
DUETO BEIJA-FLOR / ANA MARTINS
Data 08/08/2010 21:08:10 | Tópico: Poemas
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PERSEGUINDO SONHOS
Cortámos das gargantas os galhos secos, despidos duma clorofila ausente. Como tu... Ausência de letras no meu livro de pardas seduções. Lembrei-me que o ser não reconhece as limitações do espaço e do tempo, nem decifra códigos morse no olhar dos risos. Debrucei-me sobre um charco de sonhos, repleto de cores coaxantes. Enroupei os meus sentidos, agasalhei-os num ninho de vontades, e entrelacei-os em forma de tranças legíveis para te oferecer sem letras nem palavras. Pensei que no desfolhar do livro mudo, abrisses o teu coração de passos lentos, e escutasses a única coisa que importa: “Conseguiste chegar onde querias?”
BEIJA-FLOR
Em tempos despias-me com a transparência da água Fomos dias consecutivos de perenidade salgados pelos nossos sorrisos pueris Mas um dia o teu olhar fugiu de mim e eu não te soube alcançar As ausências de ti exponenciaram-se a cada segundo que passava ao teu lado Verdadeiras catedrais sem fé num amor que eu sonhava maior que a vida O gesto baço tomou conta deste autómato em forma de mulher, e rendida me transfigurei Não fui apenas eu que ergui esta cortina granítica entre nós Mas sinto os grilhões do remorso riscarem cada pedra que piso Talvez se tivesse rasgado o véu do silencio orgulhoso e gritado furiosamente as minhas ânsias… Existem agressões tão necessárias quanto as manifestações de emoções nobres e delicadas Não, ainda não cheguei onde queria, mas por fim abriste a porta. Vejo a tua angústia dissipar-se. Finalmente sinto que me devolves o olhar. E como é bom ser vista através de ti. Abre agora o livro que te estendo. Juntos faremos o caminho. ANA MARTINS
Obrigado Ana, por teres aceite o desafio. Acho que chegamos onde queriamos.
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