
SONETOS FEITOS EM 07/08/2010
Data 07/08/2010 09:51:05 | Tópico: Sonetos
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O quanto deste sonho é tão benquisto Por quem se fez escravo da emoção E sei que novos cantos se farão Por isso tantas vezes eu insisto Falando deste encanto aonde avisto O rumo desta vida, a direção E nela se permita a atracação Caminho que contigo ora conquisto, Vencer as intempéries e seguir Sem medo nem sequer de algo por vir A dor vai se esvaindo a todo instante Alimentando o amor, esta promessa Da vida que deveras recomeça E mostre novo esteio doravante.
002
Aonde um sentimento flutuasse Vagando pelo mar imenso e claro Num verso mais tranqüilo ora declaro A vida sem temor, angústia e impasse, E quanto mais o tempo assim se passe O dia mais suave num tom raro, Momento tão sobejo onde escancaro O tempo de sonhar aonde eu grasse. E resolutamente nada temo, No quanto deste encanto busco um remo E sigo contra a fúria das marés Sabendo desde sempre por quem és O tanto que eu pudesse e nada vinha Agora esta razão se faz só minha.
003
Um astro raro invade assim meu quarto Tomando em claridade todo o vão E quando se pensara escuridão Um brilho sem igual, ora comparto, E vejo esta ternura quando eu parto Em sonhos noutro encanto e mostrarão; Meus passos, o destino desde então Num sentimento imenso e não me aparto. Prossigo pareado com o sonho E quando novo templo; ali componho Mergulho sem defesa no infinito, Sabendo desde já que finalmente Aos olhos de quem ama se apresente O todo que decerto eu necessito.
004
Numa explosão de rara sutileza Eu vejo o meu caminho se entranhando No teu e neste fato e desde quando A vida se transforma, sou a presa. Vencido onde julgara fortaleza Já noutro delirar o tempo alçando Um mundo mais suave e quiçá brando Seguindo com ternura esta nobreza. Clarões anunciando a imensa messe E todo o meu passado já se esquece Vestindo esta sobeja alegoria Do amor que se mostrando mais audaz Somente uma alegria imensa traz Aonde; no passado, nada havia.
005
Estando este caminho sempre aberto A quem se faz amiga e companheira Enquanto a poesia ainda queira Cenário tão sublime não deserto E quando me percebo e já me alerto Do todo onde esta paz é mensageira O amor eleva além sua bandeira E traz o mais distante pra bem perto. Neste horizonte feito em mansas luzes Aonde com ternura me conduzes Enfrento qualquer dor e sigo em frente, Ainda que esta vida seja amarga A voz quando te vê, sonho não larga Entranha com o amor quando te sente.
006
Numa evaporação de sonhos vejo Sinais de outros momentos mais felizes E quando neste instante os contradizes Roubando da esperança algum lampejo Distante do que busco e tanto almejo, Reavivando assim as cicatrizes Provenientes mesmo de outras crises Geradas pela angústia de um desejo Por vezes saciado em outras não E assim somando os ermos que verão Meus olhos discernindo no horizonte Raríssima beleza em tom sutil, E quando tanta luz amor reviu Um mesmo grande amor ali se aponte.
007
Lembranças de outros dias, do passado Aonde poderia ter nas mãos Além destes momentos duros, vãos Instante de desejo anunciado, Sabendo quanto é vida, se eu me enfado Deixando para trás em tantos nãos Vagando por terríveis, frios chãos, O corte se apresenta e é meu legado. E sendo assim a sorte pode até Traçar outro caminho e sei quem é Que tanto desejara este final, Depois de vários anos de bonança A fúria em desalento nos alcança E trama este cenário em tom venal.
008
Amores revividos? Não mereço Viver, pois novamente o que passamos, Tentar após a poda destes ramos Criar mesmo cenário ou adereço? O tanto desejado ora obedeço E sei do quanto em paz nós desenhamos E assim se outro futuro; já traçamos, Amor ora não quer este endereço, E vença ou perca creio no futuro, E quando novo dia eu asseguro Não quero repetir velhos enganos, Depois de tantos erros, tantos anos O céu se refazendo agora escuro Em tormentosos dias vãos, profanos.
009
Encontrar meus demônios onde eu quis Viver num novo tempo e pude até Talvez por inconstância desta fé Tentar aprofundar em cicatriz, O amor quando do amor se faz matriz Reproduzindo a sorte por quem é Transcorre dentro em si pé após pé Buscando finalmente ser feliz. Depois destes erráticos momentos E neles expressões em desalentos Não quero tão somente um lenitivo Mesmo se for mais tênue esta esperança Meu verso num momento busca e avança Enfim de fartas luzes eu me crivo.
010
Quimeras percebidas num retrato Sutil da nossa vida em dor e mágoa Matando num momento qualquer frágua Secando em aridez este regato, E quando alguma luz teimo e resgato A sorte noutro rio já deságua Deixando o meu olhar tomado d’água Negando ao mais faminto um mero prato. Restaurações de engodos do passado Já não seriam mais que velhos fados Ousando renascer após a morte Do sentimento um dia mais atroz Trazendo no final, a mesma voz Negando ao passageiro um claro norte.
011
A flor trazendo espinhos entre aromas Expressa a realidade tão cruel Do amor quando se busca puro mel E perde no final; antigas somas, E quando nos teus braços tu me tomas Vagando desde o inferno até o céu O manto se anuncia e gera um véu No qual com muita astúcia tu me domas. Resisto o quanto posso, mas sei bem O quanto deste encanto amor já tem Também se transformando em pesadelo, Da meta gloriosa; um mero traço Do nada cada passo que refaço Talvez fosse melhor sequer revê-los.
