
MEUS SONETOS VOLUME 011
Data 21/11/2010 07:04:02 | Tópico: Sonetos
| 1001
Aberto o coração quero janela... Eu caço teu luar à minha beira. A fonte dos desejos foi mais bela. Lidando com distâncias e ladeira,
O sol estando a prumo me revela Espíritos divinos padre e freira... Paixão improvisada fogo e vela. Instrumentalizando mais matreira...
Nas bênçãos que proclamas não consigo Meu sequioso espírito te via. Esplendores de raios que persigo.
Nas terras prometidas nunca havia. Calabares famintos, um perigo... Dos mares que naufrago, ventania...
1002
Aberto o coração, sagrado campo Estende na varanda a clara lua, No brilho em que se mostra um pirilampo, Reflexos vão tomando toda a rua.
Eu quero ser o quanto tu mais queres, O quase; há tanto tempo sublimei Na plenitude encontro os meus poderes, Fazendo deste sonho regra e lei,
Numa metamorfose incansável, Mosaicos multicores vão surgindo, Caleidoscópio vivo, imaginável, Adentro este cenário, perseguindo
Eu sinto o vento insano a me tocar, E sonho com delícias deste mar.
1003
Abertos velhos portos teimam barcos, Os erros se repetem; nada faço. Os medos que inda trago, mesmo parcos, Não deixam pra esperança algum espaço.
A vida ao descrever antigos arcos, Parábolas diversas ora traço, Hedônica ilusão, ferrenhos marcos, Tropeço nos cordames que embaraço.
Afago as velhas feras que não domo, E se possível, tento e ainda somo, Mudando o resultado em meses, anos.
Velhacarias tantas cometidas, Exércitos de luzes vãs, perdidas, Transformam em inúteis, velhos planos..
1004
Abismo inebriante da loucura O amor que não pudera mais conter Ousando muito além de algum prazer A sorte de tal forma configura
Marcando o que tentara e se assegura Vencendo o meu caminho eu posso ver O rústico cenário a se tecer Gerado pela angústia, esta amargura.
Não tento contornar qualquer engodo, E piso tão somente o velho lodo, Num antro em súcias feito e nada mais.
Dos ermos dos meus versos, vejo o resto E o todo se desenha mais funesto, Prepara para os ermos funerais.
1005
Abismos percorridos, desencanto, A gueixa traz as queixas costumeiras, As deixas demonstrando que as bandeiras Ficaram esquecidas nalgum canto.
Qual fosse ilusionário celacanto As cordas arrebentam quando queiras Os beijos desta moscas costumeiras Bicheiras te servindo como manto.
Assíduas ilusões já não freqüentam O velho coração de um marinheiro Nem mesmo as fantasias atormentam
Nas sementes goradas pela vida O medo se tornando corriqueiro História sem memória ou despedida.
1006
Ao abarcar com fúria o quanto tento Vencer e nada vejo, nem sinal, O passo se desenha em ledo grau E o dia se traduz alheamento,
Vestindo o meu caminho e desatento As roupas vi quarando no varal, Ousando noutro enredo, menos mal, O tempo se mostrando alheamento.
Esbarro nos meus erros costumeiros E tento com ardis, novos luzeiros Ardumes da esperança, vãs lanternas,
E quando se apresenta alguma chance A voz sem ter sentido ao não se lance E apenas o sutil tormento; externas.
1007
Aboiando o passado dolorido Mugindo essa saudade no meu peito, Num choro lamentoso e tão comprido, Achando que talvez tenha o direito De ter o meu destino, assim, cumprido Na sorte que me deixa insatisfeito, Por muitas vezes, nunca, ter agido, Conforme a consciência, quando deito... Nas quebradas da sorte te encontrei, Com força e a coragem feminina, Quem fora só vaqueiro vive rei, Agradecendo a Deus, a nova sina, Depois desta amargura que passei, Doçura, na menina, descortina!
1008
Abortando ilusões, torpes falácias. Erguendo um templo ao deus louco e profano, Estrumes de nós mesmos, desengano, Roubando vampiresco, tais hemácias
Na estúpida esperança de farmácias, O verme que se entrega, quase humano, Expondo o meu cadáver, tira o pano Empáfias disfarçadas em audácias.
Egresso de outros tempos mais felizes, Espectro perambula em cicatrizes Do amor que tantas vezes trouxe o sonho.
E agora este flagelo me consome, Desmembro-me da vida, enquanto some O gozo que eu busquei; me decomponho...
1009
Aborto um roseiral em primavera. Na fera que me toca, numa espreita, A lua enegrecida nada espera E foge desta noite, contrafeita.
Espinho e vergalhão, a dor desperta Coroando um caminho com senões. A porta que nem sempre fica aberta De tantos e diversos corações.
Vestígios destes tempos me decoram. Andorinhas perdendo a migração Os dias de esperança já se foram Tomados pela turva solidão.
Sem primaveras, flores, roseirais; Apenas paladares canibais...
1010
Abra as portas; te juro... Vale a pena! Estrela matutina em luz tão pura, Deitando sobre a terra pálida ternura Estrada deslumbrante que se acena.
A vida sem te ver já se apequena Um porto que a viagem assegura Encanto que me toma e que depura Tornando a caminhada mais amena.
Durante esta alvorada em matiz nobre Beleza que em ternura nos recobre Virá na melodia em que busquei
Teus olhos, tua pele, teus regaços, Tomando devagar teus calmos braços imperceptivelmente chegarei
1011
Abraça toda a terra que domina O rumo em desatino não me importa, Requebra em minissaia esta menina Batendo devagar em minha porta.
A luz que não paguei não ilumina, E inspiração, decerto já se corta O jeito é procurar em outra mina Que a minha amanheceu calada e morta.
Fazer no final boca de siri Do quanto não recebo, eu investi E tive como paga este deboche.
Montando num cavalo sem ter sela, Verdade tão cruel que se revela Deixando para trás o velho coche...
1012
Abraçado contigo minha amada, Passando pelos astros por estrelas. Caminho sem temer as tempestades Vivendo sem nenhum medo maior.
Decoro meus desejos nos teus olhos, Luzeiros deslumbrantes, vida e sorte. Douradas essas sendas que percorro, Adentro os bons portais do meu desejo.
Querida não se esqueça um só segundo De todo grande amor que nos nasceu. Desvendo teus mistérios, pouco a pouco.
E vibro por poder ser teu amante Nos olhos da esperança pude ver O brilho dos teus olhos refletidos...
