
SONETOS FEITOS EM OUTUBRO DE 2009
Data 01/08/2010 21:40:35 | Tópico: Sonetos
| 001
Toco teu rosto busco teu olhar vamos parar o tempo segurar nossas emoções ... (ivi)
Por vezes me imagino junto a ti, O tempo nunca para; segue em frente A vida se refaz completamente, Porém logo percebo o que perdi.
Quem dera que estivesses inda aqui O velho coração, tolo demente Buscando ser feliz, resiste e mente, Sonhando com a fonte em que bebi
Felicidade e plena juventude. O vento na janela clama e ilude; Relembro-me de quem partiu há tanto...
O amor já não visita a velha casa Esperança falsária ainda abrasa; Porém tudo o que resta: desencanto...
002
- AMO VOCÊ Coração marinheiro sem destino, Que no cais procurando pelo mar Entrando totalmente em desatino Esqueceu como pode navegar...
Coração naufragado perde tino, Não reconhece estrelas, nem luar... Brincando, marejando, qual menino Marinheiro que esquece de nadar...
Coração, as saudades são teu barco, As Percas de deixaram és um arco Na procura insensata das marés...
Coração, as perguntas sem respostas Queimam tanto ardendo em nossas costas, Coração um veleiro de mil pés...
003
Bem que tento, bem que tento, não consigo esquecer o sonho lindo que vivemos, para mim bem mais que sonho, o meu abrigo, o romance belo que nós escrevemos.
Nada, nada se compara a esse sonho, o mais lindo que viví em minha vida, que eu canto nestes versos que componho lamentando a ilusão, que sei, perdida.
E assim me deixo ir na fantasia, pra guardar só os momentos de alegria.
HLuna
Vieste redentora fantasia, Mudando este cenário tão sombrio, E o coração moleque, este vadio, Enfim imaginou ter alegria.
Durante muito tempo, eu já sabia Por mais que andasse cego e assim vazio, Eu não resistiria ao vento frio E o amor que me aquecesse, eu buscaria.
Chegaste de repente em minha vida; Trazendo com certeza esta saída Que tanto imaginei e sempre quis.
Agora finalmente consegui Sabendo como é bom estar aqui Poder dizer a todos: sou feliz!
004
FICA PRA SEMPRE...
Galgando ilusão alcanço o céu. Retrato em teu olhar azul sereno. Dos lábios extraio mel adocicado. Da tez tal rubro sentimento.
Poder dizer a todos: Sou feliz! Ser mais do que podia imaginar. Retorno aos sonhos de outrora, Desta vez pra sempre irás ficar?
Melodioso meu canto de sereia Ludibria meu poeta sonhador. Acolhe em meu seio lindo verso
Extrapola palavras de amor. Sou tua ingênua sonhadora Serás pra sempre meu senhor...
Gelis
Rondando qual satélite teu brilho, Persigo cada trilha que tu deixas O coração que andara maltrapilho Envolto por lamentos, tantas queixas
Ao perceber os raios que me emanas Sedento te persegue a cada instante, Busquei-te; meu amor, por mil semanas Agora sou de ti, fiel amante.
E teimo em te querer cada vez mais, Sem medo e sem pudores, plenamente, Saveiro que encontrou um manso cais Em plena tempestade e, de repente
Ao perceber tão belo ancoradouro Conhece a maravilha de um tesouro...
005
Quero poder amar com tal liberdade, Que não precise nunca mais mentir... Quero poder viver nada pedir Não esperar sequer essa saudade...
Atracar no cais barco em tempestade Com toda proteção poder fugir... Não ter medos, segredos por aqui; Minhas âncoras, Porto Soledade,
Saveiro refletindo sobre o mar As sombras que roubou desse luar Nas correntes marinhas ir sem rumo...
No meio dos sargaços flutuar, Sem ter medo receio de voltar... Em meio a vendavais manter o prumo...
006
Há muito conheci fantasmagórica, Andando pelas ruas da cidade... A noite traduzia dor histórica, A morte já trazia ambigüidade...
Trazia então, por certo, tal saudade; Que noutras tantas vezes mais eufórica, Sonhava, simplesmente, liberdade... Quem nunca conheceu sua retórica,
Jamais conceberia tal loucura... A morte, com certeza, sua cura, Trazia alento e medo, apascentava.
Os olhos vagabundos, marejavam, Destinos, desatinos, desabavam... Loucura, pelas ruas, desfilava.
007
Na espiral de meu tempo, temporal... Nas lânguidas manhãs, sonhei-te tanto, Do pântano, charneca, brota o pranto Enlameio meus olhos... És fatal!
Meus anseios, meus óleos, sou frugal; Otimizo, remeto mito, encanto, Mas nada vingará, és puro espanto, Sombreando os arquétipos, carnal!
Teimo na seiva, queres pura essência, Me trazes, veramente, tal demência, Que não posso mais vê-la sem velar...
As pontas, tuas lanças, são mordazes, Rasgando minhas ondas, vão audazes. Tsunamis provocadas no meu mar...
008
Trazer o gosto amargo dos meus ritos, Em todas minha mágoas, penitente... Cortando, livres, carnes e infinitos. Vultos negros, partícipes, serpente...
Quero a mordaça, laços mais benditos, A maçã, cortesã, mais veemente, No gozo mais profundo, mais retintos. Febre terçã, malária, inconseqüente...
Perambulas pecados e orgias, Enleios, devaneios, meus veleiros... Meus pecados urgentes, fantasias.
Falas! Eu não te creio, nem credito, Teu vulto retorcido, meus janeiros, Amar-te: poesia, dor e mito...
009
Não me deixe morrer, melhor a vida, Mesmo esquecida nesse quarto escuro. A dor golpeia funda e retorcida; Eu tento audacioso pular muro...
A perna que quebrei, mordaz ferida Não pode sufocar; então, perfuro Os meus ossos expostos... Vai fendida A alma; meu peito rasgo, sou obscuro...
Essa dor lancinante é simples fado, A noite penetrante e sou culpado Pelas minhas retinas maculadas.
Tateio, ondeio; seios teus são teias, Quero tomar-te enfim nas minhas veias... Se sou teu fardo, tuas mãos são fadas...
010
Eu quero teu melhor sorriso irônico... Viver em teus desejos, os mais santos... Rasgar, sem perceber, todos os mantos, Poder sorrir contigo, amor platônico!
Longe de tua boca, vou agônico, Não sei d’abissais mares, celacantos, Nem quero mais cobrir-te, teus quebrantos, Por certo ao te ver resto catatônico.
As tuas mãos, centelhas são tenazes. Cravando tuas garras mais vorazes, Devoras, louva-deus, nada mais sobra...
Te quero venerando teus engodos, Penetras mais sutil teus eletrodos, Os teus olhos hipnóticos, és cobra!
011
Nunca ninguém que te conhece, pensa; Nas tuas cicatrizes, nos teus lanhos... Éramos, sem sabermos, dois estranhos, A quem a morte sorria, clara, densa...
Vivíamos em fuga, atroz ofensa, Computando agonias como ganhos... Me embebia nos teus olhos castanhos, Não sabia sequer, nem ter descrença,
E lavava minh’alma em fastio, Deixava-me levar, pútrido rio, Sem pensar que as correntes me sugavam...
Tuas linfas, qual ninfas, me excitaram, Em andrajos, depois, nada deixaram, Criaturas insólitas se amavam...
012
Nas mortalhas da sorte, fiz meu lar, Deixei, como epitáfio, teu sorriso... Vorazes cicatrizes, foi preciso O escárnio com que rias, meu pomar...
Rosas despetaladas, espinhar... Espetáculo sórdido, teu riso, Me apunhalas;é mórbido e conciso; Mas percebo é assim que sei te amar!
Nas noctívagas serpes, traz abraço, Tuas línguas devoram, forte braço, Nas lambidas ferozes, teu carinho...
As fornalhas, respiros, me derretem. Os pecados sutis, nos acometem, Presa fácil, procuro por teu ninho...
013
Lágrimas, os tormentos, convulsões. Dilacerados, torpes, tais horrores. Açoitados, lamentos sangram dores, Nas cortinas vorazes, meus verões...
Quem soubera servil, são teus perdões, Quem não vira, viril como os amores, Não servira, nem vil nem meu pendores. As margaridas cevam corações...
Passai pelas estrelas, faça o verso, Receba o simples mártir do universo, As labaredas queimam todo cerne.
A podridão resulta duma vida, Aurora traduzindo despedida, Minha alma parasita qual um berne...
14
Não quero o deus que cobra seus impostos Tampouco padres; tétricos cantores A multidão estúpida; seus rostos Marcados pela voz dos impostores.
