
A Traição do Corpo
Data 22/10/2010 16:33:51 | Tópico: Poemas
| [... um ser atônito, em construção, sempre...]
Tantas idéias... tantas, tanta metafísica, tanta... E as minhas buscas — afinal, o quê? Desertos... Ânsias de galhos viçosos que se estendem sobre os perigos dos abismos?! O agora — um súbito degrau, um salto no tempo? Nada...
Sim, tudo é nada diante da traição que o meu corpo engendra nesta madrugada; ainda agorinha mesmo, na penmbra da sala vazia, eu estava em paz, pois eu sabia, sem saber, que eu tinha um corpo...
Mas é madrugada, e o corpo desperta, quer... as mãos tocam, de leve, imaginárias formas... as tuas fêmeas formas... Ah, onde, quando...? Mais que amiga, és recorrência, eu recaio em ti, sem cessar!
Não pertences àquela mente analítica de ontem, mas habitas naqueles amanhãs, amanhãs de depois do amor, que o meu corpo apenas sonha... prelibações sem abismos, paisagens de planícies calmas, aroma suave... no leito macio, ainda o cheiro do amor...
[Tanta metafísica, tanta... E essa recorrente traição... Corpo, ah corpo meu!]
[Penas do Desterro, 05h32 de 06 de março de 2010]
|
|