012
Não quero me ferir, mas também não Preciso machucar quem tanto eu quis, O sonho de outro sonho, um chamariz Sonega novos tempos que o verão E sei dos meus anseios desde então Vagando sem sequer claro matiz, O coração eterno chafariz Gerando a cada instante ebulição. Percorro os descaminhos mais freqüentes Aonde muitas vezes tu te ausentes E mesmo incendiando em mansa luz, Por vezes desfazendo um velho nó, Percorro o meu destino e sei que só O passo no vazio se conduz.
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Amor jamais deveras se permite Além do que pudesse acreditar, E quando busco ali qualquer lugar O sonho se transforma sem limite, Embora a cada dia necessite De ter onde pudesse descansar Depois de tantos rumos; trafegar Ou mesmo noutro encanto eu acredite. Resumos de meu canto em voz diversa E assim a melodia se dispersa Galgando os siderais espaços, mas O todo se traçando em vago leito Depois de tanta queda eu não aceito Amor que não se faça em plena paz.
14
Fazer deste carinho uma bandeira E crer noutro destino senão este, O quanto da alegria prometeste Bem mais do que deveras talvez queira A vida noutra via, costumeira E assim o pesadelo; não rompeste E quando em novos dias irrompeste Trouxeste turva luz, a derradeira. E sobre as sombras tento outro cenário Sabendo quanto o sonho é necessário, Mas dele não consigo este provento, Decerto alguma sorte eu pude após O tanto que se fora mais atroz O amor quando em mortalha o reinvento.
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Sentir quanto te quero e poder ter Nos olhos a certeza mais sutil Do quanto tanto sonho resumiu Traçando tão somente o amanhecer, Mas como são tão árduos, do prazer, Caminhos que inda tracem ar gentil E neste delirar o que se viu Pudesse dentro em mim, anoitecer, Tecendo com palavras o que eu quero, Sabendo do futuro mais severo Assegurando a vida num alento Ainda quando ancore muito aquém Gerando a fantasia que convém Enquanto esta ilusão; tento e alimento.
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Não quero mais as velhas vãs batalhas Aonde nós perdemos; direção Os tempos com certeza mostrarão Inúteis os delírios que ora espalhas E quantas vezes teimas e atrapalhas O dia onde anuncia algum verão E muda num instante e neste vão As horas são terríveis, ledas, falhas. Espero alguma luz aonde nada Traduz a mesma sorte desejada, Porém outro desenho se vislumbra Aonde quis a lua bela e cheia Somente o que decerto nos rodeia Recende ao quanto fomos em penumbra.
17
Amor quase platônico? Não quero, Ausência se fazendo uma constante E aonde quer que o passo se adiante O risco de sofrer eu sei severo, E tanto quanto posso após o mero Delírio quando a voz fosse adiante Não tento o mesmo trilho e doravante Apenas outra senda em paz espero. Reparo cada passo rumo ao vago E deste desenhar o quanto trago Presume esta fumaça e nada mais, E quando quis um dia majestoso A vida se transforma e caprichoso Ao longe se anunciam temporais.
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Não quero estar sozinho e mesmo assim Prefiro a solidão à falsidade, E quando este cenário se degrade Traçando o desalento dentro em mim, Mergulho noutro mar e busco enfim O quanto inda puder, tranqüilidade E desta forma crer felicidade Tramando outra visão num novo fim. E sei do mais atroz caminho e neste Delírio aonde em dores me reveste O pesadelo em tétrica emoção, Depois de tantos dias de verão, O inverno se aproxima e posso ver Apenas o desenho em desprazer.
19
Ainda se celebra amor enquanto A vida se permite noutra face E quando o paraíso em glória trace O dia mais tranqüilo até garanto, E sei do desamor e nele, tanto Percebo a vida em duro e vago impasse, Ainda que ilusão tudo desgrace É nela que inda resta algum encanto. Estranhos dias dizem o abandono, É quando a cada traço desabono Futuro desdenhado desde quando O tempo de sonhar não prenuncia Beleza que eu buscava noutro dia E a chuva dentro em mim já desabando.
20
Jamais maltrataria quem eu quis, Porém já não suporto este maltrato E neste caminhar novo eu resgato O olhar que um dia fora mais feliz A sorte na verdade contradiz E traça noutro rumo algum regato Regendo sobre nós mero contrato Num ato torturante e mesmo gris. Não posso e não cabia nova senda, Mas quando a realidade se desvenda Prenunciando a luz que inda virá Eu quero e me percebo aonde um dia O sol que sobre nós já brilharia Renasça e trague a messe desde já.
021
Menina, deusa, mulher...
Diante de ti me dispo: Roupa, armadura e preconceito; Em nosso mundo mágico Transito em todos os espaços Livre_mente... Sinto-me querida, acolhida, Degustada, amada! Permito-me tudo contigo! REGINA COSTA
Deliciosamente entranho em ti De corpo e alma seguindo noite afora O anseio de te ter já me devora Neste delírio intenso eu me perdi E quando novos rumos; percebi Suave maravilha eu vejo agora E ali a cada curva se demora Numa ânsia sem igual, também sorvi Do etéreo desenhar em formas nuas, Num átimo mergulho e tu flutuas Alçamos apogeus, abismos, céus E no êxtase supremo num espasmo, Esta explosão fantástica de um orgasmo Do Paraíso expõe supernos véus.
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Só por essa noite deixarei de ser breu... Deixarei de ser silencio... Deixarei de ser lua para ser sol... Deixarei entrar todas as cores... Serei rosa... Serei violeta... Azul bebê... Azul cor de anil... Só por essa noite serei "tua" menina sapeca... Vem! Vamos fazer uma festa cheia de aquarela no ar!!! Canta e encanta-me!... Serei”tua” sereia... “Tua" Yara de todas as águas... No átimo desse instante deixarei de destilar meu veneno... Irei a tua boca beijar... O meu corpo e a minha alma te entregar... Só por esta deixarei meu inferno para habitar o teu paraíso!
