o meu poeta

Data 23/08/2010 14:57:27 | Tópico: Textos

hoje olhei para a tela branca e vi-a encher-se do vermelho do sangue que escorria das unhas dos dedos do meu poeta.a seguir vi os próprios dedos caindo decepados um a um no meu visor.
o meu poeta andava pelo quintal,arrancando ervas daninhas de si mesmo,sob o sorriso macabro do espantalho.
o meu poeta foi apanhado numa espiral de vento e de tempo e a sua cabeça criou mil personagens que julgou serem ele mesmo.belas e monstros dando as mãos num corropio.
o meu poeta desceu depois as escadas de vento de dentro de si e dirigiu-se ao tasco da vila para ser um homem simples .veio para casa e misturou neo-realismo rústico, surrealismo endiabrado , romantismo ingénuo e uma grande dose de idealização ao seu conceito de mulher.o meu poeta gostava de escrever a mulher.
o meu poeta cozinhou.o meu poeta deu a provar.era um conto.
disse-lhe que gostava mais dele quando era ele apenas,que em si tinha tanto de novo para dar,com laivos surreais,a força do sol,a imaginação fervente,o sangue a pingar.e que precisava de olhar e ouvir de novo a mulher,a escrita.como quem ouve um búzio.como quando o faz quando faz poesia.
é que muitos sabores misturados confundem-me o paladar...e gosto de saber para que lado sopra o vento,quando é forte.por isso gosto de o ler nos seus poemas.e nas suas crónicas,que são outro lado de si mesmo.mas não tanto quando se alonga em contos e romances e mistura tudo num panelão imenso à procura de um prémio de culinária.

Mas sou este "eu",um simples cata-vento.



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