
SONETOS FEITOS EM 11/08/2010
Data 11/08/2010 12:45:45 | Tópico: Sonetos
| 1 Abismos de minha alma; aprofundo E tento discernir quem mesmo sou. O quanto de este ser se desnudou Ou segue sem paragem, vagabundo, Dos ermos mais audazes eu me inundo Bebendo fartamente e nisto eu vou Ao discernir somente enfim restou Um pária; muitas vezes torpe e imundo. Esgares da Natura, um excremento E apenas a mortalha eu alimento No furioso aspecto mais cruel, Destarte um fantoche se desvenda E quando se imagina mais horrenda A espúria criatura em pus e fel. 2 As horas solitárias; turbulentas Expressam o que resta deste a quem A vida sonegando não mais vem Enquanto um novo tempo me apresentas. Persisto da verdade muito aquém E sorvo deste espectro e sei tão bem As horas que adentrara; mais sangrentas. Ocasionando a queda costumeira Estraçalhando brotos da roseira Impeço dentro em mim a floração, E sorvo deste que se fez etéreo Num antro quase espúrio, vão, sidéreo Negando a minha própria mutação. 3 Ao pensamento em várias faces levo O coração atroz ou inclemente Ainda quando a sorte se pressente O velho sentimento frio e sevo Onde poderia e não me atrevo Tentar outro caminho, pertinente, A vida se transcende e se apresente Enquanto ensimesmado eu teimo e nevo. Vencer os meus tormentos e seguir Sem mesmo presumir o que há da vir Apenas por viver e nada além, Entre tormentas tantas; vida afora A fúria que decerto ora se ancora Traduz os dias torpes que inda vêm. 4 Liberto o coração; revoltas águas E nelas enfileiro os meus anseios Adentro mar afora e sigo os veios Por onde noutra face já deságuas E sinto ainda vivas velhas mágoas Embora fragilmente em devaneios Encontre ou busque apenas novos meios Enquanto se exterminam sonhos. Fráguas. Esgoto-me na luta quase insana E o passo sem defesas me profana E gera novo caos em turbulência, Do todo esvaecido a cada dia Explode dentro em mim a poesia Traçando toda essência da existência. 5 Expiro as esperanças entre os lodos E tento apenas restos, nada mais Enquanto me entranhasse em lamaçais Meus dias se perdendo ledos, todos, E quando de outra forma poderia A vida transformada em claridade Apenas o vazio me degrade Tomando com vigor a poesia E o cárcere ao qual eu me condeno Não deixa qualquer dúvida. Afinal A morte se presume em virtual Caminho para aonde sigo pleno E escondo-me dos dias desta forma No ser que a cada instante se deforma. 6. As ondas gigantescas que ora enfrento Num tétrico confronto vida e morte O quanto do meu mundo não suporte O passo aonde a força traz provento E exposto ao mais feroz e duro vento Sem nada que deveras me conforte, Perdendo há tanto tempo o mesmo norte Do qual outro caminho agora invento. Resulto desta incoerência atroz E nada refaria a antiga foz De um manso ribeirão não caudaloso, Aonde o meu olhar sem horizonte Sem mesmo algum cenário onde se aponte A cada dia é fero e belicoso. 7 Qual onda que explodindo em firmes rocas Meu mundo se escumando nada traz Senão a mesma face atroz e audaz E nela novas fúrias tu provocas, Mas quando ao mesmo vão sei que deslocas O passo se tornando mais tenaz Resulto num retrato tão mordaz Tentando algum refúgio em mansas locas. Mas nada se aproxima do real E o rito repetido, sempre igual Presume o quanto resta de mim quando O tempo revoltoso diz borrasca E a morte traz à vida esta nevasca Aterrorizador ar mais nefando. 8 Aonde poderia ser o império Dos ermos de minha alma, solidão, Ermida também traz em negação O quanto resta em mim já sem critério A vida se entranhando em vão mistério E os dias tão somente mostrarão Herético caminho em solução Na fria e vã dureza do minério. Austeros cantos, antros mais vulgares E neles tantas vezes procurares Sinais de qualquer vida onde não há; Esgoto os meus caminhos, o eremita Que ainda noutros tempos acredita E um dia até quem sabe os tocará. 9 Em desmedido mar, o pensamento Expondo a sua face mais audaz Procura outro caminho e já não faz Do sonho pelo menos um alento E quando a solidão em mim invento Resulto deste tempo contumaz E nele sem sinal algum de paz, Bebendo a cada ausência este tormento. Negar a mera messe de quem vence E sabe do viver, ledo non sense Realces de momentos mais atrozes, Espúrias garatujas, súcia imunda Searas de minha alma que aprofunda Os passos tão sofridos e ferozes. 10 Humilha-me o vazio em que carrego O tempo em turbulência e atrocidade, Vasculho cada canto da cidade Em passo tão audaz, porquanto cego. E quando me percebo e assim navego Entranho contra a fúria em tempestade E a morte tão somente o que me invade Qual fora a redenção, nela eu me apego. Fagulhas da existência são fugazes E quantas vezes; leda, tu me trazes Somente a negação como resposta E o vento em minha face mais feroz Impede o caminhar e além de nós A sorte se apresenta decomposta. 11 Em solilóquio luto contra a fúria De quem se fez atroz e não percebe A dura imprecisão da mesma sebe Aonde se espalhara em vaga incúria, Gerando tão somente a mesma injúria Nesta ruptura intensa mal concebe O quando de benesse enfim recebe Lamenta a cada passo uma penúria, E sei do quanto pude, mas agora O tempo noutro cais teimando ancora E mostra em nascedouro outro caminho, Milhagens que esta vida acumulara Não valem para quem faz da seara Apenas um cenário mais mesquinho. 12 Apresentando agora o que inda resta Dos sonhos de um fantoche morto em vida, Aonde se pensara presumida O fim gera o ditame desta festa, Palavras muitas vezes; indigesta E dela a própria essência agora acida E o vândalo sonhar diz da partida, Meu charco deste fato vivo atesta. Esgoto os meus caminhos e não mais Encontrarei somente lamaçais Porquanto imaginara gemas raras, E o cálice decerto apodrecido Traduz o vinho há tanto esvaecido Que em brinde à minha ausência enfim preparas. 