
MEUS SONETOS VOLUME 013
Data 22/11/2010 07:54:40 | Tópico: Sonetos
| 1201
Agosto no meu peito, inverno que se alonga. Quem dera a primavera... agora é muito tarde... A espera se mostrou inútil, tola e longa O frio na janela, a neve que cai, arde.
O gris que vem tomando, aos poucos meus cabelos Refletem este céu, nublando uma esperança. Como haverá florada? Intensos são os gelos. O fim que se aproxima, o meu olhar alcança.
Apenas solidão. Única companhia. Mergulho no passado e vejo o teu retrato... Verdugo da ilusão. Arranco a fantasia
E exponho o coração. Ourives às avessas Destrói assim a perla. A pedra que maltrato, Negando o meu setembro, estúpidas promessas...
1202
Agraciado em vida pela sorte De ter o paraíso descoberto Antes que me beijasse a fria morte Ficando do teu lado, sempre perto.
O coração deveras vai aberto Trazendo para a vida tal suporte Aguando em esperanças um deserto, Cicatrizando em paz profundo corte.
Risonhos os meus dias ao teu lado, Na verdadeira luz que sempre guia Um peito que se entrega, enamorado,
Nos braços desta amada fantasia Que traz o gosto doce do melado Bebido em tua boca a cada dia...
1203
Agradecer por toda essa amizade Que embora se fazendo mais distante Permite que se entende por constante Um lume tão suave que me invade.
Não tendo um descaminho que degrade Os sonhos deste encanto que agigante, Seguindo sem pensar vou adiante Na busca da sutil felicidade...
Adornas os meus passos com firmeza, Realizando em paz e com destreza O que se permitiu ser permanente.
Na base disto tudo sempre estás E enquanto tu derramas farta paz, O coração batendo mais contente...
1204
Agridoce sentimento Que nos doma enquanto guia Transportando o pensamento Beija a boca da alegria
Coração; não apascento, Nem pretendo calmaria, “Tua voz na voz do vento”, Tanto apraz quanto vicia.
Moça bela, venha logo, Quero ser teu namorado, A tristeza, em ti afogo,
Quero estar sempre a teu lado, Tanto amor, querida eu rogo, Eu estou apaixonado!
1205
Agruras esquecidas num recanto Deixadas para trás, sigo adiante, Usando a poesia de teu canto, Nesta sonoridade que agigante
Uma alma acostumada com quebranto, Bebendo de uma Angústia: Inferno em Dante, Na falsa proteção de um amianto, Jogado enfim às traças numa estante.
Perenidade é fútil fantasia, E quando tu derramas a alegria Percebo que talvez eu possa ter
A mão acolhedora e carinhosa, Tocando esta minha alma pedregosa Moldando um novo tempo de prazer...
1206
Aguando cada flor dentro de mim Com gotas de esperança eu passo a crer Que o tempo tão distante de onde vim Talvez inda me trague algum prazer.
A boca da ilusão é carmesim, E nela tanta coisa por dizer Amor vai gotejando até o fim Até que uma alegria eu possa ter...
Por mais que uma tristeza inda resista, Deixando que se aflore uma emoção, E nessa fantasia tanto insista
Percebo que terei como colheita Os gozos da sublime perfeição
1207
Aguando em emoções o meu canteiro Percebo o raro sol que já me toma, Além do brilho manso e corriqueiro, A claridade exposta não se doma
Tomando conta agora do jardim, Trazendo em claridade amor e dor, Além do que eu pensara traz pra mim Reflexos de alegria e dissabor.
Outrora em meus veleiros naufragados A negritude em pleno dia claro; Meus olhos em tristezas alagados Deixando-me somente o desamparo.
Porém ao ver o sol tão deslumbrante, Saudade dos teus olhos... num instante
1208
Aguando em esperanças o deserto Destino transformado totalmente, O peito em amor puro vai liberto Trazendo alvorecer bem mais contente.
No poço em que se fez escuridão, Amor mostra possível farta luz. O tempo em que se deu ingratidão Às mãos de um novo sonho nos conduz.
Na cruz em que se estampa o bom cordeiro, O amor que assim se deu em sacrifício Permite que se mostre verdadeiro O amor como caminho e como ofício.
Nos olhos do judeu, em doce alento, O fim dessa amargura e sofrimento.
1209
Aguardando notícias de quem amo Eu tento descansar, mas não consigo, A sombra do passado, ameno, amigo, Podada dos meus sonhos, frágil ramo.
Por vezes, solitário inda te chamo, A solidão responde em desabrigo, Felicidade; em vão, quero e persigo Teu corpo do meu lado – amor – reclamo.
Porém somente o frio me responde, A vida se transforma em pesadelo. O sonho que apascenta, sem sabê-lo
Procuro e nada encontro nem sei onde Eu poderia ter um lenitivo. Sem ter o teu amor, eu sobrevivo...
1210
Aguardo algum desfecho que inda possa Fazer de um verso tolo, uma alegria. Enquanto a fantasia me remoça Realidade agride todo dia.
Agora é depressão a antiga fossa Que perde na mudança uma magia. Saudade de você, quando me acossa Tua presença volta e me agonia.
Encapo o coração com as lembranças E sei que isso é perfeita estupidez. O amor quando convida pras festanças
Prepara estas andanças ao passado. De tudo o que busquei nada se fez, Mas bebo uma esperança, e de bom grado...
1211
Aguardo algum sinal: felicidade? Talvez ainda veja os seus caminhos. Bebendo a solidão meus descaminhos Encontram tão somente falsidade.
O quanto quero em paz, tranqüilidade, Sorvendo em taças claras, fartos vinhos, Meus olhos em temíveis desalinhos Não sabem discernir mais claridade.
Matizes em mosaicos e arabescos, Procuram tão somente por afrescos Que possam traduzir uma esperança.
Mas ledas emoções se dissipando, O tempo em amargura vai passando, Somente a fantasia inda me alcança.
1212
Aguardo calmamente este desfecho Depois de tanto tempo na procura. As portas quando insano tento e fecho Trarão após a chuva a desventura.
Nas cinzas do que fomos quando eu mexo Reparo quanto trago em amargura, Carrego no meu peito este apetrecho Que possa ser quem sabe, amor que cura.
Anexo; vão as cartas que mandaste Durante esta viagem pelo tempo. Jamais quis ser somente um passatempo
Tampouco suportei qualquer desgaste. A minha assinatura vai borrada, E a carta pela dor, amarrotada...
1213
Aguardo em meu jardim, tua presença A rosa perfumada que trazendo Beleza sem igual em recompensa Derramará perfume que estupendo
Permitirá tal viço que decerto Fará deste canteiro um Paraíso. Aguando com meiguice este deserto Trará toda a alegria que eu preciso.
