 Reverberações insanas ecoam do frágil e cocho pensamento. O filho desgarrado caminha e santifica suas maldições, pactua com a áspide e não terá o calcanhar picado. O sonho submerge no leito em desejos nunca revelados. É como a aurora de um dia nublado, e tão natural como a danação de minha alma em chamas, tão natural como o sorriso inconformado de uma criança e a rama seca do deserto do meu espírito. Cantos de celebração vagueiam em algum espaço vazio dentro de uma caixa. As vozes chamam e convidam para o banquetes dos mendigos. A áspide serpenteia e deixa o seu veneno numa taça cristalina e sorri suas presas para o anjo triste do martírio. As reverberações, a insanidade, chegam ao ápice e o peso do corpo cede contra o chão imundo (onde cospem os caminhantes do destino) e abraça a terra com suas memórias e cantigas sombrias. É natural que o veneno daquela taça corra em minhas veias cortando a realidade que se desfaz diante de meus olhos marejados.
É natural, é tão natural...
São Gonçalo, 18 de agosto de 2010
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