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Data 17/08/2010 15:37:00 | Tópico: Poemas
| Surpresas são armadilhas Das mentes que estão cansadas São embuste, grandes matilhas De emoções asfixiadas
Surpresas são arremessos De uma alma contida Ou de mente dividida Entre o fim e os começos Quando já nada condiz Com aquilo que se desdiz A cada olhar humedecido Pelo outro embevecido Surpresas, são andorinhas
Negras de tão brilhantes No seu voar abismado
Eu juro que surpresas São amores inacabados São beijos sem ser roubados É o roçar da pele quente É fugir como demente Por uma rua sombria Surpresas são eu diria
A noite antes do dia A lua pelo meio dia
O sol depois da chuva A hora que sempre muda Em cada nova vontade Surpresas são a saudade Que bate á porta mansinha É a cara de manhãzinha Olhando o espelho já farto Do cabelo despenteado Do ar de quem quer dizer Que logo ao adormecer
Surpresas quero-as longe Quero-as num rio afogadas
Ou quem sabe as quero perto Surpresas são peito aberto Dividido em mil pedaços Metade quer os teus braços A outra metade, repensa Que surpresas são compressa Que as feridas vão sarando Em cada frase saltando
Surpresa este poema De uma fiz vintena Tal qual uma novena Que pede aos santos, ordena Que te tomem pela mão Que te guardem com devoção Nesses caminhos perdidos Porque não quero os cadilhos De uma surpresa fria Não quero que seja o dia A dizer-me que se foi Aquilo que a alma moí
Na surpresa do coração. Surpresas são desleais Saltam, saltam, como pardais Suspensos na emoção
Antónia Ruivo
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