Não arredam o pé; mantêm seus postos, Cordeiros idolatram tais pastores Das oferendas pútridos encostos Igrejas depositam vãos penhores.
E o amor há tanto tempo desprezado Jogado entre os esgotos das cidades. O Cristo por canalhas explorado
Exposto nas entranhas de um zoológico Na cruz; qual fora pássaro em mil grades Retrato de um desenho vil e ilógico...
015
Levavas pelas ruas num cabaz As frutas que comíamos à tarde. Um jovem sonhador pensou capaz De ter teus braços nus sem ter alarde...
Andavas maciez sem ser falaz; De branca tez sentia- se cobarde; Desconhecia então fina verdade; Amar é sem saber, perder a paz...
A brisa levantava tua saia, Deixando-me antever tal maravilha... A noite emoldurada cedo raia...
Meus olhos pertinentes e vorazes, Sedentos te queriam... Lua brilha Transmuda. Como os sonhos são fugazes...
016
Tu dançavas requebros sensuais... Meus olhos nas serpentes, teu quadris, Refletiam por certo tais ardis, Nas tuas tranças tramas tão banais...
Tuas coxas sutis orientais, Revestem o meu mundo, meus lambris... Das tetas o molejo exige bis. A gueixa, minhas queixas, os meus ais...
Açulas meus desejos incontidos, Nas lúbricas centelhas um incêndio... Procuro por meus rumos, já perdidos,
As noites indecentes, tudo argentas... Quisera traduzir-te num compêndio, Na tua nudez guerras apascentas...
017
Sonhei contigo; velha chaga amiga... Buscava, em vão, a paz que nunca tive; Por lares, bares, onde sempre estive. Na excelsa febre, vida inda periga...
Teus látegos cortando sem fadiga; Expondo a carne, rasgos, inclusive. Faziam de meus olhos, um aclive, Por onde devoravam cada espiga,
Gotejando sanguíneas demências... Pedia a esmo aos deuses, por clemências, Restavam-me somente, meus medos...
A velha chaga ria-se de tudo. Antítese, deixava qual veludo, Intactos, todos meus grandes segredos...
018
Não creio nos milagres a granel, Tampouco nos farsantes midiáticos Num misto de canalhas e lunáticos A venda em prestações de um falso Céu.
Não sei se sacristia ou se bordel Milhares de cordeiros vãos, estáticos, Tornados por hipócritas, apáticos São almas sem destino, vão ao léu.
Prostíbulos cristãos a cada esquina, Fortuna sendo deusa e concubina De párocos, pastores e vigários.
Enquanto esta sangria é permitida O Pobre que nos deu a própria vida Garante à súcia imunda os seus salários...
019
Eu te procurei tanto ... Corri mundo afora, sempre a te procurar vejo que chega, agora venha logo, me amar ... (ivi)
Rondara por desertos e montanhas Buscando por recantos aprazíveis Sonhando com momentos impossíveis Perdido entre diversas, várias sanhas.
Partidas que julgara; às vezes ganhas, Distâncias gigantescas, invencíveis Planícies ou imensos, vãos, desníveis Vitórias sempre falsas e tacanhas...
Agora; após a morte da ilusão, Cansado de lutar, sem solução Retorno aos braços teus, meu manso abrigo...
No peito tão somente cicatrizes, Onde pensara glórias, só deslizes, Que bom poder estar aqui, contigo...
020
Por vezes imagino outro país; Nas gélidas manhãs, tórrido anseio. Desejos incontidos, sem receio, Um corpo saciado, outro feliz.
Vontade de voar mesmo em céu gris Percorro delirante cada seio, Descubro outras paragens, singro o veio, Qual fora eternamente um aprendiz...
Mas nada; nem a sombra do passado, Apenas o vazio em minha cama, A morte sorrateira, vem e chama,
Deitando sorridente aqui do lado. E quando imaginava outra saída Escorre em minhas mãos, a frágil vida...
021
Quando à noite, nos campos, olho o céu; A beleza espalhada no universo, Deus, Poeta, traduz seu maior verso Nesses caminhos lácteos, um véu...
Pintor, numa só cor, num só pincel, Nos tons mais belos, raros, diversos; Num sopro, com matizes mil, dispersos Pela imensidão, qual um menestrel,
Apaixonado pela natureza, Sua obra prima, filha natural. Num momento de lúcida beleza,
Nos deixou, estampada eternamente, A grandeza silente desse astral, Que faz sonhar, maravilhosa mente
022
Velhas tristezas pesam, lesam, marcam... Acaso o ocaso chega, nega, queima. A vida finge, esfinge, tanto teima... Nos meus remendos, quedam, me maltratam.
Jogo nas naus, e fingem que se embarcam, Forjam da seiva, velha guloseima, Qual velha brasa oculta que requeima, Nos meus salões, funéreas, se engravatam;
Valsam soltas, sacrílegas, canalhas... Revolvem meus saraus, velhas mortalhas... Noctívagas tempestas, vendavais...
Velhas tristezas, cúmplices mordazes, Fingem adormecidas, são audazes; No banquete da vida comensais!
023
Minha barca seguindo essas correntes Que levam os naufrágios ao meu peito; Que fazem do que fora contrafeito, E do nunca, talvez, impertinentes
Barcas, náufrago, afagos e serpentes. Mares, marés, luares... Meu defeito Maior sentir teu bafo arfando. O jeito É vagar por quaisquer vãos penitentes...
Vastos mastros, as altas ondas, ritos... Ledos medos, segredos, odes, mitos... Minha barca navega sem ter termo...
Meus destinos, meu mundo vai, na barca... Quem me dera fugir, mas cruel Parca, A minha barca, a vida um caminho ermo..
024
No teu sorriso, amada, claridade... Na tua boca, anseio por delícias, Nas estrelas procuro santidade Da qual, teus passos foram as primícias...
Se quero a mansidão, sinceridade, Buscando, no teu corpo por brandícias; Quem dera conceber felicidade, Na magia que encanta.. .Mil sevícias...
Teus belos olhos, rumos a seguir... Não me permitam nunca mais, perder Nem sequer um segundo... Estou aqui,
Anseio pela estrada, meu caminho... Depois de tudo, quero poder ter, Do começo ao final, sempre meu ninho...
025
Amor morrendo, padecendo tanto, Deixa feliz no maltratar demais... Se metade gozando novo encanto, Outra, sofrendo, perde toda paz...
Satisfação consola todo pranto; As lágrimas rolando, nunca mais... Por outro lado, angústias no recanto, Saudades tão ferozes, vida traz...
Amor jamais falece, só renova... Corações procurando vida nova, O tom dado, canção desafinada...
Amor sacana rindo, faz sofrer; Num desmaio fingido, vou morrer, Por certo, a dor transforma-se em piada...
026
Quero erguer os meus sonhos no teu céu, Fazer dos pensamentos meu neon, Cobrir espaços, levo todo som Que possa repetir e arrancar teu véu...
Caminhar tuas brasas, fogaréu, Perder todo sentido e todo tom, Roubar de tua boca o teu batom; De vidro? Era somente o teu anel...
Meu bem está guardado, não recuso, Sou recluso, limite mais confuso, Que divide, fronteiras invadidas...
Eu sei da tua história, mas não digo. Iludes, finges frágil, mas nem ligo; Desse perigo, gozam nossas vidas...
027
Meu reinado, fugindo entre meus dedos... Tantos sonhos, verdades virtuais. Lindas mulheres nuas, carnavais... A noite compartilha meus segredos!
Majestade, senhor de todos medos, Vitorioso em guerras e na paz. Loucos desejos, tudo sempre apraz, Dono dos mares, terras e penedos...
A noite traiçoeira fez miragem, Do que sempre pensei, simples imagem, Perdida no oceano, crueldade...
Acordo, meros sonhos. Pesadelo Que a vida envolve nesse seu novelo, Trazendo tão somente essa verdade... 028
Tarde dourada brasa que celeste, Queima feroz, ardendo minha musa; Devagar levantando sua blusa, Vou concebendo nova, leve, veste...
Morenas passam; belo gosto agreste Desafiam o olhar que o golpe acusa. Uma nuvem passando vai intrusa, O vento expulsa para o rumo leste.
Suas mãos passeando delicadas, Nessa tarde feliz as mãos marcadas Pela forte presença do Sol Deus,
Clareando por toda essa cidade. A vida refazendo suavidade, Carícias dos teus beijos que são meus..
029
Teus olhos, minha amada, meu caminho... Carícias dos meus sonhos mais profundos. Neles eu encontrei diversos mundos. Reconhecendo brilhos, sei teu ninho...