SERPENTE ANGEL
Das brumas entre luas, os matizes Misturam-se em delícias sobre-humanas E as noites divinais, loucas, profanas, Explodem em delírios mais felizes, É quando com prazer também me dizes Das dores e prazeres onde ufanas Jorrando horas supremas quase insanas Sem medos, sem juízo e sem deslizes Alçamos o infinito num instante E neste delirar já se garante Satânica deidade feita em glória Altares entre orgásticas visões Em múltiplos anseios, mutações A noite segue intensa e merencória.
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Já nada poderia quando a sorte Mudando a direção dos ventos, vi Seguindo cada passo chego a ti Destino que alucina e desconforte Desvelo se anuncia e toma o norte Prenunciando o quanto resumi Em dores e delícias e sorvi Além do que podia ou mais comporte, Vagando insanamente entre infinitos Em átimos sublimes e malditos Numa ansiosa luta contra mim, Espasmos e imersões em devaneios E adentro o doce inferno e sigo os veios Bebendo-o do princípio até o fim.
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Neste éter dispersando a minha voz Que audaciosamente um dia a quis Singrando além do porto e quando o fiz Atara com firmeza, frouxos nós, E sei do quanto pude e logo após A noite desenhando gozo e bis, Seguindo este cenário claro e gris Traçando neste anseio rumo e foz. Assim ao perceber a magnitude Do ocaso que deveras nos ilude Gerando um raro e belo albor aonde O tempo em desvairada face vejo E nele doravante, noutro ensejo, Ao máximo delírio corresponde.
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Em simbiose; orgástica loucura Gerada pelos ritos mais suaves E quando este caminho não entraves Encontro o que deveras se procura Nesta ânsia delicada a minha cura Alçando o paraíso em turvas aves Ousando demoníacas as naves Que possam permitir doce amargura Num êxtase complexo e multicor As tramas mais nefastas de um amor Erguido sobre bases movediças Do etéreo ao mais palpável num segundo E quanto mais me elevo, eu me aprofundo E dos opacos tons também te viças.
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Orquídeas e bromélias, meu jardim Numa diversa forma, cor e brilho E quando ao vê-lo assim me maravilho Traduz o que roubaste hoje de mim, Eu sei o quanto início diz do fim E tanto até bem mais isto palmilho Sabendo já de cor o velho trilho Marcado pela angústia e medo, enfim. Mas pude imaginar ser mais diverso Este divina mar aonde verso Entrando sem defesas e é por isto Que quando te senti em despedida Levavas também mesmo a minha vida, E ao fim dos meus jardins agora assisto.
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Deste arvoredo aonde um dia eu vira As formas mais sutis, rara beleza E neste verdejar em sutileza Também se prenuncia outra mentira, Assim da mesma forma dá, retira E não suporto mais ser tua presa, Levado por terrível correnteza Minha alma noutro espaço se prefira. Mas sei quanto é difícil me esquecer Desta alameda imensa onde o prazer Viceja a cada instante, mas também Transcende à própria vida e num instante A queda deste arbol já se garante E apenas falsas ramas; lá contém.
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Sinérgica vontade em harmonia Permite a consonante percepção De dias mais sublimes que virão Além do quanto esta alma fantasia E assim ao perceber o quanto havia Domando cada passo em direção Deixando para trás a decepção Enquanto um novo tempo surgiria, Esboços prenunciam paraísos E sigo os meus caminhos mais precisos Em atos e palavras, docemente. Percebo ser possível ter a paz Que tanto desejei saber e traz Uníssono delírio em corpo e mente.
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A vida quando alcança o seu outono Traduz a mansidão e a força ainda E assim este caminho se deslinda Com todo o privilégio em raro abono, Na primavera o medo, o risco, o anseio A necessária e louca proteção Que encontra num outono em precisão Marcante desenhar e nele veio, Destarte em tons complexos e sutis Na congruente estrada nossos dias, Marcados por estranhas sintonias Além do que pensara ou mesmo quis, Porém da primavera eis o verão, Do outono os invernais dias verão.
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Uma esperança traz no mesmo olhar A fúria de um anseio e a imprecisão Traçando com diversa entonação O quanto poderia e em qual lugar, Aspiro muitas vezes ao luar E sei do meu caminho em turbilhão Vagando pelo espaço de um senão Deixando para trás vago sonhar, Necessitando sempre deste fato Aonde o meu delírio enfim resgato Retrato outros iguais perante a vida Depois de tantos anos já perdidos Outros momentos sendo pressentidos No passo aonde o todo se decida.
031
De um laço primitivo onde se via Atando corpos nus, delírio e febre Raposa se imiscui e traz na lebre O risco aonde bebe a fantasia Ainda quando este elo, a vida quebre Num êxtase supremo da alegria O tanto quanto pode se irradia Gerando este palácio de um casebre. Restauro em pouco tempo o meu caminho E sinto que deveras fui mesquinho E aninho-me ao que possa ser diverso, O amor quando se mostra puro e insano Já não provoca a queda nem o dano, Trafega sem limites no universo.
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Ao quanto inda me cabe e isso eu constato Num ato mais tranqüilo ou mesmo até Traçando outro caminho e por quem é O mundo quando em paz teimo e resgato, Esqueço a mansidão deste regato E sigo o meu destino risco e fé, E sei do quanto pude sem galé Vencendo a dor cruel, não me maltrato, Esboço reações e sigo em frente Ainda que diverso se apresente Cenário aonde eu possa crer e ter Além das tantas dores, turbulências Os dias entre várias penitências, Ao fundo em tom suave algum prazer.