Jardim há tanto tempo abandonado, Apenas tão somente ervas daninhas Embora com carinhos cultivado Sonhava com momento em que tu vinhas
Mudar de minha história, a direção Causando no meu peito, a floração...
1214
Aguardo esta chamada que não vem Telefone em silêncio maltratando Procuro inutilmente por alguém, Solitária, outra noite vai passando.
Queria simplesmente ter um bem, O sonho num vazio se tornando. O vento da esperança sem ninguém A fantasia aos poucos desabando.
Espero que tu ouças o meu canto, E venhas pelo menos para ver O quanto te desejo em cada pranto
O tempo vai passando, a dor aumenta, Uma ilusão domina e me faz crer Que é ela quem acalmando me alimenta...
1215
Aguardo esta chegada ansiosamente; Soubeste dominar os meus receios, E tudo que minha alma agora sente Mergulha na beleza de teus seios.
O amor que se tornou assim urgente, Conhece os meus caminhos, sabe os meios Tomando já de assalto a minha mente Permite os mais sublimes devaneios.
Esqueço os sofrimentos, abro o peito, E assim, vou finalmente satisfeito Mudando a direção do meu destino.
Aos píncaros dos sonhos, chego enfim, No gozo deste encanto que, sem fim, Sossega o coração de um peregrino...
1216
Aguardo esta presença no meu quarto Deitado sob os sonhos; quero mais. Até que eu me perceba imenso e farto Bebendo destas fontes sensuais.
A lua se declina sobre nós Trazendo em sua prata, um raro brilho, Duma esperança clara, ouvindo a voz Estampo em teus desejos, estribilho.
De teu perfume entranho o meu prazer Ardentes emoções, calor supremo. Do gozo alucinante; me embeber Do amor que nos domina, nada temo.
E sigo sem pudores pelas noites, Os lábios de quem amo; meus açoites
1217
Aguardo esta resposta prometida Aos versos que te fiz, apaixonados... Eu quero teu amor por toda a vida Embora tantas vezes, enganados...
Aguardo em tal resposta; dura verdade, Que traga uma alegria, uma esperança. De termos, finalmente, liberdade; No sonho que carrego, de criança...
Aguardo teu amor com tanta sede Qual fora um peregrino no deserto. Deitar tão calmamente numa rede Sabendo que terei amor por perto,
Manda-me uma resposta, qualquer uma; Senão em versos tristes, vida esfuma...
1218
Aguardo o teu carinho e sou feliz, Meus olhos são teus olhos, simplesmente. Do amor que me ensinaste, um aprendiz; Que quer dançar contigo, novamente...
Numa ciranda eterna sem fronteiras Montanhas, horizontes, nosso fado. Palavras tão sinceras, verdadeiras Não deixamos de dar nosso recado.
Eu sinto o teu perfume neste vento Que fala em liberdade e da justiça Numa harmonia imensa, o pensamento Já não suporta mais qualquer cobiça
Que não seja por paz e por carinho, Forrar de amor amigo o nosso ninho...
1219
Aguardo para o fim, rebelião; O amor em tempestade dentro em mim, Provoca nos desejos um motim, Causando assim total sublevação.
A lua vendo tudo da amplidão Demarca com seus raios de onde eu vim, O porto se afastando até que ao fim Só restem os resquícios da ilusão.
Apenas teu sorriso inda me guia, Talvez desta esperança, a fantasia Não deixe que eu perceba a realidade.
O mar que se fizera quase morto, Negando ao navegante agora o porto, Adentre os campos vagos da saudade...
1220
Aguardo que inda tenha uma guinada, Que possa me fazer bem mais feliz. O tempo vai passando, isso me diz Que é curta, porém firme minha estrada.
A lua sobre os montes debruçada Clareia este tapete onde eu me fiz Eterno sonhador, um aprendiz Da vida que em momentos foi sonhada.
Minha alma se espelhando no cenário Invade num extremo temerário E a liberdade utópica se alcança.
Aos poucos um retrato puro e lindo Permite que eu prossiga me esvaindo; Fumando meu cigarro, na fumaça.
1221
Aguardo tão somente a chegada do fim Que ao se aproximar, demonstra o quão vazio E inútil totalmente o cevar de um jardim Que estúpido, sem nexo ainda fantasio...
Tendo numa sarjeta o abrigo corriqueiro, Após a bebedeira, uma fuga usual, A flor apodrecida entregue ao meu canteiro, Rito costumeiro espúrio e sensual...
Amor custa dinheiro; a roda nunca pára Circula eternamente, a mente ronda a sorte, A boca que me beija em risos se escancara Aguardo fielmente a redenção da morte...
Sozinho neste quarto, as letras se misturam... Confusões de cetins e absintos me torturam.
1222
Aguardo teu amor, minha andorinha E peço que não faças migração Minha alma sem te ter, morre sozinha, E com asa quebrada cai ao chão.
Não deixo no jardim, erva daninha Nem mesmo me esqueci da adubação Cevando com amor cada plantinha Aguardo o mais depressa, a floração.
E quero o teu perfume para mim, A rosa preferida do jardim Rosa vermelha diz meu bem querer
Exala a sedução do puro amor, Vermelho sempre diz total ardor Vermelho e branco? Amar até morrer!
1223
Aguardo um telegrama, carta, e-mail, Mas nada de notícias, vou à luta. Apenas carregando este receio Da vida que se deu em massa bruta.
Da brita da esperança faço a casa, Porém ela não quer viver comigo, Às vezes incendeia intensa brasa Depois, virando o rosto: nem te ligo!
Amigo o quê fazer se eu gosto dela? Perfuma mesmo longe, o meu jardim, É filha com certeza da costela Quebrada há tanto tempo dentro em mim.
Parece que é vingança desta moça, Destino preparando cada troça!
1224
Aguardo uma notícia que não vem Daquela que se fez mulher e santa, Minha alma a cada dia mais se encanta Na espera pela noite do meu bem.
O vento bate à porta, mais ninguém... O grito se entalando na garganta, Enquanto a solidão já se agiganta Ilusão se apequena e perde o trem.
Fantasmas do que fomos fazem ronda, Enquanto a fantasia busca e sonda Depois de certo tempo enfim se cansa...
O frio que se abate é tão constante, Delírio se mostrando provocante Matando a sua sede na lembrança...
1225
Aguardo uma resposta que não vem, Meu grito vai sem eco pelo espaço. Tomado pela dor, pelo cansaço, Espero aqui, sozinho, sem ninguém...
Quisera num segundo ter meu bem Deitada, aqui quietinha no meu braço; Não posso, não consigo e nem disfarço, Só saudade; meu peito, triste, tem...
Silêncio me matando assim, aos poucos, Distância, uma feroz vicissitude, Procuro, então, tomar uma atitude
Antes que os dias fiquem todos loucos, Lidar com tua ausência? Não consigo. Quem dera ter-te aqui, junto comigo..
