
SONETOS FEITOS EM 09/08/2010
Data 09/08/2010 09:13:19 | Tópico: Sonetos
| 01 Ergástulos dos sonhos, fantasia Perdida entre os sidéreos antros, guetos E quando perfilasse em vãos sonetos Os dias onde a sorte esvaecia Vencido pelo algoz, dura agonia Minúsculo delírio em poemetos Vacantes emoções, frágeis duetos Aonde vejo a morte a cada dia. Expresso em solitária luz aonde O tétrico desenho corresponde Aos violáceos tons da minha tarde Eflúvios entre fátuos e fugazes Anseios e se tanto ainda trazes O passo a todo instante mais retarde. 02 Excêntricos delírios que alimento Tramando a cada ausência outro cenário Ultrizes os desejos; necessário Apenas um momento em doce alento, E quando se mostrara a pleno vento O passo muitas vezes temerário Restando dentro em mim vivo corsário Saqueia a cada audácia o sentimento Falaz angústia toma em plúmbeos tons Heréticos anseios onde bons Destinos não pudessem ter além Do quanto em solilóquio expresso à vida A sorte desenhada e já decida O que após a chuva à tarde, vem... 03 O olhar entremeado já se esguelha E tenta inversa sorte após a queda, Funâmbulo caminho aonde enreda A vida num momento em vã centelha, E a messe desejada não espelha O quanto da emoção deveras seda Quem tanto desejara e não conceda Sequer o que a verdade invade e engelha. Apresentado à dor solenemente A tênue fantasia se desmente E gera apenas isto: mero ocaso, O caos reinando agora um absoluto Qual déspota e deveras se eu reluto Aos poucos no vazio já me aprazo. 04 Estéticas diversas regem vidas E traçam dissonância aonde há tanto O mundo se diverge e se me espanto Encontras facilmente tais saídas Por vezes até mesmo tu duvidas E neste variável vil quebranto Em vórtices diversos me agiganto Turbilhonar caminho em despedidas. Vacante coração se faz mais frágil Aonde desenhar até ágil O passo rumo ao êxtase final, Edênica serpente nega o fato E apenas solidão mera eu constato Numa expressão deveras usual. 05 Supremos sofrimentos ditam regras E teimam transtornando os sonhos quando Meu mundo noutro mundo transbordando Enquanto feramente; o desintegras Às cegas perfilando cada passo Vestindo esta satânica figura Aonde o que inda posso configura O olhar onde deveras sou escasso Somente esta mortalha poderia Traçar o quanto trago dentro em mim, A furiosa noite de onde vim Transborda a cada instante em tez sombria E esta deidade morta agora rege O sonho num delírio torpe e herege. 06 O vácuo penetrando o meu passado Transcende ao meu delírio e inclemência E gera novo rumo em providência Mudando a cada instante este traçado, Resumo noutro fardo o meu legado E tento resgatar sem imprudência Gerando um turbilhão em convivência Com quem desejo sempre lado a lado, Asados sonhos vagam pelo etéreo E sei deste delírio onde sidéreo Pudesse desenhar em astros vários Resvalo nos meus ermos mais profanos E bebo os dias calmos entre os danos Por vezes, muitas vezes necessários. 07 Excêntricos e lúdicos momentos Aonde volto a ser quase um infante E tento quando a vida se adiante Moldar ao menos paz; mansos alentos Enquanto me envolvera em sofrimentos Trazendo este delírio onde inconstante A vida se transborda num instante Depois traz um estio aos sentimentos. E quando resoluto pude ver As dissonantes sortes de um prazer Nesta inconstância torpe e procelária, Esdrúxulos cenários entre tantos Provendo aos meus olhares, desencantos Fortuna se mostrara temerária. 08 Nas vozes variáveis ventos vãos Invadem os meus antros e se esvaem Enquanto em tanto tempo já me traem Esboçam expressões e sovam chãos Adentro centros ermos entre os nãos E calo quando em cárceres descaem As asas libertárias alçam, saem Gerando generosos gráceis grãos. E tantas vezes; ouço as dissonantes Incúrias entre fúrias em instantes Diversos onde os versos; vejo aquém Do quanto quis e quase nada tem Somente a vã semente invés do sonho, Traduzem luzes; ânsias que eu componho. 09 Choroso vento invade a casa quando Abertos os umbrais dos sonhos tragas Além das variáveis destas plagas As algas, os sargaços esgarçando. Penetro entre os extremos externando O quanto quero e tanto não afagas Ascendo às ilusões e expões as magas Angústias onde incrustas teu nefando. Arquétipos de estéticas diversas Excêntricos e hedônicos; pois versas Por entre os ermos fundos de tua alma, Nas furnas onde adornas os teus passos E neles os meus sonhos seguem lassos, Apenas a incerteza ainda acalma. 10 As noites entre luas tão remotas Ascendem luminárias, mansas fráguas E nelas deixas quietas turvas mágoas Enquanto novos sonhos tu já notas, E assim as dores fartas, frágeis cotas Das quais em turbulência vejo as águas Neste estuário espúrio tu deságuas E quando se percebe em vão esgotas. Resumos destes rumos entre pedras E ao vê-los com certeza quieta medras E morres num instante aquém do cais, No quanto tu deveras bebes, trais O risco de viver já não concebe A imensa solidão de tua sebe… 11 O amor quando demais não permitindo Sequer olhar além noutro horizonte E a todo instante enquanto à luz aponte Traduz outro momento também tão lindo, E assim quando de ti fui emergindo Bebendo a cristalina e rara fonte E nela novo tempo já desponte Raiando num sol claro ressurgindo. Desvendo em ti os sonhos mais felizes Enquanto deste encanto também dizes Em tantas alegrias perfiladas E assim sem termos mais nenhum tormento O raio mais brilhante eu te apresento Traçando em nós divinas alvoradas... 12 Não posso me esquecer decerto quando A vida no passado mais cruel Negava alguma estrela, escuro céu E a lua nem além se imaginando, Agora ao descobrir-te e me entregando Invado num momento feito em mel Risonho caminhar erguendo o véu Aonde a lua segue iluminando. Te sentido tão perto e nisto rume O sonho ao te tocar bebe o perfume E dele também outro agora exala, E nesta rara troca o sentimento Bem mais do que decerto algum alento A cada noite chega e nos embala... 