
Amor, de tarde (Mario Benedetti)
Data 16/09/2010 01:45:46 | Tópico: Poemas -> Amor
| É uma lástima que não estejas comigo quando olho o relógio e são quatro e acabo a planilha e penso dez minutos e estiro as pernas como todas as tardes e faço assim com os ombros para relaxar as costas e dobro os dedos e lhes tiro mentiras.
É uma lástima que não estejas comigo quando olho o relógio e são cinco e sou um punho que calcula interesses ou duas mãos que saltam sobre quarenta teclas ou um ouvido que escuta como late o telefone ou um tipo que faz números e lhes tira verdades.
É uma lástima que não estejas comigo quando olho o relógio e são seis podias aproximar-te de surpresa e dizer-me: Como vais? E ficaríamos eu com a mancha vermelha de teus lábios tu com a marca azul de meu carbono.
Mario Benedetti, poeta uruguaio, poema traduzido por Maria Teresa Almeida Pina.
|
|