
CORPOS SEM VÍCIOS
Data 07/09/2010 17:03:27 | Tópico: Poemas
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CORPOS SEM VÍCIOS
Acima desta imensa murada Ocorrem-me maravilhas Desfruto ao longo de milhas Visão privilegiada Desta infrutífera batalha...
Acalmado, absorto Admiro pois A total estranheza, Esta desolação crua, Uma calada beleza...
Corpos estatelados A perder de vista! Elegantemente trajados Compelidos à paz Pela robustez selvagem De um cessar-fogo orgânico Trégua irrevogável, Sem branco...
Heróis ordinários, Renomados anônimos Lembrados sempre! Em melodiosos hinários Ao menos uma vez, Um dia ao ano!
Malandros contumazes... Investidos ao final, Só ao final, Em evidentes otários
Escondidos do mundo, Guardados como tesouro Pelo zeloso cuidado De seus entes amados...
Fincaram-lhes à terra secos! A encarar por baixo a eternidade Por todos os motivos Nenhum certo, Cada um deles, errado!
Legiões de mãos justapostas A segurar desajeitados, Desconhecidos terços Olhos vidrados, cerrados, vazados Devidamente abençoados Costelas sem peito
Carregam estandartes Troféus dourados, bronzeados Moldados em anjos, santos, Monumentais epitáfios, Recados de sábios, Engessados querubins...
Pois que ainda suam o orvalho, Sonham o nada, Sustentam outras vidas, Alimentam a crosta Às custas de seus martírios, De seus corpos sem vícios...
Os recônditos gritos de vida Agora são ventos, Agora são sinos, Que por eles silvam, Que por eles dobram...
Uivos sonolentos, Indolentes, pausados... Incontidos movimentos De um ar sombrio Passando a lamber Os vãos de vasos vazados
Lamentos de vidas terminadas Jogadas aos montes Em valas profundas, Cobertas imunes Por cimento calcinado, Pintadas em branco
Nisto a luta se resume! Finalmente transmutadas as súplicas, Engarrafadas as frivolidades, Cessadas as irriquietas dúvidas, As noites agoniadas...
Trocadas enfim, Ao transcorrer de suas vidas Por meras, puras E brancas ossadas
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