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No quanto inda pudesse; racional Tentei equilibrar embora saiba Fiel que neste caso já não caiba E deixa o meu caminho desigual, Expresso o coração aonde a libra Esgota seu poder, raro equilíbrio E mesmo que deveras; inda vibre-o O sonho com o tempo se equilibra. Depois de tantas dores e promessas De dias mais suaves que não vi O tanto quanto pude ver em ti Deveras noutra história recomeças Ousando o mesmo passo aonde um dia Meu mundo sem a luz se perderia.
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Buscando uma aliada aonde o nada Desenha sua face mais concreta O tanto que pudera e se completa Numa ânsia já decerto extasiada. Depois de certa luta, a madrugada Expondo a lua nua me repleta E quando me sentira qual poeta A sorte noutra via, vi traçada. Havia dentro em mim a fúria imensa Da busca por talvez a recompensa De um átimo qualquer em brilho e gozo, Perfilo meus delírios neste quarto E quando algum prazer tenho e reparto, O tempo se transforma. Majestoso.
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A solidão queimando viva agora Transcende ao que pudesse imaginar Impede qualquer sonho de tomar Seara aonde a dor teima e apavora, O quanto poderia e já demora Raiando noutra senda este luar, Vagando a noite imensa a te buscar E quando te encontrasse, perdendo hora. Assisto à derrocada, mas persisto E quanta vez eu temo e sigo nisto Galgando muito além do quanto eu posso, O mundo em consonância dita as normas E num segundo em luzes te transformas Caminho deslumbrante teu e nosso.
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Um passo que se dê na direção Do sol quando vier em alvorada Depois de tanto tempo desolada A história se transforma em negação Resumo o meu caminho e sei que não Terei após a curva anunciada Senão a mesma senda feita em nada, Marcando cada passo, imprecisão. Voláteis sentimentos, dor e medo E quando muito além eu me concedo Presumo outra esperança mais tranquila Esta alma delicada e mesmo rude Traçando muito além já desilude Enquanto noutro espaço em vão desfila.
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Bem mais do que deveras alguém que A vida poderia me mostrar Num ato tão diverso e desenhar Além do que decerto já se vê O quanto neste encanto a alma crê E trama a cada instante céu e mar E neste louco anseio trafegar Gerando do jardim raro buquê. O vinho que entorpece e inebria A madrugada atroz dorida e fria O tempo em mutações agora eu vejo E sinto esta sublime fantasia Traçando a sem igual dicotomia Aonde alguma luz, mero lampejo.
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O quanto se traduz em alegria Os tempos que virão ou mesmo pude Durante a minha calma juventude Traçar com mais vigor, mesmo harmonia, E vejo a maravilha onde se cria As vias de outra senda e tanto ilude Desenho que se mostra claro e rude E nele se presume outra heresia. Negar o meu anseio e crer num risco E neste desejar o quanto arrisco Tramita dentro em mim e me devora, Depois da claridade a escuridão As tempestades todas mostrarão O quanto deste amor jamais tem hora.
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Vivermos em conjunto, dor/prazer Sentindo os vários cantos onde eu possa Trazer além do medo angústia e fossa Este apogeu que busco merecer E tendo esta beleza de poder Traçar o que em verdade já se endossa Vagando pela noite onde se esboça Um claro e mais suave amanhecer, Depois de tantos dias solitários Os sonhos são deveras necessários E deles me alimento até quem sabe Um dia mais tranqüilo ou mesmo tenso O mundo que mostrara ser imenso Somente num segundo já desabe.
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Avanços entre quedas: eis a vida E nela se percebe o quanto custa O medo aonde a sorte nunca é justa Traçando a mesma cor em despedida, Gerenciando o mundo se decida E mude a direção aonde ajusta O passo com ternura e me robusta Traslado após a queda na decida. Esbarro nos meus ermos vez em quando, E nisto novo tempo se formando Na mutação eterna em poesia, Gerar do nada o nada e mesmo assim Moldar do meu início o meio e o fim, Enquanto a vida nada me traria.
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Eu quero estar ao teu lado Do começo ao ledo fim E por isso mesmo vim Neste canto anunciado Transmitir este recado Que nascera dentro em mim Com a fúria de que enfim Vi meu rumo transformado. Esquecendo a dor de outrora O meu passo não demora E descobre esta seara Na fantástica beleza Onde amor me fez a presa E a delícia se escancara.
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Tu jamais terás alguém Que te queira tanto enquanto Outra vida em desencanto Muitas vezes sei e vem, E se vejo ali além Do que cobre o leve manto O desejo num quebranto Transformado e não convém Ser assim diversamente Do que sinto num repente Noutro instante muda tudo E deveras desta forma Neste ser que se deforma, Com certeza eu não me iludo.
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Quando o verso vem à tona Não consigo segurá-lo Vou seguindo neste embalo E a saudade me abandona, Vicejando a alma adona Do que pude e agora falo Na verdade se me calo O passado me detona, Vou seguindo desta forma Um ser que já se transforma Noutro ser ao mesmo instante Em que a amada poesia De outra face se vestia E eclodindo me agigante.
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Sou crisálida e por isto Cada vez que tento um passo Noutro tom eu me desfaço E deveras não assisto E se teimo ou já desisto Noutro rumo, meu espaço Muitas vezes o cansaço Num poema em paz despisto, Sendo assim um ser mutável Outro solo sendo arável Mesmo quando em aridez, Mergulhando no vazio Vou procuro e desafio O que em vida não se fez.