1226
Aguardo uma resposta simplesmente, Falando do luar e do sertão Da moça que vestida de emoção Se entrega sem juízo, corpo e mente.
Na louca serventia de um vivente Que crê sem conhecer toda a amplidão, Apascentando a fúria de um tufão No olhar plácido e calmo. Mansamente.
Aguardo o que reguei e não sabia Que um dia colheria em tarde bela, Bebendo a fantasia que revela
O rosto feito em paz, doce harmonia, Eu teimo em perseguir cada cometa Aonde a poesia se arremeta...
1227
Águas e rios; sonho em busca do meu mar Este oceano infinito aonde eu me encontrei Na caça sem limite o canto feito amar Cicatriz inerente é quase que uma lei.
Tatuo que sou teu na tez a se mostrar Rasgando o velho véu em luas procurei O verso em que pudesse alvíssaras tramar; Só sei, depois de tudo o quanto eu nada sei.
O mar se fez em lago – a total placidez. Reféns de nosso sonho; adentramos a noite. Quieto da madrugada um canto que se fez
Distante da ilusão. Lençóis – seda e cetim, Não quero tempestade e nem sequer açoite Apenas este lago adormecendo em mim...
1228
Águas, corredeiras, rio e mar, Vontade de te ter aqui comigo, A tarde inteira, à noite namorar Além desta esperança, assim prossigo
Querendo te sentir, poder tocar Fazendo de teu corpo o meu abrigo, Na teia de teus braços me afogar, Vivendo o que sonhei- amor- contigo...
Suor, salinidade, mar e pele. Sou presa dos desejos e loucuras. A ti, minha vontade assim compele
Queremos desfrutar cada momento, De todas as maneiras. Branduras Dos beijos delicados como o vento...
1229
Aguças meus sentidos, provocante Vestida de suave transparência, Percorro com completa paciência A rota que traduz-se fascinante.
Num átimo me encontro assim diante De uma beleza rara em eloqüência, E sem nenhuma pena ou indulgência Convidas ao banquete, radiante.
Olhar esta nudez maravilhosa, Deitada nos lençóis, seda e cetim, Eu sinto efervescendo dentro em mim
Fogueira me deixando em polvorosa, Queimando-me na ardente fantasia, Insânia que transbordas, inebria...
1230
Agüento qualquer tranco. Uma porrada Se mostra assim por certo, costumeira. Preparo então com fé a barricada, Mas logo estendo, branca, uma bandeira.
Não quero que me reste quase nada, Senão a paz divina e companheira. Matei há muito tempo, diva e fada, Cadáver estendido numa esteira.
Seria proveitoso se eu tivesse Alguma companhia feminina. Rogando em reza brava, tanta prece
Em vão. Não sei sequer se resta alguma Chance. A sorte então já determina Que o céu só trague, enfim, grisalha bruma..
1231
Ah! Quanto tempo temos antes de Descobrimos a chave deste cofre Que entranhado nos toma a claridade E ataca-nos querida, assim de chofre? Quem não sabe de amor ou amizade É só não reclamar depois do enxofre.
Vassalos destes deuses poderosos Amamos numa entrega indivisível. Caminhos percorridos, olorosos, Permitem novo sonho ser possível Meus passos dos teus passos amistosos Num canto que se mostra coercível.
Amar é com certeza dar abrigo Além de ser teu par, sou teu amigo...
1232
Ah! Quem se ri do amor deve sofrer Amor nos santifica enquanto cura. Distante de um amor, melhor morrer, Pois nele eu encontrei toda ternura.
Vivendo nosso amor, puro prazer, Estrela que irradia não tortura, Apenas a cadente, podes crer, Se perde sem desejo e sem candura...
Contigo par a par, a vida inteira, No céu tão infinito da alegria, Avio teu sorriso companheira,
Recebo toda a glória deste amor. No canto que nos toma em euforia, Nas marcas deste canto sonhador...
1233
Ah! Quem me dera fosses meu amor! Como a vida seria mais completa. A poesia, amiga predileta, Companheira, por onde quer que eu for;
Teria enfim, parceira mais dileta. E nunca mais seria um sofredor, Quem sempre teve espinhos nunca flor, No sonho audaz, tentando ser poeta...
Se fosses meu amor, que bela a vida! Andar buscando glória, sorridente. Não conceber sequer a despedida...
Sentir o teu perfume que, envolvente, Penetra nas narinas. Na sofrida Luta por viver; sentir-me gente!
1234
Ah! Tuas mãos... Promessas de carinho Em viagens divinas por nós dois. Buscamos desejosos, nossos ninhos, Nos cálidos abrigos do depois.
Eu quero te sentir mansa e dolente, As mãos cariciosas percorrendo Num toque tão sublime, tenramente Aos nossos desejos, ir cedendo...
Sentindo no fluir desta manhã O tato perfumado e sendo audaz Saber que nos queremos com afã De quem já sabe o quanto que é capaz
De ser amado, amar além, bem mais, Encontro em tuas mãos, meu barco e cais...
1235
Ah! Como é bom lembrar de nosso amor! Não foi somente um caso que acabou, É mais do que um encanto sonhador, Gosto maravilhoso aqui ficou...
Não deixaste senão este sabor Delicado lembrando a quem amou Que a vida se renova com vigor Mas não deixa prá trás o que sonhou.
Toda a felicidade de saber Que foste minha amada, e minha sorte, Vivendo na alegria do prazer
Ter tido o teu amor junto comigo Tornando uma esperança bem mais forte. Amor que sobrevive eterno, amigo...
1236
Ah! Quando dispersei essa esperança Em nome da certeza do futuro; Não sabia que a vida não se cansa, De fingir-se leal, porto seguro.
Ao tentar destruir esta aliança, O claro sentimento fez-se escuro. Tempestade abortando uma bonança, A sorte se escondeu detrás do muro...
O mar que fora meu, virou deserto, O frio de minha alma congelou. A solidão feroz, ronda por perto,
A paz se fez distante, na batalha. O nada simplesmente me sobrou, No corte tão profundo da navalha!
1237
Ah! Como vais negar que foste minha Se a boca está marcada pelo beijo. Se a vida te desfez e vai sozinha, Te quero com a força de um desejo.
Se a sorte no meu peito inda me espinha, Se o tempo se perdeu, e nada vejo, Se a morte deste amor já se avizinha, Se nada mais percebo, e o fim prevejo.
Estás em cada verso que proponho, Estás na fantasia que alimento. Tu vives na verdade em cada sonho.
Embora noutros corpos me esquecesse, Tu és o que me resta, o meu alento, O beijo que me deste, a minha prece...
1238
Ah! Se soubessem, moços, o que eu sei... Jamais se deixariam mais levar Por todos estes sonhos que sonhei Além desta esperança, naufragar...