13 O risco prenuncia o gozo após? Quem dera se pudesse ser assim, Apenas tão distante do festim Perdendo sem limites minha voz, Arisco, o caminheiro; vago algoz Expressa a solidão que existe em mim E trama novamente o mesmo fim Num rito tão sofrível quão feroz. A realidade trama novos fatos Que são dos mais antigos os retratos Que digitalizaste, mas sou franco A imagem do passado se reflete Embora muito além deste ginete A vida continua em preto e branco. 14 Humilhações diárias a quem tenta Saber do quanto pode e não veria Sequer o renascer de um ledo dia Exposto à realidade virulenta, A morte a cada passo se apresenta E nela novamente outra sangria Até que no final não restaria Seque a face escusa e poeirenta De quem se fez audaz, mas sabe bem Do pouco ou quase nada e inda vem Sorvendo seus demônios com prazer. O olhar enaltecido pelas glórias Invade noites frágeis merencórias E passa neste espelho ora a se ver. 15 A luta não cessando mesmo quando A paz se anunciara no horizonte E neste desenhar já desaponte Quem teve seu caminho se moldando Nas ânsias mais atrozes de um nefando Delírio aonde o nada trama a ponte E gera a inconseqüência de uma fonte Aos poucos noutra face se estiando. E o marco discernido entre os comuns Expressa os dias tortos quando alguns Esbarram no vazio que inda trago, Escassas noites trazem mero abono E os sonhos noutro canto eu abandono Enquanto a morte em mim busca um afago. 16 Delírios costumeiros de um insano, A vida recendendo ao velho caos E nisto procurando toscas naus Invado sem pensar este oceano, E quando num naufrágio enfim me dano Bebendo destes medos, riscos, maus, Esbarro nos meus últimos degraus E sei que após a queda não há pano. História repetida não engane E o mesmo caminhar ditado em pane Esboça a realidade a cada etapa; Por mais que se vislumbre outro cenário O ser tão melindroso e temerário Das angústias eternas não escapa. 17 Há tanto que se vê sem diferenças As velhas tentativas libertárias E quando as armas são mais temerárias, Ainda seguem vivas as descrenças E geram novos erros, desavenças A cada espelho vejo as adversárias Imagens degradantes, necessárias Enquanto em nova vida, mero, pensas. Assim caminha etérea a raça humana Na fuga de si mesma se profana E morta a cada esgar de uma esperança Independentemente do que venha Ainda em fráguas feitas quase à lenha Ao mesmo desvario hoje se lança. 18 Não posso resvalar nalgum futuro Se tudo refletindo a mesma imagem E nesta incoerente e vil viagem Apenas o vazio eu asseguro, Porquanto novo rumo enfim procuro Idêntica em mim mesmo esta paisagem E quando olhar vasculha uma miragem Meu ermo continua turvo e escuro, Por mais que fuja até deste terrível Retrato mal traçado e maltrapilho Num ato mais atroz sempre me pinho E tento imaginar um novo nível Da mesma fase eterna, vida em Terra Angústia tão igual ainda encerra. 19 Buscando qualquer fuga que entorpece Nas variantes todas da existência Regendo a cada passo uma inclemência Ousando no vazio crer em prece, Ao quanto deste ser a vida esquece E morre até por não saber da essência E nem sequer percebe a consciência Quando ao mesmo nada se oferece. A voz mais libertária já se cala, A alma persistindo qual vassala Dos gozos, dos anseios de um desejo Escravizando eterna e duramente O quanto do futuro se apresente Neste retrovisor agora eu vejo. 20 Jamais acreditei na salvação Após esta existência incoerente, E o quanto da esperança se apresente Transforma a vida me turva negação, Ocasos dentro da alma se verão Por mais que novo dia a raça tente O manto se mostrando este inclemente Do esgoto surge a mesma geração; Num renovável antro de miséria O sortilégio imundo da matéria Esboça a realidade e nada mais; Velhusco e até velhaco ser sem nexo Apenas de si mesmo um vão reflexo. 21 Os gozos mais audazes muita vez Traduzem ilusões e tão somente No quanto a própria vida se desmente Levando ao mais terrível que ora vês Ao mesmo tempo sorve a lucidez Negando neste solo uma semente E quando novo rito ainda invente Diverge desde quando ele se fez. A sorte não renova a mesma face E nela novo tempo não mostrasse Senão velhos retratos do passado, Edênica procura aonde hedônica Na mesma escória imunda quase agônica Desenho de outra igual já sendo herdado. 22 Não tento ser diverso e pessimista Somente esta peneira não protege Do sol tão inclemente vago herege Enquanto o meu olhar a tudo assista, A morte se traduz numa conquista? Assim religião deveras rege E quem se faz além se desprotege Da fúria desejosa e tão benquista. O renovar da vida é necessário E sei que na verdade este adversário Um aliado apenas do futuro, O fato de morrer gerando o novo Cadáver se traveste e como um ovo É dele que o eterno eu asseguro. 23 Das tantas mutações do pensamento A angústia rege o passo de quem pensa E quando a vida mesmo é recompensa Não tendo outro caminho ainda invento, Bebendo com fartura este provento E nisto quando em paz já se convença Desta necessidade mesmo imensa Do reformar da história em excremento. Orgulho-me do adubo que serei Grassando nova face sob a grei Que um dia cultivara e me servira, Não necessito prêmios para tal Nem quero ser deveras imortal, A própria vida traço como mira. 24 Jocosa face vejo de este ser Que tenta renovar-se a cada dia, Mal vê quando se perde em fantasia Enquanto sua essência eu posso ver Já sinto a cada passo o desfazer Trazendo muito além de uma agonia O quanto deste todo poderia À própria persistência esvaecer. Não tendo outro caminho senão este O tanto que deveras prometeste Não traz qualquer alento, mas ilude Idílios tão diversos, mas iguais Do nascedouro aos nossos funerais Diversas reações; mesma atitude. 