13 Amar e ser feliz; decerto é nisto Que penso a cada instante quando a vejo Inebriado à luz de tal desejo Caminho pelo qual atento insisto, E o quanto se mostrando enquanto assisto O sonho delicado e mais sobejo E nele com certeza este azulejo Tornando o céu imenso e tão benquisto. Depois das minhas tantas desventuras Tocado mansamente em tais branduras Explode dento em mim esta emoção Ditando a minha vida doravante E a cada novo passo se adiante A luz onde meus dias tocarão. 14 Durante a vida inteira desejei Apenas um momento de alegria E quando a minha estrela tomaria Com brilho sem igual inteira, a grei. E neste desejar eu mergulhei Sem medo de um tropeço e dia a dia Além do quanto pude ou mais queria Qual fosse neste mundo um manso rei. Amor domina e déspota comanda A vida e desnudando na varanda A lua plenamente prata e bela, E quanto mais te quero e mais te tenho, O sonho transcorrendo em raro empenho A força deste encanto ora revela. 15 Jamais eu pude mesmo acreditar Na dura solidão se eternizando E sinto esta mudança desde quando Eu pude nos teus braços me encontrar, E neste raro encanto, algum lugar Mais nobre e mais suave me tomando E assim ao te sentir também tocando Estrelas; aprendi em ti vagar. E alcanço paraísos nos teus lábios, Os sentimentos livres, porém sábios Realçam os delírios em nós dois, Renova-se a vontade a cada instante E nisto sem limites se adiante O que deveras vem logo depois. 16 Entorna-se a ternura nos meus versos Desde quando deveras conheci A divindade imensa que há tem ti E neste delirar, sonhos imersos Encontro nos teus braços universos E neles mergulhando eu me envolvi Bebendo cada instante sei aqui Dos rumos quando outrora eram dispersos. E sinto-te também no mesmo barco, No sonho que me trazes; eu embarco E traço o meu caminho lado a lado, Alado pensamento ganha o céu Galopa sobre estrelas o corcel Deixando qualquer sombra no passado. 17 Amar-te muito mais do que já pude Vencendo estas defesas naturais De quem ao enfrentar os vendavais Perdera a cada dia a juventude, A luz quando dispersa nos ilude, Porém em ti pureza de cristais Em dias sem igual, fenomenais Vivendo neste amor raro e amiúde. Sentindo-te percebo que também O amor no mesmo vértice contém Quem tanto neste instante se entregara, Compartilhar a vida até que um dia Após a própria vida eu viveria Contigo em qualquer nova seara. 18 Não mais acreditava em abandono Depois de ter podido nos teus braços Vencer a imensidão dos meus cansaços Enquanto nos teus passos eu me abono, A vida no passado em medo e sono Os dias entre tantos medos, lassos, E agora ao perceber divinos traços Aonde nos teus sonhos me abandono, Deixando este perfume solto ao ar Traçando aonde eu possa desvendar A flórea maravilha em roseirais, E quando a primavera nos teus olhos Matara com carinhos os abrolhos Vivemos nossos dias. Magistrais. 19 Jamais eu poderia desdizer O quanto te desejo a cada instante. A vida noutro passo se adiante Neste horizonte feito em teu prazer, Somente quando a pude conhecer Meu mundo lapidando o diamante Refém deste caminho ora brilhante Desenha no teu sonho o amanhecer. Uma estupenda luz dourando os céus E neles entranhando os meus anseios Sentindo a maciez de belos seios Sob esta transparência feita em véus E nesta fantasia eternizada A vida noutra vida desenhada. 20 Não pude acreditar quando partiste Deixando para trás quem tanto bem Deseja e neste tanto já contém Apenas o luar, amargo e triste. E quando o coração ainda insiste Bebendo a solidão nada mais tem Senão este vazio onde o desdém Aponta o caminhar atroz em riste. Vencido pela angústia agora eu tento Depois de tantos anos, sentimento Esparso neste infausto rumo aonde O amor que se fizera plenamente Agora dos meus dias já se ausente E nada; só saudade me responde... 21 Eu já nem posso pensar No quanto que te queria Mera e tola fantasia Toma ao léu o seu lugar E se tento novo mar Entre tons de poesia Nova sorte poderia Dia a dia desenhar Onde quer que eu esconda Turbulência traz esta onda Inundando toda a praia Meu amor quando se quer Toma o rumo que puder E, tomara nunca saia... 22 Abro os olhos vejo além Quem decerto tanto eu quis Deste amor um aprendiz Tanto sonho hoje contém E se nada ainda vem Meu olhar bebendo o gris Segue os traços, aprendiz Deste encanto feito um bem, Desejado a cada instante E se tento sempre encante Coração aventureiro, Depois disto nada resta O meu sonho adentra a fresta, Mas razão domina e esgueiro... 23 Ao sentir esta emoção De te ter bem junto a mim Tanta flor neste jardim Nossos dias mostrarão, E o luar beija o sertão E por ela agora eu vim Mergulhar no amor sem fim Que meus olhos já verão Neste olhar entremeado Noutro tenro desenhado Vago além em primavera O cenário multicor Traduzindo nosso amor, Cada instante o sonho gera. 24 Muitas vezes vida afora Encontrei desilusões E se tanto em emoções O meu canto ainda aflora No final já se apavora E bebendo solidões Entre tantas que me expões O final amor decora Sabe bem e leva fé No que tanto quis porque é A verdade em sentimento. Quando aquém do sol eu sigo Não consigo mais abrigo E me entrego assim ao vento. 25 Nada mais do que outra sorte O meu canto quis buscar, Mas distante do luar Sem o sol que me conforte Preparando para o corte Onde nada fui achar Quero apenas navegar Tendo amor como o meu norte. Norteando a minha vida Tanto sonho já decida Cada passo quando o der, E o meu rumo no teu rumo Desenhando agora assumo Seja como Deus quiser. 26 A certeza em minhas mãos O horizonte mais brilhante Onde quer que me adiante Já traçando nos teus chãos Nem mais ouço ou quero nãos E se tento doravante Novo tempo mais constante Neles sonhos, artesãos. Vagamente o meu passado Noutro tempo se inda enfado Não resgato nada ali, O meu tempo de viver Eu só pude conhecer Quando enfim te conheci. 