
EXISTIR... POSSO?
Data 12/11/2010 10:50:50 | Tópico: Poemas
| No dia em que nascemos… Pequeno corpo nu… frágil. Respiramos, enfim, o ar – choro. Sentimos, pela primeira vez… a brisa fria acariciando-nos. O Primeiro aroma do Amor – mãe – ou dor. O primeiro sabor de vida… do que nos amamenta. A primeira ausência… do aconchego da prima casa – útero morno. Os raios de sol que nos trazem aconchego… e nos saúda por nossa chegada. A textura dos tecidos do algodão… independente do nosso berço. As notas musicais… entoadas pelas vozes a nossa volta. As cores… embora as primárias sejam-nos as mais presentes… Para os nossos olhinhos que quase nada enxergam. Mesmo já enxergando demasiado com o coração. A primeira dor física… de barriga, de ouvido… de existência. A dor da alma… talvez a dor do pressentimento. A sensação maravilhosa do primeiro beijo terno… verdadeiro. O primeiro amor… o único incondicional – pelo menos o deveria ser – mãe. É permitido?... - Posso, sr. Mundo, ser amado incondicionalmente por minha mãe? - Preciso com ela estar... Silêncio… As árvores que dançam a nossa volta… o canto dos pássaros. Escutar… escutar… maravilhoso. Nem sempre “melodiasa gradáveis” aos nossos pequeninos ouvidos. Nem sempre as palavras que precisávamos ouvir – desespero. Sentimos a nossa presença no mundo – Existimos. E iniciamos o processo de mortandade também neste dia. Nascer… morrer… a cada dia, um pouco. Somar-se ao mundo e subtrair-se sempre. Sempre.
Karla Mello Novembro/2010
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