25 Jazigos entre flores: recomeço Assim se faz a nossa turva história A morte após a morte na memória Esquece na verdade este endereço E quando imaginara um adereço Resumo do que possa tal vanglória Apática noção de uma vitória Aos poucos com o tempo eu me esvaeço. Vagando tão somente por uns dias Aonde se desnuda o que terias Bem menos do cenário onde criaste A face duradoura do vazio, Presume a eternidade de um estio Retrato inconfundível deste traste. 26 Aprendo com as quedas, mas sei bem Que nada acontecendo por acaso, A vida quando muito já me atraso Apenas o vazio inda contém, Depois de certo tempo sou ninguém E nisto, a cada instante deste ocaso, No fundo com certeza ora me aprazo Sabendo do não ser que logo vem, Tomando a minha face e meu destino, E neste desfiar eu me fascino Por ser esta efeméride e não mais. Os dias são diversos, mas iguais E quando bebo em paz esta rotina Ao fim o dia a dia determina. 27 Jazendo dentro em mim vários demônios Coabitando em paz com querubins E destas tantas faces os festins Dominam cada dia em pandemônios, Assim sendo os meus raros patrimônios E neles os princípios dizem fins Porquanto são diversos, mas afins Alimentados sempre por hormônios. E quando insofismável face vejo Do quanto impera em mim qualquer desejo Eu dou a preferência a quem me traz O gozo num momento ou mesmo alento, E disto mesmo sem discernimento A minha vida em dor ou riso, faz. 28 Cadenciando o passo rumo à morte Não tendo outra saída, busco ainda O quanto no final não se deslinda E nada do que tento me conforte, Por crer e jamais ser tão duro e forte A minha história aos poucos já se finda E quando neste aspecto o sonho brinda Ao menos para o nada dá suporte. Esgarces tão comuns e necessários Enquanto os dias morrem temerários Renascem novos sóis mesmo se ausento. E assim da eternidade de alguma alma Apenas o vazio não acalma, Mas sei que meu futuro é mero vento. 29 Não vejo mais a sombra do que um dia Pudesse até reger o meu caminho. Porquanto seja vago e assim daninho Alento encontro em paz na poesia, Mas logo o tempo aos poucos tomaria E neste já não ser se ora me aninho Do quanto fora há tempos mais mesquinho Restando qualquer tom desta agonia. E bebo em goles fartos quanto resta Do pouco que se fora em riso e festa Deixando sempre aberta a mera porta, E quando uma esperança vem e aporta A face da verdade esta indigesta Nem mesmo a redenção enfim comporta. 30 Não tento mais sentir ventos suaves Eu sei que as tempestades são venais, Mas bebo destes fartos vendavais E neles cada dia mais entraves Os passos com certeza são mais graves E nada do que dizes são cristais Os riscos se costumam usuais E deles esperanças meras naves. Esgoto a minha vida em pouco tempo, Erguendo sem sentir o contratempo Vencendo os meus pavores, mas nem tanto, Por vezes me iludindo encontro a paz, Mas logo à realidade o mundo traz E ao ver-me verme espúrio, já me espanto 31 As hordas em total ebulição Rondando o pensamento de quem busca Vencer esta emoção torpe e velhusca Achando ao fim dos erros, solução. Mas sei que tantas vezes se darão Incoerentemente em força brusca Aonde a sensação de medo ofusca Ditando em duras frases, mesmo não. Esgoto meus caminhos, nada levo Senão tal furioso mundo sevo Ardente em turbulência, dor e medo No vórtice dos sonhos, pesadelos E nuvens a tocá-los e envolvê-los Enquanto me abandono, ausente, ledo... 32 Das écoglas arcádicas ao futuro Passando pelas trovas e repentes Os olhos entre céus iridescentes Procuram esperança em tom seguro. E quando mais assisto e ali perduro Vivendo tais magias sei que tentes Palavras mais audazes e envolventes Ao dirimir um mundo amargo e duro; Assim ao encontrar tais desafios É como se descesse em calmos rios Numa eclosão sobeja, raro mar E volto aos meus antigos madrigais E olhando para os lados, nunca mais, Apenas o vazio a me rondar. 33 Pudesse entre os espaços navegar Usando para tal o imaginário E assim um sideral, louco corsário Vencesse qualquer medo a me tocar. E nesta insânia imensa procurar O amor que imaginara necessário E agora se perdendo em senso vário Deveras se polvilha, constelar. Astrônomo invadindo este infinito O quanto deste sonho eu necessito Até para poder, pois prosseguir Nas vias e avenidas da cidade Imensa e concorrida claridade, Porém grisalhos tons ditam porvir. 34 Ouvindo os campanários onde um dia Anunciando as vindas e partidas E nelas expressando as despedias Ou mesmo algum momento de alegria, As orações e os cantos; poderia Traçar entre os meus ermos, mortas vidas E quando mal percebes e duvidas A sorte noutra face não veria. Esgoto os meus alentos entre os versos E sei destes sentidos mais diversos Imerso no meu mundo em torpe tom, Mas vive dentro da alma este chamado E a cada turbilhão anunciado Ecoa dentro em mim o mesmo som. 35 Palavras carregadas pelo vento Em hinos, festas, risos e quermesses Enquanto dos teus dias novos teces Condeno o meu caminho ao vão lamento. Por vezes noutro rumo teimo e tento, Mas logo os meus destinos; tanto esqueces Marcando em tons funéreos minhas preces Condeno-me afinal ao sofrimento. Vagando por entranhas mais profundas Esbarro nas searas onde inundas Com teus sorrisos francos, juvenis. E deste novo tom encontro a paz, Embora neste instante; pouco traz Enquanto uma esperança aquém; desfiz. 