Tiraram dos meus dias triste espinho. Calaram na minh’alma foram fundo, Das emoções que trago num segundo, Nos teus olhos, decerto, teu carinho...
A lua mais ciumenta te procura; Sem teus olhos a noite fica escura. Por certo, quer roubar o teu luar...
Quando a escuridão tomou a Terra, O mundo entrou em triste e cruel guerra, Faltava simplesmente o teu olhar...
030
Disfarço tão somente a minha dor; Num canto delicado, forjo o riso. Meu mundo falsamente fiz conciso, Na verdade fui sempre um amador...
Gargalhei, zombei, pranteando amor... Nunca pedi sequer nenhum aviso, Vingativo o tormento foi preciso, Mas ironicamente sou ator...
As dores, vão tomando-me de assalto, Penetram carcomendo, mas num salto, Me vingo sorridente desse fato...
As mágoas construídas dia a dia, Repetem tal solene melodia. Espelhos não refletem meu retrato...
031
Contidas, minhas lágrimas não caem. Simplesmente se calam, abortadas; Mas caladas, profundamente traem Quem sempre quis conter as alvoradas...
De minha alma, servidas, sempre saem; Mas meus olhos contêm as rebeladas. Vez em quando, fingidas sim, atraem As dores que escondiam madrugadas.
Mesmo nas amarguras que retive, As lágrimas tocaiam, escondidas A força gigantesca sobrevive,
Ludibriando todo sofrimento; Minhas senzalas, nunca mais vertidas Num pranto que disfarço e ao menos tento...
032
Sentimentos vazios... vida traz. Amores e ódios passam num minuto. O coração sofrendo, mas é bruto, Logo depois, sereno se refaz...
Nunca irei tolamente, perder paz, Meus dias passarão, finjo astuto Para poder dormir. Com isso oculto Todas as minhas dores, pois jamais
Conseguiria enfim sobreviver... Mas francamente, tento não conter Lágrimas dos amores já perdidos;
É como carregar as cicatrizes Pensando que serão bem mais felizes Os dias que vierem, iludidos...
033
Mergulhada num lago sem saída Encontras as quimeras que me deste Nas roupas que vestiste a viva peste Que cultivavas numa torpe vida...
Não salvarei–te e deixo-te perdida, Afogada na mágoa que te veste, Sem nem sequer, rezar para que reste De teus sonhos, alguma sobrevida.
Nas águas podres, pestes e vorazes Predadores te beijam, mais audazes... Sugam teu sangue e matam lentamente...
Minha vingança tarda mas não falta, Apagar todas luzes da ribalta, Aplaudindo espetáculos, somente...
034
Muitas vezes vencendo meus tormentos Adormeço nos jardins dessa casa; Sem saber mergulhando numa brasa. Não permite esquecer dos velhos ventos,
As vagas vozes volvendo, vão lentos Todos os totens, tolo tempo atrasa. Soube sentir, sem sonhos; só me embasa O jasmim nos jardins dos sofrimentos...
Em mim nada assim, símio sinto o fim; E cravo meu agravo tudo enfim; Nos galhos da roseira. Sou espinhos...
Nas dálias risos, falhas fiz enredo, Desses lírios, delírios, sem segredo... Hibiscos, passarinhos... Cadê ninhos?
035
Teu riso que me trouxe primavera Também fez dessa vida um girassol, Iluminando tudo em arrebol Teu riso, sensação doce de espera...
Tantas vezes girando numa esfera, Escutava-te rindo, eras o sol... Seguia teu sorriso, meu farol. Deixava tão distante vil quimera...
Acalentando as dores tão mordazes, Tornando mais felizes e vorazes Todas as manhãs; riso/claridade...
Quando a noite cai, triste e maculosa, A vida se perdendo em mim... Gostosa Risada, vem trazer felicidade...
036
Que trazes de surpresa para mim? Carinho, balas, tiros, emboscada? Exatas incertezas dizem nada... Um tapa florescendo em teu jardim.
Mas os braços estendidos, um sim, Esperam no romper da madrugada. Ouvirei a palavra sossegada, Mansa e suave... Dura qual marfim...
Todas as minhas dúvidas terminam, Nos meus medos, tragados pelas marchas, Dos meus pés que, faz tempo, se cansaram...
Essa tua resposta, novas achas Das lenhas que sustentam nossa vida, Ditarão novamente outra partida 037
Ilha deserta amor, nossos desejos, Trocados na silente paisagem... Sentindo nas carícias dessa aragem, Da bela natureza, mansos beijos...
Náufragos mais felizes, sem ter pejos, Nas delícias tragando essa visagem, Descobrindo em teu corpo, uma viagem Ao paraíso, aprendo tais manejos,
Que permitam saber novas canções... Nas algas, nas anêmonas, caçoes... Nos cavalos marinhos e gaivotas...
Nossa nudez, as conchas com que lotas Tuas mãos. Nessa areia, a maravilha De conseguirmos conquistar nossa ilha...
038
Nesses meus versos, tento te dizer, Da boca que não beijo e tanto quero... Celebro meu desejo, mordaz, fero. Em tal fogueira, sonho, enfim, m’arder...
Porém, ao mesmo tempo, sem querer, Por temer teu silêncio, nada espero. Então me silencio. Nada gero Somente esses meus versos posso ter...
Na mansidão volúpias atormentam, Minhas angústias mudas, só aumentam... Mas sou feliz fazendo esse poema...
Sonhar é doloroso, mas acalma, A vida transtornada cede calma, Embora a solidão seja meu tema...
039
Pelas noites sem sono, sem sentido, Pelos desejos que negaste, rindo... Pela boca mordaz, me destruindo, Simples fato: jamais me deste ouvido...
Pelo que me fizeste, divertido Achar que nunca iria ver saindo De minha alma queixumes. Vou abrindo Meu peito, vagabundo e corroído!
Agradecendo a vida que negaste, Ilusão que, vencendo, enfim, mataste; Não deixando senão tanta tristeza...
Agradeço a carpida noite fria, Foste mestra, vencida a dor na orgia Criaste sem querer, a fortaleza...
040
A chuva lava essa tristeza, amor... No espelho d’água dos teus olhos brilham Tantas estrelas que; cadentes trilham Pelos espaços. Nos teus braços, flor...
Na confusão dos sentimentos dor E alegria que, juntas, maravilham... Sem ter teu corpo; medos compartilham Com todas as angústias, meu temor...
Nas águas mais profundas, abissais, Num deserto temível te perdi, Agora e sempre eu quero muito mais.
Quero essa trajetória sem sentido, a que, irremediável chega a ti no mar do grande amor, corpo estendido...
041 Mulheres, tantas tive, tão diversas... Negras, louras, mulatas e morenas. Todas as formas, gordas, magras, pequenas... Muitas ganhei, perdi, simples conversas.
Brasileiras, latinas, russas, persas. Mulheres não faltaram. Açucenas No meu jardim plantei, colhi apenas As lágrimas terríveis e dispersas.
Desses amores falsos, nada resta, Nem me permitirei falar de festa, Pois sei desses amores, tudo em vão!
Mulheres, sem pensar, tantas troquei... somente, na verdade, eu nunca achei a que tocasse fundo o coração. 042
Nas manhãs és o sol que me ilumina Um sorriso belo de menina
Jardim de encanto a desabrochar Primavera, meu mundo a enfeitar Nas noites és estrela pra mim a brilhar Luares encantados que não canso de mirar Ja não posso conter meu riso Nesse mar de sonho e paraíso
Giana Guterres
Tu és o sol imenso que me banha No claro amanhecer das esperanças, Surgindo imenso atrás de uma montanha Anunciando um tempo de mudanças.
O vento que o cabelo longo assanha, As horas mais tranqüilas e mais mansas, A vida sem te ter segue tacanha, Douras com tua luz minhas lembranças...
Pudesse te encontrar e ser feliz Andar por teus caminhos estelares Estar contigo em todos os lugares.
A vida então teria outro matiz... Porém a tua ausência, este vazio... E o dia recomeça, escuro e frio...
043
Nas tais penumbras de minh’alma eu vejo Os olhos pálidos da minha dor. Nas fímbrias prendes solidão; desejo Então fugir, quero escapar. Apor
As mãos cansadas e sentir o beijo Mais carinhoso ser teu beija-flor... Fazer assim do amor, mais belo arpejo. Nada quero sentir senão calor...
Quero todos segredos, confissões; Nada dizer, nem precisar, sermões Feitos dessa total cumplicidade...
Nossos carinhos, envolvendo a lua, Sofreguidão, te perceber tão nua... Transparências trazendo veleidade...
