento Amor festa cruel que nos ensina
1952
Amor, mesmo que em versos vale a pena, Ascende a Deus em luzes sem igual. Mudando em nossa vida toda cena, Num gesto em que se mostra sensual,
Vontade de prazer amor acena, Encantos que me dás, sensacional Perfume que entontece e que envenena Delícia deslumbrante, magistral
Meus sonhos te encontrando, amada em flor, Traduzem novo dia, encantador Canteiro tão sublime pleno em viço.
Vivendo em fantasia, um peito rude Ao perceber refeita a juventude, Não quero te perder, tu sabes disso,
1953
Amor, uma divina providência Em puros sentimentos verdadeiros, Guiado por carinhos/timoneiros, É feito dia a dia em convivência.
Amor jamais permite a penitência, Trazendo no seu bojo doces cheiros, Divinos, sensuais e feiticeiros, Mostrando em perfeição total clemência.
Amor que em canto louva a bela fonte, Imersa entre estes prados, esperanças. Um oceano feito em água doce,
Abrindo de repente, no horizonte Um sol que molda os brilhos onde alcanças Além do que pensamos que amor fosse...
1954
Amor, doce florada da esperança Aguado pelas lágrimas e risos. Cevado por carinhos mais precisos, Por sendas belas, ricas, amor trança.
E quando vai granando logo alcança Os frutos que se mostram sem avisos, Embora tantas vezes imprecisos, No novo semear, toda a fiança.
Barco à deriva, riscos e tempestas, Amor ao soçobrar, quando resiste, Demonstra a solidez tão desejada.
Por mais que o casco tenha duras frestas, Amor se verdadeiro, tanto insiste Brotando mesmo em terra mal arada.
1955
Amor; a sacra face da promessa Estende nos altares soluções. Vendendo o quanto resta sem ter pressa Entrego-me às diversas sensações Na vida que virá, e mesmo nessa, Eu quero o fogo eterno das paixões.
Decifro sem cifrões a mesa farta, Nas ricas esperanças deste sonho, O vento que me traz jamais se aparta E nele, a cada dia, o gozo eu ponho. O tempo sem amor já se descarta E a carta sobre a mesa, é um bem bisonho.
Bisando cada beijo em tua pele, Ao salvador pecado se compele...
1956
Amor, o meu destino já moldura, Fazendo do meu braço, o seu esteio. Tocado pelos laços da candura, Não tenho mais sequer qualquer receio
De ter a liberdade de poder Amar além do cais, eternamente. Vivendo o quanto resta por viver, Aguando da esperança esta semente.
Mergulho no oceano de nós dois, Adentro cada parte deste porto. Sem medo do que venha, assim, depois Às tramas deste amor eu me transporto,
O teu perfume encharca a minha casa, De toda esta loucura, o peito apraza...
1957
Amor, não necessita falar nada Meus olhos já respondem tua carta. Visão de noite bela, enluarada, De cores e pendores; doce e farta.
Sentindo o teu perfume, minha amada, Tristeza logo vai e se descarta A sorte nos teus braços derramada, Teu corpo de meus olhos não se aparta.
E vibro com desejos e vontades O canto alvissareiro da esperança. Promessas de festejos e de dança
Vibrando num momento, eternidades. Sorrindo, o teu olhar já me anuncia O mundo na divina poesia...
1958 Amor, se verdadeiro já se lava Nos olhos de quem amo. É tão premente Gritar ao mundo inteiro o que se sente, Mostrando olhar liberto, sem ter trava.
Quem antes deste sonho se encontrava Passando pela vida simplesmente, Vivendo em solidão mais descontente Nas trevas da existência não notava
A claridade intensa de um momento Que nos permite sempre renascer, Tocado pelo amor, em brando vento,
Permite-se sonhar e perceber Beleza em que se encontra o sentimento Que é feito em alegria e faz viver...
1959
Amor, quando acontece sempre traz Um gosto de ilusão audaz e ardente, Nem sempre o meu destino satisfaz, Nem sempre amor se mostra sabiamente
Amor de tantas dores é capaz Porém em nossa vida, este regente Ao mesmo tempo em guerra, mostra a paz Batalha que se faz assim urgente.
Em setas sem juízo, vem; dardeja E o que Deus bem quiser; amada seja Fazendo um reboliço no meu peito.
Amor bicho matreiro, assopra e morde Num belo adormecer não quer que acorde De um sonho que me deixa satisfeito.
