
MEUS SONETOS VOLUME 012
Data 21/11/2010 07:46:45 | Tópico: Sonetos
| 1101
Acordos celebrados nos garantem Momento inesquecível de um mergulho, Sementes de ternura que se plantem, Suplantam a aridez do pedregulho.
As aves libertárias que já cantem Enchendo o coração de raro orgulho. Dois corpos que os desejos sempre imantem Permitem paraíso que vasculho.
Pensando tão somente em nosso caso, Do quanto ser feliz ora me aprazo E vivo esta certeza dia-a-dia.
Do todo que hoje somos, as metades Unidas preconizam claridades E um amor inabalável já se cria...
1102
Acordos que quebramos no passado Talvez não nos permitam mais pensar No vento que chegando devagar Transporte o sonho às vezes renegado.
A marca em nossas costas, como um gado, Estampa uma verdade a se mostrar Do mesmo amanhecer vou comungado Usando esta esperança como altar.
Porém ao pôr do sol, o olhar vazio Espreita a lua cheia que não vem. Distante dos carinhos de outro alguém
Apenas ilusão, vasculho e crio. Serpentes rastejando sobre o chão, Amordaçado sonho: negação...
1103
Aços que ora penetrem, ponta e gume, São riscos que hoje corro, mas me iludo Se faço do meu verso frágil lume Percebo que perdi, prossigo mudo.
Usando a fantasia, vão costume, O gosto do talvez virá com tudo Minha alma faz do amor o seu estrume Palavra, um canivete pontiagudo.
Sem ter a panacéia, as emoções Caricaturas frágeis, garatujas As mãos permanecendo frias, sujas
E o verbo se dourando de ilusões Não quero que decifres meus enigmas, No rosto trago em mágoas vis estigmas...
1104
Acreditar no amor? Pura tolice... Amor é qual criança sem juízo. Por vezes imagino o paraíso, Mas ao acordar tudo se desdisse.
Portanto; quanto amor vem sem aviso E em pouco tempo some. Não me atice, Te peço, por favor. Como eu te disse Amor não tem prever, escorre liso...
Volúvel sentimento, nos decora Depois, sem ter motivos vai embora. Amor não sabe tempo nem lugar
No meio do deserto, amor aflora. Nos leva, sem sabermos, ao luar. Mas corta nossas asas ao voar...
1105
Acreditas que amor não se procura Nas horas mais temidas desta vida E pensas que tu vives noite escura Em verdade és amada sim, querida...
Eu quero que tu saibas quanta luz Existe no teu peito mavioso, Negando tanto amor que se produz Não sabes deste amor tão orgulhoso
De ter amor divino e possessivo, Em tudo dominante mas sereno, Vivendo em pleno amor conforme vivo, Espero tanto amor em mar ameno...
Não tenha mais o medo que perturba Amor que água serena já conturba
1106
Acredito nos sonhos; sou poeta; Por isso é que desfraldo esta bandeira. A vida na verdade é tão ligeira Até ouso dizer que é incompleta.
Quem tem felicidade como meta Não deixa de lutar a vida inteira, Depois vem a mortalha corriqueira; Eis a realidade mais concreta.
Salvando os meus poemas num disquete A velha ladainha se repete, E assim, numa rotina insuportável
Teimando ser o solo enfim arável Cultivo a estupidez do esperançoso Sonhando um mundo em paz... Maravilhoso...
1107
Acuda que esta festa é toda nossa Sacramentando o quanto nos queremos. Se tudo o que na vida nós tivemos Com nossas alegrias ninguém possa.
Império dos sentidos, gozo empossa, Flagelos que deveras não sabemos, O jogo preferido; ainda temos, Tempestas de prazeres nos empoça.
Ao ganharmos apostas, dados lanças, Cupido tão certeiro em suas lanças Amansa o coração, faz seu concerto.
E as liras em sublimes harmonias Etéreos passageiros; já sabias, No amor mesmo as tristezas têm conserto.
1108
Açudes de alegria em que sabia Naufrágio desta tola embarcação Carcaça do que fomos, negação Em vão meu verso queima a fantasia.
E se não tendo o mar quer maresia Corsário se perdeu em duro chão Na areia movediça da ilusão O quase se tornou monotonia.
Mereço ter alguém que seja assim? Do beco sem saída quero o sim E minto se não falo da destreza
Daquela que julgara caça e presa E agora me despreza em voz sutil. Melhor que me mandasse à que pariu...
1109
Acumulando dores e senões Janelas e tramelas me impedindo, Guardado nestes gélidos porões, Os ermos de minha alma, descobrindo.
Distante do que um dia acreditei, Nefastas garatujas numa agenda. Qual fora um imbecil fora-da-lei, A sorte se escondendo, traz a venda
Que impede que eu perceba alguma luz, Aonde imaginei ter esperança. O verso mais medíocre traduz Funesta realidade que me alcança.
As traças devorando esta alma triste, Que insana e solitária, inda persiste...
1110
Acusar quem tanto amou, louco mistério, Nada mais que matar, ser qualquer um. Preparas meu caminho, deletério, Avanço e sou vencido, isso é comum.
Amor que tanto eu quis, fugindo etéreo, Descarta-me sem paz ou rumo algum. A vida que exigira mais critério Não me deixa mais nada, vou nenhum.
Certamente, pensaste ser imensa. Quem mata, simplesmente nunca explica, As dores que me causas, recompensa?
O medo dilacera e tudo pui, O tapa que me dás, luva e pelica? Só sei que meu castelo, cai e rui...
1111
Adendos tão diversos nesta vida Inglória que tentei ludibriar, A noite em que pintei pleno luar Há tanto que se foi, sem despedida...
Quisera ter somente uma saída, Porém não sei aonde te encontrar, Se eu vejo o teu reflexo, imenso mar, Mergulho e nada, tendo, o sonho acida...
Acaso se eu pudesse te tecer Em cores tão diversas, mil matizes Talvez no amor ainda fosse crer,
Persigo a tua imagem dentro em mim, Mas vejo as velhas frias cicatrizes, Cevando ervas daninhas no jardim...
1112
Adentra num momento a praia e o mar Quem faz da claridade o seu poema, Sabendo quanto é bom, decerto amar, Não vê mais no caminho algum problema,
Não tendo mais sequer qualquer algema Recolhe cada fruto do pomar, Mostrando em paz profunda um raro tema Espreita esta alvorada a debruçar.
No sol que nos bendiz quando ilumina, Felicidade imensa descortina Uma esperança imersa em nosso peito.
Vivendo o nosso amor, raro e profundo, Permito ao coração ser vagabundo Fazendo do luar seu claro leito.
