
Magoada...ferida
Data 18/11/2010 17:36:29 | Tópico: Poemas
| Magoada...Ferida
Estou magoada...muito magoada...tão ferida...tão perdida...tudo e nada...entre o que sou e o que não quero...entre o sonho e a vida...o que sinto...conheço-me e desconheço-me...apenas uma passagem entre o céu e a terra...o nada que me escapa entre os dedos...olhos fechados ao horizonte...cativeiro de mim...alma esvaziada do que fui...do que sou...do que doeu...do que dói...apenas o vazio me acompanha...sentidos dispersos...ausentes...entrego-me à noite...sem alento...alma errante...vesti o silêncio...despojei-me de mim...já nada sinto. Tão magoada...tão ferida...tão sem vida...sem chão...sem esperança...sem amanhã...sem mim...escuro túnel onde caminho sem chegar...tão vazio o abismo que percorro...tão negro. Estou magoada...muito magoada...tão ferida...as palavras são noite sombria...punhal dilacerando o nada que me veste a alma...dos meus olhos caiem gotas de solidão...pedaços de vazio...das minhas mãos frias escorre o cansaço...preso na garganta um grito...tão profundo...queimando o peito...esta dor sem tempo. Neste entardecer esperei o amor o carinho...mas na minha pele apenas este clamor eterno...no meu corpo o frio...vestida de nada...envolta em nada...louca...triste louca...quero envolver-me em mim...esquecer-ME.
Do outro lado de mim...jaz meu corpo tão ferido Gota a gota...o tempo passa...tão negro e frio No silêncio dos meu passos...o abismo percorrido Quero rasgar-me em mil pedaços...esquecer o vazio
Sou a pedra do caminho...sou mulher...amordaçada Sou fim de Outono...no meu corpo o silêncio de um grito Sou a noite perdida...a fria dor da madrugada Vesti o silêncio...despojei-me de mim...nada sinto
Vesti meu corpo de carinho...perdi-me de mim vazia Vesti meus olhos de pranto...pintei-os de solidão Vesti minhas mãos de silêncio...envolvi-as em nostalgia Vesti meu peito de Outono...de espinhos meu coração
No fundo da noite...breu intenso...eterno No fundo do tempo...uma solidão sem fim No fundo de mim...o vazio do Inferno Na recordação...o que sobrou de mim
RosaSolidão
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