044
Pedir perdão por todos os pecados Seguindo o peito aberto, destemido. Jamais poder pensar estar vencido Os sonhos muitas vezes destroçados.
Restando tão somente os velhos fados, A noite se emoldura num gemido, E tudo o que quisera, está perdido, Abraço-me ao Senhor dos desgraçados.
E quase posso crer em salvação Embora a cada abismo um novo aviso, Irônico, sem nexo, o meu sorriso
Traduz o que pensara solução. Matar os meus enganos, ser fiel, Afasto-me das redes do teu Céu.
045
- Pudesse ser amado Ah, como te quero ... Esta ânsia de me entregar e ser amada por ti ... (ivi)
Pudesse ser amado e me entregar Aos sonhos mais sublimes e perfeitos A vida passaria devagar Eterna claridade em nossos leitos
Pudesse ser amado e divagar Sorrisos e alegrias meus direitos Minha alma eternamente num cantar E os dias de esperança em paz, refeitos
Talvez felicidade fosse além Do simples aguardar por este alguém Quem um dia já se foi pra nunca mais.
Minha viola canta esta esperança Minha alma; etéreas sendas vai e alcança Estrelas se acumulam nos bornais...
046
E a noite vem chegando, e com ele, teu Amor, que me aquece o coração ... (ivi)
A noite se aproxima e traz saudades De um tempo que se foi pra nunca mais. Os dias vão passando tão iguais, Aonde encontrarei felicidades
Vagando por mil ruas e cidades, Saveiros da esperança perdem cais; Invés de liberdade; vejo grades Notícias repetidas nos jornais.
Aonde se escondeu a estrela guia Que tanto procurei e não voltou, A noite se aproxima, amarga e fria,
Vontade de morrer... sangra meu peito. Do tudo que ontem fomos só restou O que fora ontem ninho, hoje desfeito...
047
Em teu jardim quero ser bela flor Afagada por teus beijos, beija-flor Néctar tão doce, nosso amor Te presentear com puro encanto Acordando nas manhãs em canto E mostrar-te que te amo tanto E na doçura desse sentimento Te levo comigo em pensamento E já não há mais dor e sofrimento
GIANA GUTERRES
Qual fora flor mais bela do jardim Encantas o teu pobre colibri, Vivendo todo o amor que existe em mim, Eu chego, num instante, estou aqui.
Esqueço das charnecas de onde vim, Encontro tudo aquilo que pedi Ao anjo protetor, meu querubim; E estou maravilhado frente a ti.
Estás em cada verso que componho, Tu és realidade feita em sonho, A doce primavera que sonhei,.
Viver sem teu amor? Já não consigo, Te quero como amante e como amigo, No reino da esperança hoje sou rei...
048
Nas noites frias quando, enfim, não tenho O calor de teus braços me acolhendo, A tristeza invadindo tudo, fecho o cenho, Pouco a pouco, perdido vou morrendo.
Mal acredito, nada resta. Venho, Em caminhos tortos me perdendo... Nessa procura, no vazio embrenho; Não consigo saber nenhum adendo...
Te quis, decerto essa certeza foge Não me deixou, sequer, sentir o alforje Que pesava atroz me machucando os ombros...
Não sei mais repartir sequer o peso, Só me resta encolher quem fora teso; E recolher meus restos dos escombros...
049
Solidão, fúnebre maltrata tanto... Não deixa pedra sobre pedra em mim, Cruel fantasma és um sinal de espanto que me persegue, feroz, destrata assim,
Causando o medo, recebendo o sim Como prenúncio do não, nunca canto, Meu principal sonho seria, enfim; Poder voar livre, tirar seu manto...
A solidão, feroz arma, corta. Sabre Pairando sobre meus sentidos, mata... Nem sequer sabe que tal chaga s’abre...
Nos meus delírios, solidão, matando, Marcando todos meus momentos. Ando Nessa procura, insanamente ingrata...
050
Não saberei falar teu nome. Quem? Nem quererei mais conhecer teus dias... As noites passam, passa o dia sem Que pelo menos venha alguém. Serias
Por um acaso, simplesmente o bem? Minhas canções irão caber teus guias? Da minha casa no meu quarto vem A voz cansada a perguntar, virias?
Respondes nada e teu silêncio fala Da dor, distante que no peito cala... Minha voz muda, silencia e some...
És a distância mais cruel que tive... Amor calado em teu semblante vive. Quem souber diga, por favor, teu nome
051
Nesse cigarro tantas dores calo... Cada tragada viva dor renasce, Não consegui, nem ofereço a face. Nas cusparadas da má sorte, falo
Nas entrelinhas, vou seguindo ao ralo Onde vomitas. Quem souber que trace O próprio trilho. Mas que faço? Embace Minha visão, nessa fumaça, embalo...
Quero sorver cada segundo, cada... Quero sentir, mas não me resta nada... Por isso, fumo; nos cigarros, vida.
Deixai então, eu conhecer amor, Deixai o brilho vir, nascer, Senhor! Quero somente essa manhã, perdida...
052
Quem fora segue seu caminho, louco... Meu movimento vai seguir meu canto. Não poderei mais, nem mais quero...Encanto Que vem, num grito, me deixando rouco...
Vida perturba, solidão, sufoco, Nada mais triste que secar teu pranto... Meus olhos miram nos teus olhos, tanto Que me corrói, assim, matando um pouco
Do que restara de meus dias Carla. Quando te vejo, andando pela sala Tua nudez transformando tudo...
Tua beleza vai vagando a esmo. Nesse reflexo procurar eu mesmo A cada passo, mas não falo, mudo...
053
Quando perdi, eu nem pensava mais, Nem saberia mais lutar, imbecil... O coração, num batimento vil, Não poderia conhecer a paz...
Afago cada sentimento; traz Uma saudade convertida em mil, Em todas cores, renovando abril. Bem quis saber, mas eu serei mordaz...
Quero a mordida, tua boca, dentes... Minha verdade, conceber vertentes Por onde nada me transporta, lento.
Quem sabe, tenho esse calor oculto, Qual um vulcão. Esquecerei teu vulto, Terei quem sabe, liberdade, vento...
054
Nada mais poderá calar a voz, Meu grito em liberdade rasga o vento. Não terei mais nenhum pensamento; No meu mundo vivendo essa feroz
Sensação libertária. Num atroz Desejo de vencer todo tormento, Da sensatez? Vivo esquecimento. A vida me trará; virá veloz!
Manhã renascerá nessa cidade, Nesse país, no mundo, no universo... Cantarei e eu só tenho esse meu verso!
Minha voz, esperança tão felina, No novo mundo tudo descortina, Enfim poder cantar a liberdade!
055
Na minha escrivaninha conto farsa; Parece que me entrego de repente... No fundo nada disso tem patente, A vida continua mais esparsa...
Quem não tem amizade só comparsa. A claridade estraga um ser demente, Não quero mais verter dizer quem mente; Mulheres com leveza, tal qual garça.
Minha idade negando meu fantasma, Roncando sibilando morre pasma, A vida não se ilude com promessas...
Nesse redemoinho me afogando, Criteriosamente suportando; A dor que tu bem sabes não confessas...
056
Tenho a farsa comigo, companheira; Me permite fingir o que não sinto, Muitas vezes sorrindo, tanto minto. Num teatro fingi que é verdadeira
Felicidade falsa escarradeira Dessas cores vulgares onde tinto As mentiras sutis. Quando no absinto Me embriago, surgindo a fera inteira
Ocultada num último soneto. Sou servil, mas simpático cometo Essas atrocidades que te escondo...
Num secreto desejo lacerar Ponto por ponto, nada mais deixar A não ser teu cadáver, decompondo...
057
*O Vento* O vento que soprou distante Chegou numa languidez suave Trazendo na vertente avante Mordaz saudade em conclave
As notas trepidaram ausentes Nenhum clarão servil embalde Para regar a terra em presentes Da palavra que voou na tarde
Entrei sem permissão na casa Silêncio e solidão rosnaram/ Só o perfume e palavra rara
Sentei na almofada vi a mão ]Que dedilhava em contramão Canções suaves que encantaram
sogueira
São simples aparências, nada mais, A voz que sussurrante me chamava, A ausência de teus olhos sensuais O frio toma a casa, afasta a lava.
O vento me responde: nunca mais, Silêncio corta a noite, quem amava Agora tão distante diz jamais. O velho coração, a firme trava.
Vagando pela sala, sem respostas, As velhas esperanças decompostas Expostas ilusões férrea saudade.
No quanto fui feliz e não podia, A noite se prepara e mata o dia, Aonde encontrarei felicidade?
