
O BARRETE À NASCENÇA
Data 28/08/2010 19:11:15 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Ando de barrete porque sou saloio Guardador de toiros e até sou maloio Os meus óculos são como eu, são redondos Tenho a barba longa, mas nada escondo.
Enfiaram-me o barrete à minha nascença Os mal educados nem pediram licença. Tenho vivido enganado constantemente Mas como sou saloio cá ando contente
Os óculos redondos, os olhos centrados São hediondos, não posso olhar para o lado Foi por malandrice que esses óculos me deram Para que eu não veja o que da vida fizeram
A barba está longa mas não sou eu o primeiro A a deixar crescer por falta de dinheiro Mas sendo aldeão, saloio, para mim nada é duro Não tenho poluição, vivo ao ar livre e o ar é puro.
Os que não têm barrete dizem-se inteligentes Porque passam a vida a enganar as gentes Mas vivem num ambiente poluído e na podridão Não são saloios, mas também, terminam num caixão.
A. da fonseca
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