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As pessoas onde habito Muitas vezes conflitantes São deveras por instantes Tudo o que já necessito E se tanto sigo aflito Ou mudando em radiantes Ilusões determinantes Desta queda do infinito Resultados inconstantes, Versos dias lentos passos Riscos ventos medos lassos E pressinto novamente O passado aonde um dia Sem destino vestiria O caminho que ora mente.
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Nada mais do quanto pude Ou se tive ou mesmo não O meu rumo e precisão Tantas vezes se amiúde Vibro em tanta magnitude E mergulho num porão Sendo os dias que virão O caminho onde se ilude, Vestimentas mais diversas Nos meus versos vejo imersas E dispersas mal as vê Desta forma incoerente Outro tanto se pressente Sem ninguém saber o que.
47
Levo a vida de tal forma Que jamais pudesse ver Outro rumo a se perder Onde existe qualquer norma, A minha alma não conforma E transcende ao meu querer Do passado passo a ser O que o tempo já deforma, Mas grisalhos são comuns E deveras tendo alguns Eu percebo o meu outono, Resumindo assim meu tempo Venço em paz o contratempo Do futuro ora me adono.
48
Minha vida em seu contorno Presumindo curva e reta Paralela me completa Onde o tempo ainda adorno E se tento e neste forno Nasce uma alma de poeta Incerteza dita a meta Num caminho audaz ou morno. Restaurando o passo aonde O meu canto corresponde Ao que tanto desejei, Variáveis presumidas Traduzindo as cem mil vidas Que decerto eu buscarei.
49
Na verdade o quanto esfumo Traduzindo em letras, frases Nem se trama aonde trazes Nem deveras toma o sumo, O meu canto já sem rumo Procurando novas bases Tão mutáveis minhas fases Nem os erros eu assumo, Mergulhar num paraíso Num abismo em cataclismo Onde muitas vezes cismo Noutro passo mais conciso, De repente sou diverso Do que canto e tento e verso.
50
A poética incerteza Um ditame sem igual Onde pude bem ou mal Ser deveras fera e presa Estendendo sobre a mesa Num banquete ritual Sou decerto um comensal Onde insiste a correnteza Se eu prossigo ou fico além O momento me provém Do cenário aonde eu sinto Esta onipotente glória De ter lua em merencória Caminhada em luz e instinto.
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Versejar aonde um dia Quis a messe mais sublime E decerto se redime O que tange à poesia Na verdade não teria Nem o fato aonde estime O caminho onde se prime Mesmo pela fantasia, Este edênico vigor Traduzido em dor e amor Numa confraria imensa, Desta forma vou liberto Quando mesmo eu me deserto Vejo em verso a recompensa.
52
Nada entendo do passado Já não quero mais presente O futuro se apresente E deixando lado a lado O caminho desejado Com o que deveras tente Sendo o tempo este inclemente Tantas vezes remendado, Esbarrando nos meus erros Coletando os tais desterros Entre acenos tão complexos Se meus versos são assim Traduzir e quando eu vim São deveras meus reflexos.
53
Aprendendo em sortilégio Caminhando em pedregulho Quando agora aqui mergulho Sinto o raro privilégio De um delírio audaz e régio Nele traço meu orgulho E trazendo este marulho Num instante quase egrégio. Exalando algum aroma No final minha alma toma E penetra pelos dedos Desnudando no teclado Este ser mal desenhado Que desnuda seus enredos.
54
Expressões de raiva e tédio Onde pude ser feliz, Se deveras já não quis Não mais vejo outro remédio Na saudade digo assédio E o desejo em cicatriz Perpetua o que não fiz. Ou desaba inteiro o prédio, Revigoro quando caio E se tanto abril ou maio Neste outono, minha vida Preparando após o inverno O caminho quando hiberno Ou encontro outra saída.
55
Já não pude nem conter O que agora nasce em mim Sendo flor, pedra ou jardim, Mas me dá muito prazer, A vontade de nascer Exalando o quanto enfim Poderia ser assim Tão diverso do meu ser. Expressões em tantas luzes E deveras reconduzes Os meus passos vez em quando, Mas errático caminho Noutro rumo já me aninho, Desta forma me moldando.
56
Nada mais quero da vida Senão isto o que consigo E se tanto teimo e brigo Noutra face desmedida Outra história sendo urdida, No caminho algum perigo Ou decerto o desabrigo, Poesia? Uma saída. Venço os meus demônios quando A palavra transbordando Invadindo assim a tela, E o que sou ou mesmo pude Na verdade manso e rude Nem um pouco se revela.
57
Já não trago qualquer fonte Nem pudera ser assim Traduzir o que há em mim É negar meu horizonte, E se tanto ainda aponte Outro rumo vejo enfim A mortalha dita o fim No luar amor desponte, Traduzindo em nuvem sol A visão deste arrebol E decerto sendo cética Minha vida não se faz Noutro passo em mansa paz, Na revolta em voz poética.
58
Expressões mais variadas E se às vezes conflitantes No final nada garantes Ou traduzes noutros nadas As figuras desenhadas Desejadas por instantes Nestas luas radiantes Ou transcendem alvoradas, Sendo assim meu recomeço Já não sabe este endereço Onde existo por talvez Crer no quanto sou disperso E se ali ainda verso Outra face agora vês.
59
Nada traz quem perde o senso E vagando plenitudes Onde tanto tu te iludes O caminho eu não convenço Bebo mais do que inda penso E na certa não transmudes O que tangem juventudes Mortas desde último censo, Variando deste jeito O delírio aonde aceito O meu canto em discordância Gera assim a turbulência E transforma esta inocência Noutra luz em militância.