1960
Amor, doce feitiço que nos doma Entrando em nossa casa, faz a festa. Pegue meu coração. É teu. Pois toma E leve meu amor, é o que me resta
Sou teu e em tal entrega não descanso Serei teu companheiro mais sincero, Deitando em teu regaço, um bom remanso, Viver felicidade: o mais quero.
Meu pensamento voa em liberdade E busca nos teus braços, manso ninho. Ao conhecer em ti, felicidade
Já sabe que não vai jamais sozinho. Falena que encontrou a claridade Percebe neste lume, o teu carinho...
1961
Amor! Um sentimento inigualável. Inspirador de deuses e poetas Tornando almas sensíveis prediletas Do Criador, um Ser incomparável.
Amar é ter o bem insuperável Forjando nossas vidas mais repletas De sensos, de caminhos e de metas Deixando o dia a dia suportável.
Chamar-te: Meu amor. Quanta alegria Expressa em poucas letras, mas potentes. É tudo quanto o Bem esperaria
Unindo em versos nossos continentes. Distantes, mas tão próximos; querida, Que seja, pois, assim, por toda a vida!
1962
Amor, não quero nunca te perder, Vieste em luz divina, salvadora. A vida do teu lado se demora E torna mais gostosa de saber.
Teu corpo me exalando tal prazer Que faz com que minha alma que te adora, Numa força absoluta trague agora O tempo de sonhar e de viver.
Luzentes olhos belos, astro-guia Farol de minha vida, redenção! Batendo em disparada o coração,
Entorna o pensamento em alegria. Fartura de querer, viva emoção, Nos cantos mais sonoros da paixão...
1963
Amor; faço em cada verso Que componho com carinho, Neste mundo tão perverso Jamais andarei sozinho
Nunca mais irei disperso, Pois encontro em meu caminho, Mar, aonde vou imerso, Na certeza em que me alinho.
Meu amor não cansará De buscar belo farol, Que por certo encontrei cá.
Nos teus olhos refletores, Trazendo à noite este sol, Com seus raios redentores...
1964
Amor; cumplicidade em tanta entrega Seguindo em desafio, pela vida. A sorte muitas vezes por ser cega Nos deixa de lembrança uma ferida
Que marca para sempre em cicatriz, Deixando fundas marcas no meu peito. Porém agora, sigo mais feliz, E vivo, na verdade, satisfeito.
Por ter ternura imensa, e uma paixão, Na vívida esperança em que me vejo. Seguindo sem dar tréguas, a emoção Que é mais do que um simples, bom desejo...
Amor que de verdade, sedutor, Transborda em minha vida, encantador.
1965
Amor. Com que ternura te recebo, Na mansidão sincera deste amor Um mar tão mavioso assim percebo No verde da esperança, sua cor. Quem dera estar contigo, ser teu Phebo, Vivermos num castelo encantador...
Se ao menos eu montasse num corcel Voando qual um Pégaso ligeiro, Tomasse num segundo o belo céu Que torna teu amor tão verdadeiro, Assim eu beberia farto mel Que guardas no teu peito, amor primeiro.
Meus olhos te tocando mansamente, O mundo sorriria mais contente...
1966
Amor; por certo um mote delicado Criando uma corrente benfazeja. Verdejando esperança em raro prado É mais do que se pensa e se deseja. Se vivo por amar, amor foi dado A quem a boa sorte sempre beija.
Por mais que a vida traga insensatez E faça do meu dia amargo e frio, Uma alegria sopra e assim, talvez; Meu mundo não se torne tão vazio. Amor jamais permite pequenez Clareia um sentimento mais sombrio...
É bom te ter por perto me aquecendo, Em cada verso teu vou renascendo..
1967
Amor; efêmero desejo vivo De uma existência mais tranqüila em dor... De tanta espera me percebo altivo, Pensando mesmo que não tenho amor...
Talvez futuro possa dar ao sonho Novo vigor. Minha esperança insiste, Muitas das vezes; quando amar, proponho, Numa ilusão de que eu não seja triste.
Pois neste ledo engano insisto tanto Que creio ser, quem sabe, mais liberto. Mas amores que passam deixam pranto E meu peito indefeso, descoberto...
Mas insisto em tentar sem solução, um dia, proteger meu coração...
1968
Amor, quando seguiste teu caminho Em busca da fatal eternidade; Deixando este meu mundo tão sozinho, Distante desta tal felicidade
Que sempre fora nossa companheira, Pensei que talvez fosse também ir; Tendo essa vontade derradeira, Destino que desejo enfim, cumprir...