1013
Abraças os cadáveres que crias Jazendo dentro em ti minha esperança Sarcófago dos sonhos, fantasias, Mordaça que me cala enquanto avança
Os versos do passado, hipocrisias, A mão jamais seria assim tão mansa. O amor trazendo em si, tais embolias Matando suavemente quem se cansa.
E trêmulo, observando cada passo Que deste pela vida, sigo os rastros Sem ter em tal viagem sequer lastros
Os restos de nós dois, às vezes caço, E vejo-te entranhada em cada poro, Na fúngica ilusão qual fora esporo...
1014
Abraço a moça bela toda noite E deste abraço sinto palpitar O coração batendo feito açoite Começa ao mesmo instante a disparar.
Portando o teu sorriso nos meus lábios, Nos beijos que eu te dei, revelações. Os dedos se tornando bem mais sábios Começam sem limite explorações
Buscando os teus recônditos caminhos, Vencendo os desafios, destemido. Escuta-se na noite este gemido
Causado por audazes, bons carinhos, Fazendo estremecer o nosso quarto, Do terremoto intenso, eu não me aparto!
1015
Abraço essa morena, meu amor Com gosto e com desejo persistente Te quero, moreninha minha flor Vem logo, o teu amor me faz contente.
Eu quero teu carinho redentor Beijar a tua boca é mais urgente. Eu busco o teu amor por onde for, Não quero mais saber, nenhuma gente.
Lá longe o coração sempre te acena Chamando para a gente namorar, Na boca delicada da morena
O gosto do desejo acalentado. Na fonte, no horizonte ou no luar, Eu quero amor gostoso e acochado...
1016
Abraço o teu retrato como fora A corda que se entrega num naufrágio. O coração de audaz, tornou-se frágil E nada do que tive, resta agora.
O lodo que me inunda e me decora, Cobrando deste amor terrível ágio Por mais que a fantasia se mostra ágil O tempo de sonhar já foi embora.
Mas vendo a tua face em minhas mãos, Os dias talvez fossem menos vãos E os sonhos se fariam renovados.
Rascunhos do que fomos estampados Na foto que deixaste, por acaso, Trazendo um brilho insano ao meu ocaso...
1017
Abraço quando é dado com carinho Transfere uma energia positiva, Nos braços desse amigo já me aninho À vida saudações, portanto viva!
Amigo nunca troca de camisa, É sempre mais leal e companheiro Mesmo que venta, trama calma brisa, Fazendo da amizade seu celeiro...
Meu amigo guardado aqui no peito, Bem sabe destas dores que sofri, Nos laços que criamos; mais perfeito, O belo desta vida, sempre aqui...
Natal que se aproxima, estou contigo, Espero, com ternura, abraço amigo...
1018
Abraço-te com força E deito sobre ti, Amor que se reforça No qual me soergui
Prazer que vem em poça, Num cálice sorvi, Vem logo minha moça Te espero, estou aqui.
Sentindo entorpecer Propago pelas ruas, O mágico prazer
De nossas peles nuas, Nos beijos converter Delícias todas tuas...
1019
Abrão segundo as ordens de Javé Abandonando a casa onde nasceu Longínquas terras, ele percorreu Guiado tão somente pela fé.
Com sua esposa segue pra Canaã Chegando finalmente a seu destino, Porém a fome e a seca em desatino Levaram ao Egito, intenso afã.
Minha irmã! Disse assim ao soberano Apresentando Sara; moça bela, A ira de Javé, pois se revela,
E ao perceber ser vítima do engano Faraó que os cobrira de presente, Partida do casal, enfim consente...
1020
Abrão sem ter o filho desejado, Numa visão escuta de Javé Que a recompensa para tanta fé Será um bem enorme e abençoado.
Pois Ele sendo escudo é proteção, Fazendo na aliança um sacrifício, Novilhas, cabras, pombas, num ofício Trará depois de tudo a redenção.
Promessa de total felicidade Domínio de um reinado gigantesco, Porém escravidão e sofrimentos
Até chegar enfim a liberdade Encerrando um período tão dantesco Em anos, completados quatrocentos!
1021
Abrão tendo por Deus, obediência Fazendo com Javé uma aliança Que toca o coração com esperança Traz da fecundidade, a consciência.
Sonhando com seu filho prometido, Agora se chamando, pois de Abraão, Tendo em Isaac enfim a concepção Gerado após o tempo estar vencido,
A Sara, Javé deu fecundidade Apesar de avançada a sua idade E as bênçãos a Ismael também legou.
Cumprindo desde então Sua promessa, A glória de seu povo assim começa No sêmen que em velho útero brotou...
1022
Abrigos desvalidos e sem força Nos préstimos negados, desalento. Por mais que uma esperança seja moça Não cabe no embornal do pensamento.
A pele da menina quase louça Rachando com o sol desabamento, Dos olhos tantas águas formam poça Depois irei dormir neste relento.
A casa da menina tem porteira Ponteia uma viola noite e dia. A lua se mostrando companheira
Amor faz mais folia e não reclama, Meu Deus como teria uma alegria Se a moça desse abrigo em sua cama.
1023
Abrindo a minha porta, vou à rua E vejo em ventania, a tempestade, Rasgando o coração, ninguém mais há de Impedir a minha alma que flutua
Tomando a direção da bela lua, Rasgando todo o vento, em liberdade, Andando pelas praças da cidade, Alçando esta esperança, rara e crua.
Beijar a tua boca num momento Vagar pelos espaços; ir ao Céu, Montado numa estrela, meu corcel,
Chegando à fonte rara feita em mel. Não tenho mais temor, busco emoção, Em pleno temporal, bebo o trovão...
1024
Abrindo a velha porta Aonde nada houvera Senão tanto que importa A sorte em vã quimera, O vasto quando aborta O sonho em turva esfera, O todo não mais corta A morte destempera, Ousando em harmonia O tanto que pudesse O salto noutro dia, A vida em dura messe, O quanto não viria, Aos poucos se padece.
1025
Abrindo estes portais Diversos paraísos E neles sensuais Caminhos mais precisos,
E sei dos divinais Anseios sem juízos E quanto quero mais Os templos sem avisos
Diviso a cada instante E o todo se garante Na foz de cada sonho
Pudesse apenas isso, O tanto que cobiço E o vasto onde me ponho.
1026
Abrindo então as travas, vivo o amor, As trevas; assassino em teu jogral, No verso em que pretendo recompor Palavra se tornando sensual Estendo o meu canteiro em plena flor, Trazendo em minha cama todo astral.
