
Olhar a planície
Data 13/08/2007 19:01:52 | Tópico: Contos -> Tristeza
| Estamos ali os dois, sentados a conversar há horas infinitas. Sentados, aconchegados um ao outro, na erva húmida de um prado, no cimo do monte. Ali perto, um homem conduz o seu arado pelo caminho longo da terra, trilhado por uma mula castanha, altiva. Gritos de ordem, interrompem, de vez em quando, a canção popular que ensaia. Sente-se no ar o cheiro a terra molhada pela chuva miudinha que caíra nessa manhã, e o Sol aparece, a medo entre as nuvens. Mais longe, para lá do olival, fustigado pelas varas e pelas mãos calejadas dos apanhadores, o balido das ovelhas daquele rebanho cria uma melodia estranha, entrecortada por tons diversos mas maternais. É também ali perto a nascente de água cristalina que alimenta a planície e dá corpo ao ribeiro que a corta a meio. O som do ladrar ordenante do rafeiro das ovelhas aproxima-se de nós, misturando-se com o chilrear dos pássaros, que pousam momentaneamente naquele choupo alto, ali mesmo, à nossa frente. Aquela melodia natural é, ao mesmo tempo, bela e estranha para os nossos ouvidos, e faz as árvores balançar levemente. A brisa matinal é fria. É um lugar maravilhoso para amar…
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