Amores são farsantes, eu provei Do gosto da saudade a me amargar. Depois de tanto tempo, me entreguei E somente essa mágoa a me tocar...
Amores mentirosos... Pobres moços... Afastam-se do sol, buscam infernos. Acreditam viver raros colossos,
Depois, somente a dor por herança; Quem quiser se aquecer em pleno inverno, Esqueça estes amores da lembrança...
1239
Ah! Tire o teu sorriso do caminho Que eu quero desfilar a minha dor, Se nesta vida, amada eu sou espinho, Jamais vou maltratar a bela flor...
Agora se meu canto é tão sozinho Distante de teus olhos, meu amor, Percebo como a vida sem carinho Maltrata um coração que é sonhador.
Nos espelhos meus olhos rasos d’água Refletem toda a dor e a triste mágoa Da vida, que sem força continua...
Não quero ser espinho em tua vida, Mesmo que a sorte/flor se vá perdida. O sol não viverá perto da lua...
HOMENAGEM AO GRANDE NELSON CAVAQUINHO
1240
Ah! Quem me dera estar sempre a teu lado, Na lua tropical , boleros e canções, Bandoleons, violas, noites, fado.. Rodando nas loucuras das paixões...
Não me canso jamais, apaixonado, Entregue a tais desejos seduções... A noite vem e traz o teu recado, Na boca, doces lábios, tentações...
Ah! Quem me dera o gosto do veneno Bebido em tua boca, nos teus seios... Delírio me tomando, vivo e pleno,
Tremendo todo o chão sob os meus pés... A vida se entregando aos meus anseios, Na dama que convida... os cabarés...
1241
AH! COMO EU PODERIA TE DIZER DA SENSAÇÃO CRUEL DESSA SAUDADE DIZER-TE QUE, SEM TI , MELHOR MORRER! VOU PROCURAR-TE, SONHO EM LIBERDADE..
JAMAIS EU SABERIA QUEM HÁ DE INFORMAR A ESSE LOUCO SEM POR QUE EM QUE CANTO, EM QUE RUA NA CIDADE EM QUE MUNDO ELE SOUBE TE PERDER?
AGORA QUE AS PALAVRAS SÃO NEFASTAS. AGORA QUE MEU MUNDO JÁ PERDI QUANTO MAIS ME APROXIMO, MAIS T'AFASTAS
MAIS SINTO A ANGÚSTIA MAIS CRUEL, SORRIR. SE, QUANTO MAIS DE DOR, MEU PEITO, ABASTAS; SUPLICO, POR FAVOR, O AMOR EM TI
1242
Ah! Se eu pudesse... amor... não deixaria Jamais a noite fria te levar, E voltaria sempre em alegria Colado no teu corpo, a procurar...
Buscando o teu amor a cada dia, Nos raios deste sol e no luar, Nos versos que dedico, em poesia, No canto que te faço a cultivar.
Eu sinto que tu andas tão distante, Mas vejo uma promessa nessa dança, De ter o teu amor a todo instante,
Na festa em que louvamos nosso amor, Vivendo sem deixar esta esperança, Que é minha e me acompanha aonde eu for...
1243
Ah! Meu amigo, como dói perder A mulher que sonhamos toda a vida. A dor vem destruindo todo o ser Invadindo a nossa alma distraída...
Bem sei como é custoso de se crer Que uma pessoa amada e tão querida Se vai. E nem sequer quer mais saber Da nossa vida, triste e destruída...
Assim também alguém foi meu carrasco, Deixando quase nada para mim. Entorna a fantasia e quebra o frasco
Jogando pelo chão, um sentimento. Vontade de morrer, chegar ao fim... Creia: nossa amizade é bom alento...
1244
AH! COMO EU PODERIA Falar de cada verso Aonde me disperso E tento novo dia
A sorte não traria Sequer este universo E sei que desconverso E evito esta agonia
Matando uma esperança A vida ora se cansa Da luta incomparável
Vestindo a ingratidão Os dias me trarão Somente o degradável.
1245
“Ah! Se eu pudesse te abraçar, agora!” Te juro, não soltava nunca mais! Se a chuva vai caindo bem lá fora, Saudade, no meu peito inda é demais! Meu peito, desejoso, só te implora, Não deixe-me sozinho, amor, jamais! Vem cá, moça bonita. Tá na hora! Meu barco precisando do teu cais! Tu és a manga rosa do pomar Que Deus celestial me preparou. Jamais de amar demais, irei deixar, Te quero noite e dia sem parar, De noite balançando a rede. É gol! Beijar, fazer amor? Só começar!
1246
Ah! Meu amor... Eu sempre lembro, sim, Desta primeira noite que tivemos, Um mundo em convulsão dentro de mim, De todos os carinhos que tecemos A noite parecia não ter fim, O dia amanheceu, nem percebemos, Tu eras minha... Quanto quis... Enfim... E nunca mais, depois disto, nos perdemos... Eu te amo e cada vez te quero mais, Naquela camisola transparente, Guardada na memória feito um cais Que sempre quando estou mais vacilante Ressurge na lembrança novamente, E traz de novo o amor, a cada instante...
1247
Ah! Quem contigo vive é mais feliz, Tu trazes esperança em cada verso, Ensina que, de amor, um aprendiz, Recebe tantas bênçãos do universo!
Tu és este meu guia pela vida... Não deixo me enganar se tenho a ti, Aprendo que se tenho dividida A sorte; ganho mais do que perdi.
Aprendo a consolar quem me consola, Aprendo tanto amar a quem não ama, Amor não se prepara numa escola, É fogo que nos queima em viva chama.
Tu és de minha vida, toda a verdade, Por isso é que me encanto na amizade...
1248
Ah! Meu Deus, como é bom saber que existes! Tu és toda a certeza que preciso De que se findarão os dias tristes E de que viverei no paraíso!
No rio que caminha para o mar Levando uma esperança: ser feliz! Contigo conheci o que é amar, Tu és, na vida, tudo o que mais quis...
Ah! Meus Deus, eu sonhei com teu amor; Nas noites mais geladas, solitárias. Porquanto necessito teu calor, Findam-se minhas dores, temerárias...
Por isso, meu amor; ao mundo clamo: Ah! Meu Deus, eu te quero, como eu te amo
1249
Ah! Mulher do sol, como te quero; Sem rumo sem sentido sem ter nexo... Vencido pelo ardor que sempre espero Vertido num desejo mais complexo...
Mulher que me irradia sem saber Sangrando em cada poro, uma esperança; Receba de meus braços, tal prazer; Que aos poucos, calmamente sempre avança;
Nascidos sob a luz que não se acaba, No brilho que sugamos deste céu. Aos poucos um disfarce se desaba Montamos sem sentir, mesmo corcel;
E a noite nos convida a passear Entregues num eclipse, te encontrar...