1113
Adentra num momento a praia e o mar Saveiro dos meus sonhos, triunfante, Caminha por um rumo mais constante Até que em manso cais possa chegar.
Eu quero em calmaria naufragar Ao ver tanta beleza num instante, Vencer a correnteza provocante Beber até o dia clarear.
Chamando para a festa esta incansável Parceira que se mostra mais amável Deitando o seu carinho no meu peito.
O rio que decerto me convinha No peito sonhador, logo se aninha Fazendo do luar seu claro leito.
1114
Adentra o infinito em teu perfume O quanto decidira no passado, Não tendo a vaidade por costume, Eu sinto o vento imenso, adocicado,
De tudo o que transporto do passado, Ainda levo aqui, teu claro lume E mesmo que se perca de ciúme Caminho o tempo inteiro lado a lado.
Esgarço os meus lençóis, rasgo o meu peito, E vamos prosseguindo desse jeito Sabendo que virá qualquer perigo.
Minha alma que é da tua siamesa, Refoga com tempero uma tristeza, Andando passo a passo, estou contigo.
1115
Adentra o mar imenso feito em luz O sonho de quem ama e te deseja A brisa da esperança é benfazeja, No beijo que alegria reproduz.
Nos corpos que se tocam quando nus, Felicidade e gozo, amor almeja Não tendo vencedores na peleja Ao bem supremo, amor sempre conduz.
No quanto nada somos sem amor, Cerzindo um céu imenso em claridade Negar o nosso amor, não há quem há-de
Em jade e diamante a se compor, Unida solução feita em contraste Seguindo cada rastro que deixaste.
1116
Adentra o nosso peito já sem trinco Quarando uma esperança no varal Do tempo em que se fez com todo afinco, O sonho com certeza, magistral.
Metáforas à parte, eu sei o quanto É necessário o sonho. Refazendo O caminho que entranha pelo encanto Da vida noutra vida se perdendo,
Eu posso perceber o quanto é belo O sol que em nosso peito faz morada. O corcel da alegria, quando selo, Ao céu vai se elevando. Imensa estrada.
Imerso nos meus próprios sentimentos, Expresso a força intensa destes ventos...
1117
Adentrar as veredas da esperança, Sentir todo o Poder de quem nos ama. Manter no coração, a imensa chama, Fazendo do perdão; afiada lança.
Quem sabe inda veremos a mudança, De um mundo sem sentido, noutra trama, Sorrir no ato final do imenso drama, Voltar a ter os olhos da criança
Que um dia nos mostrou que ingenuidade Demonstra, com ternura e liberdade, A luz que não se apaga, pois eterna.
No Amor, a mais possível redenção, De um povo que; vivendo em aflição, É barco que em tempestas, não aderna.
1118
Adentre os campos vagos da saudade, Meu verso sem limites ou fronteiras, O mar que se fez cedo em falsidade, Não tem mais seus emblemas nem bandeiras
Quem dera que eu pudesse em liberdade Falar de outras notícias corriqueiras As horas sem saber tranqüilidade Decerto que serão as derradeiras.
Empedernido sonho que revolta E traz em carrossel um rosto antigo, As mariposas seguem numa escolta
Rondando a lamparina da esperança. Olhando o meu passado, inda persigo, A voz que há tanto tempo não me alcança...
1119
Adentro a profundeza da masmorra, Levado pelos braços da saudade. Imagem do que tive já se borra Amortalhando assim a claridade.
O quanto amor se fez autofagia, Estremas as unções que tu me destes, Carpindo as mais sinceras fantasias, Epidêmicas dores, velhas pestes.
Um mantra repetido à exaustão Um dia prometera nova sorte. Saudade do que fora uma ilusão Condena uma esperança, assim à morte.
O pátio dos meus sonhos vai vazio, Mergulho no passado, insano e frio...
1120
Adentro ao mais sublime paraíso, Teu corpo iluminando a nossa cama. Amor que veio vindo sem aviso Acende em brasa imensa, a velha chama.
Meu verso se tornando mais conciso A cada nova estrofe sempre exclama, Falando deste amor calmo e preciso, Negando a dor solene, amargo drama.
Tendo a minha sina nos teus passos, O coração imerso em belos paços Fartura de esperança e de emoção.
Toada de um caboclo enamorado, Nos raios deste céu iluminado Vivendo, com certeza esta paixão.
1121
Adentro ao mais sublime paraíso, Constelações; encontro a cada passo O pensamento alçando o livre espaço Espalha em meu caminho, o teu sorriso.
A sorte que se fez sem um aviso Espelha no teu rosto cada traço E a cada amanhecer de novo eu faço Andanças tão fantásticas que biso.
Com toda esta esperança, aberto o peito, Felicidade plena, agora espreito, Prossigo sempre nesta direção.
Recolhendo as estrelas que espalhaste Percebo quanto em mim tu perfumaste Vivendo, com certeza esta paixão.
1122
Adentro as cerrações do meu destino, Encontro teu carinho, minha amada. O sonho mais divino e cristalino, Conduz a nossa sina à mesma estrada...
Refaço minhas sendas nos teus braços, Searas tão tranqüilas quero ter. Somando nossos rumos, nossos passos, Ajudam, com certeza, um bom viver.
Não sei sequer o nome dos meus Fados, Mas sinto tua mão; és minha Fada. Os pés que se cortaram, tantos cardos, Encontram uma manhã iluminada.
Meus versos te dedico, todo dia, Nas asas deste amor, minha alegria!
1123
Adentro cada parte de teu corpo, Com fúria e com carinho sem igual, Zarpando e procurando em todo porto Ancoradouro belo e sensual.
Nas tocas e nos vales, nas reentrâncias Nos montes, cordilheiras e montanhas, Prazeres ecoando em consonâncias, Colhendo teus orgasmos, nossas sanhas.
Abraço-te e depois, bebo do vinho Que emanas em cascatas pelas fontes Aonde ao encontrar sacro caminho, Descobri radiantes horizontes.
Gemidos e sussurros, belo altar Que é feito da alegria de se amar...
1124
Adentro delicado em teus caminhos, Extasiado encontro maravilhas, Sorvendo desta fonte em mil carinhos, Percebo a maciez em belas ilhas...
Arranco quando houver alguns espinhos, E perco-me em delírio nessas trilhas, Um pássaro buscando por seus ninhos, Ao ver-te em plena festa já me pilhas
Com néctar e manás deliciado, Matando minha sede em bela fonte, Sentindo este querer revigorado
Na fome de te ter sem mais segredos, Em convulsão derramas no horizonte Enchentes lambuzando nossos dedos...
