
SONETOS FEITOS EM 31/07/2010
Data 31/07/2010 10:39:00 | Tópico: Sonetos
| 001
Que o horror quando o carregue purifique Esta alma desolada entre as demais E sendo desejados funerais A morte pelo menos já me explique O quanto cada passo modifique E tente dentre tantos outros mais, Erguendo o meu olhar entre os fatais Delírios onde nada mais complique O passo desairoso de quem sonha E sabe desta vida que enfadonha Repete os mesmos trâmites, porquanto A cada novo engodo nova queda, E ao fim qualquer saída já se veda Cobrindo as ilusões com turvo manto.
002
Minha alma a cada engodo se aproxima Do quanto mais de humano existe em mim, Até se decompor traçando o fim Negando qualquer forma vã de estima, O passo que somente assim se prima No errático delírio de onde vim E trame na verdade o quanto enfim Gerasse na tempesta que sublima O canto mais feliz quando se visse Além do corriqueiro e da mesmice Por vezes companheira ou aliada Depois de tantos erros, nada vejo Somente este terror por mais sobejo E dele no final, vislumbro o nada.
003
Os anjos deste Deus que tu criaste Humana criatura em tez voraz, No quanto tão somente satisfaz A furiosa senda em vão contraste, Roubando a cada passo alguma haste E nisto a solidão tanto compraz Enquanto na verdade se é capaz Do que na realidade não notaste. Espúrio passageiro do abandono, Enquanto deste encanto eu já me adono Presumo esta fatídica loucura Aonde dessedento a minha vida Na face decomposta e carcomida E nela encontrarei a paz e a cura.
004
Levando-me ao que vejo como espelho E tendo aproximado o meu retrato Apenas o meu eu bebo e resgato E nele com terror eu me aconselho, O quanto deste tempo agora engelho Trazendo uma aridez, ledo regato, Impávido eu termino e me desato Atravessando em mim um mar Vermelho, Escondo-me das feras que alimento, E quando exposto ao fim, vago tormento A insanidade doura cada passo, Aleatoriamente um sonhador Entranha nos anseios, medo e dor E a cada novo dia me desgraço.
005
Pai meu, que estás nos céus após as brumas E vês com Teu furor a face escusa Do ser que na verdade tanto abusa Enquanto tu derramas tais escumas, E logo noutra face tu já rumas Sabendo da seara mais confusa E nela com terror ousando abusa E bebes sanguinárias, vis espumas. Sedento de vingança, o ser humano Forjara em Ti o quanto em podridão Expõe a cada ausência e não verão Meus olhos o perdão que propalaste E assim num dia a dia mais atroz, Ninguém entenderia a Tua voz Ousando ter humana a base, esta haste.
006
O quanto inda sou teu e não mais queres E nisto meu delírio se consome, Ao perceber da glória ausência e fome, Os dias não terão sequer talheres Da sobeja iguaria entre as mulheres, Realidade aos poucos; vejo e some E o todo do final imagem tome Até que no não ser tanto interferes. E resolutamente sigo em frente Ousando acreditar noutro momento, Aonde se entregando ainda tento Um dia que deveras me contente, Resumo o meu delírio em novo fato E quando a velha cena; aqui resgato Futuro mai diverso ainda tente.
007
Ainda a perseguir cada pedaço Do quanto poderia e não mais vendo, O fato tão cruel, portanto horrendo Aonde me retrato e me desfaço, Condeno a caminhada em torpe passo E a queda a cada instante estou prevendo, Da parte que me cabe, sou remendo E neste espúrio mar, já nada atendo. Cansado de lutar contra a maré, O quanto ainda tenho e sigo até Vencer ou ser vencido, não me importa, Apenas resta em mim a solução De ver além da frágil amplidão A porta após a porta, após a porta...
008
Nalgum lugar sagrado ao pensamento O meu ego se presume em vento frio, E quanta vez eu teimo e desafio Embora me perceba desatento Porquanto navegar; deveras tento E sei que no final este ar sombrio Tomado pela angústia e desvario Audaciosamente em sofrimento. Restauro os meus caminhos, sigo aquém E vejo noutra face o que não tem Nem mesmo a imprevisão de um passo quando O tanto que pudera não mais creio, E o mundo se perdendo em devaneio Da vida pouco a pouco me afastando.
009
O quanto inda me quer a morte quando Desnuda a sua face amortalhada, Depois desta batalha resta o nada, E o mar que agora adentro é mais nefando, O manto desta forma desnudando, A fonte já tanto mesmo desolada, E o corte se anuncia e nega a estrada Meu rumo sem destino, destroçando Acasos entre erráticos sorrisos, Acumulara apenas prejuízos E a bala, a faca a adaga vejo aqui, Resumo minha história no vazio E quando qualquer sonho eu desafio, Eu sei que desde o início eu já perdi.
