
Pai nosso dos violinos
Data 17/11/2010 23:55:16 | Tópico: Poemas
| Vivia no limbo e descuidava o corpo ás vezes com sangue… Era uma estátua quieta com poemas de sede pintados nos lábios. Vermelhos os ocasos sopravam tépidas orações de violino nas ondas…e o mar… Traiçoeiro era uma pauta que punha aos dias uma clave de sol. Então anoitecia e tinha pelas sombras fracções de um olhar misantropo. Condescendia um afago de espectro na baía onde atracava a alma… e podia-lhe então soprar sacarino o silêncio com muito vagar para não fugir. Dizia-se feitiço nos olhos distantes. Que nunca sequer ousaria ditongos, como ideia, de lhe ser e tocar. Por essa altura ali perto aprendia a nadar no oceano do génio… Não pensaria sequer que voaria pelas águas a plantar horizontes. Toquei-lhe nos versos a fumar névoas nas madrugadas insónias. O nosso livro é uma contracapa com preâmbulo unívoco. Hoje ouvia cantar na praia ao sul dos meus ocidentes… Aportava uma lira de coragem na súplica dos mares amplexos. Cheirei-lhe o útero sideral numa viagem ao cume dos seios. A boca apeteceu beber toda água do mar para estar perto… Os violinos oravam na praia ao redor dos cuidados… Como um pai-nosso que não desvia o olhar das nossas ausências bravias… Vivia no limbo e descuidava o corpo ás vezes com sangue… Vesti-me de iodo para sarar as feridas amantes. Das almas loucas dividimos o cálice no vinho das mágoas. Aprender a nadar para transpor a latitude das aguas… Nunca ninguém está sozinho… Enquanto os violinos tocarem.
|
|