1125
Adentro delicado Caminhos mais gentis E vejo o quanto eu quis E sei aonde invado A vida dita o fado E gera a cicatriz No quanto já desfiz O tempo degradado. Aprendo com a queda E nada mais se trama Além do velho drama E nele a sorte enreda O dia mais audaz Buscando inútil paz.
1126
Adentro em fantasia, os lupanares, Sedento de prazeres e de gozos, No amor ensandecido, os meus altares Delícias em delitos caprichosos.
Acendes tal vontade e com fartura Entregas teus desejos para mim. Depois de tanto tempo em vã procura, Voluptuosamente agora eu vim
Beber deste teu rio em cachoeira, Descendo mansamente até a foz. Paixão que se promete derradeira Estende ao infinito a louca voz.
Clamando por teu corpo, insanamente, Mergulho nos teus braços, de repente...
1127
Adentro em gozo e festas tão carnais,
Em ritos, catedrais do amor divino,
Bebendo desta fonte quero mais,
Até que entorpecido, desatino.
Meu ópio, nossas noites sensuais,
Ouvindo em alegria, cantos, sino;
Eternas fantasias, carnavais,
Alegorias, jogos... Perco o tino
E vago no teu corpo sem fronteiras,
Adentro cada ponto de partida,
Chegando à perfeição dos fartos seios,
As mãos vão percorrendo mais ligeiras,
Até que a sorte seja decidida,
Orgásticos delírios, sem receios...
1128
Adentro em ilusões, mares celestes, Apátridas estradas, rara andança. O quanto em alegrias me revestes Permite vislumbrar suprema herança. De luas e de estrelas, tuas vestes, A voz de um querubim, meu peito amansa
Não temo mais o sol, sequer a lua, Nas luzes tão diversas, aquarelas... Arcana fantasia se cultua Enquanto o meu destino agora selas, E bebo tua imagem, clara e nua. Oníricas paisagens me revelas.
Estendo minhas mãos e ao te tocar Mergulho em gozo náufrago no mar...
1129
Adentro esta fornalha, catedral Luxúrias em volúpia desenhadas Em arquejante fogo, o ritual Das tramas, coxas pernas que enlaçadas
Numa fotografia sensual Das marcas dos desejos entranhadas Louvores ao prazer santo e carnal Das fomes e das sedes saciadas
Em rósea loca, senda em umidade Vulcânica promessa, tempestade... Encharcas tua gruta, sal e leite,
E bebo do teu gozo, língua e dedos. Sabendo da delícia dos segredos Que trazem para nós todo o deleite...
1130
Adentro na paixão, dura peleja Por vezes na batalha saciado, Meu dia vai além do que deseja Um sonho que se mostra iluminado.
Por mais que dura, a vida, sempre seja Quem dera se eu ficasse – amor – ao lado Desta mulher que tenho desejado E pela qual meu mundo já viceja.
A natureza se molda soberana E trama o doce amor, em tal beleza Que às vezes o destino nos engana
Encenando outros atos de outra peça. Mas saiba que por fim tenho a certeza E não há nada, amor que nos impeça...
1131
Adentro nesta praia um belo mar Que é feito de esperanças verdejantes Ao menos vou buscando por instantes Certezas de poder de novo amar
Alvíssaras em ter e te encontrar Em sonhos e palavras diamantes Estrelas que nos tocam radiantes Audazes as vontades de provar
Da boca que sorrindo faz a festa Abraça e tanto embala o coração. Num acalanto manso em que se empresta
A sorte que nos chama, sedução. Vencendo qualquer medo que aflorasse Eu sirvo ao nosso amor sem ter disfarce.
1132
Adentro no teu quarto, em tua cama, E roço tua nuca, em minha barba, Provoco tua pele, nossa chama, Tua defesa cede e assim desaba.
Subindo na parede, em viva rama, A noite assim começa, assim acaba No fogo que nos toma e cedo inflama, No quarto, na tapera, lama ou taba,
Num alvoroço insano que não pára, As mãos tocando os seios devagar, O mapa do tesouro se escancara
E vamos num passeio ao infinito, Sorvendo cada gota deste mar, Na delícia deste encanto, nosso rito...
1133
Adentro nos teus mares, meus navios, Vagando pelas costas, praias, portos. Meus olhos te procuram, vão absortos; Cumprindo suas sinas mais vadios.
Unindo nossos corpos, firmes fios, Acertam meus caminhos, antes tortos. Dos sonhos que eu julgara, há muito mortos, Renasço em noites quentes, nos estios...
Da essência magistral deste desejo Que forma em duas vidas, diamante. A pele se salgando em cada beijo,
Tomando novo rumo em um instante, Amor nos ilumina, um relampejo Numa explosão divina e deslumbrante...
1134
Adentro os pensamentos, galerias Profundas de tal mente pervertida, Vences as intempéries desta vida, Sentindo a maravilha que ora crias.
Girando em carrossel, diversos dias, Espero a recompensa pela lida, Na mão abençoada, a paz urgida, Espalha pelos céus as melodias
Que um dia, sendo feitas com destreza, Pensaram no amanhã que sem surpresa, Traria uma saída ao labirinto
No qual ao me perder, eu te encontrei, Vivendo cada sonho que busquei, No amor que desejei e agora sinto...
1135
Adentro os teus caminhos, faço a festa E bebo o teu suor em doce mel. Percebo a tempestade em bela fresta Avanço a noite inteira, ascendo ao céu... Qual bandeirante em busca, na floresta, Montado na esperança, meu corcel;
E vago entre estas pernas, grutas, fontes Não deixo de espreitar esta beleza Que forma com rosáceos, vales montes, A se encharcarem logo com certeza. Ao ver os teus sorrisos, em horizontes Sublimes; agradeço à natureza
Que fez de mares loucos e bravios, Furores delicados. Nossos cios...
1136
Adentro os teus desejos com tal fogo Que insano, se transforma logo em lava Derretida em delícias, nesse jogo Aonde em mil anseios a alma lava,
Desvendo os teus segredos desde logo E uma haste em tuas sendas já se crava Amores e prazeres, prece e rogo Na boca que me molha enquanto trava.
Recebo em tal ardor paixão em gozo, Feitiços e desejos, entrelaces, Torpores num caminho voluptuoso
Famintas nossas noites em suores Hormônios aflorando nos enlaces Causando em convulsões mil estertores.
1137
Adentro por teus olhos, coração, Entranho meus desejos no teu peito. Mostrando devagar, cada trejeito Que leve para ti a sensação
De ter uma alegria, uma emoção Que traga teu olhar para o meu leito. Das dores do passado, estou refeito, Já pronto para a vida em profusão.
Eu quero estar na tua companhia O tempo que quiseres, meu amor. Fazemos em mil versos parceria,
Mas algo além do canto eu quero ter. Poder contigo estar e me perder, Contigo neste mundo encantador...