1250
Ah! Nos teus lábios quentes, tanto amor... Amor que procurei a vida inteira. Sabendo que busquei a vida inteira Em todos os caminhos, tanto amor...
Quero meu descanso nos teus braços Deitando em nossa cama, meu prazer. De tudo que queria, meu prazer; Encontro aqui deitado, nos teus braços...
Eu quero tanto amor, e meu prazer, Na busca a vida inteira, por teus braços... O meu prazer deitado nos teus braços, Eu quero tanto amor a vida inteira.
Ah! Nos teus lábios quentes, meu prazer, Eu quero o meu descanso em tanto amor
1251
Ah! Como é bom poder te amar assim... Vieste deste modo manso, breve... Aos poucos foi chegando até que, enfim, Minha alma se sentiu tão calma e leve.
Quem fora despertado pelo vento Feroz e tão intenso da paixão, Vivendo amor sem rumo, em sofrimento, Rompendo, destruindo o coração;
Ao ter, neste momento, a calmaria; Percebe como é belo o grande amor. Trazendo, sem loucuras, a alegria; Disposta a vir comigo aonde eu for...
Deitado do teu lado, tanto afago. Na doce placidez dum lindo lago...
1252
Ah! Como é bom poder falar teu nome... Solto por sobre as pedras, vales, rios... Ao longe quando falo, no eco some Percorrendo distantes, os vazios...
Teu nome, minha amada companheira, Traduzindo as belezas mais gentis. Dando essa sensação tão verdadeira, A de que poderei ser mais feliz.
Amada, como adoro ter chamar, Nas horas mais doídas desta vida. Distante dos meus portos, do meu mar. Nessa ausência de mim mesmo, querida...
Teu nome não me sai do pensamento, Percorre todo o mundo, solto ao vento...
1253
Ah! Como eu te queria agora, amor... Poder estar contigo junto a mim, Sentir o teu prazer, o teu calor... E tudo o que mereço, creio, enfim...
Poder cariciar teu corpo todo, Beijar tão mansamente a tua boca... Depois de tanta dor, de tanto engodo, A vida se promete livre e louca...
Delírios e desejos se completam Em cada movimento novo brilho... Amores em prazeres se repletam E formam nossos sonhos, nosso trilho...
Ah! Como eu te queria aqui, amada... Entregue, se sabendo desejada...
1254
Ainda quando pude Vencer a tempestade E o dia ainda brade Decerto atroz e rude, Alheia a juventude Marcando o que degrade Rompante toma a grade E ocaso ainda ilude. Meu mundo se desenha No todo sem sentido E o quanto mais duvido Traduz esta resenha Audácia não se impõe E a vida decompõe
1255
Ah! Como dói o amor quando distante... As horas não se passam, vida voa... O mundo se desaba num instante Quem dera ser feliz... Rei e coroa...
Nos olhos derramados deste amante As lágrimas se secam. São à toa, Jamais renascerá o radiante Sol... Mas um girassol louro destoa...
Floresce mais teimoso neste prado. As cores e os brilhos são farol... Promete ressurgir vital delícia...
Quebranto e solidão meu triste fado, Mas, entretanto a vida, um girassol; Promete renascer, loura Fabrícia!
1256
Ah! Se ainda tivesse alguma força, Quem sabe, eu poderia, então lutar, A vida se esgueirando, frágil corça Não deixa sequer rastros no lugar.
Matando o que restou das ilusões, Esboço num sorriso de ironia, Depois das tempestades e vulcões Tempesta disfarçada em calmaria.
Só resta, então seguir o meu caminho, Distante das estrelas e dos céus. Lavrando com tristezas cada espinho,
Dos cardos e das urzes, minha herança Escondo o meu olhar sob estes véus Estúpidos forjados da esperança...
1257
Ainda ecoa, ao longe, a tua voz... Saudade exorbitando qualquer senso, E quando em teu carinho, amada, penso Revejo o que existiu de bom em nós.
Só sei que não deixaste nada após, Este ar que hoje respiro é sempre denso, Qual rio que se perde de uma foz, Do quanto fui tão fútil me convenço.
Seria muito bom poder sonhar, Mas como se só tenho pesadelos, Quem dera se eu pudesse convertê-los
E ver depois de tudo, clarear O sol de uma total felicidade Deixando no passado esta saudade.
1258
Ainda não havia o sol se posto E percebi teus passos nesta escada, Sanando em mansidão cada desgosto A tempestade em mim, apascentada.
Amiga ao conhecer teu belo rosto A vida, num momento, deu guinada Agora em calmaria, recomposto Almejo percorrer em nova estrada
As flóreas sensações de primavera; Rascunhos esquecidos do passado Jogados na lixeira de minha alma.
Agora a placidez que me tempera Permite que eu vislumbre um belo prado Seguindo o meu caminho em paz, com calma...
1259
Ainda nos demonstra seus faróis Amor alumiando toda a costa. A força em claridade sendo exposta Invade transformando os arrebóis.
A vida preparando seus anzóis Na boa pescaria sempre aposta. Ao sol de uma esperança amor se tosta, Na noite destes sonhos, rouxinóis.
Alquímicas vontades pressupondo Panacéias diversas, luzes fartas. Da fonte dos desejos não te apartas
O mundo em harmonia se compondo Nos braços entremeios e carícias. Paixões não são somente assim, fictícias...
1260
Ajoelhado aos pés de minha amada, Pedindo que ficasse mais um dia. A noite que chegava, enluarada, Montada num corcel, plena magia.
Trilhando pelos céus a bela estrada, Num fulgor todo pleno em fantasia. Estrelas constelares, mãos de fada, Além de sonho que podia...
Distantes dos teus olhos, sem carinho... Espero tua volta, estrela/lua. Perdendo a noite clara, vou sozinho
O teu colo, os teus seios, um veludo... Tua presença amada, bela e nua, Agora sem amor, morrendo mudo...
1261
Alaga em fantasia, o ledo prado, A forte correnteza deste sonho, Audácia se mostrando lado a lado, No barco em que esperança; cedo, eu ponho.
Futuro num momento anunciado Mostrado mais feliz, calmo e risonho. Do outrora tão distante e duro Fado, Marcado por um rumo mais bisonho
Eu vejo ressurgir em mansa paz, O quanto que jamais pude pensar. No bem que nosso amor, em lumes, traz,
Sementes de alegria vão brotando, O riso em farta glória se granando Amor que não se cansa de brilhar...
1262
Alagação no peito de quem ama Não deixam quase nada no caminho, Dilúvio vem tomando o velho ninho E molha com meu sangue, o chão e a cama.
Marcando o meu destino, sinto o drama Deixando em mais completo desalinho A vida de quem quis acesa a chama E morre quase louco assim sozinho.
O quanto quis da vida e nada tive, Lugares onde nunca mais estive, Demonstram que o vazio sempre vem.