010
Tentando levantar-me enquanto ousado O cântico feroz de alguma sombra Deveras no tormento mais assombra E gera as velhas dores do passado, Por vezes imagino alguma luz E sei que na verdade pouco resta Senão a mesma face mais funesta Aonde o meu olhar se reproduz, Do pouco ou quase nada que inda tenho O medo de seguir não mais permite E o todo se perdendo em vão limite O quanto deste sonho mais ferrenho Num ermo sem sentido se perdendo Deixando este fantoche, agora horrendo.
011
O quanto se ergueria além do chão onde me vejo Perdido em tais rancores sem saída, A sorte muitas vezes sendo urdida Adentra o coração e neste ensejo Desenho dentro em mim; algum negrejo E bebo sem saber a despedida, O errático e medonho em despedida, Apenas o vazio enfim prevejo E sei do quanto pude e nada tenho Aonde o caminhar fora ferrenho Agora ensimesmado nada resta, Senão a mesma audácia em desventura E o quanto deste sonho inda perdura Não deixa da esperança qualquer fresta.
012
Quem é que ao despedir já não me vê E toma entre seus braços o destino Que um dia imaginara cristalino E agora se aproxima sem por que, O quanto aprenderia e não mais crê Uma alma aonde o medo determino, E quando meus resumos; examino Eximo-me da sorte onde se lê Desdita tão comum a quem mais sonha, A face dolorosa ou enfadonha Expressa o que talvez ainda tente, Vestindo esta inclemência aonde um dia Pudesse imaginar e não teria Sequer o que me faça mais contente.
013
Enquanto da impaciência a vida traça Ao esvair em sonhos cada engodo Mergulho no passado e sei do lodo Aonde o meu caminho toma a praça E o quanto se esvaindo em tal fumaça Persiste deste pouco ver o todo E quando nestes passos eu me enlodo Apenas solidão, meu canto grassa. Nefastos dias reinam desde quando O tempo noutro tanto se inundando Esgota o que inda fosse mais atroz, Resulto no que finda e tangencia Erguendo a minha mão com ironia Negando o quanto houvera ainda em nós.
014
A manhã rasga a tarde e molda além A mesma desventura e nisto sinto Apenas o que rege cada instinto E nisto o meu vazio me provém, O quanto em discordância a vida tem E trama outro cenário e quando minto O que julgara apenas vago e extinto Revela o meu caminho muito aquém. Queixar-me dos meus erros e tentar Ainda acreditar nalgum lugar Diverso deste aonde nada resta Senão a mesma face que enfadonha Permite a cada ausência o que se exponha Imagem tão confusa adentra a fresta.
015
No instante aonde escapo ou mesmo vejo Ardentes sensações ou iras fartas Enquanto na verdade tu descartas Esboças com ternura este azulejo, O dia se aproxima e benfazejo A sorte dita além das meras cartas Bem antes que talvez ao longe partas O tanto se aproxima de um lampejo, Esgoto uma esperança quando tento E vejo alheio a mim o sentimento E audaciosamente eu sinto a queda, Pagar com desconforto e despreparo O quanto do meu mundo ora deparo E nisto outra saída além se veda
016
Em frases que o terror esboça quando Expondo outra verdade não descerra O olhar que ora se entranha sobre a terra Na mesma e vã mirada desvendando Errôneos os ditames e sedando O prazo pouco a pouco enfim se encerra Aonde perfilasse paz e guerra Ainda dentro em mim sigo invernando. Quando ocasionalmente a vida traz Um risco mais audaz e impertinente E quanto tento além o nada sente E mostra a mesma face então mordaz, Rescaldos de momentos do passado, Vislumbro a multidão, sofrido gado.
017
Perdidos, se exaurindo a cada passo No quanto pude mesmo acreditar Na sorte desenhada em vão lugar Por vezes enfadonho ou mesmo baço, O tanto que inda resta e já não traço O manto bem mais claro de um luar Aonde pude mesmo mergulhar Seguindo cada dia neste espaço, Aprisionado verso desde então Aguarda a mais querida solução E nada se apresenta neste fato, Medonha face exposta num espelho, O quanto ainda tento e me aconselho Traduz este desejo e enfim resgato.
018
Mensageiros nefastos de outras eras Os pesadelos dizem desamores E sem que inda consiga além propores Os dias noutros tantos; degeneras E sigo sem saber de tais esperas E bebo a ingratidão em duras cores Errático demônio sobre as flores Matando as improváveis primaveras, Canteiros da esperança, meu jardim Que há tanto desconheço dentro em mim Crisântemos, verbenas, violetas E os sonhos são decerto de tal forma Aonde a própria vida nos deforma Diverge deste bem que inda prometas.