1138
Adentro teus mistérios e segredos, Fluindo por teu corpo, sede e senso. Invado cada poro com meus dedos. Num ato desejoso em fogo tenso.
Ajeito-me em teus braços, sinto o rumo E nele entranharei com fome tanta. Num movimento calmo assim me aprumo E sei da corredeira que me encanta.
Encaixes tão perfeitos. Desfrutamos De todos os momentos. Unos somos, Até que em explosão juntos tomamos Da fruta proibida, sumos, gomos...
E assim, redemoinho cessa a fúria Em placidez repleta de luxúria...
1139
Adentro tuas selvas e teus mares, Lasciva, regozijas e sorris. Nas algas que escorrendo em mil lugares Aquário que enlouquece e faz feliz.
Romãs encontro duas nos pomares E o néctar delicado que eu bem quis. Lúbrica, ao se abrir sob os luares, Emanas teu perfume, flor de lis.
Penetro e com meus barcos sei do cais, Das trevas e das furnas maviosas Deixando como herança o querer mais.
E assim, libido a toda, um marinheiro Perdido nesta selva encontra as rosas Das quais se lembrará de cada cheiro...
1140
Adoças minha boca com teu mel, Vivendo em cada instante uma alegria Voando pelos ares, ganho o céu, Fazendo da esperança, montaria,
Deitando nosso amor belo dossel, Encontro toda a sorte que eu queria, A lua vai girando em carrossel, Tramando a cada volta, a fantasia
Que esparramando estrelas sobre o chão, Aonde salpiquei meu pensamento Recebo em cada beijo a perfeição
De quem sabe fazer alguém feliz. E o dia transbordando em sentimento, Em versos e prazeres, tudo diz...
1141
Adoço com prazer a fonte e a mina Seduzido e feliz peço de novo O jogo que me entranha e já domina, E nele toda noite me renovo.
Eu provo desta insânia e quero bis, Vencido pelo gozo que se dá Eterna sensação de um aprendiz Que quer e nunca mais te deixará.
Bem mais do que podia ter um dia, Medida sempre justa feita em riso, O amor que assim se esbalda em poesia Resume o que pensei ser paraíso.
Esfinge que se mostra decifrada A vida vai passando iluminada...
1142
Adolescentes sonhos que se foram, Jogados na espiral do tempo rude. Os olhos que gotejam não mais miram Amor que tive em minha juventude.
As luzes do passado não decoram É necessária sempre uma atitude, Da minha mocidade, se depuram Momentos onde a luz veio amiúde.
Desfecho destes sonhos? Eis aqui; Na doce criatura amada amiga, Toda alegria antiga encontro em ti.
Mulher maravilhosa, num instante, No quanto esta lembrança já se abriga Nos braços deste sonho inebriante...
1143
Adolesceste linda, frágil, mansa... As hordas te seguiam mais sedentas; As noites prometiam violentas. Nas festas, a rainha loura dança.
Aprendiz de mulher numa criança. Os risos e as lágrimas que inventas Não deixam perceber no fundo, tentas; Deixar as tuas marcas na lembrança.
Adolesceste enfim, chega o verão! Os medos transfiguram belo rosto, As garras da saudade, da paixão,
Invadem, tempestades e procelas. Alegria cobrando seu imposto, Um Deus pintor, fazendo suas telas!
1144
Adormecermos sonhos entre lumes Que façam e permitam tal viagem, Usando o coração como estalagem Exalas entre as rosas teus perfumes.
Da imensa cordilheiras, altos cumes Com toda uma excelência, diz miragem, O amor que em esperança muda a aragem Vencendo com destreza meus queixumes.
Riscando qual cometa o céu sombrio, Extrema fantasia que ora eu crio Usando nossos sonhos como tela.
Beleza que suprime a maravilha Que a cada novo sonho se compartilha E tendo o teu carinho se revela!
1145
Com estrambote
Adormeces, suave, num divã... Nunca sonhas comigo, bem o sei. Os teus olhos fechados. Amanhã O sol virá beijar o que sonhei...
Vou vivendo intranqüilo neste afã. Em toda a fantasia que criei, Tu vens tão bela e nua cortesã. Mal sabes quanto tempo eu te esperei...
Eu sonhava acordado, nem me vias... Voavas transparente, num corcel, Caminhavas, angélica, no céu...
Lambiam-te serenos, ventanias... As rosas que choravam tua ausência, Imploravam pediam por clemência.
Mas não ouvias, ias solitária, U’a passageira alada, temerária... E a noite te abraçava, solidária...
1146
Adormecida em sonhos esperando Poemas tão diversos a buscar Um mundo em emoções, sol, céu e mar No amor em plenitude se tomando.
Em meio a caracóis vai se inundando, Nos cavalos marinhos, cavalgar Entre estrelas do mar a rebrilhar Fosforescência imensa debruçando
Sobre quem sonhando, uma sereia Trazendo para o mar a lua cheia, Num prisma multicor e soberano
Dezenas de matizes sensuais Deitando o sol por sobre estes corais, Mergulho de cometas no oceano.
1147
Adoro amar você a cada novo dia, no amor que a gente crê delícias em folia,
sem medo e sem por que, esbaldando alegria, quem sabe logo vê amor que bem queria
no corpo da morena bonita e caprichosa, uma bela açucena
perfumando qual rosa, a sorte que me acena, mulher maravilhosa..
1148
Adoro amar você sem dúvidas ou medo E quando me concedo Ao mundo onde se vê O amor dita por que A vida em paz procedo, Desvendo este segredo E nele esta alma crê. O canto em harmonia A sorte se traria Além de mero ocaso, E o quanto ser feliz Vivendo o que mais quis Deveras quero e aprazo.
1149
Adoro as sacanagens que fazemos, Loucuras entre gozos e gemidos. E enquanto a noite inteira nós sabemos Os medos e problemas esquecidos.
Do mundo sem sequer saber notícia O tempo se desenha atemporal No jogo furioso e sensual, Sem regras, sem pudores, sem polícia.
Sentindo a maravilha de poder Estar dentro de ti, úmida senda. Molhando o meu caminho em teu prazer Mistério entre as algemas se desvenda
Num frenesi fantástico, os orgasmos, Tomando nossos corpos, mil espasmos...
1150
Adoro com certeza esse teu jeito Fazendo tempestade em copo d’água, Felicidade imensa quando trago-a Expondo sem temores, o meu peito.
O que vier de ti, decerto aceito, Não guardo mais a dor sequer a mágoa Meu lago se inundando com tanta água O rio ultrapassando qualquer leito.