36 Na cólera que um dia alimentaste Um ar turvo e nefasto de abandono E a cada novo instante desabono Bebendo o quanto deste em vão contraste, Meu corpo se condena e num desgaste Terrível; do vazio eu já me adono E quando imaginara livre, um mono Renasce enquanto ao nada me legaste. Expresso em ares tétricos meu canto E quando do passado eu me levanto Encontro os mesmos erros, costumeiros Na noite sem estrelas ou luar, Apenas turbulência a se formar, As ilusões tão frágeis, meus luzeiros. 37 Ao ver esta feição que em divindade Tomara este horizonte num momento, Já não consigo mais; discernimento E o gozo incomparável toma e invade. Pudesse a cada instante, liberdade E neste desenhar porquanto o invento Imagens turbulentas, forte vento E além do meu olhar, a tempestade. Vagando por espaços mais sutis O quanto imaginara e nada fiz Senão este delírio aonde eu pude Deixar sem mais perguntas, minha vida Há tanto noutra face vã, perdida, Marcando com terror a juventude. 38 O quanto do passado ainda via Nas ânsias mais vorazes e sabendo Do sonho como fosse atroz e horrendo Marcado pelos tons da rebeldia. Aonde se escondera a fantasia? Aos poucos resta em mim um vão remendo E quando o meu olhar; além, estendo Não vejo mais sinais de um novo dia. Erguendo-me do nada; ao nada resto E sinto doloroso cada gesto Tocando a minha pele em cicatriz, Depois de tantos anos, coerência Já não teria mais, leda ingerência Do mundo que esquecer; tentei e quis. 39 A vida sem ter nada nem talvez Algum instante feito em vã promessa Do tanto que se encerre e recomeça Pedaços do meu mundo aquém já vês; No olhar esta expressão em altivez E o medo de seguir, pois se confessa Enquanto o caminhar ledo tropeça Tropéis das ilusões, tudo desfez. E assisto à derrocada em tal cenário De um tempo mais suave, imaginário Há tanto apodrecido e sem valia E quando acreditara numa paz, Traçado em fúria feito, mais mordaz A cada encruzilhada renascia. 40 Ainda que distante, além, sonhasse Pudera acreditar noutro momento, E quando imaginando a messe eu tento Vencer amargamente algum impasse, Desenho em turvas sendas, vida trace E molde nos meus dias, provimento, Raiando dentro em mim, algum alento Mostrando da esperança nova face. Esgarço-me deveras quando mira Palavra feita em tétrica mentira Enaltecendo engodos contumazes Ao ver tal heresia a cada instante Porquanto cada passo se adiante Etéreos sentimentos, tu me trazes. 41 A vida se transforma desde quando O tempo muda a face do horizonte Assim que um novo sol além se aponte O sonho; também sinto renovando. E quantas vezes fora até infando Sem nada nem destino cais ou fonte Mergulho num estranho e vão desmonte Vagando quais rapinas. Ledo bando. Atordoadamente a dita empunha A fúria e deste caos sou testemunha No quanto me entranhara em senda escura. Depois de tanta luta, nada resta Somente a face escusa e até funesta Da vida que deveras não perdura. 42 Olhando de soslaio, mal a vi Lacaio da esperança há tantos anos Imerso nos momentos mais profanos Traçando este vazio vivo aqui. E o quanto poderia e me perdi Imerso no cerzir de rotos panos Remendos entre farpas, meus enganos E neles me tecendo, chego a ti. Escusa criatura em tez sombria Do quanto pude até, jamais seria Senão mera paisagem turva e vaga. Minha alma do não ser tão costumeiro Na falta de um caminho, sem luzeiro Apenas deste pútrido se alaga. 43 O tempo necessita prumo, mas A vida não permite muita vez Senão a mesma face que ora vês Num traço talvez duro, até mordaz. O quanto deste sonho já desfaz Imagem tão diversa e em nada crês Somente nesta espúria insensatez Que a sorte após a queda sempre traz. Mergulho nos meus ermos e me vejo Aquém de qualquer brilho, algum lampejo Do quanto poderia e jamais vira. Meus antros entre fúrias e temores, Porquanto noutro rumo tu te fores Cerzindo em aridez torpe mentira. 44 O mundo se buscando aonde o que Domina são figuras discrepantes E quando deste nada te levantes Apenas o vazio em ti se vê. Imaginário sonho, ninguém crê E nada do que dizes e garantes Trará no meu caminho por instantes Quando na palma nada mais se lê Assim do meu futuro incerto eu tenho Apenas um remendo mais ferrenho E nele nova face tão horrenda Regurgitando a sorte em turva tez Do quanto ou do jamais a vida fez A solidão que além, bem mais se estenda. 45 A vida se pensara assim, mas aos Momentos tão atrozes me lançando Traçado que se faz duro e nefando Condena o caminheiro ao ledo caos. Os dias entranhando ritos maus Envoltos noutro encanto, desde quando O canto se esvazia em contrabando Negando uma ancoragem, ledas naus. Assisto ao tal naufrágio coletivo E desta sensação não sobrevivo Inundo-me e em sargaços, algas, águas Mergulho numa insânia inconcebível E o quanto imaginara mais possível Deveras sobre mim também deságuas. 46 Aonde poderia haver tal raio De lua decorando o quarto inteiro, Apenas vejo à sombra o verdadeiro Caminho aonde o passo quieto e traio. A sensação atroz, duro desmaio O amor jamais seria o companheiro De quem por entre pedras, já me esgueiro E aquém de qualquer messe nunca saio. Esparso para alhures a esperança E o vento em tempestades ora lança Meu caminhar espúrio sem destino. E quando imaginara alguma sorte, Sem nada que deveras me conforte Aos poucos cada engodo eu determino. 47 A vida necessita de um luar Tocando as minhas sendas; mansamente E quando esta alegria se pressente Não vejo sequer luz a me rondar, Vestindo o sortilégio de lutar Sabendo quanto sou inconseqüente Ou mesmo noutro engodo pertinente Apenas mudo as cenas de lugar. Expresso com meus versos o que sinto E vejo o pensamento agora extinto Marcado em cicatrizes, tatuagens, Aonde angústia fez o seu traçado Andando bem distante ou lado a lado, Meus sonhos são apenas vis miragens. 