27 Atravesso o tempo quando Vou seguindo cada passo E se assim querida eu faço O meu mundo transbordando Em delírio e desejando Muito além de algum cansaço Conseguindo o seu espaço Noutro encanto derramando; Vou a mando de quem quero E se amando sou sincero Nada espero só teu colo, E se assim se faz a vida Não encontro a despedida Se em teus braços eu me assolo. 28 Jamais pude no passado Perceber outro caminho E se agora em ti me aninho Depois deste, desolado Vou seguindo este traçado Feito em luz, brilho e carinho E não sou já tão sozinho Tendo alguém sempre ao meu lado, Vicejando a primavera Este amor que agora impera Transformou a minha vida Depois dele percebi Tudo havia dentro em ti, Labiríntica saída. 29 Aprendendo a cada queda Outro tempo recomeça E se tento e vou sem pressa O meu passo em ti se enreda O desejo que nos seda Sem temor, nada tropeça Quando aos sonhos se endereça A ternura, uma moeda Onde ascendo ao paraíso Neste encanto eu me matizo E te bebo sem parar, Num desenho mais suave Meu amor já nada agrave Penetrando o céu e o mar. 30 Quantas vezes; já me ilude O saber que nada sei E se tento nova lei Novo rumo ou atitude A verdade é que não pude Conhecer e nem terei Nos meus braços quem busquei Num momento em solitude. Se a verdade leva à glória A saudade é merencória E decerto nos maltrata Quando amor já se desfaz Leva junto a minha paz, Deixa a noite atrás, ingrata... 31 Um sonho que, de truz já me inebria E invade cada passo aonde eu vá Seguindo este delírio sei que lá A vida não seria tão sombria E quanto mais audaz a fantasia Decerto a queda enfim provocará, Mas aconteça além ou mesmo já Somente por sonhar, pois valeria. Ainda mais um canto majestoso Embora saiba o tempo caprichoso E dos momentos bons, mansos acordes Deveras no final tu mal recordes, Porém se vivificas raro gozo Deste delírio farto enfim transbordes. 32 Aspectos tão diversos regem vida E trazem discordância enquanto luto Tentando conceber um mais arguto Desenho aonde veja uma saída A sorte tantas vezes decidida Nos ermos de um delírio feito em luto E quando em sonhos tétricos, reluto, Presumo a cada ausência a despedida. Vencer os meus fantasmas e poder Após a própria queda renascer E ver outro cenário mais tranqüilo, Por estas e por outras é que enfim Ao regimentar força dentro em mim Além do quanto posso em paz, desfilo. 33 Um remoinho traça o meu cenário Jocosamente exposto às ironias E neste desenhar tanto podias Alçar bem mais que um passo solidário, Vagando tão somente solitário Encontro os meus anseios e porfias Tentando imaginar em novos dias O quanto poderia e necessário. Artífice dos sonhos, a esperança Ao fim em denso vórtice já lança E trama a cada passo a mesma ultriz E sei quantos caminhos tive em vida Fortuna noutra face distraída Felicidade à plena, nunca a quis. 34 Abrindo estes portais a dita trama Um novo dia após a queda insana E ao ver a natureza sobre-humana Que traça a cada instante o velho drama, E quando realidade reina e chama Tomando a decisão que sempre dana Quem tanto vos queria, soberana E a morte noutra face me reclama. Quiçá felicidade fosse além De um mero caminhar onde detém O passo de um etéreo caminhante. Porém ao ser em vós já não me atrevo Enquanto amor se faz atroz e sevo Meu passo do vazio ora se espante. 35 Olhando este sobejo e tão celeste Desenho feito em olhos, eu reparo No quanto o amor se faz audaz e claro Enquanto em fantasias se reveste. E pouco do desejo tu me deste E neste desenhar eu me preparo E sei ao fim de tudo, o desamparo Embora outra esperança o sonho geste. Resumos de uma vida entre redomas E quando tua senda enfim tomas Deixando para trás esta lembrança Ao ver a imensidade em azulejo Também neste momento a ti eu vejo De certa forma o olhar te encontra e alcança. 36 Bem mais que uma ilusão pudesse ser O quanto desejei e nada havia E ao fim do meu desmanche a fantasia Tornando em tempestade este querer. Apenas vaga imagem; pude ver Depois de tantas noites; alegria E agora no silêncio tocaria As velhas fantasias; desprazer. E quantas vezes; tento um canto aonde A solidão deveras corresponde Ao que mais necessito, amor e paz. Fantástica seara em emoção Diversa destes dias que verão A face amortalha e mais mordaz. 37 Amanhecendo em mim a vida eu pude Cerzir com mais desejo outro caminho E embora seja sempre mais daninho O vento noutra tez agora ilude E ainda se buscando a magnitude Aonde é percebido o mais mesquinho Olhar quando tortura; um vago espinho Decerto tão atroz; soberbo e rude. Depois de tantas noites solidão Reveste o dia a dia e serão Os sonhos tão somente pesadelos? Os olhos de quem tanto imaginara Tomando todo azul desta seara, Um dia, aonde e quando eu posso vê-los? 38 Nas ruas e alamedas do passado Antrazes entre fúrias, turbilhões E ainda não redimes e me expões Qual fosse este maldito algum legado, E o vento muitas vezes desolado Resulta destes tantos furacões Numa explosão sem par, agora pões O tempo noutro tempo aonde enfado. E sinto apenas pena e nada mais, As dores? São deveras rituais E delas absorvendo cada toque O rústico cenário em tez imunda Enquanto de terrores já se inunda Apenas desencanto me provoque. 39 Nos féis que a vida traz em cada dia Expressas teus diversos desvarios E contra a correnteza venço os rios Depois de caminhar em tez sombria, O manto se desfia e mostraria Apenas os cenários mais vazios E neles outros tantos tecem fios Aonde na verdade nada havia Somente este delírio a se mostrar Tocando num instante este lugar Demonstra a realidade aonde vivo, E quanto mais pudesse libertário Vencer qualquer temor; é necessário Do amor não ser senhor e nem cativo. 