Aos poucos, fui sentindo uma esperança, Que agora, me domina totalmente. Amada, nossa vida, na lembrança; Seguindo minha estrada, bravamente...
Descobri que a vida é mesmo assim, Apenas viajaste antes de mim!
1969
Amor, vim das entranhas das Gerais, Nascido na tapera de sapê, Agora que lhe encontro, tenho mais! Estou apaixonado por você! Meu Deus! Nunca pensei amar demais Quem olha e me conhece sempre vê
Sorriso diferente que me trai, Os olhos vão brilhando pelas ruas... A noite renascendo, a tarde cai, Estrelas vão vagando todas nuas, Nos dedos a saudade já se esvai As almas se tocando, nossas duas..
E sinto eternidade nesse amor Que é verso tão gostoso de compor...
1970
Amor, desesperado e traiçoeiro... Procuro, nos seus bolsos, minha algema. Não fui feliz, apenas verdadeiro. O mote da existência; minha gema!
Te quis, eu mergulhei e fui inteiro, Teu cheiro me trazia a piracema, Teu corpo deslumbrando-me, tinteiro, Deixou um só sinal, acho que trema...
Levaste meus acordes e meu pinho, Sonatas e sensórios insolventes... Sem suspensório, calça e colarinho,
Caminho sem sentido e sem remédio.. Meus versos invertidos e sem dentes, Vasculham nas estrelas, fim do tédio...
1971
Amor, quando partiste tu levaste O bem maior que um dia pude ter. Bem sei que tenho culpa do desgaste Que veio, pouco a pouco, carcomer
O mundo que sonhei e que sonhaste, Matando, sem sentir, nosso viver. Agora o quê que faço sem esta haste; Se, estúpido, eu perdi teu bem querer.
Saudade me tomando. O que farei? A tua voz ecoa em meus ouvidos, Eu sinto que jamais te esquecerei...
Morrendo lentamente... Na verdade, Meus dias vão passando tão sofridos, Só resta o amargo gosto da saudade...
1972
Amor, a tempestade, em calmaria breve É pesadelo louco. Espero e me destrói Ao mesmo tempo cura, amputa e tanto dói! É fardo que carrego e que me deixa leve.
É mão que me tortura, em carinhos se atreve. Depressa, cicatriza, um segundo, e corrói. Esfacela meu sonho; a vida, me constrói. É frio no deserto, e sol em plena neve.
Amor manto desnudo, e clara madrugada; Serpente que me beija, a boca envenenada. Derrota na vitória, os louros na derrota!
É pleno contra-senso, um barco sem destino. Ao velho, pleno encanto, e volta a ser menino. Amor é louco guia, esquece-se da rota!
1973
Amor, como é difícil te encontrar, Meus caminhos, perdidos foram vagos, Mergulhei tantos rios, mares, lagos... Naveguei por planetas, sol, luar...
Amor, nos nossos passos, caminhar, Sem temer por dilúvios nem estragos, Conhecer, ness’amor, segredos magos... Nos canteiros, antúrios, vou plantar...
Em dois corpos, una alma um respiro, Os nossos gozos, juntos num suspiro... Sentir doce certeza do teu bem...
Diversa liberdade que cativa, Aprisiona, tornando mais altiva Nossas vidas que, uníssonas, convive
1974
Amor, meu companheiro de viagem! Nas curvas e desníveis do caminho, Espero por teu vento, tua aragem. Não quero prosseguir assim, sozinho...
A lua vai mudando de roupagem... No céu prateia e doura cada ninho, Se enfeitando, tão bela maquiagem! Amor meu companheiro, passarinho!
Voando pelos campos, beija a flor. Revoando por mares, cordilheiras... Encontra esta beleza, e esplendor.
Pesado, coração voa de banda, As noites são amigas, companheiras, Decerto eu hei de amar-te, bela Amanda!
1975
Amor, apaixonante teu carisma... Beleza, representas Afrodite... Teus olhos repercutem todo o prisma, Quem foi teu criador? Peço palpite...
Nas noites te procuro, velho cisma, Tanta candura assim, nunca se admite... Amar-te é conhecer cada sofisma, Procuro-te, rainha Nefertiti,
Akhenaton, procuro tal beleza, Encontro a solidão como promessa... Não posso te negar a realeza...
A vida nunca teve tanta pressa... No fundo cultivando tal tristeza, A morte me servindo de compressa...