48 A sorte noutra senda iluminada Tramita sobre os sóis que tu me deste E quando imaginando em ar celeste A vida noutra vida sendo alçada, Vislumbro deste etéreo uma calçada Aonde a solidão entra e reveste Gerando novo templo aonde agreste Fortuna noutra face; desenhada. Esgoto os meus anseios e no fundo A cada instante vejo e me aprofundo Agigantando o passo muito além E vejo em meus remendos, solução, Sabendo que outros dias deverão Traçar o quanto ainda me convém. 49 A vida se passando além, pois entre E veja o quanto resta de um momento Aonde reviver; ainda tento Embora a cada passo eu desconcentre. Uma expressão retorna ao velho ventre E dele busco até discernimento Ou mesmo nos fastios este alento Por onde uma esperança em paz se adentre. Rascunhos de outros tempos; vejo e sigo Vencendo a cada espaço outro perigo Num árduo caminhar, porquanto fora Minha alma tão venal quanto infeliz, E quando a realidade a contradiz, Persiste tão espúria e sonhadora. 50 O céu se pirilampa em mil estrelas E traz à noite imensa inesquecível Beleza num cenário quase incrível E posso com meus dedos, pois, contê-las E quanto mais brilhantes posso vê-las O mundo se transborda e num sensível Delírio eu me transtorno e o combustível Dos sonhos traz a sorte onde embebê-las; Depois de tanto tempo em desalento Singrar este oceano enfim eu tento Rasgando com meu verso o que inda vem, Embora a vida trace além de brilho Momentos dolorosos que eu palmilho De uma esperança às claras, muito aquém. 51 Enquanto solitária tu tremulas E vejo em cada olhar a mesma cena De quem sem mais defesas se envenena E imerge no terror de medos, gulas, E mesmo quando em vida, dissimulas As horas mais sofridas; não serena A realidade amarga dura e plena Traçando outras imagens torpes, chulas. Vestígios de uma vida ainda espúria Revestindo-se nos ermos de uma incúria Rasgando com o olhar este horizonte E nele se percebe muito bem Apenas o vazio que contém O nada quando em brumas já se aponte. 52 Meu canto além do espaço ora subia Galgando este infinito em tal constância Buscando num etéreo sua estância E neste delirar em fantasia A sorte desvendada a cada dia Trazendo ao meu olhar uma elegância Que traça com a vida a discordância Aonde o nada mais inda podia. Esgares de uma sórdida presença Do quanto a dor deveras recompensa Quem luta e não consegue mais a paz. Acende a mansa frágua e me desfaz E neste caminhar porquanto audaz Minha alma noutra face ora não pensa. 53 De todas estas sortes sei que uma Mortalha eu não escapo e nem persigo Além do meu vazio algum abrigo Enquanto a realidade aquém se ruma. Vestindo o meu olhar aonde esfuma A sorte noutro tanto e se prossigo Presumo no final outro perigo, E assim uma alma tosca se acostuma. Nos ermos pertinentes a quem tenta Vencer a mesma história virulenta Gerada pelo medo de um futuro, Após a queda eu tento levantar-me, Porém sem mais alarde nem alarme Aquém de quem deveras eu procuro. 54 A sorte muitas vezes infinita Em transes tão diversos se adivinha E quando na verdade não é minha E de outra consciência necessita Ao lapidar em paz rara pepita, Cultiva dentro em si sobeja vinha E nada do que o tempo me provinha Traçara a face clara e mais bendita; Resumo o meu caminho em pedra e sei O quanto caminhar em leda grei Permite tão somente algum esgarce Sem nada que talvez ainda possa Traçar nova esperança após a fossa, Aonde a realidade eu não disfarce. 55 O céu maravilhoso e cintilante Tomando este horizonte da esperança, E quando além do sonho a vida avança Num ato tão sobejo me levante. Mas quando se percebe a degradante Imagem tão escusa onde se lança A sorte sem pensar numa mudança Nuance de um vazio a cada instante. Resumo a minha sorte desta forma E ao tétrico delírio se deforma Horrendamente exposto ao nada ser Durante muitos anos, mera crença Minha alma perpetrando o que compensa Gerando ao fim de tudo algum prazer. 56 A cada passo vejo nova escada E tento este degrau que leve além Sabendo, no final apenas tem O velho e conhecido etéreo, nada. Resumo a minha vida na escalada Dos sonhos e prossigo muito aquém Do verdadeiro instante onde convém A sorte noutra face desenhada. Escapam dos meus dedos esperanças E quanto mais além eu sinto, alcanças As velhas alamedas esquecidas Traduzem o que posso acreditar Do quanto vira próximo um luar Argêntea fantasia em meras vidas. 57 De tudo o que pensara restando eu Após a tempestade costumeira, Ainda noutra face; a vida esgueira E trace o quanto em mim já se perdeu. Durante alguns momentos o apogeu, Depois a queda insofismável na ladeira E a face mais escusa e verdadeira Que o mundo num instante concebeu. Medonho ser escuso e nada mais, Apenas entre súcias vejo iguais E sei o quanto valho e não sonego, O manto apodrecido num nó cego E tento enquanto mal busco e navego Imerso entre diversos temporais. 58 O meu caminho enquanto mal o olhava Não deixava sequer pensar no quanto A vida noutra face se eu me espanto Derrama sobre mim a imensa lava. E quando mais atroz feroz e brava A sorte se moldando neste manto Presume o que deveras mal garanto Enquanto outro cenário em paz, buscava, Arguta companheira de quem busca Vencer as ilusões; a alma velhusca Esbarra nos seus ermos e não tem Senão em solilóquio a voz cansada De quem buscara além da mera estrada E encontra após a curva este desdém. 59 O canto mais audaz, contumaz em Trazer para quem sofre algum alento Depois de certo engodo, o pensamento No fundo pouca coisa inda contém. Restauro o meu martírio, sacro bem E quando alguma paz no fundo invento, Apenas do total alheamento Arisco navegante ainda vem. Estéticas diversas, mesma face Espúria aonde a vida sempre grasse Marcando com tenacidade o passo E nesta sensação de ser ou não Somente dias tétricos virão Enquanto dos meus erros me desfaço. 