058
Companheira, pretendo teu regaço, Pra que a noite não faça mais surpresas; Vida posta, banquete nessas mesas, Onde o que mais me importa, é um pedaço
De tua boca presa no meu laço. Não quero convergir as correntezas, Nem tento corrigir minhas surpresas; Apenas lutarei por teu abraço...
Converto minhas lágrimas em canto, Precipito teu jogo num encanto; Bem sei que nunca pensas em ser minha...
Vencido não suporto mais derrotas, Meu peito naufragando essas ilhotas, Onde te percebi, assim, sozinha...
059
Quaresma, primavera, tudo muda... Retrato amarelado sempre ri, Emoldurando tanta dor senti Que nada mais terei sequer ajuda!
Minha alma em tanta lágrima se açuda. Sem resutados. Sorte já perdi, Desde o maldito instante que nasci. Olhando criatura tão miúda,
Um anjo desses tortos,sem amém. Antes isso, prefiro ser ninguém Desde menino soube essa verdade.
Vou rastejando pelos guetos, cobra; Comendo o que não serve nem pra sobra, Só do útero terei, então, saudade...
060
Eu vi teu nome exposto na manchete. Procurei encontrar um resto teu, Um resquício qualquer, tudo morreu! Muitas vezes, pensei, onde anda Bete?
Nas ruas, caminhando, téte e téte, Com quem, eu sei, jamais te conheceu, Buscava em cada rosto; um resto teu... Agora, simplesmente, isso repete
A mesma sensação: total vazio! Novas manchetes tolo, prenuncio; No obituário eu sinto, vais estar.
Quem fora a sensação de viva luz, Num nada, simples nada, se reduz. Tanto tempo perdido a procurar!
061
Quem dera se eu pudesse ter comigo Teu corpo tanta vez imaginado, As sombras do que fomos; no passado Mal servem de consolo, falso abrigo.
Romper este cordão, antigo umbigo Ao qual meu pensamento anda ligado, Um novo amanhecer anunciado. Eu luto, o tempo todo e não consigo.
E te procuro insone, toda noite Saudade vai cortando, frio açoite E nada do que fomos: solidão...
Pudera liberdade, quem me dera! Porém somente o vago inda me espera E a vida me responde sempre não...
062
Ah, como te quero ... Esta ânsia de me entregar e ser amada por ti ... (ivi)
Amar e ser amado... Ledo engano. A vida nos prepara esta armadilha. Viver na solidão de uma amarga ilha O amor é quase sempre vago e insano.
Aos poucos abaixando o negro pano, A peça terminando; o fim da trilha... Triste ilusão fere enquanto humilha O coração espera; pois humano...
Ansioso escuto este chamado Que atravessando a noite se revela, É o vento assoviando na janela
E o tempo de sonhar? Abandonado. Queria ser feliz... mas, desencanto... A morte me aquecendo. Negro manto...
063
Amor que; sem juízo bate à porta, Transforma enquanto fere e nos adula, Por ele, nesta vida nada importa, Remédio que maltrata e vem sem bula.
Loucura que nos toma e nos adula, Penetrante delírio que nos corta Insaciável trama; intensa gula, Insana fantasia que se aborta
E faz de todo ser um tresloucado. Refém de cada sonho do passado Forjando da esperança; porto inseguro,
Esgarça as ilusões e nos transforma, Amor desconhecendo regra e norma, Caminho destemido em céu escuro....
064
Há tanto que procuro e nada vejo Senão a mesma sombra do passado, O amor que não passara de um desejo, Agora na gaveta, amarelado.
O quanto do vazio que prevejo Vivendo o que me resta do teu lado, Não tendo mais sequer orgulho ou pejo, Sou velho paletó, amarrotado...
As traças devorando cada fio E o vento cada vez mais forte e frio, A morte toma forma e pouco a pouco
O que restou de nós? Nem mesmo sei. A vida vai cumprindo a sua lei, Só resta este lamento, amargo e louco...
065
Restando muito pouco do que fomos Não posso sonegar quanto sofri, O quanto de esperança havia em ti, A vida não escreve novos tomos.
O amor que repartimos, parcos gomos, O tempo de sonhar, eu esqueci, Sangrando cada verso, estou aqui, Jamais me esquecerei do que não somos.
Errei ao te querer além da conta, O verso que hoje faço desaponta E mostra este vazio tão somente.
Morremos muito aquém do cais, do porto, O velho sentimento agora morto Aborta o que julgamos ser semente...
066
À sombra do passado, antigos galhos Deste arvoredo velho e decomposto, O coração nostálgico ainda exposto Das esperanças fiz meus agasalhos;
A vida vai rolando em seus cascalhos, Perdendo as ilusões, amargo gosto, A solidão servindo como encosto As dores, meus fiéis penduricalhos.
Ao som de uma guitarra dissonante, A morte se aproxima a cada instante, Alegria é soturna fantasia
Perdido entre os diversos descaminhos, Fazendo dos penhascos doces ninhos, O fim se aproximando dia a dia.
067
Faminto; procurei por sombras várias Deixadas nos recantos e sarjetas, As velhas alegrias temporárias Amores não passaram de cometas.
Por mais que parecessem necessárias Marcando as ilusões frágeis tarjetas As mãos apodrecidas, solitárias Os sonhos não passaram de muletas.
Agora que o final já se aproxima, Ainda busco em vão alguma estima, Vagando entre os esgotos da cidade.
Qual verme que se expõe à luz do dia, O desencanto toma a poesia Deixando como herança a insanidade...
068
Mal pude responder aos teus poemas, O tempo não deixou sequer pegadas. Muitas vezes fugi de velhos temas As manhãs repetiam madrugadas...
Hormônios precedendo piracemas, As hóstias da paixão, envenenadas Amores não passaram de problemas, As tramas entre estradas malfadadas.
Mal pude perceber quanto te quis, Talvez pudesse ainda ser feliz, Mas era tarde. Falsa pedraria.
Quem sabe noutro tempo, noutra vida. A mocidade preparando a despedida Minha alma sem saber envelhecia.
069
Pudesse ser ao menos, poesia. Vencendo os meus temores. Timidez. O amor quando demais tanto se fez Morrendo de saudades. Fantasia.
Pudesse ser a voz que o vento urdia Negar a minha própria estupidez, Quem sabe enfim amor tivesse vez, Porém eu nada disso merecia.
Pudesse finalmente ter alguém, Que apascentasse o fútil coração. E quando a solidão, de novo vem
Escuto o badalar do velho sino, Dobrando novamente tosco e vão, Chamando à realidade, ao desatino...
070
Não vejo outra saída, nem tampouco Desejo outro caminho que não este. A dor que calmamente me reveste O canto de ilusão ficando rouco.
O quanto tu me deste era tão pouco, A solidão servindo como veste Não tendo mais um sonho que me ateste, O que me resta então? Meu canto louco.
E o quase crer que existe a liberdade, Morrer sem conceber felicidade Ir caminhando ao léu, sem rumo e prumo.
Tentando pelo menos disfarçar, Se a vida se esvaindo devagar Bebi da fantasia todo o sumo...
071
Nostálgico, procuro pelas ruas As Marcas do que fomos no passado, Estrelas envolvidas por mil luas, O velho coração enamorado.
Enquanto as fantasias eram tuas, O canto sob o céu enluarado Distante dos meus olhos continuas Procuro e nada vejo aqui do lado...
Seríamos dois pobres sonhadores, Aguando com as lágrimas as flores Que há tempos já murcharam. Nada resta
Apenas o luar enfumaçado, E o verso sem sentido; embolorado, E a serenata soa, vã, funesta...
072
Solidão a invadir este coração, tão carente de ti ... (ivi)
A sensação perene do vazio, Aos poucos minha pele se soltando, O vento que julgara, outrora brando, Queimando lentamente, triste e frio.
O velho coração que fantasio Mergulha no oceano e desabando, Lentamente abandona o tosco bando Atravessando a vida, vai vadio.
Queria muitas vezes ser feliz, O céu das esperanças morre gris, Atriz/felicidade aonde estás?
Minha carcaça, podre e sem remédio, O dia passa lento, amargo tédio Minha alma sem descanso, busca a paz...
073
Qual fora um louva-deus que, suicida Abraça num delírio sua amada, Sacrificando assim a própria vida Sabendo que ao final, restará nada;
Mergulho nos teus braços. Despedida Pelo desejo inútil demarcada Assim foi, na verdade toda a lida Em nome deste amor, sacrificada.
Servindo de repasto aos teus anseios, Mergulhando o meu rosto nos teus seios Aguardo pelo bote ensandecido.
De que me valeria a vida inteira Não fosse ter em ti a companheira; Destino, desta forma a ser cumprido...