1976
Amor; ao perceber duros revezes Encontra na amizade uma firme haste Por isso é que querida, tantas vezes, Em outros braços, cedo me encontraste, Na mão que feita em cardo já me leses Em outras mãos recebo num contraste
Carinhos dedicados, nova empresa Que mostra, num momento o paraíso, Minha alma ao se encontra quase indefesa Cedendo à sedução de um bom sorriso, Afoga noutros colos, a tristeza, Em toque tão suave e mais preciso...
Amor, se nos teus braços me repele, Eu lembro-te, preciso mesmo dele...
1977
Amor, encanto imenso em canto eterno Que traz a solução para os meus medos. Se em tanto amor, portanto, vou tão terno, Amar é decifrar nossos segredos...
Amor não me permite um frio inverno, Trazendo as primaveras como enredos, Vestindo em alegria, rasgo o terno E trago a liberdade nos meus dedos...
Eu quero em nossa vida, esta euforia, De ser o que tu queres. Plenitude! Cantando dia a dia, a poesia
Que traz nova manhã em puro encanto. Amando sempre mais, tão amiúde, Os olhos p'ro futuro eu já levanto!
1978
Amor, um sentimento tão tirano Que, déspota, não deixa respirar, Causando, se traído, desengano, Recende a fantasia e ao penar.
Converte todo bem em um talvez, Invade sem pedir calma ou licença, Nunca sabe esperar a sua vez, Às vezes punição ou recompensa.
Amor que me injuria quando exalta, Exala tal perfume que inebria, Quanto maior se sente mais a falta Ausente, traz uma alma mais vazia.
Amor que nos derrota na vitória É rumo que se perde em plena glória!
1979
Amor! Quando escutei a tua voz Não pensei duas vezes. Te obedeço! Mesmo que dolorida, duro, atroz, No teu caminho; amor, me reconheço...
Quantas vezes, neguei o teu chamado... Sozinho, arrependido, e tão vazio; Procurava escutar, tempo passado, Mas nada... tu voavas... Que fastio!
Depois de tanta dor e solidão, Depois de tantas noites te esperando... Amor, eu te buscando na amplidão, E somente esse nada inda ecoando...
Amor, tua voz próxima de mim... Serei, quem sabe... Então, feliz enfim?
1980
Amor; dispareunia É caso complicado, No amor que nos unia Destino bem traçado,
Não quero uma agonia, Vivendo lado a lado, Mas tento uma alegria Num riso disfarçado.
Não quero o sofrimento Que traz o meu prazer. Com todo envolvimento
Decerto vai doer. Prometo ser mais lento. Quem sabe? Pode ser...
1981
Amor, na eternidade de um segundo, Trazendo toda a sorte de ilusões... Num sentimento breve e tão profundo Rebenta; sem pensar, os corações.
Na correnteza forte que eu me inundo Tomando já de assalto as emoções, Amor que sempre foi maior do mundo, Morrendo nas estradas das paixões...
Calando tanta angústia em nosso peito, Vasculha cada parte do meu ser. Amor se achando sempre no direito
Coberto de vontades, trama a morte. Eu quero eternamente te querer Na sensação divina que me aporte...
1982
Amor; quando te vejo tão sozinha Olhando para o nunca e pr’o talvez; Vontade de dizer: venha ser minha! Amor que em mim nasceu, em ti se fez. O dia vai passando e na tardinha A lua desejosa espera a vez De vir banhar a terra; amor se aninha; Escrevo que te quero mas não lês... Meus versos se perdendo, sem resposta; A solidão te toca e me maltrata. A mesa desta vida já foi posta Só falta tu quereres desfrutar Do imenso sentimento que arrebata E faz; de olhos fechados, levitar... 1983
Amor! Um sentimento inigualável. Inspirador de deuses e poetas Tornando almas sensíveis prediletas Do Criador, um Ser incomparável.
Amar é ter o bem insuperável Forjando nossas vidas mais repletas De sensos, de caminhos e de metas Deixando o dia a dia suportável.
Chamar-te: Meu amor. Quanta alegria Expressa em poucas letras, mas potentes. É tudo quanto o Bem esperaria
Unindo em versos nossos continentes. Distantes, mas tão próximos; querida, Que seja, pois, assim, por toda a vida!
1984
Amor; que eu não proclame aos sete mares Teu nome, e que preserve o sentimento. Além deste quintal, destes pomares, Silêncio que eu exijo até do vento.
