
INTERLÚDIO
Data 15/11/2010 16:23:13 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| (Poema para meu filho)
Inesperadamente, o Titanic encontra à frente um icebergue. Em descontrole, já não irá manter-se à superfície.
Um belo, terrível dia, a arma do bandido está no rosto, o câncer em metástase no fígado: és tu..
A sensação do astronauta - a nave ingovernável no infinito: és tu.
Irremediavelmente, um dia - espada de Dâmocles, solta – um bloco de velho edifício cairá sobre a cabeça do transeunte.
És tu como seria qualquer outro no espaço-tempo crucial. O pedestre atropelado. O alvo da bala perdida. O nome na lista terrível de passageiros do vôo fatal.
Mas, não te furtes ao dever que temos de acreditar em nós mesmos, de traçar nosso destino.
É tudo efêmero, tudo, exceto a Vida. Que a Vida expande-se a eflúvios de amor, eternos da Grande Consciência a que chamamos – Deus.
Como a criança que toma a avezinha ferida e, após reanimá-la, lhe devolve o vôo, alguém há de surgir e é o que fará contigo.
Não há - diz minúscula estrela no zênite a pulsar, furtiva, a esteira intérmina do Nada, o abismo da noite infinda.
Como não há calabouços de pedras intransponíveis, aos raros homens despertos que se sabem livres.
(Do livro de Sersank "Estado de Espírito")
(Direitos autorais registrados e protegidos por lei)
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