
Sangue inflamável
Data 20/10/2010 13:06:43 | Tópico: Poemas -> Amor
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Ceifas as pálpebras, esmagas o céu escarlate com a timidez oblíqua num vaso esquartejado. . O campo adormece-te na pele, a noite nasce-te da boca em flutuação irrespirável para lá do firmamento refractário. . Arrancas a neblina da aragem que absorve a corrente de ar nos rodados enlameados pela força motriz de um beijo relâmpago. . Ninguém te ouve serenar para lá do último hectare regido por sonhos que os herbicidas teimam em querer aniquilar. . Dilatas as pupilas nas mãos, abres as portas do rosto, e no pátio da voz sopras a imagem do fruto que amadurece na língua da tua árvore. . Acendes um cigarro com o enxofre do fósforo humedecido na alma. . Lentamente deixas-te embalar pelo desnível da pastagem folheada pela saudade. . O granizo apedreja-te os sentidos e tu receias a escuridão. . Por isso trago comigo um candeeiro cheio de sangue inflamável que te iluminará para sempre em todos os mundos em que te sinto!
rainbowsky
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