
A morte não manda recado
Data 06/10/2010 03:10:26 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Um grito surdo, no infarto matutino, é a morte anunciando mais um passageiro
No comboio da transição para um estado ignorado embora nos cultos celebrado renascimento, ressurreição
Ou aguardar a prestação das contas no juízo final mas, que importa afinal? se a morte vem, sem nenhum sinal?
Na dor que consome a todos na impotência diante do inevitável desfecho brotam diversos sentimentos gritos abafados, choros incontidos
Hoje vi passar bem próximo esta cena da dramática partida de minha sogra, uma pessoa muito humana que dizia que temia sofrer neste momento
Todavia, parecia tão serena estirada no sofá de sua casa como tirando uma breve soneca mas, se preparando pra vida eterna
Adeus, orações, flores, ornamentam e perfumam o corpo guerreiro que lutou pra cuidar de cinco filhos e outros tantos netos, com amor e devoção.
Nesta hora da partida a melhor palavra é muitas vezes o abraço, o gesto solidário pra aqueles que seguem a jornada.
Para Cyrene que parte que seu espírito liberto do fiel corpo físico e das ligações inda terrenas,
segurando nas mãos de anjos possa alcançar sem medo os portais de um renascimento de um reencontro com sua própria origem.
A Terra fica para trás, um escola de grande aprendizado de experiências, lutas, vitórias, derrotas, mas, sobretudo de transformar a dor em amor.
A morte não manda recado, é verdade, o corpo físico padece, Mas, a vida sempre envia sinais, de que é infinita e espiritual.
AjAraújo, o poeta humanista, escrito em 5 de outubro de 2010, refletindo sobre a transição de Cyrene, uma pessoa muito especial, a miha querida sogra.
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