40 Voltando o meu olhar para o passado Expresso o que deveras tu me deste, E neste delirar torpe ou agreste A solidão num tempo mais nublado O vórtice decerto anunciado Aonde imaginara a paz celeste Do nada a cada passo ora reveste E desse vago rumo enfim me enfado; Bebera com ternura uma esperança E nela houvera fé, porém vingança Domina o teu semblante em férreos tons, E os dias que julgara serem bons Marcando com terror o dia a dia, E ao nada cada sonho levaria... 41 Os leitos plenos de éter perfumando Incensos penetrantes e suaves E quando mais além tu não entraves Os dias de quem fora bem mais brando O risco se assumindo desde quando Esboçam reações supernas aves Impávidos momentos têm as chaves Do dia após o Dia anunciando E o quanto se deseja e; às vezes, mudo Delírio desenhado; mas, contudo A vida se presume muito mais Do que talvez pudesse ser tranqüilo Enquanto no meu sonho ora desfilo Essências tão supremas dos florais. 42 Às tumbas onde o sonho se esvaece Mergulho a voz buscando alguma paz E quanta vez sentindo que ali jaz O amor quando o queria em vã benesse. E sinto o tumular delírio na prece Que aos mortos num instante mais capaz Gerando novo tempo aonde audaz Um raro templo em glórias se oferece. E vago sobre as pedras deste cais Sabendo enfim dos nossos funerais Aonde quis a sorte alvissareira, Mas quando em tenebrosa tez se fez O amor perdendo rumo e lucidez Demonstra muito aquém do quanto o queira. 43 As flores enfeitando cada túmulo Aonde se entranhasse à fantasia Além do quanto pude e mais queria As dores vão chegando enfim ao cúmulo Esboço que abortado não permite O riso, o gozo, o pranto o medo e a fé E sendo tão somente por quem é No fim já não concebe algum limite Escassas emoções e o risco zero Assim preferes ver a tua vida, Sem nada que traduza uma saída Nem mesmo algum olhar manso e sincero Austeridade em formas tão banais Impedem nossos sonhos: sóis e sais. 44 No rústico desenho aonde um dia Esboços tão diversos; quis e nada Do quanto se pensara desenhada A sorte noutra face mostraria, E quando bebo em ti a poesia Expressas num sorriso a alvoroçada Vontade muitas vezes ansiada E dela imenso caos provocaria; Povoas com fantasmas o meu sonho E vejo a cada instante outro medonho Tomando plenamente o que pudera Ser mais e sei agora não semeia, Minha alma deste enfado segue alheia Buscando a tão sonhada primavera. 45 Formosos olhos dizem do passado Qual fosse alguma ponte onde se trama Delírio sensual quando esta chama Vestindo novo tom prenunciado. Resumo cada passo no recado Aonde novamente a paz reclama Enquanto o dia a dia já se inflama E marca cada sonho vislumbrado; Aonde se pudesse ser edênico O amor; um privilégio que ecumênico Gerasse novo amor mais forte ainda, Mas quando se abortando desde o início Sabendo deste passo precipício Apenas o vazio, a dor deslinda... 46 Impregnado de sonhos mais audazes Eu tento um novo canto e nada vem, Somente esta saudade quando alguém Traduz os sentimentos que desfazes, Por ter amor assim diversas fases Geradas com carinho ou com desdém O risco de sonhar deveras tem Momentos tão sublimes ou mordazes. E resignadamente busco a paz E sei o quanto a luz já satisfaz Quem tanto em trevas teve o mundo sevo Ultrizes as insânias geram dores E quando muito além ainda fores Seguir-te, na verdade, eu não me atrevo. 47 À morte que consola e traz a paz Marcando com real renascimento O dia aonde em sonho eu me alimento E neste caminhar sou mais capaz Pudesse desenhar tempos atrás O manso delirar e o pensamento Teria no final discernimento Que só maturidade à vida traz. Neste outonal caminho reconheço O amor como bem mais que algum tropeço A benção que é suprema e libertária Assim ao perpetrar em morte a vida Minha alma com tua alma reunida Na eternidade em foz tão necessária... 48 Uma esperança feita em sangue e pus A liberdade exala os excrementos E os olhos vão deveras mais atentos Marcando cada passo aonde eu pus O risco de sonhar e não reluz A sorte noutra fonte de alimentos Entregue o coração aos quatro ventos Supero a cada instante nova cruz, E vejo esta relíquia dita amor E nela se percebe o multicor Desenho aonde tudo pode e até Vencendo os sortilégios e sevícias Os sonhos se esbaldando em tais delícias Apenas por somente ser quem é. 49 Um elixir que tanto me inebria O amor já não comporta mais a si E explode desde quando o percebi Tomando com clamor vida sombria E gesta em plena noite turva um dia Aonde nem a bruma eu concebi Vivendo este momento em frenesi O quanto posso ou mais se concebia Num átimo mergulho alçando os céus E sei da maravilhas destes véus Porquanto a vida tece novo rumo E sinto novamente um brilho em nós Deixando para trás o medo atroz Enquanto este desejo em paz; assumo. 50 Ainda poderia haver quem sabe O amor quando se fez apenas medo, E quando nos teus braços me concedo Impeço a fantasia que desabe, E realçando além do quanto cabe Sentindo as velhas tramas de um segredo Desenho com ternura um novo enredo E nada mais presume onde se acabe Negando um estuário em turbulência A sorte se produz sem inclemência Vislumbra este cenário vivo em ti E quando mais audaz fosse meu verso E nele com ternura sigo imerso Entregue ao tanto amor que eu concebi. 51 Há tanto o que fazer e nada posso Senão ledo mergulho dentro em mim E vejo do meu próprio camarim Cenário onde bem quis deveras nosso, E quando do vazio ora me aposso Traduzo muito pouco e sei do fim Aonde se pudera ter enfim Palavra aonde amor tento ou endosso. Resumo de outros tempos num só tempo Transcende ao que pudesse em contratempo E gera alguma messe ou esperança, Mas quando se percebe a realidade Apenas o silêncio ainda invade Enquanto minha voz em nada avança. 