E nesse temporal meu barco segue, Minha alma transparente já consegue Saber vencer o medo e a agonia.
Depois de tanta luta; braços lassos, A vida rememora em mansos traços, Semblante extasiado em alegria
1151
Adoro comer churros, sabes disso. Principalmente aqueles de goiaba. O amor que tu me deste, era postiço Bem antes do final, o gosto acaba.
Sou vítima imbecil deste feitiço, A casa dos meus sonhos já desaba. A flor deste jardim perdendo o viço Meu palacete agora virou taba.
Restando em minha vida, este tabaco, Do vinho que eu bebi, não me quis Baco, Nas águas deste amor dei com os burros.
Com cara de idiota, este babaca Quando chegou não tinha mais barraca, Ficou sem ter goiaba e nem os churros...
1152
Adoro desnudar-te por inteiro, Tua alma, pensamento corpo e sexo, Amor demais querida, perde o nexo E mostra-se sutil e verdadeiro
Nos atos deste amor, um feiticeiro Tão simples sendo embora mais complexo, Não temos a vontade como anexo Pois vamos sem limites, gosto e cheiro,
Sabores tropicais, aluviões, Vertentes que se entornam belas fozes Desejos tão sublimes e ferozes
Retratam as fogueiras das paixões Que são, tenha a certeza, inaplacáveis, Em noites que em amor, insuperáveis...
1153
Adoro desnudar Sobeja maravilha Aonde o sonho trilha E traça o seu lugar De tanto caminhar Já sei o que palmilha E a sorte ainda brilha No quanto a desejar, Encontro neste instante O todo e se garante A sorte noutro fato, Amor já sem temores Cerzido sem rancores E nestes sonhos ato.
1154
Adoro estes cenários Em sonhos mais audazes E quando a voz me trazes Em tons mais necessários Ermos itinerários Ainda quando em fases Diversas, temerários. Audaciosamente Vagando além da mente O corpo se liberta Ascende à eternidade Aonde o todo invade E traz palavra certa.
1155
Adoro quando empinas; desejosa O sonho mais audaz e reconheço É dádiva divina e preciosa Além do que sonhara. Eu não mereço
A grata maravilha que orgulhosa Escondes nesta saia. Mas te peço Resistes e me dizes dolorosa Esta satisfação onde enlouqueço.
Prometo mil carinhos e salivas, Depois de muito tempo, cedes rindo. Tu sabes deste encanto quase infindo
É o sonho que alimento todo dia. Amada, em tua rota esta alegria Porém só se desenham perspectivas
1156
Adoro quando a sorte se compete e trazes cada passo em emoção De novo, vem depressa e já repete O fogo do desejo em explosão.
Não quero mais jogar nenhum confete, Mas amo esta vontade e a decisão Depois devagarzinho me arremete E faz desta esperança o meu refrão
Até que no final, a sorte venha E bebes todo o sonho com vontade. Gostoso é perceber a tua senha
Gemidos, e sussurros, na verdade, Vem logo, não consigo me conter. Eu quero a noite inteira a percorrer.
1157
Adoro receber amor e flores, Palavras que adoçando a minha vida Resplendem em vigor com tais fulgores Deixando uma tristeza na saída.
Rebentos dos amores indizíveis Meus versos se arrepiam e sussurram. Percorro no teu corpo os mais incríveis Caminhos em que os medos já se curram.
Eu quero ter certezas e vontades Completamente imersas no teu fogo, Assim, ao preceder as liberdades Que se permitirão em nosso jogo
Eu digo quantas vezes tu quiseres. Eu te amo; A mais bonita das mulheres....
1158
Adoro te sentir colada em mim,
Olhando para as nuvens, sinto o vento...
Roçando tua boca carmesim
A vida se eterniza num momento.
E quase flutuando digo sim
A todos os desejos. Sentimento
Tomando, lentamente até que ao fim
Da tarde, num divino movimento;
Deitados, nos tocando e nos sentindo,
Eu ouça tua voz já me chamando
Num canto tão macio, manso e lindo
Num arrepio intenso, num sorriso,
Suspirando gostoso e me chamando;
Juntos, sem juízo, ao paraíso...
1159
Adoro te sentir colada enquanto A vida noutro rumo se traduz E sinto o quanto quero e faço jus E neste desenhar tudo garanto,
Vencido por talvez algum quebranto O medo noutro rumo nega a luz, Mas quando se presume apenas cruz, Liberto o coração enfim, eu canto.
Viceja dentro da alma esta esperança E a sorte num momento em paz avança Gerando o quanto eu quis e não sabia
Traçando o meu caminho em paz e glória A vida que se fora merencória Agora se transcende em fantasia.
1160
Adoro te sentir provocativa, Sentada em minha frente, as pernas cruzas, Decotes, transparências, belas blusas, Delícia que se mostra agora altiva.
Por mais que a timidez ainda viva, Decerto a mais gostosa entre mil Musas Deixando as minhas noites mais confusas, Nos braços da paixão radioativa!
Permita-se, fazendo da ousadia Um toque mais sutil, doce magia Que encanta e me provoca totalmente.
Adultos, na verdade querem mais, Que simples namoricos tão iguais Em beijos, tentações adolescentes...
1161
Adoro te sentir, vontade insana De te tocar inteira, e te despir, De noite, na delícia mais profana, Sem nada e sem ninguém para impedir
Dois corpos que se querem, se desejam, Em toda esta loucura, levitar; Nas bocas curiosas, já latejam Palavras que se tocam, sem parar...
Invado o paraíso, num segundo, Respiro teu desejo sinto o cheiro, De tantas maravilhas, eu me inundo, Do amor deliciado, por inteiro...
A noite vai passando; lua e sol, Estrelas nos olhares, um farol...
1162
Adoro teus cabelos, és perfeita, Na boca sensual tudo se sabe Minha alma na tua alma se deleita, Amor que tanto tenho não me cabe...
De tanto que te quero, tão profundo Amor, neste teu céu eu vou sonhando Com alguém que vivendo neste mundo, Fazendo levitar, ando pensando.
Voando com as asas que me deste, Flutuo com teus pés ó minha amada. Recebo teu carinho como um teste Depois de tanto sonho serei nada?
Só sei que por teus passos tanto imploro, Amor que mais que tudo, eu sempre adoro
1163
Adubo a consciência com virtudes E morro sem saber se irei colher, Encontro no pomar vicissitudes E as velhas armadilhas posso ver.
No quanto necessito de atitudes Que possam me ajudar a perceber, Por mais modifiquem latitudes Os erros, congruentes, do meu ser.
Serrando os meus navios, mesmo assim, O porto que carrego dentro em mim Permite este naufrágio, com certeza.