Astrologicamente incompatíveis, Na bacia das almas, vamos nós. Vencendo as tempestades, noutros níveis Jamais caminharemos soltos, sós. As mãos que nos empurram, invisíveis Entregam às tristezas, medos dós.
O vento que balança este coqueiro Entranha o mais gostoso e doce cheiro...
1027
Ainda quando eu quero A sorte mais sincera O todo que se espera Gerando este sincero Caminho onde tempero E nada destempera E marca qual pantera O sonho enquanto esmero. Apresentando o fato Deveras me retrato Na sorte mais audaz, E o canto sem declínio Gerando este fascínio Que tanto satisfaz.
1028
Abrindo esta porteira, coração Não pude controlar os sentimentos. Tomado pela força da paixão, Deixando para trás velhos lamentos.
O tempo de sonhar, em tentação Mudando a direção de antigos ventos Causando neste amor transformação. Pacificando assim, os pensamentos.
O sol nos aquecendo, intenso brilho, No encanto em que me perco e maravilho Permite finalmente uma alegria
Dourando o meu caminho em luz segura Destino mais tranqüilo me assegura, Tornando mais sereno cada dia...
1029
Abrindo estes botões eu vejo os seios Que tanto desejei, belos romãs. Prazeres se mostrando em seus afãs Deixando para trás velhos receios.
Percorro vorazmente loucos veios E quero repetir todas manhãs Felicidades fartas, temporãs, Do mundo seguiremos mais alheios
Da diva mais safada, em pleno sexo Não quero nem sabre se existe nexo, Apenas desfrutar de cada orgasmo
A gata faz de mim gato e sapato, Ficando assim de quatro. Quero no ato Poder usufruir de cada espasmo...
1030
Abrindo mil caminhos Em passos bem mais fortes, Abarcas novos ninhos, Encontras outras sortes, Bebendo doces vinhos, Curando tantos cortes.
Ao erguer os teus braços, Superas as montanhas, Atando nossos laços, Eu ganho enquanto ganhas, Refaço velhos traços, Nas luzes que tamanhas
Clareiam tempestades, Reforçam amizades...
1031
Abrindo no meu peito esta cratera Espero outro momento pra contar, O verso que não fiz inda tempera Gerando cada raio de luar
Que adentra esta tapera, novamente, E regenera o sonho antes vencido. Poema que se mostra num repente Aos poucos pelo tempo corroído.
Ouvindo o que dizias; sacramentos. Não quero conceber outra imersão. Adubo que se faz dos excrementos Garante um bem maior à plantação.
Nas cinzas do cigarro que ofereces Amor faz seus leilões, suas quermesses...
1032
Abrindo no meu peito uma escotilha Acendo da esperança, o fogo intenso. Na sina que se fez uma andarilha, No vago logo após às vezes penso,
Carrego dentro em mim tanta mobília, Escombros do que fui. Mergulho tenso E nada se percebe além da trilha Vazia que sobrou de um mar imenso.
Erguendo um brinde à vida, morro aos poucos, Os gritos incontidos saem roucos Prenunciando apenas um adeus.
Porém ao ver de novo o meu porão, Vislumbro a derradeira solidão, Tocado pela luz dos olhos teus.
1033
Abrindo o coração que se deleita A festa prometida não termina, Vontade que se faz, assim, aceita Encharca de alegria qualquer mina.
Menina; vê se nina quem te quer Não deixe pra amanhã, festeje agora, Nos seios delicados da mulher, Desejo de ficar, não ir embora.
Ser pente que passeia em teus cabelos, Serpente que te encanta, um paraíso. Vontade de saber e de vivê-los, Momentos sem pecado e sem juízo.
Marcando nossa pele em tatuagem, Juntinhos, sem destino, essa viagem...
1034
Abrindo o meu jornal, notícias sempre iguais, A morte de fulano, o roubo de sicrano... Congresso faz a lei, pagamos nós, boçais, O povo vai entrando, enorme, imenso, cano...
Meus versos de amor, sem dúvida banais, Sem fibra ou poesia, e digo, sem tutano, Um mero devaneio. O corvo diz jamais Serás um bom poeta: esqueça qualquer plano!
Realidade volta e me incomoda tanto. O sonho tem o encanto embora mentiroso De assim trazer à tona um mundo mais charmoso
Não quero só lamento, e dele, dor e pranto, Quero o gozo do falso, incrível diamante Que possa me alentar ao menos num instante...
1035
Abrindo este caminho Em meio aos temporais Deserto abissais Aonde desalinho
O tempo mais mesquinho Ousando muito mais Que tantos desiguais Cenários; adivinho.
Esbanjo fantasia E nada mais teria Sequer o quanto eu quis.
Mergulho neste vago Momento enquanto afago A sorte por um triz.
1036
Abrindo tuas pernas num altar Aonde percebendo em catedral O gozo sem limites. Profanar Este templo divino e sensual.
Bebendo desta fonte e me fartar Prazer que assim percebo sem igual. Lambendo cada parte devagar Molhando minha boca com teu sal.
Insaciável vontade de viver, Deixando os meus temores para trás, Na ardência que este jogo sempre traz
Até não mais poder me entorpecer Dos ópios, dos delírios teus incensos Amores sem limites, fogos densos...
1037
Abrindo uma cortina, adentra o sol, Beijando a bela ninfa delicada; Recende tal ternura em arrebol, Ela se entrega nua, extasiada.
Seu corpo se enrodilha, caracol, Aos lábios deste sol, dama encantada, Um paraíso imenso, em raro escol, Abraça esta princesa desnudada...
Ousado, devorando esta nudez, O astro rei derramando seu tesouro, Cobrindo o belo corpo com fino ouro
Demonstra sua força em altivez Fecunda com seu sêmen vaporoso
1038
Abrir o peito às forças da Natura, Sem ter o que temer; ser libertário, Tampouco me concebo solitário, O amor sem ter medidas nos depura.
Matando com sorrisos, a amargura, O canto que nos une, solidário, As marcas mais profundas do Sudário, Heranças enraizadas; vera cura.
Contemplo a vida como fosse um rio Que segue; mesmo inglória, em desvario, Até chegar à foz no mar imenso.
Na bela artilharia do Perdão, Vencer com calmaria o furacão, No Cristo ressurreto, assim eu penso.
1039
Acabando com mata ciliar Assoreando os rios, erosão, Ao destruir com tal sofreguidão Da vida quase nada vai restar.