52 Dos tantos dias turvos onde vejo Os meus delírios fartos e entorpeço Meu verso com amor, mero adereço Espalha muito aquém de algum lampejo; Resumo em solidão e sei do andejo Delírio ensimesmado enquanto esqueço Das contumazes quedas num tropeço Deixando muito além o que eu almejo. Esdrúxulos caminhos se adivinham E neles tantas curvas me detinham Enquanto acreditava em soluções. E nesta tempestade presumida Arcando com a dor invés da lida À qual em tempestades tu me expões. 53 O ninho; aonde escondo os meus anseios, Transcende à própria vida e dita além Do quanto ainda resta e me contém Mudando a direção de antigos veios E sigo entre delírios, devaneios Sorvendo o que decerto eu sei tão bem Marcando cada passo e com desdém Vislumbra outros iguais embora alheios. Quiçá felicidade ainda exista E nisto a sorte imensa que é benquista Presume alguma luz instante após E vejo o quanto posso ou mesmo quero Sabendo desde então quanto é severo O mundo que inda resta dentro em nós. 54 O amor quando em meus sonhos se aquieta Vencendo dissabores, desencanto Espaço aonde o tempo em paz garanto, E neste caminhar superna meta Resumo a sorte imensa em ser poeta E acreditar no raro e belo canto Gerado pelo espaço sem quebranto Marcando com ternura e paz, tal seta. Na cúpida beleza já sem par O quanto ainda posso desnudar Gestando dentro em mim felicidade E neste desenhar me perpetuo E sei quanto fui uno e agora duo A messe incomparável que me invade. 55 Beleza em raras, alvas, belas trilhas Traçadas pelo amor aonde aprazo O sonho tão diverso de um ocaso E nele em calmaria tu palmilhas, E quando brilho farto em paz; polvilhas Vagando pelo espaço sem acaso, A vida se ilumina e neste caso Também tu te iluminas e rebrilhas. Vencer os meus tormentos e seguir Rumando sem temores ao porvir E nele derramar a paz enquanto O templo se dourando em glória e luz Ao mesmo tempo em sonhos reproduz O imenso desvendar que em ti garanto. 56 Um anjo dominando o meu caminho Traçando cada passo aonde eu possa Viver esta emoção sobeja e nossa E neste desenhar enfim me aninho Depois de penetrar o mais mesquinho Delírio, da esperança a voz se apossa E vence no momento enquanto adoça Meu canto muito além de algum espinho; Dentre as roseiras tantas, a mais bela E nesta maravilha se revela O quanto sou feliz somente em vê-la Deidade sem igual ou paralelo Em ti a cada instante mais me anelo Seguindo neste etéreo a imensa estrela. 57 Adelgaçando os sonhos onde um dia Pudesse ousar em áureos brilhos quando O mundo o também vejo em paz dourando Trazendo a todo instante esta alegria E nela novo canto moldaria O rumo caprichoso se entornando Num ato mais suave e sei tão brando Aonde a fantasia se regia. Após a queda vejo o renascer De quem imaginara o bem querer Somente como fosse algo comum. Mas sei que amor igual jamais eu vira Distante do desdém e da mentira. Igual ao nosso amor? Não vi nenhum! 58 O mar em tantas vagas, mais bravio Estende-se deveras em ressaca E a imensidão decerto nada aplaca Apenas poder vê-lo é um desafio E quando se percebe e ora recrio E esta onda furiosa agora ataca E dentre tantas ânsias se destaca Qual fosse um insolente desvario. Ressalvas entre os medos mais constantes E nestas heresias me adiantes Somente este cenário torpe e vão Os dias mais terríveis de um futuro Diverso do que tento e até procuro Teus passos neste mar transformarão. 59 Além no firmamento em tantas brumas Dispersas solitários os meus dias E quanto mais tentara e tu fugias Também minha esperança; assim esfumas. E quando noutro rumo agora rumas E geras tão somente as agonias E nelas se moldando hipocrisias Meus sonhos em tempestas, leves plumas, Esgueiro entre os diversos e sombrios Caminhos onde tantos desafios Expressam solitária e turva noite. Do quanto pude crer e nada sei Apenas o vazio toma a grei E a solidão decerto ainda açoite. 60 Jamais acreditar em quem se faz A cada novo dia diferente E quando se promete não sustente O rumo aonde sou mais pertinaz, Vencer os meus demônios e ir atrás De quem não pode mesmo que envolvente O amor não mais seria tão clemente Ousando numa voz leda e mordaz. Neste momento bebo uma ilusão E sei dos novos tempos onde o não Realça a magnitude de um anseio. Vestindo a intensa luz que sonegaste A vida se perdendo em tal desgaste Somente ora distante, eu devaneio... 61 O pensamento ao longe ora se espraia E neste delirar porquanto imenso Enquanto no passado eu teimo e penso, A vida noutro instante já me traia, Além deste oceano, cais ou praia O coração agora vive tenso E quando assim me perco eu me convenço E creio ser melhor mesmo que saia. A via de chegada e a de partida São duas paralelas, mas diversas Enquanto no princípio em sonho; imersas As tramas da chegada; dizem vida, Depois de certo tempo sem um norte As de partidas lembram sempre a morte. 62 Enquanto a sorte aquém se faz amarga E o coração deveras inda queira Ousar numa esperança qual bandeira E as mãos que nos consolam; ele as larga A voz ensimesmada ora se embarga E sabe deste ocaso a mensageira, Uma esperança foge; derradeira Amor já não comporta a dura carga. E assim ao se mostrar em face vária Ditame do prazer, da procelária Em rumos divergentes, o caminho, Se no começo de ti acompanhado, O tempo com firmeza ensolarado; Nublando quando estou ledo e sozinho... 63 Aonde poderia ter meus ninhos E neles proteção contra um inverno Que se aproxima enquanto em paz hiberno Protejo-me de dias mais mesquinhos, Mas quando se percebem tão sozinhos O gélido cenário; diz do inferno E neste paradoxo ora me interno Sem ter sequer apoio nem carinhos. Espúrio navegante sem seu cais Exposto aos mais terríveis temporais Na ausência de quem amo; só procelas. Mas quando estou contigo em paz embarco E navegando à solta o imenso barco Abrindo sem temor as minhas velas. 