
Vento desértico
Data 09/09/2010 18:38:52 | Tópico: Poemas
| Recolho o teu rosto das gotas de chuva uma tarde de chuviscos inesperados! Nego a nuvem cinza que se infiltra nos raios de sol.
Comungo da sede a nudez das portas entreabertas que bailam ao vento desértico, molda os vidros estilhaçados neste tecto sem chão!
Os pensamentos são o anverso do agitado silêncio que assobia nas cordas de um violino, enigmas de ilusão que invocam em vão os cálices sussurrantes de uma voz amortalhada!
Na tribuna do olhar as gotículas escorrem sem pressa com a transparência de um cristal, contemplo com o tacto do silêncio a alma que se enrola num manto invisível despido pela lua cheia…
Tento limpar os delitos que se arrastam nas vestes negras de uma Primavera esquecida pelas sementes do grande cultivador de sonhos.
Os meus olhos bebem o ébrio crepúsculo deste destino …o violino toca, toca no altar coberto de açucenas e jasmins que nutrem a ilusão dos fragmentos que restam…
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