
Poemas (Philip Dennis)
Data 25/09/2010 16:36:02 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| a.
O que eu busco não é um lugar mas um ponto de partida.
Da nuvem madura espero o relâmpago da pobreza duma palavra a sabedoria.
b.
Pastoreio o rebanho das nuvens, que o vento indiferentemente junta ou dispersa. Partilho com a encosta as longas horas imóveis da espera.
c.
Por detrás da janela tingida por uma luz errante, falar, tal como um lume – enquanto neva sobre a casa, ou o metal exaure nossas vidas truncadas.
d.
Quem da terra natal me falasse falar-me-ia dum vazio que nem sequer me é pessoal.
Penumbrosa origem acordando somente esta palavra vós – aqui desprendidamente lançada. Velha como um abismo – ausente como um alto cimo
e.
Toda a noite pintando e repintando esta porta que nunca se fecha… Toda a noite, até que os nervos,liquefeitos, se tornam na própria tinta.
Lendo de ponta a ponta as linhas sem direção – esta mão – que só o meu passado evocam.
Próxima cura, se vieres – contigo eu farei a loucura real.
Philip Dennis, em "Eclogues", traduzido por Nicolau Saião.
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