
Amor e loucura na fronteira da razão
Data 26/10/2010 19:05:00 | Tópico: Poemas
| Quando o amor se encontra com a loucura na fronteira da razão, ambos se questionam: quem é você? Param por um instante. Olham-se com alguma soberba, e se falam em tom profético. Diz o amor: - Eu sou aquele que arranca os homens e mulheres da cama na alta da madrugada e os impele pelas ruas, noite adentro, desesperados de uma dor que causa prazer. Retruca-lhe a loucura: - Pois eu sou aquele que devolve esses mesmo homens e mulheres aos seus leitos, carregados de dor e desejo, sedentos de vida e transbordantes de sonho. Alterca-lhe o amor: - Eu sou aquele que lhes restituirá a vida sem lhes tirar o prazer da morte no gozo extremo. Anuncia a loucura: - E eu sou aquele que lhes presenteia a morte, sem lhes tirar a vida. Exaspera-se o amor: - Eu sou o que todos desejam. Complementa placidamente a loucura: Eu sou no que todos vão dar. Ironiza o amor: - Eu sou quem os pode levar e trazer. Boceja a loucura: - Eu sou o caminho de ida e volta. Abate-se o amor: - Se você é tão magnânimo, então não preciso mais existir… E se apreça a loucura em corrigir o engano: - Não me deixe, pois sem você torno-me obsoleto. Ambos param por um instante e se contemplam; voltam-se para os pobres mortais e, sem mais palavras, seguem seu caminho de solidão acompanhada. E, sem maiores elucubrações, entendem que não sabem quem são ao certo, e se lançam ao seu infinito dilema, “quem sou eu?”, pensa o amor; “quem sou eu?”, pensa a loucura…
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