60
Agilmente busco a sorte E deveras já tropeço Quando tento e recomeço Nem um laço me suporte, Vejo assim sem mais o norte Onde tudo que confesso Produzindo o quanto peço Ou impeço novo corte. A retalhação de fato Traduzindo onde resgato Após queda o meu destino, E se tanto sou assim A metade morta em mim Tem um tom esmeraldino.
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Marca a vida após a queda O silêncio aonde eu vejo Desenhado outro desejo Nisto tudo a sorte enreda E produz nova moeda Traduzindo um murmurejo Deste sonho em azulejo E deveras tanto seda. Resumindo a minha sina Procurando o que fascina Encontrando algum pedaço Já perdido deste todo Imergindo em medo e lodo Outro rumo agora eu traço.
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Sabe bem como se faz Quem deseja novo dia E traduz melancolia Noutra face feita em paz, Mas do quanto sou tenaz E produzo a fantasia Onde nada mais teria Nem sequer claro ou mordaz, Demarcando cada cerca Antes mesmo que eu me perca Encontrando esta vereda E se nela me desenho O meu mundo em tal empenho Noutro esgar não se conceda.
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Levo a vida de tal forma Que inda possa até sonhar E se tanto mergulhar Noutro lago a alma conforma Na verdade nada informa Quem procura céu e mar E sem ter nada a traçar Já não tem dos sonhos norma, Vicejar em primavera Ou morrer em duro inverno O caminho aonde externo O que a vida destempera Ao gerar novo momento Outro fato agora eu tento.
64
Reparando agora bem O que nada pude outrora No caminho me apavora E traduz o quanto tem Alma sórdida e ninguém Onde o sonho desancora Permitindo sem demora O que sei; já nem mais vem. Seduzido pelo verso Vou no quanto me disperso E procuro alguma sorte Percebendo após a chuva Este enxame de saúva Quando o tempo me comporte.
65
Lábios quentes, beijo ardente De quem tanto, esta morena, Na verdade me serena E traduz outro envolvente No final o quanto sente Sendo a vida sempre plena Quase nunca mais acena Mesmo sendo imprevidente, Resumindo a minha estada Neste pouco ou quase nada Desenhado com terror, Vasculhando esta gaveta Ao final já me arremeta O delírio aonde o pôr.
66
Quando insone eu percebi Os olhares mais atentos Entregando aos pensamentos Medo, sorte ou frenesi Encontrei e estava ali Meio exposta entre tais ventos Quem domara os sentimentos E decerto eu já perdi, Navegando em madrugada Bebo a sorte desfraldada Por quem tanto não me quis, No final resumo o fato No delírio onde eu resgato Mesmo sendo em cicatriz.
67
Aprendendo a jogar quando O terror tomara a cena E se a sorte não serena O delírio me guiando Vou aos poucos deformando Onde não se vê amena A verdade que envenena Gera novo fato infando. Revestindo o meu anseio Perpetuo o quanto veio E jamais pudera ver Desfilando em ócio e tédio Já não tendo outro remédio Busco em vão qualquer prazer.
68
Caminhos se convergindo Num só cais, mesmo estuário Quando o sonho é necessário O percebo agora findo E se tanto ainda brindo O meu rumo este corsário Outro canto temerário No final teimo e deslindo. Ressaltando a queda em falso Preparando o cadafalso Esgueirando por neons, Pirilampos estelares Onde tanto desejares Dias calmos, mansos, bons.
69
Sendo essencialmente assim Resumindo esta vontade No caminho aonde agrade O delírio feito enfim Decifrando este estopim Explodindo a realidade Bebo à farta esta saudade Que inda trago viva em mim, A mortalha se tecendo Onde o tempo fora horrendo Geratriz de um novo enfado A certeza se permite Sem saber qualquer limite Dando assim o seu recado.
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Esboçar um novo dia Onde amorfo fora outrora Este canto já se arvora E procura a fantasia Sendo além do quanto havia Ou deveras desancora Quando a sorte me apavora A pressinto e sei sombria, Versejando pouco a pouco No final já me treslouco E anuncio a despedida De quem tanto quis o brilho Noutro rumo em paz palmilho Quando vejo assim a vida.
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Já nada mais consigo enquanto eu tento Vencer os meus terrores mais constantes E quantas vezes vejo ou me garantes Mantendo o meu olhar decerto atento E solto esta palavra ao pleno vento Tentando combater os meus gigantes Embora em tais moinhos não te espantes, Liberto trago sempre o pensamento E sei quanto é custoso para mim, Esconde-me neste ermo camarim Presumo alguma voz suave quando O tempo noutro tanto se transforma E o verso sem ter regra, lei ou norma, Aos poucos vai também se transmudando.
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Dos bastidores vejo este espetáculo, A vida e de soslaio tento um bote E quantas vezes; teimo e isto denote Além da profusão de algum tentáculo, O sonho sendo agora um sustentáculo De quem a cada instante inda devote Amor aonde nada mais se note Prenuncia do non sense deste oráculo Que eu alimento em mim num ser minúsculo E quando se entornando no crepúsculo Minha alma em alamedas e esperanças Expressa essa emoção de tentar ser O quanto se demore a perceber, Pois nestes vários seres, as mudanças.
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Agônico, o meu verso tenta ainda Vencer os sortilégios costumeiros E arcando com o tempo em verdadeiros Delírios onde a sorte vã me brinda Com toda a solidão, já quase infinda Matando na aridez destes canteiros Os olhos dos espúrios, derradeiros, Caminhos com os quais a alma deslinda. Soturnos passos; ouço dentro em mim, E tento me entranhar e noutro fim Noturno caminheiro da esperança Apenas entremeio versos, medos E sei dos meus demônios, mesmo ledos E a eles o meu canto agora avança.