O duro é que apesar desta lição, Ainda existe gente a se mostrar Ao tentar, imbecil justificar Em nome de uma civilização
Aonde se concede para nós Poder tão soberano sobre a Terra. Problema é que o vazio logo após
Pairando qual fantasma a vida enterra. Em nome do bom Deus feito amizade, Destroem com total iniqüidade...
1040
Acácias amarelas, roxo ipê Lembranças que transbordam nos meus sonhos. Momentos que passamos – eu você Em dias tão fantásticos, risonhos.
O tempo faz da vida temporal Arrasta tudo e nada deixa em troca. Amor se transformando, tão banal, Em simples solidão, já desemboca.
De tantos sentimentos, nada resta Senão esta saudade que inda amarga, A vida vai pesando, e assim atesta O quanto é dolorosa a fria carga
Que trago nos meus ombros, desde então, Saudades loteando o coração...
1041
Acácias paineiras e dracenas Uma alameda feita de esperanças. Enquanto em fantasias tu me acenas, Aromas exalados nas lembranças
Crisântemos, jasmins, rosas, hibiscos, Delírios e vontades, mago olor, Não quero mais correr antigos riscos, Vibrando de emoção, em tanto amor.
Pomares e quintais, sublimes quintas Jardins feito em dulcíssimo perfume Veredas que nos sonhos, queres, pintas Nesta aquarela imensa, brilho e lume
Nas mãos delicadeza em tintas nobres, De amores e delícias me recobres...
1042
Acalantos de amor em noite clara, Dedilho um violão, e ao pontear Deitando nosso amor sob o luar Sonhando com teu corpo que me ampara
Estrela que num brilho, fonte rara De todos os desejos, vem tocar Emoldurando um sonho, devagar, Além do que talvez imaginara
Um coração que busca pela estrela Raiada em madrugada seresteira. Mulher, no fogo intenso, feiticeira
Cigana que desnuda em noite bela Adentra minha cama e vem comigo Fazendo do prazer, o nosso abrigo...
1043
Acalantos, palavras de carinho Ninando nosso amor em noite clara. No peito de quem amo, eu já me aninho E a mão de quem desejo já me ampara.
Não faça mais barulho, de mansinho Amor adormecendo em noite cara, Permite que se chegue de mansinho Ao adoçar a vida tão amara
Amor; nosso menino necessita De toda esta atenção que dispensamos. A jóia mais perfeita e mais bonita
Que em versos e canções, tanto velamos, Cuidando deste amor real pepita Tesouro deslumbrante que encontramos..
1044
Acalmando a amargura, violenta, Meus dias serão mansos, nisso eu creio. A força dominante que apascenta Percebe e reconhece logo o veio
Aonde ao derramar as fartas luzes Os olhos da esperança vão sublimes, No quanto dentro da alma reproduzes É tudo na verdade o que suprimes.
O pranto que se seca com carinhos Ainda nos permite ver o sol. Tomando em amizade estes caminhos O brilho dominando este arrebol.
Esqueça toda a mágoa que tiver. Felicidade é tudo o que se quer...
1045
Acalme o coração, não te deixei, Jamais me afastarei do meu caminho Tu sabes quão profundo é meu carinho Nas mãos de eterno Amor, a minha lei.
Por mais que esteja escura, a velha grei, Um pássaro retorna ao mesmo ninho, Não quero um triste canto, vão; sozinho, Eu nunca, podes crer, te abandonei.
Apenas tão somente noutra senda Sementes de esperanças necessárias Vencendo com ternura uma contenda
O coração de um pobre sonhador, Em luzes que divinas, mesmo várias, Plantou com temperança, paz e Amor...
1046
Com estrambote
Ação que nada serve se não oca A mor de todas dores amorosa... O cômodo sentir que não estoca, Augustos esses anjos, mansa rosa...
Meus fâneros feridos farta foca... O preço que pedi não paga a prosa. Da terra que me encerra, uma minhoca. Ouviram do Ipiranga rancorosa...
Ação que nada serve faz mentiras, Omissos paisanos perigosos, As danças que torturas, mansas liras,
Os ombros que empinaste, orgulhosos, Com mãos que me carinhas, também tiras, Os troncos que lanhaste, são frondosos... Cortaste tantos sonhos, de saída,
Fingiste mansidão que vai perdida, Açoitas quem beijaste, secas vida...
1047
Acaricio o corpo de quem amo... Devagarzinho, manso, bem suave... A voz macia, leve já te chamo Para a vida, voarmos nossa nave.
Ao não te ver depois, então reclamo. Não permitindo mais nenhum entrave, O medo de perder-te. Nele inflamo. Retirar de teus olhos triste trave...
O corpo de quem amo, acaricio... Suave noite cai, trazendo ardor... Em todos os momentos deste cio,
Amo-te demais; fina e bela flor! Amar-te é droga, nela me vicio... Embriagado, vivo desse amor!
1048
Acaso não terei mais um minuto Sequer de paz na vida? Não domino O fogo que incendeia forte e bruto, Causando o mais completo desatino,
Mesmo exaurido e insano, ainda luto, O sol queimando pleno; segue a pino, Meu olhar se escondendo, quis astuto, E o meu final inglório; vaticino.
Embrenho pelas sendas mais fechadas, Tentando vislumbrar nas madrugadas A bela redenção da clara aurora,
As nuvens entornando intenso gris, Avisam: se jamais eu fui feliz, Não posso esperar nada bom; agora...
1049
Aceito a contradança que propões, Trazendo uma alegria sem igual, Deixando estas tristezas nos porões Vivendo o mais sublime carnaval,
Por mais que a vida traga más lições Eu vejo a solução mais magistral No balançar dos corpos, seduções Delírios deste encanto sensual.
Dançando a noite inteira, vou contigo E saiba, quanto amor inda consigo Trazer ao coração desta menina.
Que enquanto rebolando me conquista, Estando pra negócio nesta pista, Requebra enquanto em fogo me alucina...
1050
Acelerando o tempo tento a fuga, Carinho assim, mecânico, eu não quero. Se tudo o que queria, o medo suga, Desejo um sentimento mais sincero.
A cada novo dia, uma outra ruga, As rusgas vão servindo de tempero, Esqueça, caia fora e não me aluga, Amor merece sempre, um trato, esmero...
Quem dera se inda houvesse um meio termo, O coração talvez sem ser tão ermo Pudesse inda arrumar esta bagunça.
Porém a sorte sendo assim, jagunça Não vejo solução para este caso, No amor vejo, sem dó, um triste ocaso...
1051
Acende em brasa imensa, a velha chama, Macabros versos solto em profusão, Fazendo a mais completa confusão, Na combustão dos sonhos, minha trama,
Não sendo teu escravo ou teu patrão, Irmanado contigo, céu e lama, Quem ama, na verdade não difama, Nem mesmo que repita a negação.
