
De Verão a Verão
Data 23/11/2010 12:44:28 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Sou em ti sonho louco Por todos os mortíferos rostos A cavalgar na escuridão A deitar-me nos teus braços Na procura da longitude do mar Na mesmíssima terra onde os justos Se acabam aos pares As orquídeas fazem levitar os andores E os santos caem ímpares No desejo de serem Os primeiros sacramentos Baptismais
Soberana Casta Imagem verde Nos olhares de quem tem fome Espécie dizimada no teu corpo Folha virgem Nas mãos de quem ousa desafiar o destino Ramagens a colher as primeiras gotas da chuva
Tenho-me na secura dos montes Nas pradarias onde a morte é razia A quebrar as pedras onde deito a cabeça E gravitam os sonhos Até à chegada de mais uma leva de conquistas Para a união das serranias graníticas Onde o vento uiva E os lobos se amamentam Dos odres de uma espécie A medrar nas minhas mãos
Virgens, eternas e casuais, causas Na boca de quem não sabe Que o Verão é fustigado Pelo quebranto das horas Em estios Invernais.
Esburacados estão todos os momentos A quebrar a secura do início do Outono As jornas, requerem sabores doces sazonais Pétalas vítreas Matagais a resvalar por entre todas as vestes De uma imagem quebrada Içada pelo toque azul que se esvai De Verão a Verão
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