Causando no meu peito calafrios, Meus olhos vão decerto assim vazios, Depois de tanto tempo sem ninguém.
1263
Alago com as lágrimas teu mar, E vejo ser possível novo sonho, Embora tão distante, inda proponho Quem sabe, noutro dia a preamar...
Ouvindo em burburinho, o marulhar, Decifro cada cais aonde eu ponho O barco que teimoso, vai risonho, Por mais que a solidão teime em ficar.
Não quero mais apenas os resquícios Preciso mergulhar nos precipícios Dos braços de quem amo e quero bem...
Enaltecendo a luz que inda resiste, O amor se derramando, e mesmo triste, Prenunciando a glória que não vem...
1264
Alago-me nessa água que percorre As pernas bronzeadas da morena, Ao mesmo tempo afoga e me socorre, Ao mesmo tempo sana e me envenena; Riscando por um triz o mar inteiro, Lavando a cicatriz com água benta, No gosto deste sal um derradeiro Desejo de paixão tão violenta... Na proa deste barco eu sempre embarco O mastro que quer vela e se revela Deixando em todo porto o gozo, o marco, Pintando no teu corpo a louca tela Formada em aquarela, num lampejo, Marcada ao fero fogo do desejo!
1265
Alamedas, estradas e caminhos... Nos pinheiros e cedros, tal beleza... Lá perdi nossos beijos e carinhos... A mansidão perfaz a sutileza...
Nossos olhos são tristes passarinhos, Nasceram para a dor, tenho certeza... Buscando por sossego, querem ninhos, A vida proibiu tal fortaleza...
Nas mansidões dos rios sem cascatas, A corredeira leva nossa paz... Quem dera conhecer as nossas matas,
Nas mãos que se acarinham, ser capaz De ter a calmaria que retratas, Brisa fresca que a nossa noite traz...
1266
Falar do nosso amor é repetir Os versos que procuro pela vida. A noite sem te ter cai dolorida Estrela sem te ver não quer mais vir...
Então eu venho em preces te pedir Que nunca mais me fale em despedida. A morte sempre atenta e desmedida Quem sabe, de repente, vai surgir?
Me deixas cada noite, vais aos céus Levando em tuas mãos os alvos véus. Em prantos minha noite continua...
Mas Shirley, minha deusa por que esfumas? As noites tão distantes perdem plumas Mas ganham no teu brilho, minha lua!
1267
Alastram-se daninhas ervas, urzes, E tomam totalmente o meu canteiro, Pesando desde sempre tolas cruzes, O céu jamais se fez alvissareiro...
Distante dos teus olhos, um braseiro, Meu céu já não comporta tantas luzes, Outrora me entreguei, fui verdadeiro, Porém ao precipício me conduzes...
Agônico; vergastas me lanhando, As esperanças fogem, tosco bando, Deixando aqui somente este amargor.
Mas ébrio de ilusões, sigo tentando, Ao menos este fogo calmo e brando Que um dia imaginei ao meu dispor...
1268
Alavancando a vida, me agiganta Esta certeza imensa em que se dá O amor que deseja e desde já Domina cada passo enquanto encanta.
Tristeza, uma canalha sacripanta Sacrílega vilã não voltará Se eu trago amor que manso brilhará Na solidez que cura e nos imanta.
Sou presa sem surpresas do que prezo, Amor que não conhece um vão desprezo Expressa a magnitude deste sonho.
Vivenciando a glória sigo assim, Mostrando o que melhor existe em mim, Com dias bem melhores, sempre sonho...
1269
Alcanço a liberdade num segundo; Enquanto o coração for timoneiro Percorro nos teus olhos todo mundo, O amor tão libertário, um guerrilheiro.
Rompendo estes grilhões, um giramundo Inquieto sempre audaz e verdadeiro, De toda esta magia eu já me inundo Mergulho no teu corpo e vou inteiro.
Cativo deste amor; rompo as algemas Esqueço num momento os meus problemas Vislumbro este horizonte ilimitado,
Esqueço das masmorras do passado, Não tendo mais atada em mim, corrente Encontro a liberdade, finalmente!
1270
Alcanço a plenitude em raios mágicos Que emanas, radiosa, em tom profético. Meus dias sem te ter, díspares, trágicos, Olhares com certeza, vãos, patéticos.
Meus dias morrerão, antropofágicos Distantes dos meus sonhos, que poéticos Adentram a manhã, fogos tabágicos Tramando meus delírios anti-estéticos.
Não posso prescindir do sonho vívido, Meu rosto se tornando duro e lívido Distante de quem amo; nada sobra,
Quem dera se pudesse em himeneu Ter finalmente amor que assim se deu, Porém meu barco, insano, vão, soçobra...
1271
Alcanço em pensamento uma alvorada, Após a mais difícil caminhada, Seguindo a cada dia nova estrada Não tenho em minha vida quase nada.
A sorte que se mostra abandonada, A par da mais temível derrocada Permite que adentrando a madrugada Recolha sem saber cada florada.
Não creio mais em anjo, gnomo ou fada. Um grito tão audaz, o peito brada Recebo da esperança uma lufada.
A boca não quer ser amordaçada, Na tua fortaleza, faço escada Chegando à perfeição imaginada.
1272
Alcanço plenitude em fortes gozos Embora saiba ser fútil momento. Não guardo as procissões nem bebo o vento, Os corpos carregados, andrajosos.
Alíquotas cumpridas, são jocosos Os rastros que não valem o lamento, Um pária sem destino, me atormento Com ritos delicados e fogosos...
Conspurcar os altares, sacrilégios Que fartam-me em farnéis outrora régios, Arregimento o resto que inda trago
Dos vastos pantanais fátua figura Sem mantra, prece ou reza, a cada agrura Inóspita senzala em duro afago.
1273
Alçando ao infinito em fluorescências Qual fora um fogo fátuo, uma esperança Buscando da alegria providências, Deveras persistente, não alcança.
Dos ais colecionados, luta e guerra, Encontra os mais cruéis desfiladeiros. O pensamento algoz cedo descerra A seca que se deu neste ribeiro.
O mar que ensandecido não sossega, Fazendo intempestiva, a natureza. Uma alma desfilando quase cega Impede que vislumbre-se beleza.
Distante da alegria se aborrece, Nas mãos da solidão já se oferece...
1274
Alçando ao infinito em fluorescências Estendo em nosso quarto; mil estrelas, Sentindo a raridade das essências, Aromas sensuais que me revelas.
Delícia que se faz; doces ardências, Culminam no prazer de assim contê-las Dos raios do luar, calmas dolências Permitem que se possa conhecê-las.
Assim caminha a terna madrugada Na espera de um sublime amanhecer. A lua tão serena, enamorada
Abraça a tua tez; prata morena, E em meio a tantas ondas de prazer Felicidade imensa, enfim se acena...