Patrolas estas rotas podres, rotas, Carinho que me dás em conta-gotas Deixando vez em quando o que não deixas,
Soprando sobre nós o mesmo vento, Usando esta cangalha, o sentimento, Não tenho mais na vida, quaisquer queixas.
1052
Acende o mundo inteiro e chega ao céu Pintando este horizonte em mil balões, Abrindo quaisquer ruas ou portões Lacrando o que devia ser cruel.
Vivendo cada qual o seu papel Nós somos os heróis, somos vilões Mentimos ironias dois bufões, Porém ao bem de sermos sigo réu.
Cedendo vez em quando, outras nem tanto Gargalho quando secas o meu pranto E vago sem perguntas, noites, dias.
Nas mãos que me torturam, mil carícias, Entranho no teu corpo tais sevícias, Produtos da delícia em fantasias.
1053
Acende tão somente uma ilusão O gosto da maçã em tua boca. Sentindo a mais sublime tentação Meu sonho no teu corpo já se aloca.
Amor que aromatiza enquanto cura, Extrai todo o desejo em gozo pleno. Cansado de viver só na procura Encontro o que buscara – encanto ameno.
Recebo cada afeto com sorriso, Esplêndidas manhãs se prometendo. A sorte que chegando sem aviso Caminho que ao teu lado, assim desvendo.
De todo o sentimento, se faz dona; O brilho em minha vida vem à tona...
1054
Acendes a fogueira em que me lanço Ardendo de vontades e desejos. Não quero com certeza algum descanso Somente lambuzar-me nos teus beijos.
Desculpe se o sinal, afoito, avanço, Mas gosto de teus belos relampejos, Momentos tão gostosos; quero e tranço Bebendo os teus prazeres, sem ter pejos.
Na transparência audaz, a camisola, Permite que se vejam teus mamilos Que, túrgidos, me excitam num convite.
Aí um temporal voraz assola, Meus gozos encontrando em ti asilos Demonstram ser o céu nosso limite.
1055
Acendes a saudade no meu peito Fazendo tempestade em copo d’água, Não sei por que guardaste tanta mágoa, O amor não se maltrata deste jeito.
É claro que, contudo, amor aceito, Meu peito em teu amor cedo deságua, Da lua que se deu e que ora trago-a Eu vejo o belo lume, satisfeito.
Ajeito com carinho a nossa cama, Lençóis enluarados de esperança. Mas peço, por favor, não faças drama
Que tudo que eu queria, inda me alcança E mesmo que eu maltrate a poesia O amor que tanto tinha, sempre havia...
1056
Acendo alguma luz ao fim de tudo, E meço com palavras o que digo. Se faço do meu verso um vaso antigo, É como se soltasse a voz no agudo,
Seria bem melhor, mas não me iludo, Vestir a liberdade, doce abrigo, Mas quero ser assim, e assim prossigo Se for para mudar; eu fico mudo.
Mas mudo de repente, e vejo o sol Brilhando fortemente no arrebol E bola para frente, é mesmo assim.
Requebros sedutores de quadris, Nas quadras, desenredo, e sou feliz, Com seca ou com fartura em meu jardim.
1057
Acendo essa fogueira adormecida Nas brasas que me queimam sensuais... Eu quero derreter-me em tua vida No fogo onde vertemos rituais.
Teu beijo me incendeia totalmente, Qual fosse uma queimada na floresta, E vejo nosso amor, tão forte e quente, Saindo até fumaça pela fresta
Da janela deixada quase aberta, Na sala, vizinhança até na rua, Os gritos e o calor servem de alerta, Deitando-me por sobre a carne nua,
E rimos tão felizes, nesse incêndio, Selamos outro tomo do compêndio...
1058
Acendo o meu cigarro e penso em ti, Nas espirais dos sonhos sempre estás. Esfumaçam as dores que senti Adentra a minha casa, chama em paz.
Os versos mais bonitos que eu já li, Uma canção que o vento, hoje, me traz. Vontade de te ter comigo, aqui, Deixando uma tristeza para trás...
O dia que renasce em teu olhar Estrela, peço a luz pra mais um dia, É muito bom poder, a ti, amar
Sentindo o teu perfume junto a mim, Amar-te, com certeza, o que eu queria, Saber que tu és minha... amor... enfim...
1059
Acendo o meu cigarro e penso enquanto A noite se desenha muito aquém Do quanto necessito e nunca vem, E ao ver o desalento, enfim me espanto
Apenas a mortalha em vão garanto E o rumo se aproxima do desdém Matando esta esperança, sou refém Do mundo transformado em queda e pranto.
Escondo minha sorte e nada vejo Sequer o que pensara em azulejo Amortalhando o dia mais atroz,
E o quanto poderia e não mais visse Traduz dentro de mim lenda e crendice Tomando este sentido atroz em nós.
1060
Acendo o meu cigarro E vejo o teu olhar Distante a procurar O quanto desamarro
Das sortes, ledo sarro E nelas vou buscar O todo sem lugar Voltando ao velho barro.
Espúria fantasia De quem se fez sem rumo, O todo que podia
Agora não resumo No caos em utopia Das dores, farto sumo.
1061
Acendo o meu cigarro em noite escura E parto em solidão para o infinito. Carente de carinho e de ternura Ninguém pode escutar meu triste grito.
Porém ao perceber que enfim vieste Depois de tanto tempo sem ninguém De uma esperança nova, amor reveste E encontra finalmente o grande bem.
De um coração deveras sonhador Em praias tão distantes, passarinho, Encontra finalmente o bom do amor E nele uma promessa em terno ninho.
E a dor que outrora tive se esfumaça Jogada feito guimba em plena praça...
1062
Acendo o meu cigarro, escuto uma canção Dirigindo o meu carro, as curvas tão fechadas Buscando o meu caminho encontro nas estradas As marcas que deixaste apontam direção
Prossigo em cada andança ouvindo o coração Batidas no meu peito estão aceleradas Ouvindo num instante- amor – tuas chamadas Promessa de encontrar, contigo, a salvação.
Pisando bem mais fundo neste acelerador As luzes da cidade agora estão mais fortes, E cada vez mais perto, eu ouço a voz do amor.
Voltando a imaginar teu corpo junto ao meu, Cicatrizando assim antigos, duros cortes, Parece que o desejo, enfim, tudo venceu.
