
Pintura para um pântano
Data 16/11/2010 00:34:14 | Tópico: Poemas
| Atracado na lama escorregadia dos corgos Que íntima penúrias neste corpo que vivo Onde compassa o segundo que me enterra em desprezo Esbracejo na lágrima num resvalo de limo Porque ódio, passas de luto em mim Se em luta me dou como uma pérola de nervo Como uma furna de suor em ebulição No gemido da força do sangue onde fervo Há mortalhas de protesto submersas nos pântanos Que flutuam no leite atraiçoado do limbo Fatos de ganga com o fumo nas mangas Que mergulham o grito num silêncio de tinto Sonolentos cartazes de fábricas mortas Em desespero como em dor anestesiadas Plantam nas margens dos abismos de lodo Horas extras etílicas hipnotizadas É na robustez das agruras onde me afundas Que á greve e á fome, não me falta a água Alimenta o meu corpo de marés bravias Que explodirão nas ruas numa granada de mágoa Profunda é a ferida do homem dos pântanos Carne viva de lava e fraternidade Nos atoleiros sombrios onde me queres Sou casulo dos homens em maternidade Assim encharcado de musgo e razão Estrebucho em pingos de suor cristalino Que há-de drenar cisternas de injúria No alcatrão que transpira o labor citadino Espezinhados aos milhões como fósseis de gente Talvez assim porque entendemos Que enterrados na lama da vida madrasta Escorregamos sem força, mas não nos rendemos!
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