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Não posso e nem pretendo acreditar Numa sincera luz que não mais vi, E tanto me perdera em frenesi Morrendo sempre aos poucos, devagar. Pudesse ainda além anunciar O todo que decerto em vão sorvi, Mas sei quanto a mortalha vive aqui E desta tempestade a se aflorar. As tétricas palavras da verdade Enquanto num pavor imenso brade A minha consciência enfim desnuda E sinto a minha voz perdendo o nexo Desta alma tão bisonha algum reflexo Dessa dor lancinante, funda. Aguda...
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Perdendo esta noção de ser ou não, Vasculho o que inda possa ter e sinto O furioso golpe deste instinto Matando tolamente uma razão, E sei do quanto posso em direção Oposta ao caminhar que em sonhos tinto E quando me apresento assim me pinto E sei quantos tormentos se verão. Esboço de uma lúdica beleza Aonde se faz lúbrica surpresa A presa dita vida atocaiando O risco de sonhar e mesmo crer Na maravilha feita a se perder No tempo sempre espúrio, e até nefando.
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À terra onde nasci retorno agora E vejo estas mudanças que adentrei Ao perceber diversa a mesma grei E nela esta memória se demora. O perceber senil se revigora, Mas viço este menino onde busquei A força para o verso e me tornei Depois do quanto a vida me apavora. Esgares diferentes, versos frágeis E os pés correndo além, se foram ágeis Esboçam inda velhas reações E vendo cada canto onde se esconde O tempo e nem sei mais sequer onde Pudesse acumular tantos senões.
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À chama deste raio deslumbrante Encontro o teu retrato aonde um dia Pudesse penetrar com sincronia E o nada noutro passo se garante, Restauro o que julgara mais brilhante E bebo com ternura a poesia Somente quando o tempo me diria Do verso mais suave doravante. Esgarces de uma vida entre fúrias E vejo os desvarios nas lamúrias Por onde me expressara e tão somente. Mas quando vejo o brilho deste olhar, Percebo que inda posso navegar Embora seja frágil e até descrente.
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À feição da vida me entregando Sem medos nem talvez a melhor sorte, E quando mais o tempo me conforte Outro senão se torna e desde quando. Respaldos; procurara e mesmo em bando Navalhas em palavras geram corte E deste se adivinha a própria morte Num áspero delírio me inundando. Ludibriar o tempo? Quem me dera. Eu sei o quanto posso e ainda espera Fortuna em passo turvo deste pária Presumo nova queda a cada passo, E quando o meu retrato eu teimo e faço; Visão que se apresenta é temerária.
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Junto estou ao nascer da lua enquanto O tempo se nublando traça além Realidade turva e ali se vêm As variantes torpes do quebranto E quando me aproximo e me adianto Olhando de soslaio e com desdém, No fundo tanto medo me convém E sei me preservando de outro pranto. Nesta álgida loucura dita vida O quanto se percebe da saída Num erro costumeiro e tão banal, Dicotomias várias deste ser A todo instante o vejo se perder E esboço tolamente outro degrau.
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No túmulo dos sonhos, meu passado, Vacância toma a vida plenamente E quanto mais o tempo se apresente Vazio presumindo o meu legado, O risco de; quem sabe, no tornado Entrar e me perder solenemente Enquanto imaginara mais potente O canto noutro tom, emaciado. Farrapos dentro da alma deste a quem A vida na verdade não convém E deixa cada teia mal formada Nas tramas onde; errático eu caminho E neste emaranhado ora me aninho Ao traduzir somente o etéreo e o nada.
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Crepuscular delírio em tez brumosa Arcando com os sonhos que inda levo E embora tão diverso; busco e cevo A noite que pudesse caprichosa Ao mesmo tempo enquanto esta alma goza Do mais superno encanto se me atrevo A acreditar num dia onde o longevo Caminho se transforme e o tempo o glosa Esbarro dentro até da realidade E bebo cada tom enquanto invade O pensamento as cores mais sutis E sinto a divergência de um matiz Aonde procurei felicidade E o céu que eu alimento expressa gris.
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Exalo alguma luz ou nada até, Mas sigo ou mesmo tento alguma prece E quando esta vontade noutra tece Espúrio caminhar em torpe fé, Aonde imaginara e sei quem é Que o tempo ao próprio tempo já se esquece Regendo este senão quer e oferece Desejo feito em dor, medo e galé. Vestindo a sorte imensa de poder Depois de tanto enfim sobreviver Cerzindo outro caminho em verso vário, Ainda guardo além do que conheço O ser onde se fez tal adereço Guardado a sete chaves num armário.
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O meu caminho se faz Dia a dia, tempo após Queda em nova imensa foz E deveras deixo atrás O desejo em guerra e paz Outro tanto rege em nós O que vejo e calo a voz Onde o pouco satisfaz. Nem telúrico ou poético Muito menos sendo herético Eu permito uma saída Ao que pode até tecer Com as rendas do prazer, Mas se até já Deus duvida?
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Vai silente a companheira Entre as luas pratas céus E diversos fogaréus Espalhando em ribanceira Quer deveras ou não queira Visto os meus turvos véus E meus dias são incréus Desfilando em vã ladeira, Regimentos? Obedeço, Muito aquém deste adereço Feito em luz, felicidade Este arisco pensamento Na verdade desalento Quando o sol adentra e invade.
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Espalhando aos quatro ventos Navegando os sete mares Entre estrelas e luares Entre luzes, sofrimentos; Os meus olhos vão atentos Onde tentas procurares Mergulhando em torpes ares Caminhando pensamentos, Singro os céus e bebo abismo E se tento ainda e cismo Nos beirais tão mais diversos, Aprofundo o tom profano E deveras se eu me dano, Também danem-se meus versos.
