
EROS
Data 11/10/2010 16:02:28 | Tópico: Poemas
| Será que o meu desejo tem corpo, existe e está a pensar em mim? Tu a minha alma gémea, aí por qualquer lado, pensando em nós? Será constante a fantasia de nos completarmos, com alguém por aí? Num encontro intenso de plenitude de nos sentirmos completos?
Será que Aristófanes tinha razão? Separados mas um só! Bastando-se, fecundos e iluminados, pela sua própria luz? O Andros, a Gynos, o Androgynos a união plena e dual, Não pela carne, mas por algo superior e difícil de exprimir!
Dois acoplados, erectos ou rolando velozes como um raio Ele filho do Sol, ela filha da Terra, eles filhos da etérea Lua Mas plenos de força e desafiadores dos deuses! Zeus rugiu: Cortem-nos ao meio, perderão força, ficarão humildes!
Cortados e com as faces viradas para as suas partes amputadas Choraram desesperados! Zeus virou seus sexos para a frente Assim conheceram o desejo carnal, mas difícil era o saciamento, Os corpos uniam-se, mas as almas dificilmente se encontravam
Buscavam Eros, que como dizia Diotimia, era o intermediário genial Entre os homens e os deuses, para ascender ao patamar da imortalidade Só ele podia levar ao Todo, projectando-os para um estado superior Mas entre Eros e os homens os obstáculos de percurso eram tremendos
Difícil a união perfeita, a plenitude em que tinham vivido Extinguidos os gemidos do amor, o vazio de novo aparecia Corpos juntos, mas com as suas almas cheias de angústias Coarctados de serem um só, sofrendo a dor da insatisfação
11.10.2010
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