074
Em nome deste amor que nos maltrata E enquanto me entorpece; me atormenta, Por mais que a poesia seja ingrata A noite em mil prazeres, violenta.
A vida sem te ter escorre lenta, O fogo do desejo me arrebata Depois quando a poeira cessa, assenta, Percebo as cicatrizes da chibata
Que lanha minhas costas, fúria imensa, Mas sei quanto é divina a recompensa Que tenho entre os teus braços delicados.
Sentir o teu perfume, ser teu par, O lume da paixão a nos tocar Momentos sem igual, iluminados...
sobre poema de Laura Carolina
075
*Regresso*
O vento fino soprando suave Adentrou cauteloso e mudo Com cheiro de vôo de nave Regressou em novo mundo
A porta fechada sem a trave A janela com claridade vida Sorriram quebraram o lacre Estavam estáticas na partida
O sono não apagou a paisagem Mesmo com tinta descolorida Fica penumbra na embalagem Como sonâmbula desprotegida
No meu cais ancorado o barco Feliz retorno querido Marcos
sogueira
Após as tempestades e as procelas Que tanto soçobraram meu saveiro, Agora me percebo por inteiro, Abrindo o coração, expondo as velas.
Pintando com meus sonhos novas telas, Entrego o meu cantar, meu companheiro, E tendo o teu soneto por parceiro, Encanto sem igual que me revelas
Eu posso novamente mergulhar Sem medo dos naufrágios vida afora, Minha alma, bem tu sabes que te adora
E encontra novas forças pra lutar. Perdoe pelos erros do passado, Permita que eu te tenha lado a lado..
076
O tempo se passou, a vida é dura Choram Marias e Clarices, ainda! Democracia? Se o mal não finda Que diferença faz, da Ditadura?
Regime disfarçado e a Dita Dura A nos ferrar e nós sorrindo. Herança maldita; nosso Senado! De resto, um Presidente com ferradura.
Pior, é que essa dor assim pungente Que maltrata tanto e tanto a gente, Veste de luto as nossas esperanças.
O que será, meu Deus, dessas crianças Do meu Brasil tão rico, abastado, Se por tantos ladrões surrupiado?
Josérobertopalácio
Os olhos do planeta vagam tontos Buscando algum remédio, mas não há Alguns que são vendidos quase prontos Nem mesmo o mais vadio tomará.
Diabos disfarçados, santos tolos Macabras criaturas vasos ocos A nitroglicerina enchendo bolos Das árvores não sobram sequer tocos.
Pecado é não saber ser tão esperto, Vencidos nossos prazos, podridão. A morte vem rondando, anda por perto, O porto dos meus sonhos, solidão.
E agora o que fazer senão tragar O gole que decerto irá matar...
077 \"NOSSO AMOR NÃO DEU CERTO, GARGALHADAS E LÁGRIMAS...\" (CAZUZA
Vou só e pela rua da amargura. Gargalhas nosso amor que não deu certo! Eras inseticida e inseto, Falseavas sempre. / Caricatura
Iludido eu beijava. Triste agrura! Descobri a frieza de um concreto E vou feliz por não ter perto, Este quadro que, pintou tua figura.
Canto feliz porque fugi da raia, Que tudo saia qual som de Tim Maia! Me siga, mas do outro lado da rua.
Não perca teu caminho e direção E por favor, não tente a contra mão. Adeus, eis a verdade nua e crua.
Josérobertopalácio Amor é Malazarte, disso eu sei Faz tantas e prepara uma cilada, Depois quando se vai não deixa nada Mentir, falsificar, é sua lei.
O céu que quis mais claro se fez grei, A tempestade foi simples lufada, E quando reparei, triste mancada, Era bufão enquanto quis ser rei.
Rasgando a fantasia, vejo a face Da tola garatuja que se ri. Reparo neste olhar, chegando a ti.
Não posso resolver mais este impasse. Melhor é ser feliz e solitário Ou ter a caradura de um otário? 078
\"NÃO DA MAIS PRA SEGURAR, EXPLODE CORAÇÃO\" (GONZAGUINHA)
Meu coração bombeia poesia É um manancial de emoções É fábrica de sonhos, ilusões Também se desmantela em agonia.
Sem distinguir marasmo / simpatia, Adora encrencar com corações Já nem sei quando tem boas intenções, Mas inda é minha melhor companhia.
E nas diversidades dos amores Sorri, canta, também tem dores, Que acato e desacato; confusão
Que aprendi a conviver e então: Se coração de poeta não tem jeito, Que não apronte demais dentro do peito.
Josérobertopalácio
Além do que podia imaginar O tolo coração de um velho ignaro, O amor fazendo estrago; pagou caro, E a vida; fui sentindo se escoar.
Navego sem destino por teu mar, Não resta nem mais bússola nem faro, E quando procurava por amparo, Eu pude perceber meu naufragar.
Amar; amara marca inconsistente Por mais que tolamente a gente tente É teia ou armadilha que se tece.
Querer felicidade na paixão Buscando refrigério num verão, Numa explosão divina que enlouquece...
079
Me responde, por favor, tu ainda gostas de mim ?? (ivi)
Jamais eu deixaria de querer Quem tanto desejei e não me quis. Do amor sendo um aluno, um aprendiz, Entregue sem defesa ao seu poder.
De tudo o que me resta, podes crer, Colecionando cada cicatriz Eu bebo todo gole e peço bis, Não posso e nem pretendo te perder.
Seria tão somente um vão cometa Que vaga sem destino céu afora, A vida em tua vida se completa
E tudo o que mais quero é ter comigo Esta alma que minha alma quer e adora, Vivendo o que me resta, aqui, contigo.
080
\"SENTADO NA CALÇADA DE CANUDO E CANEQUINHA\"
Na calçada / canudo e canequinha, Eu dava forma ao meu mundo de ilusão Te vendo refletida na bolinha Igual cristal, mas / ploft / era sabão.
Adolescente, (sonhador, folião), Tempo em que a ilusão, o peito aninha. Menino sonhador! Ao coração Tanto fazia, amanhecer ou à tardinha!
O tempo parecia dar guarida À juventude que, em beleza envolvida, Vivia a cada dia uma emoção.
O tempo se passou, ou trem ligeiro! Entre tantos, sou mais um passageiro Que se prepara, pra descer na estação.
Josérobertopalácio
A juventude foge entre meus dedos, Abandonado barco que se vai. Não posso mais saber dos seus segredos, O pano desta vida, manso, cai.
O quando ser feliz, velhos degredos, Sorriso do passado, vejo o pai Que aplacava sereno, tantos medos, O tempo num momento, assim se esvai.
Agora o que me resta é tão somente O túmulo dos sonhos, onde jaz O quanto que busquei, não fui capaz,
E o fim que a cada dia se pressente Fechando os olhos tristes de um poeta Numa viagem trágica e incompleta...
081
\\\"FEITO AQUELA GENTE HONESTA BOA E COMOVIDA\\\" (BELCHIOR)
Interessa para Lula, o indigente. Que dele venha o voto, somente e só. Esqueceu-se que saiu do cafundó, Pra hoje ter Sarney seu dirigente.
“Gente honesta boa e comovida”! Com Bolsa Família “vencer na vida”? Ludibriam o sertanejo. Ilusão!
Acorda Nordestino, ainda é tempo! Ou segura mais um pouco o sofrimento E usa a foice no dia da eleição.
Josérobertopalácio
Inda sonho...
\\\"Feito aquela gente honesta, comovida\\\" Inda crente na promessa do vilão Que segue a sina explorado em sua lida E são donos da estima do patrão...
Feito aquela gente honesta, sem ciência Dos escusos mandatários, inda sonho Ver meu povo levantar tomar tenência E mudar desse futuro o olhar bisonho...
\\\"Feito um povo que acredita na justiça\\\" Acordassem da desdita essa mortiça Proclamassem sem demora a exigência
De direito, cidadãos de consciência Com certeza, sem demora e de virada Mandaria par´os quintos tal cambada!
AnaMariaGazzaneo ( A MAGA)
Perdoe, meus queridos companheiros, O velho coração de um socialista, Em meio à podridão destes chiqueiros Ainda sou deveras, um lulista.
Congressos e senados são puteiros O brasileiro, eu sei, é bom artista Larápios conhecidos, costumeiros,
Enorme e sem final, a longa lista...
Mas creio que o país anda melhor, Ao menos para os pobres desvalidos, A velha ladainha sei de cor,
Porém a fome está mais aplacada, Mesmo que escute ainda estes gemidos Da raça brasileira, injustiçada...
082
\\\"ARRANCA AS ETIQUETAS, RASGA O PREÇO\\\" (CARLOS COLLA)
“Arranca as etiquetas, rasga o preço” Faz tempo que esse amor não tem valor; De que vale “Te Amo” em tanta dor? Tua paixão cansou deste endereço?