Não saibam deste amor nem os luares, Não quero mais as dores nem tormento Pois sei que tanto amor ao dedicares, Pediste este silêncio, e assim eu tento.
Embora esta vontade de gritar! Embora esta alegria que incontida Invade minha vida sem vagar,
Tomando o pensamento, sem parar Tu és a minha paz, razão de vida, É duro me conter e me calar...
1985
Amor, não sou o resto que pensavas, Apenas me enganei, te amei demais. Rompeste, sem querer todas as travas Que sempre protegiam o meu cais. Vieste e bagunçaste toda a casa, Fizeste uma total revolução, Do gelo tu forjaste louca brasa, Depois desperdiçaste tal vulcão... Agora que senti que fui usado, Incrível, não me sinto simples presa, Valeu a pena, amor, ter encontrado Mesmo que por segundos, tal certeza: Depois deste teu barco sem destino, Voltei de novo a ser, como um menino...
1986
Amor, partenogênese fantástica Que traz do nada, o tudo insuperável... Mostrando sua face mais elástica Nos morde de maneira mais amável. Notícia que se torna mais bombástica Bebendo solução mais intragável.
Leva todo o bom senso pra falência Derruba um matagal de sensatez. Amar é sucumbir com inocência, Perder de uma vez só, a lucidez. Depois pedir por paz, pela clemência Após a guerra louca que já fez...
Amor é ser cruel, sendo servil. Amar, trazer remanso, a um ser vil...
1987
Amor, cavalo solto, bela crina Que passa galopando em nossa vida. Na ponta desta faca, aguda e fina, O corte que se fez, sem dar saída. Cativo deste amor que me domina, A sorte não promete despedida...
No pomo deste amor, maçã e medo, Vestido de ternura e de saudade. Morrendo em cada verso de degredo, Vivendo em cada sonho de verdade. Me prendo nos teus braços, teu enredo, Embora em nosso amor, disparidade...
Dou asas ao amor, corcel bendito E vou braços abertos, infinito....
1988
Amor, este elixir da eternidade É fonte de uma eterna juventude Permite que se encontre a mocidade, Se pleno de amizade e de virtude.
Refaz uma esperança, mata a fera De garras tão ferozes, afiadas, Renasce em meu jardim a primavera Eterna e divinal em mil floradas...
Amor, uma manhã ensolarada, Nos versos que componho a ti, querida, Premissa que remoça na alvorada
Que teima se sentir por toda a vida... Amiga, um sentimento que é tão forte, Impede quando em vida, que haja morte...
1989
Amor; por que mentiste para mim? Andava solitário pela vida Mas mesmo em solidão, vivia assim Com minha sorte plena e decidida. Achava que jamais teria fim A calmaria e a paz ali sentida. Mas logo tu chegaste... Pude, enfim, Acreditar que havia uma saída... Depois tu me trocaste por alguém Deixando-me de novo tão sozinho. Pior, agora vou buscando um bem Que possa me trazer um novo dia. Quem prova deste amor, deste carinho, Morrendo, sem ter paz e uma alegria...
1990
Amor... Em teus domínios me entreguei De tal forma que nunca imaginara... Distantes emoções. O que farei Com esta sensação imensa e rara. Suspiro na procura de um remédio Que possa me trazer de novo a paz. Amor tomando forma; em seu assédio Me perco e já nem sei se sou capaz... Tentando em ombro amigo, me apoiar Mas nada me conforta, alma se solta E busca andante errante te encontrar... Este caminho trilho e sei sem volta... Mas ouço tua voz, meu coração, Dizendo-me: não lute. Ah! Isso não....
1991
Amor, por vezes cego, já se engana Quando demais, a esmo, segue a sina. Porém quando te vejo amor se ufana Da sorte tão ditosa que destina A quem, por vezes cego; não sabia Que estava bem diante deste amor Farol que me irradia a fantasia Mostrando o meu futuro encantador Ao lado da morena mais formosa Que um dia Deus criou por sobre a terra, Se sobressai das outras, olorosa, Uma esperança doce já se encerra No colo da morena sedutora, Das dores que passei, a redentora...
1992
Amor... Quando partiste, sem saber, Deixaste no meu peito uma cratera. Agora vou vivendo por viver A solidão me toma, triste fera...
Não quero que tu penses que estou triste Eu canto de alegria, nem percebo Nem quero mais saber se a dor existe, Um novo amor já tenho e assim concebo.
Os olhos são tristonhos? Nada disso! Sorrio e me encanto por sorrir. Amores que chegarem? Compromisso? Ninguém pode pensar nem em pedir...
