
Onde pus eu os meus sapatos?
Data 29/09/2010 10:49:57 | Tópico: Crónicas
| Há uma linha quase invisível que nos separa do conhecimento. Não da sabedoria, que, quem sabe, sabe. Do conhecimento. Do verdadeiro sentido das coisas. Deus, que é omnisciente, não soube como munir-nos dessa capacidade e, à cautela, deixou-nos a faculdade da busca, da dúvida, da aprendizagem. Mas cegou-nos às certezas, para nosso próprio bem. Pois se, com dúvidas, nos apressamos a julgar, a vilipendiar, a achincalhar, a apedrejar quem, sob a nossa opticazinha particular e limitada (outro dos nossos "handicaps"...), sai dos nossos ideaizinhos particulares - que faríamos, se donos e senhores de certezas?... Nada é absoluto, neste nosso obscuro caminhar. Nada é nítido, delimitado, fidedignamente ponderável, isentamente apreciável... Eu costumo dizer que não gosto de julgar calçada com os sapatos de ninguém. Mas, como aprendiz que sou, vou reavaliar a hipótese de o ideal ser, de vez em quando, calçarmos o sapato do outro. Daquele que nos julga, ou daquele que nós julgamos. Porque o conhecimento pode ser-nos vedado. É. Mas somos todos perfeitamente capazes de aprender e alargar as vistas. Basta mexermo-nos, para ter logo outra perspectiva. (Onde pus eu os meus sapatos..?)
E, na dúvida e na obscuridade, cuidemos onde pomos os pés... é que podemos estar a pisar alguém, ou a arriscarmo-nos a ser pisados.
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