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Data 25/09/2010 10:19:42 | Tópico: Crónicas

Talvez ninguém se aperceba, da altura por onde passeiam os olhos, - não gosto de ser tropeço de ninguém, nem impugno a sombra dos outros - mas tenho andado agachada. É que perdi qualquer coisa, não-sei-o-quê, coisa-de-nada, só sei que sem ela não funciono lá muito bem - quem sabe um parafuso da cabeça, um apóstrofo dos ligamentos, uma língua de fogo do espírito, uma gota de sangue da guelra, a cedilha precisa da minha forca... Está-se mesmo a ver que procurar coisa tão mínima é tentar encontrar agulha em palheiro...
Tenho andado agachada. E digo-lhes, desta perspectiva, pode não se atingir a altíssima visão de superiores contemplantes, mas, acreditem, dá para reconhecer a qualidade da "labaige" que comem, pelo esterco que fazem.
E não é que seja nada comigo. Eu até tenho andado agachada, longe de mim disputar as alturas com quem tem o nome lavrado em pergaminhos e jornas garantidas em róis de parede! Não. Mas, o que me resta de pelo na venta (pouco, que também não nego pertencer à era boneca-de-cera) ainda se irrita com descuidos ácidos de quem não respeita o ar que pisa.
A cada um, a sua escrita. A cada um, a sua leitura. A cada um, a dívida de respeito à Língua Portuguesa - isso é a única coisa que não perdoo, porque há ferramentas, falta é força de braços. E a cada um desses uns, o respeito que deve à língua e a quem a guarda na boca (ou fora...).
Não é que eu não possa com o Luso. Posso, sim senhor (mesmo agachada - ou talvez por isso...). Mas vou, aqui e agora, arrear o peso de ser rotulada de puta velha (velha puta soa-me a sabida, coisa que eu não sou, e, além disso, velha puta pode ser nova, não é?...), só porque sou velha e, de vez em quando, leio e comento quem me apetece ler e comentar! Ah, vou!!
E mais!... mesmo sem o tal pormenor parafuso-apóstrofo-línguadefogo-gotadesanguedaguelra-cedilhadaforca... ainda me arrisco a filosofar:

Quem não pode, fode.


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