Não pense que fiquei tão desolado! O lenço? Meu amor, estou gripado!
1993
Amor? Talvez... Qual nome, enfim, daria Ao nobre sentimento que me trazes. Só sei que tanto sinto essa alegria, Independentemente do que fazes.
Querida, uma amizade, pode ser... Porém não só te quero, como vejo Em todos os momentos, sem querer, Algo que me domina e que desejo.
Não consigo fazer a distinção, Apenas eu pressinto que te quero. Mais além, bem além de uma emoção, A plena sensação: eu te venero!
É como uma amizade, em fantasia, Retrata um grande amor? Fotografia...
1994
Amor, um sentimento insuperável, Nos traz toda a alegria com tristeza. É forte, gigantesco; mas instável, Refletindo em nossa alma dor, beleza...
A força de um amor, locomotriz, Nos traz uma certeza de encontrar No céu desta esperança; tal matiz, Que faz quem tanto sonha delirar...
Amor inconseqüente, sem juízo, Acima da maldade e da bondade. Inferno que nos leva ao paraíso, Amar é sempre ter a mocidade.
Amor é soberano e sem igual, Acima, sempre está, do bem, do mal...
1995
Amor, um sentimento tão tirano Que, déspota, não deixa respirar, Causando, se traído, desengano, Recende a fantasia e ao penar.
Converte todo bem em um talvez, Invade sem pedir calma ou licença, Nunca sabe esperar a sua vez, Às vezes punição ou recompensa.
Amor que me injuria quando exalta, Exala tal perfume que inebria, Quanto maior se sente mais a falta Ausente, traz uma alma mais vazia.
Amor que nos derrota na vitória É rumo que se perde em plena glória!
1996
Amor, bem sabes tudo o que receio, Mas tantas emoções, amor apura. Deitado em languidez sobre teu seio, Encontro, para o amor, uma armadura...
Proteges, com carinho e com ventura, Das lutas que mais temo e mais anseio. Amor é desvendar numa aventura Mistérios que me enlevam, em que creio...
Ao poderoso dono do destino, Que sabe conquistar e me domina. Futuro tão incerto descortino Nos braços de quem amo e me alucina...
Não vejo desafios mais constantes Que aqueles que nos tornam em amantes...
1997
Amor, meu contraponto da existência Meu verso predileto e mais loquaz. Amar não é somente coincidência É mais do que provar-se ser capaz...
A força que se emana deste fogo Não deixa mais um resto sem abalo. Amar não é somente um louco jogo É sonho que me invade, onde me calo...
Amor sem ter juízo já me perde, Insano me desfaço sem razão; Aos poucos sanidade vai e cede Espaço pros delírios da paixão...
É tanto que não posso mais falar Somente se conhece amando amar...
1998
Amor; mesmo esperanças já perdidas Prometem novos cantos se quiseres. As horas que vivemos destruídas Renovam-se nos sonhos que puderes.
Eu sinto que não vale mais a pena Sentir essa tristeza que se apressa. Mudemos de sentido a velha cena Teremos novo amor, assim depressa.
Disperso o sentimento como pólen Esparso pelo vento, sem destino. Talvez se algumas flores o recolhem O dia nascerá tão cristalino...
Não temo a primavera nem outono, Não quero combinar com abandono!
1999
Amor, neste lugar onde persigo Os rastros dos teus passos melindrosos. Não sei por quantas vezes eu consigo Saber de nossos sonhos mais formosos.
Preciso me encontrar, sem te temer. Porque em meus olhos surge tal imagem Da morte e da vontade de viver, Em luta que pernoita essa visagem.
Assim parte, assim some, em cada rosto, Quer me punir, amor, por ter sabido De cada sentimento, assim mal posto, Depois de tanto tempo já perdido...
Meu amor, perseguindo cada passo, Já me perco, envolvido em seu cansaço...
2000
Amor; não quero o medo que te assusta, Nem quero o gosto amargo que vivemos. As contas com a dor, meu peito ajusta, Manhãs inesquecíveis já rompemos...
Agora nossa aurora está nublada, Mas ventos de promessas já chegaram. A noite que dormimos, minha amada, Aos poucos, os silêncios se falaram...
No toque que senti de tua pele, Amando sob as tramas dos lençóis. Aquela que dizia que repele, Se encontra mais pertinho, velhos nós...
Quem sabe a solidão tão prometida, Permita nosso amor, minha querida...
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