Se nada do que fui ainda trago, Causando maremoto em manso lago, Ainda vencerei a correnteza...
1164
Afago com carinho estas madeixas, Ronronas como gata em pleno cio, Olhar bem mais guloso, até vadio, Enquanto se acarinho e nada queixas.
Prometo de mansinho, mas não deixas. A noite vai passando em pleno frio, O amor que a gente sente por um fio, Prometes e me negas, ninfas, gueixas.
A roupa transparente chama à festa, Maldosa, tu me fechas qualquer fresta Fingindo, tudo mostra; distraída.
Eu quero ter prazer; a gata mia, E num momento feito em poesia Percebo, neste amor, uma saída.
1165
Afagos em delírios sem pecado, Tomando o meu juízo. Que loucura! O beijo mais ardente e mais molhado Enquanto a gente quer e se procura
O gozo sutilmente anunciado, O fogo que nos toma e nos tortura, Eu quero toda noite ser caçado, Teu mel que a cada beijo mais se apura.
O amor desconhecendo vis pudores Fazendo dos prazeres seus louvores Permite a cada orgasmo uma viagem
Aos raros esplendores de uma estrela Que nua e desejosa se revela A deusa que domina esta paisagem...
1166
Afagos que recebo de animais Talvez garantam ares bem mais puros, Meus ímpetos terríveis canibais Destroçam ilusões, poços escuros. Meus passos sempre são irracionais, Os chãos em que me encontro, frios, duros.
Qual fora um simples verme temerário, Estrume que se fez em suja lama. Um traste quase que um protozoário Ardendo em podridão, sempre reclama Da sorte como fosse um mercenário Que busca, sem limites simples fama.
Assim é que percebo o coração, Um órgão em total putrefação....
1167
Afasto do rosal, qualquer espinho Que possa macular teus pés tão belos. O quanto tantas vezes fui sozinho Arando em aridez sem ter rastelos
Castelos que criara, derrocados, Apenas incertezas recolhidas. Os versos que fizera, maltratados, Expressam uma ausência de saídas.
Depois que pude ver tanta fartura Nos braços da mulher que imaginara, A mão que me acarinha em tal ternura Permite que eu encontre em noite clara
A luz de uma fantástica emoção. Carregue pelos céus, meu coração!
1168
Afasto-me dos guizos da serpente Que mostra num sorriso tal peçonha, Capaz de me matar tranquilamente Feroz ao se mostrar até risonha.
Seus olhos me iludindo, tão pacíficos, Porém os dentes picam, mais vorazes, No fundo seus caninos são terríficos E os dedos funcionam quais tenazes.
Além da solidão destes rochedos, Aracnídea disforme e venenosa, Espalha com sorrisos, tantos medos, Depois de tudo ainda, o verme goza.
Herdei tal celerada criatura, Ao me casar contigo... t’e esconjura!
1169
Afeiçoado ao canto que fizeste Em plena consciência já te digo. Amor que sempre quis e que me deste, Aos poucos, nos teus passos, sempre sigo.
Eu vivo sem saber se terei porto Ou paços que prometes e não dás. Um sentimento atroz e quase morto, Aos poucos transtornando toda a paz.
Eu peço que perdoe esse meu canto Em forma de um alerta necessário. Deixando pouco a pouco teu encanto A vida vai mudando seu cenário...
Eu quero teu amor, isso não nego, Porém, sem emoção, eu não sossego!
1170
Aferi tua centelha Nas pobres vilas favelas Tua morbidez espelha As carnes poucas, magrelas
E ferroas, vil abelha Toda carne que despelas A terra toda avermelha Tão sanguinário martelas
Nas bocas esfomeadas Teu ferrão não perde tempo Não permite contratempo
As patas enlameadas Buscas âmago e devoras No matadouro das horas...
1171
Afirmo-te, em firmeza, peremptório Que a vida sem amor é como acinte, Amar é ter na vida um oratório E ser de Deus, fiel e bom ouvinte, E comprazer no mesmo refeitório Com deuses, claro céu que assim se pinte
Das cores divinais de uma festança Em luzes amarelas e vermelhas, Sabendo desfrutar desta esperança Que mostra no caminho, tais centelhas, Louvando a plenitude em que se avança Arqueando em sorriso, as sobrancelhas;
Amar é na verdade embasbacar-se, Levando a vida inteira sem disfarce...
1172
Aflições rebentando, nada resta, Nas lavras que esperança não plantou. Cismando tantas vezes, penso em festa, Porém a solidão, o que restou...
Nos círculos das dores que corroem Recordações de vidas tão cansadas, As lágrimas que caem, sempre soem Nascerem destas noites desoladas...
Eu clamo piedade, ninguém ouve... Meus olhos empapuço, não percebes... Amor que na verdade, sei, não houve, Caminhos destruídos, sendas, sebes...
Angústias violentas neste mar, Formado por tristezas, tanto amar...
1173
Aflora em minha pele repugnância Por teus carinhos, louca cascavel, Deixando demarcada em cada instância As dores e os venenos, ser cruel,
Que amortalhando a vida desd’infância É companheira amarga e mais fiel, Legado de outros tempos, de êmese, ânsia. Um verme que entocado, fera e fel.
À parte do que somos, sempre foste Embuste que em herança, recebi. Na brasa de teus erros, que eu me toste
E corte tais artérias vicinais, Somente me matando mato a ti, Herança de outros tempos, ancestrais..
1174
Aflora em nossa pele tal desejo Que nunca mais sacia, nem termina. Bebendo tua boca em cada beijo No vinho de teu mel que me alucina. Prazeres sem limites eu prevejo Colhidos no pomar, mulher-menina...
Irrigando voraz cada caminho Dos canteiros divinos, magistrais.. Recebo em cada toque tal carinho Que peço, sem parar, querendo mais... Entrar em tuas matas, de mansinho Vontade de sair? Juro, jamais!
Encanto sedutor e divinal Do pélago gostoso e magistral...
1175
África, paraíso! Em sonhos, a percorro... Deserto, na savana, em meio a tantas cores... Um leão corre solto... As matas, suas flores. Um céu pleno de anil, na rubra terra, o forro...
Um peito enamorado em busca de socorro; Buscando, na floresta, o cheiro dos amores. Na savana angolana, estrelas multicores! Estou apaixonado! Em braços mansos, morro...
Lembro-me da menina, uma deusa angolana! Seus olhos, meu farol; quão bela era Luana! A vontade de voltar, o meu coração manda.
Distante, no Brasil, um verso triste faço. Quem dera viajar rasgando todo espaço E num segundo só, voltar para Luanda!