60 A sorte traduzindo assim em cada Momento aonde eu possa vislumbrar A imensa claridade do luar Que adentra novamente esta sacada. A vida muitas vezes desolada A face desditosa a se mostrar Num ermo tão diverso a amortalhar Quem tenta e não consegue quase nada. Escassos dias trazem a alegria E nela tantas vezes poderia Beber bem mais que gotas tão somente. Arguta caminheira dos astrais Ao vê-la desejando sempre mais No gozo incomparável que a alimente. 61 A vida se elevando num degrau Que possa permitir o patamar, Depois num turbilhão ao mergulhar Percebo o quanto a queda me faz mal. Alçando o meu caminho noutro grau De luz onde pudesse ter no olhar A imensidade plena e flutuar Bebendo da esperança cais e nau. Esqueço vez em quando das promessas E quando noutro rumo me endereças Vagando pelos ermos do oceano Em pélagos imensos, abissais, Enfrento os meus delírios usuais E sei o quanto nisto enfim me dano. 62 Olhando tão somente para baixo Não vejo qualquer forma senão esta, A vida quando tanto me detesta E nela novamente não me encaixo Resumo o meu caminho e já me abaixo Bebendo cada gota que me resta E quando imaginara riso e festa De escombros, a emoção está debaixo. Esgoto-me na luta sem sentido E o quando dita agora o canto ouvido Nos ermos de um alento mais sutil. Razões para viver? Inda as procuro E quando vejo à sombra algum futuro, Cenário noutro ponto se reviu. 63 Aonde se pudesse ser em ouro Cenário construído em ilusões Na dura realidade tu me expões Diverso e mais sofrido ancoradouro. Enquanto no vazio não me douro Esboço sem sentido as reações E nelas vejo frias emoções Quais fossem; no final, algum tesouro. Espalho o meu caminho entre as centelhas Aonde na verdade não espelhas Sequer um leve traço do que eu sou. E o quanto quis outrora e nada vinha, Apenas a saudade sendo minha Desnuda o quanto agora me restou. 64 E quantas vezes; quis e muito mais Deixando para trás a juventude E neste fato espúrio desilude Quebrando no final; frágeis cristais. Os dias quando os vi atemporais No fundo a sorte dita esta atitude E sem que nada enfim perceba e mude Esqueço quando havia qualquer cais. Espelho dentro da alma o sortilégio De um mundo feito em raro privilégio Marcando-me com fúria em carne viva. Aprendo com a queda, não discuto O olhar quando demais audaz e astuto Permite que esperança sobreviva. 65 Num límpido caminho procurava A messe aonde um dia eu pude crer Na fabulosa luz do amanhecer Após a tempestade rara e brava. E quando o céu em ânsias já se lava Permite noutra face se tecer Um brilho incomparável e faz ver Fragilidade imensa desta trava. Escassos medos regem o meu passo, E quando um novo rumo enfim eu traço Espaços ocupando em galhardia. Mas vendo os dissabores mais constantes E neles meus caminhos t’adiantes Marcando com a tez dura e sombria. 66 A sorte que deveras se vestia Em múltiplas facetas e cenários No quanto os sonhos forem necessários Trazendo o que pudesse em alegria, Ao ver a mansa luz da fantasia Ouvindo o belo canto dos canários Os olhos onde foram temerários A vida noutro cais aportaria. Mas vejo que decerto nada existe Senão a mesma dura escassa e triste Realidade atroz onde desnudo O campo se tornando mais sombrio, Meu sonho a cada instante eu desafio, Porém no mesmo fato, o desiludo. 67 Apenas ao te ver restando mudo Sem ter qualquer sorriso ou reação, Os tempos novamente tecerão O risco de viver e não me iludo. Do tanto que pudesse, não transmudo O passo rumo à torpe perdição E vejo no final outra lição Num talho mais ferrenho e até agudo. Espalho a minha voz pela seara E a sorte noutra luz não se escancara Regendo o meu caminho com seus erros. Cometa muitas vezes inconstante O mundo no vazio me garante Apenas costumeiros; vãos desterros. 68 O passo que pudesse ser sereno Não passa de um tormento quando o vejo Diverso do caminho de um desejo Aonde a cada engodo me apequeno. Resumos deste céu que outrora ameno Agora se mostrasse mais sobejo, E quando busco além um azulejo Ao nada, novamente eu me condeno. Resulto deste vago a caminhar Nas ânsias dolorosas de um luar Sem brilho, em seu distante perigeu. E o canto imaginário onde um dia Talvez com sol imenso, moldaria, Há tanto, sem sentido, se perdeu. 69 Ouvindo esta canção qual fosse um anjo Que entoa com ternura muito além Do quanto se percebe ou mesmo tem A vida em inconstante desarranjo, E quando algum caminho ainda arranjo O tempo se mostrando com desdém Resume da esperança muito aquém E entre os vazios tons já nada esbanjo. Retaliações diversas de uma vida Há tanto noutra face resumida Marcada a ferro e fogo a cada instante E o passo que pensara mais audaz Numa seara torpe se desfaz E nada se desnude ou adiante. 70 Ouvindo ao longe o som de uma doce harpa Guarânias do passado em meus ouvidos, E agora no presente a dura escarpa E os pés há tanto tempo já feridos, E sinto penetrante cada farpa Marcando dias néscios, preteridos. Esboço dentro em mim um novo passo E tento disfarçar o sofrimento Enquanto me mostrasse mais escasso Bebendo do total alheamento O quanto ainda resta já desfaço Desta palavra vaga eu me alimento. E assisto à derrocada da esperança Embora o som suave, esta alma alcança. 71 A sorte que pensara ser dourada Noutro momento mostra a vã nudez De quem por tanto tempo em não se fez E traça do vazio a leda estrada A vida não trouxera a anunciada Vontade de lutar em altivez Mergulho neste mar, a estupidez Trazendo do final o mesmo nada. Resumos de outras vidas? Pode ser. O quanto se perdendo deste ser Esgota qualquer messe, outra fortuna E o marco mais atroz feito em remendo Enquanto cada esgoto meu desvendo O passo neste nada coaduna. 