64 A voz solta sem rumo no infinito Perfaz na incoerência vários traços E olhares penetrantes erguem laços Dos quais eu te garanto, necessito. O quanto deste amor é tão bonito Vencendo a gelidez destes cansaços, Mas quando ausente o sinto, vejo lassos Os dias onde em nada eu acredito. A vida se perfaz aonde há tanto Buscara qualquer luz, delírio e encanto E ao fim sem provisões, barco naufraga E quanto mais vazio e sem um lastro Não adiantam leme, vela ou mastro, Não resistindo enfim à mera vaga. 65 A vida entremeada de surpresas Por vezes em tons claros e celestes Nos quais há tanto tu viestes Vencendo em calmaria as correntezas, Meus olhos de teus olhos, meras presas, Porém em pouco tempo te revestes De dores e terrores mais agrestes E deixa muito além as sobremesas. Cenários discrepantes, mesma vida O vinho desejado ora se acida E deste amor que um nos consagre Depois de certo tempo, noutra face Mostrando no final, quando traçasse Das nobrezas do vinho, algum vinagre. 66 Os dias entre tantos são minúsculos E nada se presume num porvir, Cansado de o vazio repartir Olhares se perdendo nos crepúsculos, Da enciclopédia restam os opúsculos E o tanto que pudesse sem sentir A imensa tempestade que ao cair Tesando inutilmente firmes músculos. Aprendo a discernir caminhos vários E sei dos meus anseios necessários E tento novamente ser feliz, Mas quando se percebe a pequenez Da vida quando aquém tudo desfez, Já não conseguirei o quanto eu quis. 67 Do todo imaginário nem esboço E o corte se aprofunda desde já, Aonde o meu destino levará Não vejo outro caminho em alvoroço O quanto se percebe nem um osso Dos dias mais felizes restará E o tanto que pudesse, mas virá Na tarde redentora algum colosso. E resolutamente nada tema Uma alma acostuma co’a algema Vencendo estas galés cotidianas, E quando imaginavas um cativo Até das esperanças eu me privo, Mas saiba que decerto tu te enganas. 68 A vida traz em si a cada eflúvio A reação talvez descomunal E vejo noutra face o ritual Gerado pelo caos de algum dilúvio Ascendo ao que pudesse mais além E sinto estar mais próxima a esperança E quando neste anseio a vida lança Meu passo em calmaria se detém, E o riso toma conta do cenário Gerando algum momento mais tranqüilo E deste desenhar ora desfilo O canto muito além do imaginário, Rasgando o sentimento sou tão teu, Porém o rumo a ti já se perdeu. 69 O quanto deste amor invade e dopa Traçando a cada passo a direção Num ermo mais audaz onde verão As cenas magistrais sonhos em tropa Adentro casa invado sala e copo E os olhos procurando agora em vão Quem tanto se fizera sempre em não E este delírio audaz; sinto, não topa. Toando dentro em mim um estribilho Enquanto a solidão; teimo e palminha Numa ânsia inesgotável, busco a vida. E sinto a cada nova cinzelada A face alabastrina deformada Nas mãos desta artesã tão distraída. 70 Os olhos quando em ti petrificados, Minha alma sem defesas tenta e brada A terra dos meus sonhos bem arada Garante uma colheita em meus legados, Depois de dias duros, vãos enfados, A sorte noutra face enveredada Estradas do delírio eu sei de cada E vejo os diamantes lapidados Nas ânsias e suores de um anseio Imerso em luzes fátuas. Devaneio E chego mansamente a quem queria, E assim ao transforma a pedra em jóia Minha alma no infinito já se apóia E torna esta esperança uma bandeira. 71 A vida preparando um novo adeus E nele a solidão em dor se encerra E quando poderia em paz; a guerra Voracidade igual ao louva-deus Marcando meus caminhos sem os teus Vestindo a ingratidão que se descerra Enquanto o meu destino, a porta cerra E nada dos delírios, tolos, meus. Ascendo ao mais terrível patamar Cansado tantas vezes de lutar E apenas entranhar nos ermos da alma, Ao fim de certo tempo, nada resta A imagem mais atroz, torpe e funesta, Num paradoxo imenso é o que me acalma. 72 O coração invade as tuas plagas Procura algum lugar onde ancorar E sabe deste risco ao navegar Enfrentando procelas, fortes vagas, E ali a cada instante tu me alagas Na furiosa senda a se mostrar Distante do que pude imaginar Ainda se um sorriso; em paz me tragas. Vestindo esta ilusão de calmaria O mar em mais temida rebeldia Expressa a virulência de uma vida, E quando se percebe sem saída A noite em tempestade convertida Impede um sol que além não mais viria. 73 A sorte; se vier em sonhos tece-a E deixe para trás os desalentos Seguindo com firmeza raros ventos A vida não seria torpe e néscia E quantas vezes pude mesmo ver As farsas entre máscaras sutis E neste caminhar sonho desdiz Deixando amortalhado algum prazer Expresso em paz ou guerra a minha sina E sei do quanto posso ou mais pudera E vendo se esvaindo a primavera Ao ledo inverno a vida me destina, Sagacidade invés de juventude, Um passo sempre em falso; desilude... 74 A lua se perdendo nos neons O mundo noutra face se formando E o quanto se apresenta desde quando A sorte discernisse raros dons, E ao longe de violas, mortos sons O canto noutro rumo transtornando O velho coração em contrabando Espera os delicados, mansos tons. E arisco o pensamento agilmente Procura outro cenário e se apresente Nos ermos de algum gueto do passado, Um chope, um coração enamorado Nos bares da cidade, noite afora, E a lua que deveras se escondera Agora se desnuda em vela e cera E o peito de um poeta enfim decora. 75 Vagando em tais caminhos, nada doma O coração de quem vence o senão E sabe dos tormentos que virão E neles com certeza tudo soma, O vórtice devora e gera o coma Mudando num imenso turbilhão Gerando novos tempos, solidão E o risco de sonhar, a vida toma. Na farsa desenhada a cada instante O olhar se perde e sempre degradante Explode no horizonte sem porvir, E após as discordâncias sonho/dita O tanto que deveras se acredita Impede quem deseja prosseguir… 76 Ainda quando em sonhos me aprofundo Olhando para além a alta montanha O vento que o cabelo agora assanha Transporta um ar sereno e vagabundo, E resolutamente adentro o mundo Ousando a cada passo noutra sanha E vejo este senão que me acompanha Girando contra o tempo, num segundo. Esboços de esperanças, inda trago E quando teu olhar suave e mago Trouxera a panacéia desejada Alquímica beleza me sacia, Mas logo se percebe outra ironia, Do todo imaginário, resta o nada... 77 Os dias entre medos e destroços, O risco de sonhar é sempre igual, E quando imaginara catedral Encontro tão somente os velhos fossos, E neles expressões de mortes e ossos Num tétrico momento ritual Ascendo ao que pudesse e bem ou mal Cavando dentro em mim crateras, poços O tempo, este artesão nada perdoa Uma alma caminhando agora à toa Entoa este passado em voz constante, De um tempo mais tranqüilo, nada vejo Somente o destroçar de algum desejo Aonde o nada volte e se agigante. 