1176
Agarre este cometa, coração Cometa esta loucura, valerá. Se queres o que sonho desde já Uma alegria chega. Tentação.
No gozo que nos traz tal vibração O jeito é relaxar, e saberá Que a trama que se pinta lá e cá Causando no meu peito, uma erupção.
O amor que é nosso pão de cada dia No verso que te faço, mesmo cria Um clima que convida para a noite.
As pernas são tenazes tão potentes, Enquanto te desfruto também sentes Delitos e pecados no pernoite...
1177
Agitando em tempesta, a mão suprema Escreve em dissabores, existências. Não tendo nem pudores nem clemências Fazendo com que sonhos logo tema
Aquele em quem a vida, um velho tema Deixado para trás, nas penitências De amores serviçais das inocências Se percam ao buscarem piracemas.
Assim ao caminhar sem ter sentido, Galguei as ilusões de um tempo em paz. A solidão, quimera triste, traz
Um dia que eu pensara em ledo olvido De novo à baila vindo, renascendo. Aonde vi o amor, nosso, morrendo...
1178
Agitando o coração Que batuca qual pandeiro, Sem caminho ou direção Das tristezas, mensageiro
Vou vivendo este senão Que é sutil e verdadeiro A saudade é ganha pão, Como a cinza no cinzeiro
Se o refrão dos versos meus Se refaz a cada adeus, Eu devia ter ao menos
Os meus olhos rasos d’água. Mas amor inda deságua Em riachos mais serenos...
1179
Agônico e disperso em frágeis lumes, No lusco fusco da alma eu me retrato. Afasto da alegria, seus perfumes, E morro em ledo espaço, mas sou grato.
Do quase que não tive, vãos costumes, Eu sorvo cada gota, e te maltrato, Cobrindo-te de lástimas, queixumes. Cuspindo com certeza, neste prato
Que deste, comensal de um sonho leve. Levado pelo vento, eu te iludi. Agora me desnudo, estou aqui
Meu verso à realidade já se atreve E mostra sem qualquer caricatura, Minha alma, passageira da amargura...
1180
Agora ao prosseguir, vou devagar, As curvas se acumulam nesta estrada Por vezes quando a tarde esta nublada Desando o meu passado a recordar.
Aguando de esperança este lugar Estendo o coração, abrindo entrada Do peito, mas depois não tendo nada É hora de partir e não voltar.
Mergulho neste mar em águas turvas E vejo que retornam velhas curvas Num ir e vir terrível sem saídas
Assim vendo o naufrágio bem mais perto, Um timoneiro antigo e mais experto Lança ao mar o seu bote salva-vidas...
1181
Agora até sorrir em paz, consigo, Sabendo que enfrentei revoluções, Os duros temporais, mil furacões, Dormindo em mais completo desabrigo.
Colhendo bem mais joio do que trigo Deixando para trás as plantações. Nos olhos do amanhã, feras, leões Na curva sempre em forma de perigo.
Amiga, amante, irmã e companheira, Na mão que agora ampara mais ligeira A paz toma lugar da tempestade.
A brisa costumeira que me acalma Tomando num momento o corpo e a alma, Aos céus vai penetrando e logo invade.
1182
Agora é dedicar-me ao nosso amor, Em frases, pensamentos,atitudes... Armando meu desejo aonde eu for, Meus versos planejando plenitudes. Vestindo meu carinho em tua flor, Nao boto mais as mãos pesadas, rudes...
A lua em nosso amor sempre desvenda Segredos que não sei e nem queria. Deixando suas marcas, seda e renda, Vivendo em nossa trama mais um dia, Deitada mansamente invade a tenda Em raios majestosos, poesia...
As pedras que atiraste são meu chão, O piso em que tocaste, o da paixão...
1183
Agora é que percebo, meu amor Por que tu me chamaste ventania, Pensara antigamente ser louvor. Depois de certo tempo. Fantasia.
De tanta coisa boa a te propor, Apenas o que sobra, uma ironia. Do encanto que julgara com fervor Após ter descoberto... Esta agonia.
Um coração sofrido, apaixonado, Por se sentir assim tão enganado, Restando tão somente algum frangalho.
Falavas sem cuidado e sem receio. Que homem tão pavoroso, um bicho feio, Parece vendaval, só quebra galho...
1184
Agora irei fazer a curta pausa, Barriga está roncando de verdade, A moça já entrou na menopausa, Mas tem ainda um quê que diz beldade.
De todo o sofrimento que ela causa, No fundo irá restar a falsidade, Do amor e da discórdia, a mesma causa: A falta da total tranqüilidade.
A mesa me esperando pra jantar, No prato arroz feijão sem sobremesa, A gente se perdeu e com certeza
Do tudo quase nada irá sobrar, Mas tenho ainda assim algum esboço, Da carne que eu pensei, nem sobrou osso...
1185
Agora me permita se também Puder falar do quanto nada espera Quem mata devagar a primavera E perde o que alegria inda contém.
Se o jeito é caminhar, o faça bem, Depois da curva existe sempre a fera? No palacete penso na tapera, Nem sempre o desespero, à noite vem.
Cigarros pós cigarros, vida passa E quando amanhecer meu caranguejo, Amor por lenitivo, o que desejo,
Perdi o que restava na fumaça. Matar minha esperança? Não sei como, Se as rédeas mesmo soltas, quero e tomo...
1186
Agora proferindo aberrações O mal que nos assola em vão concreto, Por vezes o meu verso predileto Trazendo as mais terríveis ilações
Professo tantas vezes os refrões Que buscam sentimento mais discreto Parecendo ao amor um dialeto Criando as mais temidas confusões.
Olhares entre escombros, imundícias Purgando a podridão falsas delícias Na morte encontrará seu sacramento.
Carinhos entranhados de sevícias Das garras pontiagudas, as carícias, Do riso de ironia, o sofrimento...
1187
Agora que deveras encontramos O rumo que talvez nos cure e sane, O barco vai seguindo sem ter pane Depois de tantas vezes que sangramos.
As dores que por certo; enfim, podamos Sem nada nem tristeza que nos dane Tampouco uma virtude que se ufane Não deixa que podemos sonhos/ramos.
Teríamos momentos mais felizes Valorizando sempre as cicatrizes, Tirando a velha faca que entre os dentes
Mostramos como uma última defesa; Poupado desta trágica surpresa Sentindo na verdade o que tu sentes.
1188
Agora que encontrei o bem de amar A par do que sentimos vou em frente. Meu peito ao se mostrar assim contente Já sabe do prazer que irá chegar.
Partilha tão gostosa de tramar Ao ter quem com carinho nos alente Num toque mais suave a gente sente O mundo em esperanças mergulhar.