72 O canto dentro em mim já ressoante Transcende aos meus desejos e sei bem Do quanto na verdade o canto tem Marcando o meu caminho doravante. Ainda que decerto eu já me espante O risco se transforma no desdém E o manto dissolvendo, apenas vem O risco a cada instante alucinante. Mergulho nos ocasos de minha alma Ultrizes cenas; morte aplaca, acalma Na força geratriz da eternidade. E os ermos entre fatos e cenários Meus dias sempre em termos temerários Apenas cena atroz, após invade. 73 O quanto destas súplicas que fazes Permite qualquer luz aonde um dia Apenas o vazio gestaria A sorte noutros ermos, mais mordazes. E quando se percebem vãos tenazes O canto aonde o mundo moldaria O pranto desabando em agonia E a vida se transcende, duras fases. Nas expressões diversas, vida e morte Apenas a mortalha me comporte Deixando uma esperança solta ao vento. Depois de tanto tempo solitário O corte se apresenta necessário E um novo caminhar; em vão, eu tento... 74 A vida na verdade não feria Quem tanto desejara pelo menos Momentos mais suaves e serenos E nada além do caos e da agonia. Esqueço o quanto em paz lapidaria Os olhos em diversos vãos venenos, Os dias entre sombras são pequenos Apenas a verdade eu não traria. Enfrento os meus demônios e até tento Seguir o quanto posso e ali me alento Depois de tantos erros vis, venais. Esboço algum momento em paz somente Ainda noutro canto o sonho invente Quem sabe qualquer porto, novo cais... 75 O quando deste encanto diz e tu Cansada de uma lida em exaustão Mostrando a mais diversa direção Deixando o meu caminho exposto e a nu, Alhures procurei e nada havia Senão a mesma face desolada E nesta vaga e dura, leda estrada A morte numa face mais sombria. Erguendo com as mãos o que me resta E vendo tão somente a vil mortalha Meu canto inutilmente inda batalha A vida; eu sei deveras indigesta. Esparsos olhos dizem do abandono E apenas do não ser ora me adono. 76 O coração sobejo destas mães E os olhos num passado mais distante E agora o quanto posso e se garante Apenas em matilhas, turvos cães. Aprendo com a queda e nada mais Que a mera persistência no vazio E quando noutro instante eu desafio Enfrento dentro em mim os vendavais Esgarço o meu caminho nesta busca E sei quanto eu resumo em nada e tento Vencer o quanto posso em desalento E a própria realidade toma e ofusca. Cenário degradante aonde um dia Eu tanto quis e sei; não poderia... 77 Palavra tantas vezes já sagrada Nas ânsias e nos ermos de quem sonha, O medo de uma noite mais medonha Ou mesmo num momento feito em nada Resumo a todo passo a velha estrada E ainda que decerto algo eu proponha No fundo a vida molda esta bisonha Realidade; há tanto, desolada. Vencido pelos baques costumeiros Ausente dos meus olhos os luzeiros Seguindo neste trôpego caminho. Durante muito tempo procurava Imerso em tanto lodo, charco e lava Um rumo que não fosse tão daninho. 78 O quanto que procuro e sei também Do nada após o farto imaginado, O risco de viver já desenhado Enquanto o meu passado me contém. Resumo o caminhar neste desdém E bebo enquanto ali decerto enfado Restando dentro em mim ledo passado E nele o quanto ainda vivo tem. Esbarro nos meus erros e os pressinto No quanto imaginara agora extinto, Mas nada do que possa se transforma, E o mundo num sedento e mais profano Caminho feito em dor, e se me dano Percebo costumeira e dura norma. 79 As noites entre tantas, mais formosas E nelas a vontade de ficar, Depois de tanto tempo relutar Canteiro se entranhando, raras rosas. E quando se mostrassem caprichosas Vontade de deveras me entregar E neste raro e belo cultivar Colheitas mais sutis, maravilhosas. Aspectos tão diversos deste encanto E quando bebo à farta e me garanto Expresso num alento o quanto eu quis Depois de tantos erros, desenganos, Momentos entre medos, velhos danos Eu posso finalmente ser feliz. 80 Os dias não passaram de ilusões E neles os meus erros são fatais, E quando imaginara vejo mais Realidades turvas tu me expões E tento até romper velhos grilhões, Enfrentar o que possa em vendavais E crer noutros momentos divinais Ou pelo menos ter as soluções. Reveses costumeiros vida afora, Esta ânsia de buscar ser me devora E tento em novos tons saber do sonho; E quando me desnudo em frente espelho No nada e do nada me aconselho, Apenas outro ser; tento e componho. 81 Ao saber de tantos sonhos Onde a vida pode outrora Resumir cada demora Em momentos mais tristonhos Embarcando em enfadonhos Delirares; desancora Cada nau e vai embora Nestes rumos tão bisonhos. Verso eu tento aonde um dia Nada mais se mostraria Num cenário caprichoso. E o meu passo em retrocesso, Quando tento e recomeço Traduzindo medo e gozo. 82 Quando os dias foram meus E os sorrisos mais alegres Onde quer e nisto integres Os caminhos sem adeus Emergindo do passado Nova face eu vejo ainda E se tanto se deslinda O que outrora foi traçado Vejo e sorvo num momento Toda sorte que pudera Ao vencer em mim a fera Outro passo enfim alento. Resumindo o quanto ilude Vejo morta a juventude... 83 No caminho aonde e por Outros fatos; desenhara A beleza da seara Noutro instante a se compor. Dentro em mim neste sol-pôr A certeza não aclara Nem dá conta do que ampara Gera apenas dissabor. Vou ao léu e me permito Caminhar neste infinito Onde em avidez a vida Transbordara num momento E se tanto ainda tento Cada passo se duvida. 84 Quando falo o nome dela Estrelares brilhos; vejo E tocada neste ensejo Pelo encanto, a vida sela. Deixo além corrente e cela Vago as ânsias de um desejo E o que fora algum lampejo Tempestade se revela. Bebo assim a claridade Que de fato quando invade Enluara o coração E se tento outro provento Na verdade nada invento Deixo à solta esta emoção. 