
A EXPECTATIVA
A Expectativa era um sentimento que vivia latente e se fazia presente em todos os momentos. Chegava de repente e assumia um papel tão enervante, que desarmava qualquer semblante. Muitas vezes era tão inquietante, que por mais que se quisesse dela se desfazer, não se encontrava um jeito disso acontecer. E ela sabia muito bem o poder de sedução que exercia, qualquer que fosse a situação. Nesse momento ela não se continha e ia aumentando sua pressão, até explodir de emoção. Quando conseguia o seu intento, deixava o ar tão tenso, que até respirar, se tornava um tormento. O coração batia tão fortemente que dava para escutar o oscilar ofegante, do ar que se infiltrava pelas narinas sibilantes. Aquele aperto na garganta ia dando um nó tão fortemente, que fazia a mente escurecer e o chão desaparecer. Depois vinha a calmaria e a Expectativa desaparecia bem assim como surgia. Deixava na sua passagem um vendaval de emoções que estraçalhavam qualquer coração. Quem com ela convivia todo o dia, sabia o mal que ela fazia, mas não conseguia se desfazer dessa agonia, que a todos consumia, pelo menos uma vez ao dia.
Débora Benvenuti
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