
DESNEXO
Data 06/09/2010 20:03:39 | Tópico: Poemas
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DESNEXO
Desperto num aposento medonho. Uma alcova miserável de medidas, subtraída de mobília, paredes e tintas. Tem um piso íngreme que me engole os pés e um teto que me golpeia a cabeça. Um teto de forro lúgubre e calamitoso...
O aposento é isento de portas e janelas; sem vãos mínimos para o ar das oressas Ou frestas destinadas aos olhos... Encontro-me nele isento de vestes, carente de amores e onerado de dores e desafetos quiméricos, fantasmagóricos...
Assisto-me num misto de sonho e solidão, realidade onírica e devaneio paranóico. Desgosto-me deste vivenciar complexo, de senti-lo; de tocá-lo; de vê-lo; de odiá-lo... de descrevê-lo ao tempo que, dele, escapo Ao arrastar-me neste poema por seu desnexo
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