85 O meu mundo eu sei e; como! Nada mais me caberia Senão este dia a dia Que deveras teimo e tomo. Quando muito não me domo E percebo esta ironia De quem tanto bem queria E no fim mais nada eu somo. Verbalizo o sentimento E se tanto ainda tento Outro fato após a queda, O meu brado se esvaíra Pelas tramas da mentira Onde o nosso amor se enreda. 86 Tanta sorte em ledo bando Procurei e não achava, Esta vida feita em trava Noutro fato desabando O meu passo se arvorando E o caminho ainda entrava Quem deveras não se lava Neste mar soberbo e infando. Esbarrando no não ter Imagino o bem querer Sem saber de direção. Sem um norte não me aprumo E se nada marca o rumo Outros dias não verão... 87 Envolvido pelas sombras Destes passos noite afora, O silêncio que apavora Quando aquém também assombras Mergulhando em tez brumosa A verdade não se cala, E a saudade toma a sala A presença se antegoza. No final, a curva e o vento Noutra chuva pude até Perguntando por quem é Beber onde dessedento Meu amor em privilégio, Mas no fundo: um sortilégio... 88 Noites ermas vaporosas Entre cenas mais atrozes E buscando entre os algozes, Vejo imensas raras rosas Entre tantas majestosas Passos rápidos; velozes E os meus dias mais ferozes Noutras eras caprichosas. Basta então este momento E deveras me alimento Deste sonho iridescente; O final já se aproxima, Mas mantendo o mesmo clima, Solidão não mais se sente... 89 Quando falo ser só meu Cada verso que te fiz Eu pensando num feliz Sentimento, hoje morreu. Vasculhando se perdeu Entre a queda e a cicatriz E o meu pranto contradiz O que o coração sorveu. Serventias? Não mais têm Quem deveras do desdém Trama a sorte dia a dia. O meu canto se anuncia Bem aquém da fantasia, Da esperança um vão refém... 90 Quando falo deste amor Imagino novo cais E se tanto em temporais Encontrei o meu sol-pôr Não devia então supor Senão turvos vendavais E cansados, outros tais Entre medo e vão rancor. Louvações; não mais permito E se tento este infinito Minha voz não sabe aonde A seara decomposta Esta vida sem proposta Só vazio me responde... 91 Quando além eu te buscava Entre as sendas mais felizes Tantas vezes contradizes Alma turva, pois escrava E se tanto me encontrava Entre medos e deslizes Enfrentando várias crises Bebo enfim a dura lava. Resoluto caminheiro Tendo apenas por luzeiro Este olhar num horizonte Onde tudo se desnuda Esta sorte atroz e muda Noutro rumo não aponte. 92 Desabando desde quando O meu tempo determina O caminho que fascina Noutro tanto se moldando, Na verdade transformando O cenário onde ilumina Bebo à farta desta mina Noutra senda me entornando Afluente da esperança O meu passo sempre avança Rumo ao quanto quis outrora E a verdade sendo dita Toda a cena mais bendita Todo passo; em paz decora. 93 Dos momentos onde eu vi O cenário multicor Ao tentar um novo amor Eu pensei, querida, em ti. Mas deveras te perdi Nos caminhos e ao propor Outro dia, sem rancor Meu engano estava ali. Vestimentas do passado Neste novo passo dado Ressurgindo num remendo. E o que possa degradante Segue em nós e me adiante Este inferno que estou vendo. 94 O caminho levando alto Desejar em tom diverso Se eu pretendo em cada verso Superar o sobressalto Na verdade se me assalto Num delírio mais perverso Quando em ti eu me disperso Encontrando outro ressalto. Esbarrando nos enganos Sinto ainda vivos danos E não tenho solução. Esgueirando em rua escura A minha alma te procura, Mas meus dias não verão. 95 Quando à noite tu surgias Entre estrelas radiantes Os meus olhos por instantes Imaginam novos dias E imergindo em fantasias Na verdade me garantes Outros rumos fascinantes Onde nada mais terias. Esboçando um passo além O que tanto inda contém Não me traz felicidade. A saudade dita a norma E meu peito se transforma Mal teu nome toca e invade. 96 A verdade traz a calma A quem tanto quis saber Das veredas do prazer E deveras tendo um trauma Adentrando fundo; esta alma Num detalhe eu posso ver Desnudando todo o ser E sequer o sonho acalma. Perecíveis fantasias Tu decerto em trarias E no fim, a solidão. Mas se vejo alguma messe Outro passo ali se tece, Porém sei ser tudo em vão. 97 A mulher doce e mais bela Que pudera ter comigo Tantas vezes eu persigo E num sonho se revela. A saudade sempre atrela O caminho onde o perigo Transcendendo ao que ora digo Superando a velha cela Esgueirando pela sala O terror agora cala E rompendo alguma algema Quem se fez em claridade Vendo a luz da liberdade, Na verdade, nada tema! 98 Procurando a cada olhar Quem pudesse trazer luz Entre medos se eu me opus Já não pude caminhar. Bem distante do luar Onde o passo não produz Nem deveras já seduz Quem pretende em paz amar. Resultando deste engodo O cenário feito em lodo Charqueando o coração Outro tempo não desvenda Transformando a velha senda Dita a nossa direção. 99 Paraíso assim celeste Já não vira nem em sonho Quando o tempo eu te proponho Num caminho aonde deste O desejo mais agreste, Mas um riso onde eu ponho Tal cenário que componho Tanta paz ao fim ateste. Resumindo a vida nisto Se deveras eu persisto Não desisto, pois em ti Encontrei felicidade E este sonho quando invade Traz o quanto mereci. 100 A cortina se abaixando Nesta cena, no final Drama tolo teatral Num momento em contrabando Outro tanto se formando Na platéia um ritual Entre os ermos bem e mal Pouca coisa em paz gerando. Agradando a quem pudera Crer na morta primavera O meu mundo se transforma E bebendo deste engano; Quando passo em vão me dano Em bisonha e tosca forma.
MARCOS LOURES FILHO
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