
DO JEITO QUE JAMAIS FUI
Data 22/10/2010 14:52:41 | Tópico: Poemas
| DO JEITO QUE JAMAIS FUI
A cidade segue do mesmo jeito que jamais foi Cada vez maior, incrementada em milhares de almas... Os ruídos das calçadas avultaram-se nestes anos, Também os roubos, as brigas, os assassinatos, Qualquer mal intrínseco à multiplicação dos humanos... Igualmente, a riqueza, obviamente, se multiplicou Novos prédios altos derribaram os velhos cortiços Conforme o local, não se vislumbra mais horizontes E esqueça-se procurá-los em frestas ao derredor Apenas ao meio do céu sobrevive um nubloso ponto de fuga... A cidade, posuda, depurou as formas do que nunca muda... E há mais crianças pedindo nos sinaleiros, rindo e chorando E há mais vida e morte e mais pressa e preguiça E há mais beijos e tapas e mais louvores e insultos... Eu ouço pouco, vejo pouco, acho pouco disso tudo... Sinceramente, sinto-me um intruso, como poucos E sigo, um pouco, do mesmo jeito que jamais fui...
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