
POLARIDADE INVERTIDA
Data 12/11/2010 21:58:06 | Tópico: Poemas
| O olhar perdido na sombra do alpendre bebe o pouco que resta, da luz estagnada no estuque arruinado dos muros e na terracota de longínquas memórias, onde um eco de vozes sussurrantes entoa a cantiga esquecida dos ventos.
Os pássaros sombrios do outono desceram as colinas do teu corpo enrugado onde o alento mirra, em cada folha que cai, em cada novo dia que te desfolha, na tristeza do musgo que trepa a pedra fria nos últimos degraus do crepúsculo.
Vencida pelos limites vagos do futuro, refugias-te nas varandas do passado, e descobres que há um tempo na vida em que a polaridade dos sonhos se inverte, e a ilusão caduca dos dias vindouros reverte àquelas manhãs antigas, em que o sol dançava na linha tépida do horizonte.
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