
TEMPOS MODERNOS?
Data 13/10/2010 11:14:46 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Não… não nos escutam mais… Não percebo o que está a acontecer com nossos filhos. São tantas justificativas sem nexo… que não justificam qualquer coisa. Os valores… onde vão parar os valores? Onde depositam todo o amor que os emanamos? Onde depositam toda a fé que os ensinamos a buscar? Onde depositam a própria vida?
Já se faz tarde… Já não podemos mais estar a escolher nada por eles. Já não há mais a palmadinha acertada - ou será que houve quando deveria? Onde estava eu quando perdí o fio desta meada? Com o que estava eu tão ocupada…? Ou que tipo de amor será este… Que cegou-me aos erros do início… Onde tudo perdeu a igenuidade… a graça? Diz-me: “não tens culpa”. Culpa… Palavra ríspida e afiada como o fio de uma lâmina. Ninguém a quer… cortante… mas real. Se somos mães… como não amá-los? Qual o caminho a seguir quando não há mais caminhos? E a culpa… a quem pertence ela? Acaso soubemos ser filhos às nossas mães…? Silêncio… nunca perguntei… também não há mais tempo. E como posso ser mãe em plenitude? Como existir – sentir - ser mãe e não cometer erros?
Uns dizem que tudo não passa de uma reorganização social… Outros chamam de “tempos modernos”… Mas que raio de modernidade é esta… E o que se organiza desta forma…? Onde se deveria aprimorar o ato de amar? Será que isso não faria parte do verbo “evoluir”? Ou será que evoluir humanamente… Está a tornar-se um ato marginal?
Sim… os que amam e se compadecem… Os que são capazes de chorar… Emocionar-se diante das coisas mais belas e simples… Estes… estão a ficar a margem… sempre a margem… De um movimento social esdrúxulo… que escapa-me compreensão. Então… não é moderno chorar por coisas simples. Não é moderno um abraço amigo… Não é moderno uma mãe beijar seu filho ou sua filha… Não é moderno amar ao próximo… como nos ensinou o salvador. Não… não é moderno.
Sinto-me com medo. Sinto-me perdida nesses parâmetros atuais de modernidade… Oro a deus… ajoelho… choro - valha-me deus… como sou antiquada!! Onde foram parar todos os que vieram do “meu tempo”? Pergunto-me por que não fui capaz de multiplicar a frente este “meu tempo”…? Acaso o “meu tempo” parou em mim?
Sinto-me com medo. Sinto-me perdida… Oro a deus… ajoelho e choro.
Karla Mello setembro 2010
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