Por que afoga em magoas meu apreço? Pra te beijar, te dar carinho, aqui estou, Mas me desprezas, pisoteias o amor. Queres partir, vai, vai que eu não te impeço.
Mas se quiseres vem pra me fazer feliz! Outras vezes já estivemos por um triz; Então, estarei sempre a tua espera.
Igual ao mundo, nosso amor é uma esfera E gira, gira, e sempre passa por aqui. Te esperarei, em meio a noites, sem dormir.
Josérobertopalácio
Não quero mais saber do amor sem graça, Sem fogo e sem loucura, simplesmente... Apenas que me aplaque ou me contente Eu quero bem mais fogo que fumaça...
O tempo não há dúvidas, que passa, E o quase não se torna totalmente, Felicidade agora, isto é urgente, Eu quero ser de ti, a presa e a caça.
Rasgando os velhos tolos preconceitos, Pudores são sutis velhacarias, Fazendo dos sofás, camas e leitos,
Deleite entre as estrelas e o luar. As noites que desejo; são vadias, Sem nada que nos possa controlar...
083
\"DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE\"
“Não tem visão? Bate a cara contra o muro!” Desliga tua televisão para não ver, Arruma outra coisa pra te entreter E não mete a mão no bolso. Estás duro!
Um artifício; usa óculos escuro, Vê de banda a bandalheira acontecer, Elege Dilma, vai na onda do PT E aguarda ela te mandar tomar no furo.
Quem te viu Lula e agora te vê! Bolsa Família e Ibope, por cima, Enganando o sertanejo que se anima...
“Povo heróico? Um brado retumbante”? Tomando a cada dia no bufante, Acostumou-se a deixar acontecer.
Josérobertopalácio
Eu quero o amanhecer de um povo nobre Vestindo uma esperança avermelhada, Sem ter a fantasia que o recobre, A vida pela estrela iluminada.
O quando fui feliz já se descobre Na mão da multidão que esfomeada, Que um dia quis o pão que ainda sobre Da caridosa corja aburguesada.
Eu sei quanto é simplório o velho Lula, Porém se a humanidade toda o adula Até o megastar Barak Obama
Talvez seja porque simplicidade É o que mais necessita a sociedade, É a lenha que alimenta o fogo, a chama...
084
- FALEMOS DO AMOR \"QUERO QUE VOCÊ ME AQUEÇA NESTE INVERNO E QUE TUDO MAIS VÁ PRO INFERNO\" (ROBERTO E ERASMO)
Tem gente que quer ver nosso amor frito, Eu vejo fervilhando os burburinhos Vivamos nosso amor, nossos carinhos, Pois querem é bagunçar nosso coreto.
É tudo só inveja, eu pressinto, A vida nos ensinou todos os caminhos Pra lidar com amor e dor, sempre juntinhos, Nas horas de cantar, ou nas do grito.
Nos vale o Céu azul, mesmo sem o Sol brilhar Se sempre estamos a nos esperar Tornando a nossas vidas mais bonitas.
Que os dias e as noites sejam tantas, Com você me aquecendo neste inverno E que tudo mais vá pro inferno.
Josérobertopalácio
Falemos; pois do amor, meu companheiro, Usando cada verso como amparo, Mergulho no oceano, vou inteiro, E sei que ser feliz hoje é tão raro.
Das cores mais diversas do tinteiro Preparo este cenário, sigo o faro, E quando o sentimento é verdadeiro Das dores e temores, eu me saro.
Sanando os velhos males do passado, Andando com estrelas ao meu lado, Enchendo meu bornal de fantasia.
Matando a minha sede em cada verso, Vagando sem ter rumo no universo, Fazendo deste sonho poesia....
085
\"EU NÃO SOU CACHORRO NÃO\" (WALDICK SORIANO)
Me tratas como se eu fosse um animal Já não suporto tanta humilhação Não penses que eu sou cachorro, não, Nem aos bichos a lei permite tanto mal.
Se gosto da malandragem, coisa e tal Tu devias compreender, oh Conceição! Tu te lembras muito bem, faz um tempão, Que deixei de lado a pinga, menos mal.
Não me jogue na rua minha nega. No carteado eu ganho pra manteiga E vamos escorregando cada dia.
Manera a raiva, mostra a simpatia Teu nego tá mudando devagar Um dia com fé em Deus, nós chega lá.
Josérobertopalácio
Tu foste o meu maior erro, decerto, Portanto te desejo mais que tudo, Andando sem ter rumo no deserto, O coração fraqueja, fico mudo.
E quando em outros cantos me transmudo, Inundo-me do vago, sigo incerto, Eu sei que na verdade, só me iludo, Mas quero-te sem medo, aqui por perto.
Verdugos de nós mesmos, riscos tantos, Cansado de viver tais desencantos Sabujo de teus passos, sou teu cão.
Mergulho sem defesas na loucura Do amor que maltratando, fere e cura Aborta semeando cada grão...
086
\"ASTRONAUTA DE MÁRMORE\"
40 anos! Astronauta não voltou! Lua saudosa! Noites apaixonadas, Desabaram as ilusões alimentadas É o fim das vozes no seu radinhôôô!
Desilusão que o homem alimentou. Só daqui a vinte anos, outra pernada Tantos ciclosda Lua, uma hibernada! Um martelo pra quebrar o gelôô!
Astronauta de Mármore aqui na terra. Triste a Lua a segurar nossa bandeira Traída por uma aventura em Marte.
E sofre a angustia do descarte Nos dando uma lição tão verdadeira Quem se entrega assim tão fácil; se ferra.
Josérobertopalácio
A lua se mostrando clara e cheia Dominando o cenário, nua e bela, O quanto de magia nos revela, Enquanto em poesia ela vadeia.
Por mais que a humanidade ainda creia, Eu vejo com certeza noutra tela Corcel de um sonhador atrela a sela E voa pela noite e se incendeia.
Um nauta quis fazer da velha dama, Apenas um satélite sem vida, Porém meu coração mantém a chama
Caminha pela lua de São Jorge, Se a multidão vagueia assim perdida, Eu trago o seu clarão em meu alforje...
087
\\\"MARINA, MORENA, MARINA ME FAÇA O FAVOR\\\"
Eu sei que eu pintei, mas foi o sete Bagunçando nosso amor bem mais da conta Em troca, o que você faz já não me espanta Mas tua beleza essa pintura, não reflete.
Marina, pra que tanto disparate Manera o ruge, esse batom, minha santa Enfeitada qual penteadeira de puta Tu vais pro guines antes que o galo cante.
E sei que tudo isso é por pirraça Depois que me encontraste naquela praça Num agarrado com a viúva do Alfredo.
Mas tudo já passou não tenha medo Não mais te pinta pra chamar minha atenção; É meu o teu e é teu o meu, (CORAÇÃO).
Josérobertopalácio
Amar Marina é mais que amar a vida É crer numa possível liberdade, Minha alma tantas vezes dolorida, Encontra o que sonhou: felicidade...
E quando a poesia chega e invade, A velha mocidade desvalida, Renova-se e transborda de saudade A chama que pensara adormecida...
Não pintes mais teu rosto, bela tez, O amor não mais permite a insensatez És pura e rara jóia, diamantina
No corpo de mulher mil maravilhas, Permita que eu percorra as raras trilhas Traçadas no teu rosto de menina.
088
Só desperta amor quem tem amor pra dar Não se compra ou vende no varejo Cantando nosso amor, até solfejo Mas gagaguejo quando tento te falar
Queque eu quequero te te amamar E tu tu me me negas o be beijo E e assimsim me mamatas de desejo Ma mas um didia vou te nanamorar.
A poesia, amor, aceita tudo O gago o falador e até o mudo... O verso é de quem tem verso pra dar!
Eu encho de amor a poesia Casando amor com dor em alegria. É nos versos que consigo me encontrar!
Josérobertopalácio
Não quero e nem consigo disfarçar O amor bagunça sempre o coração Às vezes digo sim, e penso não Chegando num segundo a gaguejar.
As coisas vão mudando de lugar, O mundo perde rumo e direção Não tendo nem querendo explicação Só quero nos teus braços me jogar...
Receba cada verso como abraço Estreite com firmeza cada laço Num louco descompasso, me perdi.
Se tudo o que mais quero é ter comigo, Mesmo que traduzindo desabrigo O gigantesco bem que vejo em ti.
