
Lágrimas de emigrante
Data 13/10/2010 12:45:53 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| LÁGRIMAS DE EMIGRANTE
Nos braços duma quimera Converti-me em emigrante, Ganhei a saudade austera Que me abraça a cada instante.
Ao partir ao Deus dará, A minha aldeia deixei E ninguém hoje saberá Quando eu lá voltarei.
Tendo o Céu como parceiro Nesta minha grande empresa, Sou um pobre mensageiro Da cultura portuguesa.
Assim ando vagueando Pelos trilhos que Deus quis, Nesta vida caminhando A clamar o meu país.
Sem juiz fui condenado Como um dia o foi Jesus, Sigo sempre carregado Com o peso da minha cruz.
Como um ser que hoje tem Um fado em cada esquina, Não torno culpas a ninguém, Esta é bem a minha sina.
Essa mesma que um dia Me trocará a vida errante Por uma grande alegria, De não mais ser emigrante.
Rama Lyon
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