78 Tentando nesta vida progredir Sabendo do futuro ora estupendo De quem neste cenário agora crendo O tanto que inda busca o permitir, E sei das discordâncias de um porvir Num ato mais atroz e quase horrendo, No amor se temperando ou já temendo O passo noutro passo a resumir. A vida não se dá tão meramente Quem quer e na verdade se apresente Não pode mais temer o quanto resta, Porém quem vive sempre na defesa Da solidão, deveras frágil presa Terá noite dispersa e até funesta. 79 Ainda que perceba novas luzes E delas faça a minha direção Faróis das esperanças mostrarão Caminho aonde em paz tu te conduzes, E quando nos teus olhos reproduzes Beleza sem igual; se notarão As sendas mais audazes de um verão Ausente nos caminhos flóreos; urzes. A vida muitas vezes mera ultriz Gerando muito aquém do que se quis Tramando a queda a cada novo passo, Mas quando nos teus passos vejo os meus Os dias em supernos apogeus Futuro incomparável; tento e traço. 80 Querida na verdade não resguardes A vida não permite economia E saiba da beleza a cada dia E nela novo rumo em paz aguardes, Sentindo algum frescor em mansas tardes No sol que porventura inda irradia Tocando com beleza e poesia Sem tantas ilusões, sequer alardes, Assim se preparando para a noite, E mesmo que o passado vivo açoite, Sereno te aplacando em mansidão, Viver cada momento sem poupá-lo Seguindo a correnteza em seu embalo Permite as calmarias que virão. 81 O coração exposto agora nu Na senda mais audaz onde se queira Do amor bem mais que mera e vã bandeira O gosto mesmo amargo, duro e cru; A sorte em discordância muita vez Impede o caminhar por onde eu quis E ao pôr o meu delírio de aprendiz O tanto que pudesse se desfez, Vacante esta esperança ora denota Apenas o vazio onde legaste A vida num tormento e sem tal haste A sensação espúria da derrota. E o caos se aproximando no horizonte Saída? Nem sequer uma se aponte... 82 A vida se permite e mesmo aquém Do quanto poderia em realidade Marcando com terror felicidade O olhar se transbordando num desdém E quando esta saudade invade e tem Poder de gerar dor e iniqüidade Aonde se tentara à saciedade Nem mesmo uma esperança ainda vem. Resgato pouco o pouco os meus escombros As luzes bem acima destes ombros Cansados desta liça rotineira, Depois de tanto enfado, dor e medo, Às ânsias mais sutis eu me concedo Embora o sacro amor já não me queira. 83 A cada novo passo, um mesmo tombo E o sonho que eu buscara, derradeiro Agora de outro sonho é mensageiro E neste caminhar o imenso rombo Quem dera a liberdade de algum pombo Vagando pelos céus, alto e ligeiro E o corte não seria costumeiro Vergastas açoitando a carne, o lombo; E tanto pude crer noutro segundo E destas ilusões ora me inundo Cerzindo alguma luz após a treva Minha alma sem limites, mora e seva Já não resistiria ao tom profundo Aonde no vazio não se ceva. 84 O quanto deste sonho não gerou O que necessitara; meus altares E assim se perceberes e notares Do tanto quase nada em mim restou, Extasiada noite terminou E bebo dos antigos lupanares Alçando outros caminhos, meus lugares Aonde o meu destino se traçou. Um pária no vazio se arremete Uma esperança tola, este ginete Adentra e galopando chega ao nada, Tropéis em ilusões; o tempo esgarça O sonho na verdade é mera farsa, A vida noutro tom leda e forjada. 85 A sorte se desenha em inclemência E traça a cada dia o desprazer E quando do passado quis rever O olhar aonde amor dita inocência, O risco de sonhar, mera ingerência Nos ermos de uma vida a se tecer No tépido delírio de um viver Além do que pudesse a consciência Ao burilar em mim teus alabastros Os dias perdem rumos e sem lastros Naufrágio se aproxima; inevitável E o quanto procurei e anda havia Somente a mera e tola alegoria De um tempo muito aquém do imaginável. 86 Enquanto a realidade devaneia Vagando imensidades céu e mar, O quanto poderia enfim amar Expressa a solidão e nada anseia, Minha alma se adentrando em cada veia Presume novo tempo a desnudar E quando se percebe sem lugar Apenas do que eu quero; a mera teia. Ateiam-se nas fráguas ilusões No fátuo caminhar; agora expões Os ritos mais banais e derradeiros, Os olhos outonais não mais comportam E os dias para além agora exortam Traçando esta aridez em meus canteiros. 87 Diversos passos entre as multidões E nestes caminhares as idéias Quais fossem na verdade panacéias Explodem em diversas direções, E quando novo rumo tu compões Não vês as reações destas platéias As almas solitárias, pois atéias Vagando sem destino ou provisões. Esboçam luzes quando em paz concebes Diversidade rara em tantas sebes Grilando glebas várias, um posseiro. O amor já não suporta alguma algema E quando verdadeiro nada tema, Esquece para sempre o cativeiro. 88 O olhar em claridades, luminoso A mão entrelaçada em ódio e ferro E quando encurralado tento e berro O riso em ironia, caprichoso, Crateras dentro da alma, meu legado E neste desenhar pouco me sobra A vida reconhece cada dobra E nisto após o sonho ora me enfado E tento vicejar aonde um dia A flórea primavera pode até Traçar outro caminho no sopé Da rara cordilheira que se erguia Com bases neste encanto iridescente Do amor que se demais tanto apascente. 