089
O rico está chiando porque está tendo que dividir através do Leão Com os menos favorecidos um pedaço de pão Agora não é mais uma miragem o pobre de barriga cheia Só mesmo o Lula teve essa coragem E deixa o rico que esperneia
Rutinha
Há tempos que eu sonhava com justiça, Um raio de esperança no horizonte, Da Burguesia o cheiro de carniça Da multidão faminta, a velha fonte.
Eu sei quanto foi dura e amarga a liça; Mas vejo do castelo, o seu desmonte, Nos olhos rapineiros a cobiça, Nas nossas mãos agora erguida a ponte
Que possa nos trazer um novo dia, Aonde muito além de uma utopia O mundo não mais seja temerário.
Depois de tantos doutos do passado, Eu vejo o novo tempo anunciado Nos olhos, no sorriso do operário...
090
\"DETALHES TÃO PEQUENOS\" no soneto. “Não quero te falar meu grande amor” (Belchior) Das dores e dos dias tão distantes “Quase gritei nos mil alto falantes” (Raul Seixas) Eu vivia “a cem por hora meu amor” (Belchior)
Não suma mais, querida, por favor. Eu precisei até tomar calmantes. Meu coração pulsava em dissonantes Notas, regidas na saudade e na dor.
Te vejo agora aqui, tudo mudou! Então “receba as flores que te dou” (Agnaldo Timóteo) Olha!“Querida, mil vezes, querida” (Agnaldo Timóteo)
Minha “Deusa na terra nascida”. (Agnaldo Timóteo) “Eu vejo a vida melhor no futuro”, (Lulu Santos) Tendo ao meu lado teu amor, tão puro.
Josérobertopalácio
Saber de cada passo que tu deste Em busca da real felicidade, É ter no olhar a força da verdade, No mundo onde a paixão domina e investe.
A força imensurável de um cipreste O quadro desenhado agora invade E rompe sem pudores, qualquer grade, Sabendo da alegria que se ateste
No olhar enamorado de quem sonha, Por mais que a noite surja vã medonha, Erguendo este castelo fabuloso.
A rica fantasia que me cobre, É feita deste amor sobejo e nobre Cobrindo o corpo frágil e andrajoso...
091 “Braços abertos sobre a Guanabara” Ele assiste a tudo estarrecido “O Rio de Janeiro continua lindo” Mas a exclusão social se escancara.
Rio, teu março, aquele abraço, tua cara, O Cristo redentor, tudo assistindo, -O crime dando as cartas, progredindo- Fugindo-lhe das mãos o que planejara.
Rio de Janeiro, fevereiro, Carnaval A fome fantasia-se na passarela Desce o samba a falar pela favela.
Do alto assiste o Cristo a tanto mal Pastor, político, traficante... Orai por nós, Senhor, todo instante.
Josérobertopalácio
O Rio de Janeiro em luto chora A morte da esperança de seu povo, Pudesse refazer tudo de novo Decerto não seria este de agora.
Cadáveres nas ruas e favelas, Migalhas de esperança se esfacelam, Enquanto estas entranhas se revelam As manchas vão sujando raras telas.
Um dia, noutro tempo, quem me dera. Pudesse reviver a primavera De um povo tão fantástico e gentil.
Proteja; Redentor, esta cidade A pérola soberba que em verdade, Domina o belo céu do meu Brasil...
092
Cantiga de vida é tua presença constante ...
(ivi)
Estar contigo é crer num novo dia Diamantino brilho inesgotável, Eterna sensação festa e folia Na terna fantasia interminável.
O quanto sou feliz, o amor recria E faz do verso simples; palatável, Tomado por encanto e por magia, A fé num belo dia, inabalável.
Ser teu é ter certeza de outro tempo, Sem medo, sem temor ou contratempo Apenas de sorrisos revestido.
A luz de teu olhar tomando a cena, Promessa de alegria imensa e plena, O mundo num Oásis convertido...
093
TROCANDO DESAVENÇA POR ABRAÇO.
Tirando dos varais as velhas vestes Eu tento me vestir de esperança Pintando fantasias qual criança Sabendo que o pincel, tu não me destes.
Que a tela, um horizonte me empreste Apague a invernada, pinte bonança, Guerra só de amor, cupido e lança, Felicidade igual a chuva no nordeste.
E assim, no preto e branco, o colorido Viajando até o meu sexto sentido, Por mais que a esperança, rica fonte,
Do meu coração siga distante. Insisto e não destoo o meu compasso, Trocando desavença por abraço.
Josérobertopalácio
Amigo, não repare nesta casa De barro revestida e rebocada, A rua sem asfalto e sem calçada O trem, quando não falta sempre atrasa.
Porém tenha a certeza que serás Aqui bem recebido, pois a festa É tudo na verdade o que me resta; Reinando no meu lar, a imensa paz.
Eu tenho três meninos e a patroa, Mulher trabalhadeira e muito boa, Desta morada pobre; fonte e luz.
Terás o melhor vinho, eu te garanto, Daquele que nas bodas, por encanto Transformou com amor, Cristo Jesus...
094
PINTAR COM A LINGUA O CÉU DA TUA BOCA.
Pintar com a língua o céu da tua boca Deixando louca tua vontade de querer Só se entregar e o resto esquecer; O amor permite sensação tão louca.
Beber na fonte que teu prazer entoca Sugar tua seiva que me faz transcender O limite da sensação do prazer, Que se esparrama na ponta da minha broca,
Levando a seiva do amor à tua loca Que num êxtase, dá espuma em troca; Assim é o nosso amor colorido.
Nossas línguas dão nas cores os arremates Ao nosso amor, que desconhece disparates E segue a cada dia mais e mais unido.
Josérobertopalácio
Sentir tua presença em minha cama, Deixando-me levar pela loucura. Revendo e decorando toda trama, A noite feita insana em tal procura.
Delírios entre braços, o amor chama, Entregue aos teus caprichos, com doçura, Às vezes meretriz, perfeita dama, Momentos de prazer e de tortura.
E quando amanhecer; exijo o bis, Somente desta forma sou feliz, Um velho marinheiro sabe o cais.
Arfantes viajantes do infinito, O amor que nos vicia, raro rito Por mais que seja igual nunca é demais...
095
Se tu voltares, eu abro meus braços, pra te enlaçar ... (ivi)
Eu venho do sertão lá das Gerais Trazendo o coração de um violeiro, Não pude te esquecer nem quero mais, Amor quando sincero e verdadeiro
Transforma toda a vida, e se é demais, Tomando as minhas mãos, o timoneiro Encontra na esperança o abrigo e o cais, Assim é que te quero: por inteiro
Sentir o teu perfume; o teu respiro, Nos braços deste encanto eu já me atiro E bebo a poesia de teus lábios.
Os versos mais singelos e mais puros, Vencendo os corações terríveis, duros, Bem sabes são no fundo, versos sábios...
096
Ouvindo a velha música que fiz, Homenagem vadia a quem não ama; Esqueci que vivi sem tua chama, Mas falando a verdade, fui feliz.
E brincaste também, assim o quis; Cúmplices; eu sei, fomos dessa trama Rolávamos incautos, céu e grama Mas, quem dera, pudesse tentar bis.
Bisonhos tais desejos, mas sinceros. Ouvindo a melodia dessa valsas, Sentimentos tão falsos soam veros...
Fustigando, por certo, tal remendo Que usei pra disfarçar, nas minhas calças Dos meus sonhos. Sofrer me protegendo...
097
Nos varais da saudade, quarei Rita. Pendurei no cabide, minhas dores. Na tábua de passar, os meus amores; No concreto da vida, foste brita...
Nas mentiras do tempo, vento agita; Vem trazendo essas cinzas, seu odores, Desmatando o jardim, deixei as flores; Garimpeiro da sorte, nem pepita...
Desfraldando a bandeira do meu sonho, Procurando a rasteira que tomei; Esfolando o joelho, me envergonho.
Metade da metade da certeza, Não cabe nesse mundo onde fui rei. Meu amor, eu fiz voto de pobreza...
098
Aqui estou a invadir este teu abismo de silêncios e incertezas ... (ivi)
Perdoe-me este invólucro; é defesa Depois de tantas mágoas, hoje eu sei, Cansado de ser caça, simples presa No abismo de mim mesmo, mergulhei.
Por tanto que tentei e nada tive Esqueço de viver; fecho as porteiras. Quem tanto amou agora sobrevive Rasga das esperanças; as bandeiras...
Um dia fui feliz? Falsa impressão... Restando este vazio que sou eu A velha companheira: solidão, Meu mundo num instante se perdeu...
Perdoe se não posso mais sorrir, Chegou o meu momento de partir...
099
Amigo Fortuna bem maior do que dinheiro É cultivar, amigo, uma amizade! Lapidada dura MARCOS LOURES FILHO
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