1275
Alçando em liberdade um novo mundo, Um pássaro jamais se prenderá, Tal qual o sentimento mais fecundo, Aos poucos com certeza brilhará
E novas esperanças, tão profundo, Nos braços deste sonho aqui ou lá Virão nos povoando num segundo, E a paz em nosso ninho moldará
O quanto de desejos e prazeres, Descendo uma vereda de esperanças, Vagando em amplitude, belas danças,
A festa prometida, mil talheres, O riso da menina demonstrando A sorte deste amor se desfraldando...
1276
Alçando em minha vida tal jornada Que possa permitir mais fabulosa, A sorte que pensara desolada, Ao mesmo tempo emerge gloriosa, Decerto se fará maravilhosa, Ao recolher do amor, divina rosa,
Distante dos espinhos, na verdade, Pois nela tenho sempre reparado A vida em que brotou felicidade, Deixando o medo enfim abandonado, Futuro se moldando em liberdade, As dores esquecidas no passado.
Amor que meus sentidos já tomara, Da paz feita esperança me cercara...
1277
Alçando em pensamento outro universo Diverso do que outrora imaginei, Passando por caminhos que encontrei Prefiro seguir só, mesmo disperso.
Tirando os meus engodos – foram tantos, Eu tenho dentro em mim uma esperança, Depois da tempestade uma bonança Trará para os viventes mais encantos.
Estudantes, corsários, guerrilheiros, No fundo fomos todos sonhadores. Os céus que imaginamos; multicores.
Ingênuos, mas decerto verdadeiros, Burgueses, o que somos; nada além A história descarrila o velho trem...
1278
Alçando em teus carinhos, o infinito, Bendigo a vida em plena sintonia, Do amor que há tanto tempo estava escrito, Dourando a minha vida em alegria,
De tudo o que disser ou que foi dito, Jamais uma palavra me traria Um sentimento caro e sei bendito Que se renova sempre a cada dia.
A tradução perfeita que persigo, Falando deste amor, audaz e amigo. Permite festejar com emoção
No teu aniversário a lua é clara E o amor com toda força se declara Invadindo feliz, meu coração.
1279
Alçando imensidão eu te proponho Vivermos nosso amor sem ter limites, Além do que pudesse ser um sonho, No qual espero sempre que acredites.
Amar e ter assim santa ternura deixando uma tristeza já de lado, Um sonho mavioso se procura Num coração que vai apaixonado.
Não temo mais as dores que virão Nem mesmo a tempestade que não veio. Batendo bem mais forte o coração, Esqueço qualquer tipo de receio
E busco em cada gesto, uma alegria Do amor que a gente canta em sintonia...
1280
Alçando imensidão eu te proponho viver o que pudesse em fantasia E toda a sorte assim já se faria Tramando a cada dia um novo sonho
Destarte o paraíso em ti componho E sei deste desejo em utopia. Mas quando a vida dita esta alegria O manto com ternura além eu ponho.
E vejo o vicejar da rara flor E neste desenhar ao te propor A eterna sensação do amor sincero
Deixando no passado o vão cenário De um dia tantas vezes solitário Apenas redenção em ti, espero.
1281
Alçando o pensamento, vem veloz Erguendo o seu olhar sobre montanhas, O tempo toma conta atando os nós Transforma num segundo velhas manhas,
Manias que cultivo dia a dia, Algumas; reconheço, são bisonhas, Poeta que disfarça enquanto cria As marcas que carrega; bem tristonhas.
Brincando com palavras, trovador Não sabe discernir o que inda quer, Cantando o mesmo mote, diz amor, Pensando o tempo inteiro na mulher
Que é deusa, musa, ninfa e companheira, Embora idealizada; verdadeira...
1282
Alçar a liberdade em cada verso, Riscando com meu brado os infinitos, Liberto, vasculhando os universos, Mais fortes ecoando nossos gritos.
Matando os cães vadios e perversos, Fazendo da amizade novos ritos, Apascentando mesmo os mais dispersos, Amenizando as dores dos aflitos.
O verso que se mostre com pujança Vencendo com vigor toda trapaça, Moldado nos buris de uma esperança.
Ganhando as mais sublimes cordilheiras, Um novo amanhecer não se disfarça Nas faces das manhãs alvissareiras...
1283
Alçar meu pensamento ao infinito, Fazendo bem mais livre cada verso, Um dia em alvorada, mais bonito, Deixando assim distante um mar perverso.
Ecoa bem mais alto cada grito, Agora estou na sorte, enfim, imerso, Fazendo deste sonho um mote; um rito Já não prossigo só, nem mais disperso
E canto essa alegria de poder, Ver, novamente o dia amanhecer Trazendo uma alegria que em torrente
Espalha a fantasia sobre nós Tramando em claro amor sinceros nós No sol de uma alvorada reluzente.
1284
Alegra do começo até o fim O sonho que me trouxe para ti. Se o São Francisco eu trago dentro em mim, Descendo para o Sul eu descobri
Nas margens do Guaíba uma sereia Embora fluvial, seu canto atrai, Do sertanejo mote em lua cheia Na busca deste encanto o peito vai.
Nas águas azuladas deste rio, O coração que em secas se criou, Aos poucos sem domínio eu me vicio, Bebendo deste amor que me tocou.
Descendo estas montanhas das Gerais Encontro nas coxilhas o meu cais...
1285
Alegre, o coração deveras fica Ao ter tua presença mesmo em verso. O mundo sem te ter queda perverso, A noite em solidão já se complica.
Amor que não precisa de pelica, Pois sabe transgredir todo o universo Sentindo este desejo mais disperso, Não quer e nem precisa, ele se explica.
Curtido com palavras mais audazes Em frases, fases faça o que quiser. Os lábios tão sedentos e vorazes
Procuram toda a fonte de prazer, Tu és, mesmo distante, uma mulher, Que é sempre tão gostosa de se ter...
1286
Alegria é companheira De quem quer ser feliz, A paz tão costumeira Felicidade diz, Mostrando esta bandeira Do céu, raro matiz.
Tanta alegria eu sinto Por poder ver o brilho, A vida, que é um absinto, Na qual me maravilho, Nas cores que me tinto, Nos olhos do meu filho.
Lutar pela alegria, Batalha dia a dia...
1287
Alegria e esperança se irmanadas Trazendo um bem imenso para quem Encarou tempestades, trovoadas, Fazendo para a gente tanto bem; Eu falo por que sempre procurei A paz nestas palavras, sentimentos, Por vezes, sem notar me deparei Com estranhas rajadas doutros ventos. No fundo uma esperança se frustrada Transforma uma alegria em canto triste. Depois de uma esperança abandonada Na vida, quase nada mais existe. Por isso uma alegria cura o tédio; Um coração alegre é um remédio...