89 Os corpos desenhados, claros nus Angústias do passado, desalentos E quando se percebem mais atentos Ao farto delirar em força e luz O amor sem ter limites nos conduz E bebe em mansidão incríveis ventos Tomando sem defesas; pensamentos Deixando no passado o medo e a cruz. Expresso a cada verso outro desenho E quando em alegria busco e venho Cerzindo esta vontade sem igual, O tempo antes brumoso se faz claro E tudo o quanto eu quero ora declaro Num ato tão superno e magistral. 90 O quanto imaginara do futuro Vencendo as discordâncias, tanto não, O sonho doma passo e direção E assim do meu caminho eu me asseguro O quanto deste solo fosse duro Negando a mais tranquila plantação Matando com angústia cada grão E sem esta semente não perduro. Anunciando o fim de uma colheita Aonde no vazio se deleita A fome, a fúria o medo e nada mais O quanto de outro sonho em mim matizo Exposto à violência do granizo Entregue sem defesa aos temporais. 91 O coração decerto um moribundo Aguarda esta passagem terra/léu E quando se mostrara mais incréu Vagando sem destino pelo mundo Nas tramas da ilusão eu me aprofundo E sito o meu destino em farto mel, Embora a solidão seja cruel Dos ermos da esperança ora me inundo. Edênicos caminhos? Nada disto, O verdadeiro sonho aonde insisto Traduz a liberdade em plenitude Em fátuas faces faço este cenário Que um dia percebera temerário E agora noutro instante se transmude. 92 Durante a minha vida em vãos escolhos Os olhos procurando além da serra O quanto da esperança se descerra E traz delírios fartos, doces molhos, E sei dos meus vazios e; portanto Depois de tanto tempo em solidão Encontro em ilusões a provisão E neste fátuo rumo eu me garanto. Vestindo a crença aonde nada havia Preparo a caminhada para o adeus, E os dias entre tantos, vãos e ateus Agora noutro instante em alegria. Tecer esta mortalha libertária É mais do que sublime. É necessária. 93 O quanto deste olhar raro e brilhante Recende ao doce aroma de uma rosa, E a vida noutra face majestosa Um dia mais tranqüilo me garante, E quando se anuncia a cada instante A dura solidão que o sonho glosa, A estrada aonde fora pedregosa Mudando este cenário doravante. E bebo com fartura esta esperança E nela o meu caminho em paz avança Na força geratriz que me domina, E sei da mais sobeja maravilha Aonde o coração agora trilha Ao revitalizar a amarga sina. 94 A vida em dor e medo, falsa idéia De um tempo mais amargo onde à deriva O barco da esperança já se priva, Procura no vazio a panacéia, E sinto ainda em mim a incúria atéia E nesta sensação ainda viva A luz não mais seria lenitiva A abelha se perdendo da colméia... E neste caminhar em meio às urzes Ainda que diverso e além conduzes No fundo o quanto resta é simples, mero. E sei deste momento em dor e pranto É quando novo tempo eu não garanto Embora seja tudo o que mais quero. 95 No olhar mais tenebroso tais adagas A fúria a cada passo determina Uma aridez matando cada mina E neste desenhar destróis as plagas Aonde as ilusões enquanto vagas Expressam o que tanto me fascina E quando mais de perto se examina Em turvas heresias tu me alagas. Numa expressão de horror temor neste ódio Lauréis já se afastando de algum pódio O plúmbeo do horizonte mais grisalho E nele com certeza se me espalho O dia não trará o quanto busco, Num sonho tão escuso quão velhusco. 96 O amor por ser assim diverso e imenso Encontra mesmo em pedras uma alfombra E quando a solidão, já nos assombra Apenas no vazio em dor eu penso E acentuando a vida em dor e pranto Não posso discernir qualquer alento E mesmo quando além ainda tento A cada nova ausência já me espanto Restauro os meus domínios e persigo A plenitude aonde um dia errei Quem dera do destino ser o rei Sabendo a cada curva o seu perigo. Mas vejo mais distante esta ilusão E os dias entre trevas nascerão... 97 O amor não se permite algum rebanho No quanto a cada passo revivera Além da sensação de vela e cera Nas ânsias libertárias eu me banho, Não vejo neste sonho perda ou ganho, Apenas da verdade me embebera E assim outro cenário eu concebera Sem medo, sem temor e sem tamanho; Expresso cristandade neste fato E sei o quanto em mim ora resgato Ousando em libertar meu pensamento Amor jamais se queda ou ajoelha Não sou e nem serei a mera ovelha Porquanto pescador, em vida eu tento. 98 O tempo se anuncia bem mais frio E neste desenhar o sonho oculto Permite que se veja etéreo vulto Aonde o meu caminho eu desafio, Perdendo em labirinto qualquer fio Minha alma se prendendo em tal tumulto O sonho mais audaz agora ausculto E bebo deste céu, mesmo sombrio. Mortalhas representam redenção, No véu em grises tons, a liberdade E quando esta benesse enfim invade Traçando a mais real libertação Eu possa me dizer do quanto eu quis E sei, por algum tempo, eu fui feliz. 99 Enquanto no passado ainda foras Diversa do que agora gera espanto Anunciando a vida, enquanto canto Procuro por palavras redentoras. E sei das minhas ânsias sonhadoras Envoltas em ternuras ou quebranto E neste delirar eu me agiganto, Embora as noites sejam corruptoras. Os sonhos não traduzem o que possa Seguir sem perceber a fria fossa, Nem mesmo algum tropeço inevitável, Mas sei quanto é preciso caminhar Na busca por qualquer manso lugar Que seja pelo menos mais arável. 100 Enquanto a solidão tento e deserto O olha de outro momento convencido Tocando o meu delírio presumido Num coração deveras sempre aberto E quando da esperança em paz me alerto Deixando o sofrimento em vago olvido O dia noutro dia resolvido E assim após o medo; a paz, desperto. Restauro os meus caminhos e sei bem Do quanto em emoção amor contém Gerando novo amor somente por Sentir esta expressão sem paralelo, Por isto meu destino quero e selo Nas ânsias mais audazes deste amor. MARCOS LOURES FILHO
|
|