
A flor do ar (Gabriela Mistral)
Data 16/09/2010 01:43:04 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Eu a encontrei por meu destino, de pé a metade da pradaria, governadora do que passe, do que lhe fale e que a veja.
E ela me disse: “Sobe ao monte. Eu nunca deixo a pradaria, e me cortas as flores brancas como neves, duras e delicadas”.
Subi à ácida montanha, busquei as flores onde alvejam, entre as rochas existindo meio dormidas e despertas.
Quando desci com minha carga, a encontrei a metade da pradaria. e fui cubrindo-a frenética com uma torrente de açucenas
e sem olhar-se a brancura, ela me disse: “Tu carregas agora só flores vermelhas. Eu não posso passar a pradaria”.
Subi as penas com o veado e busquei flores de demência, as que avermelham e parecem que de vermelho vivam e morram.
Gabriela Mistral, poetisa chilena, Prêmio Nobel de Literatura de 1945, poema traduzido por Maria Teresa Almeida Pina.
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