Na dança a contradança se garante E tudo se transforma ao mesmo instante Em que nossos sentidos vão imersos
Trazendo à flor da pele a sensação De quem já descobriu a direção Vagando nos meus sonhos, nos meus versos.
1189
Agora que já tenho o bem que quis, Gozando esta alegria plenamente, Morena me fazendo mais feliz, Fazendo esta morena mais contente
Tocando com carinhos, boca e pele Meus lábios te buscando sem receios Amor quando em amor já nos compele Olhares, transparências, belos seios.
Querendo esta querência o tempo todo, Sementes que se espalham, bom cultivo A vida prosseguindo sem engodo Por ti, por nosso amor, eu sobrevivo
Cativo de teu corpo, eu me escravizo, Rocio não permite mais granizo...
1190
Agora que não queres meu amor, Dane-se em cada curva do caminho, Que tudo que te surja tentador Voando pra outro canto, passarinho...
Paspalho sentimento sem louvor Vagando bar em bar se estou sozinho, Violo os teus ouvidos sem pudor Renasço noutra cama, noutro ninho...
Falar que és minha amiga... que resposta! A vida não permite mais enganos. Nos sentimentos, velhos soberanos,
A carne maltrapilha vai exposta. Já tenho pra esta estrada novos planos. Não quero mais te ter: amor de bosta!
1191
Agora que não trago mais meus medos Envolvidos pela noite que me corta, Que toda essa ilusão se mostra morta O mundo me prepara meus degredos...
Quem dera decifrar os seus segredos, A boca que me beija em vão entorta O sonho que aos pecados já me exorta Decepa com audácia os frágeis dedos.
Nas cinzas dos cigarros, na fumaça, O olhar de quem nem liga quando passa Apenas medo e tédio, nada mais.
Houvesse algum momento mais conciso Aonde se teimasse, mas juízo É barco tão distante deste cais...
1192
Agora que percebo o fim da festa, As mesas reviradas nesta sala, Vivendo este pouquinho que me resta, Minha alma sem defesas, tudo fala.
A noite que eu sonhara ser de gala, De um jeito mais estúpido me empresta A farda que usarei; revólver, bala, E o incêndio exterminando esta floresta.
Andando sempre em boa companhia, Eu tive com certeza esta alegria De ter a tua voz sempre alentando.
Tirando algum babaca de plantão, O verso só me deu satisfação, Deixando o meu caminho bem mais brando.
1193
Agora que percebo ser possível Mesmo que inconstante coração Demonstre um muro alto, intransponível, Encontro as minhas asas na paixão.
Castelos de mentiras que criaste Defesa em fortaleza, mas tão frágil, O vento feito amor causa desgaste O barco da ilusão cede em naufrágio.
Eu tenho estes momentos dentro em mim, Recordações que vão e sempre voltam, No amor que agora eu sei, não tem mais fim, Supera mesmo as ondas que revoltam
Tomadas por procelas e tempestas Amor vai adentrando pelas frestas...
1194
Agora que se acaba nosso amor, Não quero mais contigo discutir, Nem venho mais tolices te propor, Outro caminho, espero, eu vou seguir... Distante de teus olhos, bem distante... Não quero hipocrisia nem mentiras, Jamais vou esquecer: fui teu amante, A corda se arrebenta em várias tiras. O vaso que se quebra não se cola, O passo que já demos noutro rumo, Não quero esta palavra que consola Sozinho é bem melhor, eu me acostumo... Espero que não aches mais abrigos: Não quero que sejamos “bons amigos”!
1195
Com estrambote
Agora que, decerto, já descansas, Envolta nas mortalhas virginais. Cabelos negros, belas, fartas tranças; Na beleza sem par, fontes astrais.
As flores que no céu, amada, alcanças; Emanam seus perfumes divinais... A festa sideral promete danças, À vinda desta deusa! Triunfais (Cortejos da beleza pelo astral!)
Convivas comemoram tua vinda, Os céus em reboliço, tantos brilhos... O jardim dos meus dias já se finda,
A rosa que plantei, já desfalece... Estrelas radiosas seguem trilhos, Só minha alma, viúva, se entristece...
1196
Agora tão vazia a noite vem Sem hora pra chegar quer ir embora Embora tantas vezes sem ninguém Agora a solidão cruel decora.
Senhora de meus dias, nada tem, Aflora a sensação por mundo afora, Sem hora pra cumprir eu perco o trem. Ancora meu destino e se assenhora.
Revigora meu mundo um canto leve, Escora cada passo que eu quiser, La fora a solidão se mostra breve
Vigora a lei que traz extasiado A âncora nos carinhos da mulher
1197
Agora uma obra prima, se emoldura Nos batuques do peito em desvario. Telefone tocando em noite escura Convida para a dança que hoje crio.
Retrato mais fiel – felicidade Atabaque vibrando dentro em mim Chamando ao ritual da liberdade Clareia o que se fez tão lindo assim.
Ao passo em que a tristeza já se vai, Amor trazendo o sol na madrugada, A luz virando a mãe, o riso é pai O sonho é o rebento desejado.
Os olhos da esperança faiscavam, Rompendo estes grilhões que nos atavam.
1198
Agora vem comigo lado a lado Num gesto em que demonstra simpatia, Trazendo simplesmente uma alegria Deixando esta tristeza no passado.
O dia nascerá iluminado Ensolarando toda cercania Além do que imagino e mais queria O tempo de sonhar; sinto, chegado.
Andara qual noctâmbulo, bem sei Distante do que outrora imaginei, Aguando uma esperança no deserto.
Tua presença amiga já negou A dor que tantas vezes se mostrou Levando por caminho mais incerto.
1199
Agora vou de lágrimas isento, Passando minha vida em tal prazer; Vivendo com ternura um sentimento, Delícias e vontade de viver...
Amores quando soltos bebem vento E dormem tão tranqüilos e serenos, Deitado no teu colo, o pensamento; Encontra tantos sonhos, mais amenos...
Em versos e desejos mais completos, Querendo a recompensa predileta Cobiço estes delírios mais diletos, Aos poucos vou cumprindo a minha meta...
Vivendo, nesta vida o que se quis, Sabendo, finalmente, ser feliz!
1200
“Agora vou mudar minha conduta”; Eu não suporto mais tanta mentira. Se a vida se anuncia assim mais bruta
Metade da maçã já se retira Raposa vai morrendo tão astuta, Meu coração batendo não atira..
Conversas que tivemos tanto assim, São frases esquecidas no boteco. Chamando o seu amor só para mim Jamais escutarei sequer um eco.
Por isso nada faço sem você, Mendigo o teu carinho pelas ruas... Procuro minha cura, mas cadê? As camas vão ficando sempre nuas...
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