1063
Acendo o meu cigarro, tiro um trago, Olhando para trás, vejo teu rosto, Curando a cicatriz feita desgosto Na lúcida expressão de um doce afago.
De todas as lembranças que hoje eu trago, A mansa sensação deste recosto Deixando o coração quase que exposto, Emocionado, amada, eu sempre afago.
O encanto que talvez pensei ser meu, E um dia em correntezas se perdeu, Marcou eternamente. Não me esqueço.
E quando uma tristeza se aproxima, Felicidade em ti encontra a rima, O amor que foi além do que eu mereço...
1064
Acendo os meus desejos com vigor Palhaço sem juízo nem perdão, Queria um fogaréu no coração, Porém já não suporto mais calor.
Se tanto quanto existo por favor Teria em coerência outro refrão, Arrasto meus poemas pelo chão E teimo ser artífice do amor.
Um ser tão vagabundo que nem eu Que sabe com certeza que perdeu, Um joão-teimoso cego sempre insiste.
Arcando com meus versos, um turista Bancando sem firmeza um otimista Até quando se mostra amargo e triste.
1065
Acendo tua chama em meu desejo Nesta ânsia de poder te cultivar Regada com prazer e muito beijo, Depois numa ventura decolar...
Assim do lago azul de onde te vejo A ninfa mais gostosa a se banhar, Na taça dos prazeres eu prevejo Esta vontade imensa. Embriagar...
Dançar tua nudez a noite inteira, Depois sem ter segredos, teu descanso. Visão desta vontade qual fogueira
Que teima em nos queimar, a pira acesa Voluptuosamente, mas tão manso, Tomar-te enfim comigo, com certeza.
1066
Acendo um cigarro, Sozinho no quarto, A vida faz sarro, De amor ando farto,
Eu ligo meu carro, De noite, e já parto, Na lama, no barro, A sorte, eu descarto.
Porém resta o brilho De ser teu amigo, Num velho estribilho
Um sonho prossigo, Seguindo o teu trilho, Encontro um abrigo...
1067
Acendo uma vontade em cada beijo Quais seixos que recebem cachoeiras, Querências e loucuras eu porejo E bebo das divinas corredeiras.
Num turbilhão de fogos e desejo Tocando tuas furnas, nas ribeiras Dos sonhos mil prazeres eu prevejo. Um pássaro que voa entre soleiras.
Num átimo percebo o teu sorriso, Audácia me tomando, passo a crer Possível adentrar no paraíso
E cada novo fruto recolher, Do amor que se faz lúdico e preciso, Certeza de alegria e bem querer...
1068
Acendo uma vontade E nada mais se vendo Sequer o medo horrendo Aonde se degrade
O canto aonde brade A sorte se revendo E o medo percebendo O fim em tal saudade.
Vacilo, mas prossigo E venço outro perigo Após a curva em vão,
E o charco que adentrasse A vida sem impasse Traduz a precisão.
1069
Acerca do que fomos, cada verso Avesso às tempestades, vendavais, Vagando em solidão pelo universo Escuna dos amores perde o cais.
Não posso ter teu lábio junto aos meus, Tampouco tu te lembras da casinha Que um dia, pequenina disse adeus, Na noite que julguei tu fosses minha.
Polvilhaste esperança nesta estrada Que liga o Paraíso ao duro inferno Não sobra deste sonho quase nada, Nas crateras da terra eu já me interno
E colho cada gota de suor Do amor que antes pensei ser o melhor...
1070
Acerca dos abortos que carrego Na multifacetária poesia, Vivendo do que o sonho, inútil, cria, No rito da palavra, assim me apego.
Não posso disfarçar, sou quase cego, E nisso, o diabetes faz folia, O quanto sou somente alegoria, Não quero ser martelo nem ser prego.
Despedaçando pétalas só restam Espinhos do que quis ser buganvília Ao destruir já toda esta mobília
Cadáveres dos sonhos ora atestam O quanto se fez tolo e placentário O canto muito além do imaginário...
1071
Acero preparado para a ceva, O coração sublime da poeta. Enquanto a poesia ainda neva Encontra a forma rara e predileta.
Alheio, tantas vezes tive a treva Nestas tramas abstratas, dor concreta Seguindo em frágeis bandos, a alma leva Ao destino cerzido pela seta
Arranjos tão diversos, vozes santas, Arcanjos desfilando em asas plenas. Os sonhos que irradias quando cantas
Erigem do vazio, catedrais, Das mansas primaveras que me acenas, Espero finalmente ter meu cais...
1072
Acesa esta vontade de te ter Deitar línguas e dentes sobre ti, Aos poucos teus segredos conhecer Eu sinto o paraíso ser aqui
Meus dedos passeando por teus seios Encontro logo a fonte dos desejos Tocando com meus lábios os teus veios Estrelas vão brilhando em relampejos...
E desce uma cascata tão gostosa E sinto tua boca sobre mim, Ao ver tua explosão maravilhosa Também chego ao final, é bom assim
Compartilhamos tudo, amor e gozo, No fogo do prazer, voluptuoso...
1073
Acesos os pavios da loucura Que em cios e desejos se completam. Salivas que se trocam, na procura Dos mares que se inundam, se repletam...
Explodem multidões de tempestades Tornando nossos ventos mais bravios. Rondando nossos corpos, ansiedades Nos sonhos mais gostosos e vadios...
Nas ondas do prazer as explosões Roubando a calmaria destas noites... Tornando bem reais as tentações Dos lábios sensuais, nossos açoites.
Vazante desta enchente em maremotos Nas erupções divinas, terremotos...
1074
Achando-me na selva tenebrosa Vagando pelas sendas da tristeza Não via no caminho uma beleza Qualquer em vida amarga e desgostosa.
Uma esperança chega tão frondosa Nos braços da mulher, a fortaleza, Que mostra, num momento de incerteza A sorte a transformar, maravilhosa.
Saveiro que me ajuda a navegar Por mares turbulentos, procelares. Guiado por estrelas e luares
Encontro o meu caminho devagar, Rondando tua luz em liberdade, Farol que me ilumina, uma amizade...
1075
Achar na treva a luz que necessito, Achar em teu carinho a salvação, Vivendo em cada sonho o mesmo rito De ter nessa promessa, a solução...
Eu vivo transbordando de alegria Sabendo que encontrei uma saída. Não deixo mais que a noite tão vazia Invada nossa cama assim, querida...
Vim de longe, dos ermos do passado, Tateando, bar em bar, me embriagando, Teus olhos me deixaram fascinado Aos poucos me salvei em ti, amando...
