
Aquarela (Murilo Mendes)
Data 12/10/2010 15:08:02 | Tópico: Poemas -> Fantasia
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Mulheres sólidas passeiam no jardim molhado de chuva, o mundo parece que nasceu agora, mulheres grandes, de coxas largas, de ancas largas, talhadas para se unirem a homens fortes.
A montanha lavada inaugura toaletes novas pra namorar o sol, garotos jogam bola. A baía arfa, esperando repórteres...
Homens distraídos atropelam automóveis, acácias enfiam chalés pensativos pra dentro das ruas, meninas de seios estourando esperam o namorado na janela,
estão vestidas só com um blusa, cabelos lustrosos saídos do banho e pensam longamente na forma do vestido de noiva: que pena não ter decote!
Arrastarão solenemente a cauda do vestido até a alcova toda azul, que finura! A noite grande encherá o espaço e os corpos decotados se multiplicarão em outros.
Murilo Mendes, poeta mineiro (1901-1975), Escreveu aos 24 anos, na publicação Antropofagia. Tinha um estilo barroco e surrealista.
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