
Abre-te a mim, amado
Data 28/08/2007 12:42:01 | Tópico: Poemas -> Amor
| Abre-te a mim, amado, neste rio de cardos cravados na memória. Bolina o meu corpo, no leme da nossa história, …sem demora …
que o vento é de nortada, que o vento por nós ondula a espuma da vaga e chora. Que, no areal da tarde, a gaivota regressou e já lá mora, … em espera,
e no seu doirado bico, tem um mapa cravado, em que o meu e o teu destino, têm um ponto cruzado, no reponto da maré.
Abre-te a mim, amado, no deportar da saudade, nesta vagem de frutos silvestres, dulcíssimos e avermelhados. Amoras maduras, framboesas, mirtilos ensandecidos…
Liberta-te do sepulcro dos silêncios, ao clamor rugente dos sentidos; Tange harpa em cordas com a polpa dos teus dedos, e liberta, por fim, do meu corpo e de ti, na impudicícia do momento, um sílex fino, um gemido de violino.
Abre-te a mim, amado … na neblina da manhã,
…leve, leve,
em estrelícias pontiagudas, em promessas rubras de febre, em aromas de hortelã!
“Lado a lado … lado a lado!!!”
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