Quando pude tocar-te, finalmente, A luz cegou as trevas totalmente...
1076
Achara bem melhor eu não te ver Depois destes momentos delicados Em que não conseguia perceber Toda complexidade desses fados
Decorridos de amor que sei demais. Ciúmes que temperam trazem sal, Agora, nunca é bom ter sal a mais; Apenas a pitada é o ideal.
Entenda que jamais te quis mentir, Nem ser o que não sou e nem seria. Por essas é que tento te impedir De ver o que esse olhar nunca olharia.
Achara bem melhor eu sempre estar Disposto nesta vida, a te adorar!
1077
Achava meu caminho tão incerto Perdido em fantasias, tantos medos... Vagando sem ter rumo num deserto Imerso em meus temores e segredos. A sorte nunca vinha, longe ou perto, Apenas sensação de dor,degredo... Agora em minha vida, estou desperto Bem sei que poderia ser mais cedo Mas sinto que inda há tempo de lutar E arregaçando as mangas, meu amigo, Não deixo mais a vida me tragar. Eu te agradeço o apoio, companheiro; Agora sem temor, venço o perigo E ao mundo não me nego, vou inteiro
1078
Açodam-me as vontades mais audazes De ter uma estrelar constelação, Desejos que se mostram mais vorazes Permitem devorar, sofreguidão,
Ao mesmo tempo sei que são capazes De trazer a total transformação Deixando para trás dias mordazes Estrelas salpicando em meu colchão.
Teu vulto passeando pelo quarto U’a sílfide fantástica, um colírio A quem imaginara ser delírio
Amor que me fizesse pleno e farto, Agora uma tristeza eu já descarto Legado ao meu passado, um vão martírio...
1079
Açoda-me a saudade de um amor Que sei, valeu a pena totalmente, Lembrança que em verdade a gente sente Nos diz do sentimento o seu valor.
À luz deste sublime refletor Caminho, peito aberto, vou pra frente, Sabendo que vivi, que fui contente Por isso faço aqui este louvor.
Eu sei quanto se sofre estando só, Porém jamais eu quero pena ou dó, Orgulho-me da vida que vivi.
Olhando para os lados, sinto ainda, Presença sempre viva, clara linda Daquela a quem amei. A sinto aqui.
1080
Açoda-me a vontade de saber Aonde te escondeste, em qual cometa Tomaste uma carona. Posso ver No rastro feito em luz, pegada e seta
Resquícios que deixaste, sem querer. Quem dera se pudesse ser poeta, E ter na fantasia tal poder. A vida mudaria rumo e meta.
Mas nada do que fomos neste espaço, Nas sendas mais distantes, te procuro. Ao ver o céu sombrio, amor, eu juro
Depois de tantas buscas, estou lasso, Vencido pela ausência- noite escura, Embrenho nas searas da amargura...
1081
Acolho o teu carinho em meu desejo, Teus rastros pelo quarto, amor, persigo, Querendo desfrutar de cada beijo, Eterno companheiro, amante amigo,
A transparência exposta sempre vejo, Servindo, com certeza de um abrigo Momentos preciosos que eu almejo Buscando o teu carinho, assim prossigo.
Quem fora um aprendiz amor declara Mostrando que apreendeu a jóia rara E traz a sua imagem sempre perto.
Amor que enlanguescendo, a paz expõe Além do que procura e se propõe, Tornando o coração bem mais experto.
1082
Acolho-te em meus braços na delícia De ter tua nudez junto comigo. Num toque sensual, tanta carícia Trazendo o gozo intenso que persigo.
Na concha que descubro; tal beleza Que logo me inebria e me conquista. Adoro ser a caça, tua presa, Sentindo tua mão que me revista
Até chegar ao ponto principal, Aonde tu percebes meu desejo. Mulher maravilhosa e sensual, No fogo do querer, logo latejo
E sinto em tua pele arrepiada, A lava de um prazer já derramada...
1083
Acolho-te querida. Estou aqui, Espero que tu venhas mais depressa O rumo tantas vezes eu perdi, Mas meu amor intenso se confessa
E baila nos meus sonhos, pois em ti Eu encontrei amor que se professa Maior do que pensei, mesmo vivi. E peço que jamais disto se esqueça.
Eu estarei contigo em cada passo Na direção da tal felicidade Que é nossa e que recobre cada espaço
Sonhado e desejado por nós dois. Vem logo desfrutar desta verdade, “Não deixe tanta vida pra depois”.
1084
Aconchegadamente nos teus braços, Felicidade à mostra num sorriso. Seguindo eternamente nossos passos Invadem alegria sem aviso.
Passeiam pelos campos dos abraços, Chegando ao grande Vale Paraíso, Deitando no teu colo, meus cansaços, Incrível: eu teu corpo em me matizo.
Ipês e quaresmeiras, matas, relvas, Veredas, alamedas, bulevar.. Espaços, astronaves, serras, selvas...
Viajo no teu corpo e vou contigo, Aonde o pensamento nos levar,
1085
Aconchegado estou nos braços teus, Em tréguas sem procelas ou contendas Nos lumes tão sutis esqueço os breus E peço que esta senda assim; desvendas.
Levando cada cântico em fascínio Rogando pela sorte de poder, Estar como eu desejo em teu domínio Desabrochando um mundo de prazer
Seguindo par em par imensa trilha Que leva ao infinito num instante, Saber que desfrutei da maravilha De ter esta mulher tão radiante
Deixando os dias tristes para trás Nos braços deste amor que tanto apraz...
1086
Acontece que eu te quero E não me canso de dizer Que em teus braços recupero Alegrias e prazer.
Onde havia desespero Felicidade a dizer Que o amor, nosso tempero Tão gostoso de saber.
Sentimento grandioso Que mudou o meu destino, Nele enquanto me alucino
Bebo à farta tanto gozo, Este canto inigualável É decerto inquestionável...
1087
“Acorda, minha bela namorada, Vem ver a maravilha deste sol Que irrompe nos trazendo esta alvorada, Iluminando assim, todo arrebol.
Depois de tanto amor na madrugada, As marcas estampadas no lençol, Vontade de ficar, não fazer nada, Apenas dos teus olhos, girassol.
A noite foi perfeita, em raro encanto, Inesquecível mesmo, ouso dizer, Imerso em alegrias e prazer.
Estrelas se espalhando em cada canto, Envoltas por teu brilho insuperável, A fonte de uma luz interminável...
1088
Acordando as almas Dentro dos sepulcros, Espinhos são fulcros Xucros cães acalmas
Lamas repartidas Repatrias sonhos Que por mais medonhos Representam vidas.