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Expressões que me disseste Onde quis tranqüilo senso E perdendo me convenço Do meu canto mais agreste, E se beijo o que reveste Ilusão e nisto eu penso Do delírio quando intenso Nada mais tu me trouxeste, Largo os sonhos na viola E se tanto a vida esfola Após queda em tal barranco No meu cântico confuso Entremeio e até abuso De não ser sincero e franco.
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Lucidez? Não quero mais, Já me basta o dia a dia E se esta alma fantasia Deixo à solta os vendavais, Bebo tento e se demais Entre tantos me inebria O sabor da alegoria Vários sonhos, rituais. Versejando aonde posso Num momento sou destroço Noutro inteiro além do tanto Que pudesse se inda houvesse No final qualquer benesse Onde espero o desencanto.
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Não me basto, sou assim E por ser ou não mutante Cada passo se adiante Ou retorne de onde eu vim, Resguardado em camarim Sendo ali a todo instante O que penso e doravante Traduzira em estopim, Extirpando a poesia Tudo em mim já morreria Sem sentido e sem razão Quando sei do meu destino E se tanto me alucino Vida mesmo diz que não.
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Aprender a navegar Sem saber sequer do leme O que tanto não se teme Impedindo céu e mar, Vasculhando devagar Sem ter nada aonde algeme O delírio não se extreme Nem permita o desenhar De outra sorte que não esta Mesmo quando o tempo gesta Ao parir dita o contrário Presumindo entôo meu verso Onde mesmo me disperso Muito além do necessário.
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Aprazível senda eu vejo Muito além do quanto pude Por ser mesmo franco e rude Outro rumo em novo ensejo Ao tramar o meu verdejo Mudo sempre de atitude E por ser tão amiúde Não presumo benfazejo. Esperar o que bem sei Na verdade não terei Nem sequer mereceria, Sendo alheio ao canto enquanto Descaído eu me levanto Bebo à solta a fantasia.
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Já não pude discernir Dos luzeiros; o que possa Ao guiar em plena fossa Traduzir outro porvir, Bebo até fartar, cair Da palavra onde se endossa O delírio e se destroça Um cenário a dividir. Tempo escorre entre os meus dedos E se busco além dos ledos Nada encontro e volto assim Ao princípio em discordância Do que morro intolerância: Satânico querubim.
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Vasta solidão; enfrento E percebo o quanto expresso Num momento mesmo avesso Ao que possa contra o vento, Esbarrar no sentimento Eu deveras te confesso Que presume um retrocesso Onde quis este incremento. Olho bem e nada vejo E percebo o cada ensejo Mesma cena repetida No replay da minha vida Resumindo em falsas luzes, Nela tudo; reproduzes.
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Acrescento o tempo aonde O meu canto se fez vão No final a solução À verdade corresponde Já perdi da vida o bonde E também não mais virão No futuro em construção A minha alma não responde. Vou pros quintos dos infernos E procuro dias ternos Sem lanterna ou quem a guia Expressando o quanto rude A saudade não me ilude, Lacrimeja dia a dia.
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Na contemporaneidade Dos intensos internautas Velhos versos matam pautas E traduzem a inverdade. Nada colho e mesmo brade Que jamais sentirão faltas Do que tanto não ressaltas Na certeza onde degrade Versejar em forma rústica Melhorar assim a acústica Nada traz de diferente, O cenário se repete Serpentinas e confete? Outra face se apresente...
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Esmerando com meu sonho Um artigo lapidar, A vontade de luar Se em verdade nada ponho, O que risco é tão bisonho Neste arisco caminhar Entre pedras a vagar Onde o passo eu decomponho. Sou apenas o que resta Desta via mais funesta Expressando a impaciência De quem tanto quis e; nada, Vasculhando inteira a estrada Do seu fim, tenho ciência.
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Prazos dados para a vida E senões onde buscava A certeza em que se lava Outra sorte distraída, A palavra sendo urdida Na verdade é minha escrava, Ou em mim retira a trava E transcende à despedida. Resumindo o quanto quero Deste mundo mais severo, Quando enfim sempre gargalho, O meu passo se faz tétrico, Mas por vezes quase elétrico Novel sol beijando o orvalho.
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Entre pontos e asteriscos Resumindo em numerais Os meus dias funerais Não agüentam mais ariscos, E se bebo destes riscos Entre falsos rituais Quero às vezes e bem mais Do que trazes em petiscos, Escutando a voz do vento Vou abrindo o pensamento Ao que tanto inda virá, Mas me vejo tão velhusco, Ouso até enquanto busco Mergulhar aqui ou lá.
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Neste arquétipo de vida Entre brumas e sorrisos Vou somando os prejuízos E não vejo outra saída, Labiríntica avenida Entre passos imprecisos Vou perdendo logo os sisos Terminando esta partida. Um apátrida poeta Numa tétrica palavra Vai tentando enquanto lavra A colheita mais completa, No final não resta nada Numa terra mal arada.
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Os cigarros e as bebidas Alamedas entre fúrias E se bebo das lamúrias Encontrando as presumidas Esperanças repartidas Não permitem mais injúrias E se as tento nas incúrias Embrenhara as sete vidas. Nada havia e nada além Do que tanto me convém Deve ter qualquer razão Sendo assim desde o começo No final sempre mereço Os tormentos que virão.
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Aprendendo a dizer sim Quando a vida diz que não Entoar outra canção Renovando dentro em mim, Ascendendo ao estopim E matando outro verão Nesta imensa cerração Pela qual agora eu vim, Nada mais ora constato E se teimo em qualquer ato Não desato o meu futuro, Mas, quiçá seja diverso Do presente agora imerso Neste encanto turvo e escuro.
MARCOS LOURES FILHO
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