1288
Alegria me tomando Já faz festa meu amor, Tanto bem comemorando, Nosso mundo sonhador,
Coração vai decorando Encontrando a bela flor, Não pergunto nem mais quando, Nunca mais um sofredor.
Meu amor, nosso desejo, Que vontade de dançar! Tanto quero este festejo
Gostoso poder amar Venha cá me dê um beijo, Hoje eu quero namorar!
1289
Alegria nascendo a cada dia Trazendo um vento calmo de esperança Na luta sem final contra a lembrança De toda dor que mata a fantasia.
A cada novo tempo, a poesia Inunda-se sem quer sombras da vingança Rondando nosso amor em aliança E trama contra a noite negra e fria...
Crisântemos florescem no jardim, Eu guardo belas flores dentro em mim Pedindo que este canto nunca engane.
Por mais que seja triste a madrugada A vida se refaz nesta alvorada Que trouxe o manso amor de Viviane...
1290
Alegria nascendo aos borbotões, Formando com o sol, a claridade. Espalha pelas ruas emoções, Trazendo um novo canto de verdade....
As mãos que fecundaram nosso chão Depois desta carícia milagrosa, Também acariciam coração, Fazendo uma canção maravilhosa...
Amor que não me deixa mais distante, É verso que me envolve totalmente; Versejo meu poema mais vibrante Na busca de te amar complemente.
Tu és o meu Princípio e meu caminho. Contigo nunca mais irei sozinho...
1291
Alegria perene eu percebo Nestes versos que fazes, querida Tanto amor de teus braços recebo Bênçãos raras que encontro na vida.
Descrevendo meu sonho de paz, Cavaleiro montado em corcel Que esperança feliz já me traz Navegando liberto em teu céu.
Naus, jangadas, saveiros e barcos, Oceanos longínquos passei. Estrelares desejos em arcos Que nos sonhos, amor eu trarei
Os meus olhos de ti tão sedentos, Expressando reais pensamentos...
1292
Alegria se omite e não se alcança Depois de tanto tempo sem ninguém, Buscando tão somente por alguém Sabendo quem espera já se cansa.
Ferrenhas ilusões, dura lembrança, Perdi faz tanto tempo, antigo trem, Agora tão vazia a noite vem, Mexendo com meus sonhos de criança...
Tartamudo, prossigo até que chegue Um barco que outro mar inda navegue E mude, num momento, o velho Fado.
No enfado de buscar e nada ter, Olhando para espelho sem prazer, Seguindo maltrapilho e maltratado.
1293
Alegria? Distante e tão remota Imagem que perdi pra nunca mais... Uma esperança aos poucos se desbota O barco em desvario. Cadê cais?
Tristezas vão tomando toda a frota Prazeres encontrados são boçais Por companhia párias tão iguais Apenas urze, erica, ainda brota
Legando ao meu canteiro a seca eterna A boca que, febril, não reconheço; Seu beijo na verdade eu não mereço.
A mão se que se apresenta assim fraterna Espinhos encontrando se retira A luz inutilmente em ronda gira...
1294
Alegrias me tomam ao rever Menina delicada, moça bela. Amor que tão sublime se revela Embala minhas noites ao saber
Da volta de quem fora meu prazer, Meu barco recupera a sua vela A noite se pintando com estrela Que vejo em meu caminho esplandecer.
Jardim se refazendo em verso e sonho Florindo novamente para mim. Belezas de crisântemo e jasmim
Trazendo um raro dia onde proponho Que sempre, minha amada, seja assim, Um mundo deslumbrante e tão risonho..
1295
Alegro-me em te ver amiga, andei perdido, Na procura da estrela, esqueci que sou humano. O céu está distante, aqui é outro plano. Acho até que tive sorte, eu podia ter caído.
Mergulhado no abismo após ter derretido O sonho de voar. Cometo tanto engano Porque sou sonhador. Depois disso me ufano. Fechando os olhos, vou. Perco todo o sentido!
Amiga, teu amigo aguarda um triste fado, Depois da dura queda, o sonho sepultado. Mas, teimoso, não paro, aguardo outra viagem.
Que vou fazer da vida, espero uma resposta. De milagre em milagre, um dia viro posta.
1296
Alegro-me em te ver amiga, andei perdido, buscando a calmaria noutro rumo E o quanto dos meus erros eu assumo Enquanto um novo passo enfim lapido
O mundo se mostrara no esquecido Caminho sem certeza aonde o prumo Esgota cada sonho e se me esfumo O tempo noutro caos vejo vencido.
Esbanjo fantasias, mas sei bem Que ao fim de certo tempo nada vem Somente a solidão reinando aonde
O todo se pudera e não persiste O mundo se aproxima e sinto triste Cenário enquanto o vago não responde
1297
Alegro-me ao saber que tu voltaste, Rendido a tanto amor, nada mais quero. Por vezes eu cheguei ao desespero, A vida sonegando a muda uma haste.
Cambaleante passo; provocaste, Tornando o dia-a-dia amargo e fero, O sentimento muito além de mero -Saudade- faz com gozo um vão contraste.
Porém ao te saber aqui comigo, Depois de tanto tempo em desabrigo, Meu verso já não fala de tristeza.
O quanto desejei a cada instante, Um tempo mais feliz e fascinante, Banquete de alegrias sobre a mesa...
1298
Além da ventania que tocava Teu corpo em total intimidade, Minha alma na tua alma se encontrava Alçando a plenitude em liberdade.
Olhar que mansamente se entornava Trazendo para nós tranqüilidade, Vencendo este ciúme quebro a trava E sinto esta paixão que agora invade.
Não temo mais procelas, furacões Nem mesmo esta terrível ventania Que encontro bem mais forte nas paixões.
Pois sinto que este vento feito em brisa Transporta tão somente uma alegria E a vinda da bonança, agora avisa...
1299
Além de simplesmente fantasia, Da sensação deste dever cumprido, Recebo a luz em tua companhia, De toda uma esperança, convencido,
Do quanto desejava e bendizia O passo bem mais firme e decidido, Moldado em santa paz e em harmonia, Trazendo o meu destino resolvido,
Aprazo em noite clara o sentimento Que molda a plenitude, num momento Negando em paz perfeita o desengano.
Levando dentro em mim esta esperança A mansidão em glória amor alcança, O sentimento nobre e mais humano...
1300
Além de todo amor, de toda a vida, Eu quero eternamente, ser só teu... Tu és assim, a sorte recebida Por quem durante a vida se perdeu. Um dia, ao perceber-te distraída, Olhando para o longe...O canto meu Vibrou nos teus ouvidos. Sem saída, Meu amor no teu peito se escondeu... E desde então não faço quase nada Senão viver amor tão desejado, A voz que te chamava, enamorada Agora te sussurra bem baixinho, No verso que dedico, apaixonado; Somente uma palavra de carinho...
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