Ávidas estrelas Como é bom contê-las Mesmo que distantes
Pois já representam Poeiras que assentam Luas fascinantes...
1089
Acordando o fantasma que carrego Durante tanto tempo adormecido Eu vejo o quão devia ter sabido Do velho desdentado, amaro e cego.
Burrego no cercado; não me entrego Ao carcará deveras conhecido, E mesmo que eu me sinta destruído Poder ao protetor jamais delego.
Se às vezes eu me esqueço, não renego O mundo há tanto tempo concebido, Nem deixo me levar, jamais olvido
De quem mordeu tal isca, e como um prego Fazendo da esperança um mau emprego Matou o amor que um dia, eu quis ungido...
1090
Acorde minha amada, o sol nasceu, E trouxe nos seus raios a esperança. O mundo que julgava fosse teu Renova com vigor em nova dança...
Não quero mais sofrer inutilmente As dores de quem sabe que não tem Amor que se tornara tão premente, No fundo não querias mais ninguém!
Os raios deste sol nesta manhã Trazendo tanta luz sobre meus dias. Promessas de viver um novo afã, Em vidas que precisam harmonias...
Talvez se tu quiseres inda veja Os raios deste sol que não deseja...
1091
Acordei te procurando, o sol lá fora a nascer Era só um sonho e eu tão longe de ti a te amar Talvez quimera minha contigo sonhar Se pelo menos meu amor quisesses ter
Essa noite sonhei com a princesa Mais bela que encontrei nestas coxilhas. Mostrando em cada gesto a realeza Tornando a fantasia em maravilhas...
Chegava tão cansado da procura Ao ver em tal castelo esta riqueza A vida se entornando de ternura, Fazendo-me feliz, pois com certeza
A sorte renascia para mim Que,vindo uma vida em amargura, Achando-me bem próximo do fim Encontro finalmente a minha cura...
Quem dera se... Princesa... Eu fosse rei... Mas tudo foi um sonho... Eu acordei...
1092
Acordo de manhã e te procuro, Mas nada percebendo, vou embora Se toda a solidão ainda aflora, O pão do dia-a-dia está mais duro.
Por vezes, falsidade; ainda aturo, A lua se desnuda a qualquer hora Não quero ter teu braço e sem demora Distante do teu corpo, salto o muro.
E parto sem destino por aí, Os rastros deste amor, eu já perdi E nada impedirá felicidade
De quem não se contendo, vai liberto, Bebendo cada gota do deserto Que vejo no horizonte, após a grade...
1093
Acordo de manhã, pão com manteiga, Tua presença amada e lisonjeira Mulher maravilhosa nua e meiga De tantos desafios, companheira.
Estende a nossa roupa no varal, Os pássaros pousando na varanda. E descompromissada, casual, Beleza sensual corpo demanda.
E ali depois de um rito de conquista, A brincadeira sempre recomeça. Delícia sem igual olhar avista Mirar tua nudez, peça por peça
Olhando com tesão e com cobiça O fogo sem juízo que me atiça...
1094
Acordo destes sonhos e te vejo, A sílfide que sempre desejara. No teu olhar um brilho de azulejo, Tua boca perola jóia rara.
O manto que te cobre, dum verdejo Raríssimo. Trazendo ares de Iara No respiro suave do desejo. Estrelas te servindo de tiara...
Quem sou eu para estar tão perto assim Da deusa que chega e me tortura? (A morte vem raiando e é meu fim)
Depressa, num segundo se desfaz A imagem dos meus olhos some, pura... Será que foi um sonho e nada mais?
1095
Acordo e nada vejo, sigo só. Vencido pelas duras ventanias, Roubando toda a luz dos novos dias, Estrada me legando apenas pó.
Minha alma num moinho encontra a mó, Rompendo-se ao final destas orgias, Nas lúgubres promessas, fantasias, Estilhaços espalho; fujo à dó.
Não quero mais sarcásticos sorrisos, A vida se passou sem dar avisos, Invade a correnteza, velho ninho.
Minha carcaça exposta em cada rua, E o vento sem limites, continua Fazendo da amargura o doce vinho.
1096
Acordo e não te vendo desespero... Procuro-te nas ruas, avenidas. Sem teu amor é vida sem tempero, É perder, dos caminhos, as saídas...
Porém ao retornar: felicidade! Encontro novamente o meu sorriso. Refeito deste susto e com saudade Voltamos num segundo ao paraíso.
Tu falas da preguiça tão gostosa Do amor que se faz forte e sedutor. Perfume inebriante desta rosa; A rainha absoluta mulher/flor.
E somos tão felizes, desse jeito, Da rosa ; eu recebendo o amor perfeito....
1097
Acordo e não te vendo Procuro inutilmente E mesmo que inda tente Mistérios não desvendo E sei que sou remendo Do sonho onde apresente A vida em penitente Caminho em duro adendo. Escárnio sou e sinto O sonho agora extinto Matando a primavera, E o tanto quanto eu quis Jamais me fiz feliz, A vida em vão espera.
1098
Acordo no calor dos braços teus E sinto em teu perfume a redenção Dos dias que passei, caminhos meus, Aonde não havia direção.
No fundo de teus olhos eu percebo O brilho da esperança refletido, Um mundo tão fantástico concebo Deixando o que eu vivi já esquecido.
Chegaste em minha vida abençoando Na glória que se faz em luz intensa. Futuro fabuloso se mostrando Recebo o teu amor em recompensa
E a vida assim prossegue em plena paz, No gozo deste amor que a noite traz...
1099
Acordo no calor Do sonho mais audaz E nada enfim se traz Aonde eu quis propor Um dia em raro amor, Mas nada satisfaz E o passo outrora em paz Agora em nova cor, Agrisalhando o passo Enquanto nada resta Sequer o que ora traço Em noite mais funesta, Apenas o cansaço E a morte dita a festa.
1100
Acordo uma esperança adormecida em mim, Depois de tanto tempo a vida prosseguindo O medo dominando, o dia se esvaindo Restando simplesmente amor que sei sem fim,
O gosto de teu beijo, a boca carmesim, O dia anoitecendo, o medo perseguindo O quase que chegando, o nunca perseguindo Meu verso te procura e nada encontra enfim.
Mas sei que longe vens em passo galopante E logo chegarás, mulher que tanto eu quis. Entrando em minha casa, em riso triunfante
Mostrando que bem sabe o quanto necessito Do braço que distante, ao me deixar aflito Retorna neste instante, e me faz tão feliz...
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