
Coaxam-me rãs na boca ávida
Data 15/08/2007 15:37:46 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Coaxam-me rãs na boca ávida quando a tarde se enterra em lodos e os sapos verdes sobem os musgos dos barros.
Sinto ao longe, na encosta íngreme dos medos, silêncios de silvas e cardos.
Do mar o sal e o leite branco das cabras, na feição feérica, no requeijão, no negro pão em vime repousado.
O cheiro acre e forte, de um dia em quase morte, do coalho em que, perpétuas se eclodem fúrias de marés bravas.
...atmosferas ácidas. Mariposas revoltas na cólera de um mar, num plantio de rosas. Em espera, jaz inútil a toalha posta e as frescuras verdes de pomar.
No postigo, vislumbro cheiros mestiços de um roçagar imberbe. No restolho dos trigos, besouros sem bicos... No sapal, ali ao lado, tertúlias recalcadas nas coxas altas de garças.
Sem bordão e sem cajado, descalça, viajo a dor numa gota híbrida de sangue e suor, no rumo de nenhum lado.
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