019
As duras e revoltas tempestades Comuns a quem se fez além do sonho Por vezes tão sofrível e enfadonho E nele com terror tanto os degrades A vida ao me mostrar diversidades Esbarra neste canto onde proponho Um claro amanhecer bem mais risonho Deixando no passado adversidades E sinto em teu canteiro o florescer Do amor que tanto quis e ao perceber A rara maravilha em multicor Entendo as variantes da emoção Bebendo sem temor à exaustão A doce essência rara de um amor.
020
O casto em alvos sonhos se deslinda Na bela criatura que foi minha, E quando esta saudade desalinha O encanto que deveras já se finda, O amor quando no amor cevando brinda Expressa a solução que jamais vinha E assim se presumindo a mesma vinha A safra mais perfeita vem; ainda, Servir-vos e sentir em vossos dias As raras e sobejas fantasias Enveredando além dos mares quando No encanto sem igual de amor sobejo Encontro cada anseio e mais desejo O tempo num delírio desnudando
021
Pálidas, ao luar as noites nossas E nelas me enfronhando sem defesas Os sonhos são supernas sobremesas E delas pouco a pouco tu te apossas, E quando os meus caminhos também roças O amor com suas garras; mansas presas Adentra sem perguntas correntezas E nele nossos passos tu endossas Vasculho cada ponto e sei em ti O quanto deste encanto eu descobri Ou mesmo adivinhei quando queria Apenas e somente qualquer marca E nisto o meu desejo já se em barca Promete até quem sabe um novo dia.
22
A vida em gargalhadas zomba quando Olhando para mim percebe a face Aonde este sarcasmo ainda grasse E o todo noutro instante me tomando, De amores e de medos, contrabando Ainda quando a sorte me desgrace Quem sabe noutro dia ainda trace Um céu bem mais suave adivinhando Representando enfim o quanto pude E tendo além sobeja magnitude Vencendo os meus temores costumeiros, Alçando muito mais do quanto eu quis, Podendo ser talvez inda feliz Cuidando com denodo meus canteiros.
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Lábios onde o sonho verdejara Trazendo em carmesim nova esperança A vida quando a ti, querida avança Trançando com ternura esta seara O passo novamente já me ampara E nele se firmando esta aliança Gerando onde se quis tal confiança O encanto que esta vida desenhara, Restauro de um passado mais sofrido O amor onde o mesmo é consumido Como iguaria rara em farta mesa, E sinto após a queda em tenebrosa Seara; o florescer em lírios e rosa Qual fosse ao fim da vida uma surpresa.
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Carícias sensuais da vida enquanto Realidade turva toma tudo E quando neste tanto enfim me iludo, Sorvendo da esperança um doce canto, O meu amor que um dia fora espanto Entoa dentro em nós e se inda ajudo No todo quando fora até miúdo Imenso delirar que ora agiganto. Invisto o pensamento e sei que neste Delírio o quanto posso concedeste Gerando num esplêndido fulgor Ansioso entardecer onde em clarões, O tanto que te quero e já me expões Traduz o mais sublime e raro amor.
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As rosas mais sanguíneas em desejos Ardores e paixões refletem isso E quanto além do todo já cobiço A vida em seus sublimes, bons ensejos, Encontro nos meus céus os azulejos E neles refletindo cada viço Do tempo mais feliz e não mortiço Traduzem meus momentos benfazejos. Realço com os versos e palavras Os dias onde as sortes também lavras Colhendo no futuro a mais sublime Colheita onde se traça algum futuro Aonde na verdade o que procuro De todos os meus erros me redime.
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Amarelando em mim as amarguras Estanco o meu caminho onde pudesse Talvez imaginar qualquer benesse Embora novos tempos já procuras E sei das nossas noites mais escuras Enquanto o coração o sonho tece Esbarro no que a vida reconhece E gero após as guerras, tais canduras; Existo e tão somente por saber Dos tantos vis meandros do prazer Entoando em meu peito esta alegria Na qual e pela qual ainda possa Viver a fantasia toda nossa A dor ao longe e agônica morria.
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Arroxeados dias em torturas E neles os meus passos não mais vendo Sequer o que pensara algum adendo, Expressam dentre tantos tais loucuras, E quando noutro rumo tu perduras, O todo se apresenta mais horrendo Do amor que imaginara não retendo Senão mesmos retalhos, vil remendo. E enquanto dos farrapos tento a sorte Diversa que talvez inda comporte A rara plenitude de um anseio, Estúpido porquanto sonhador, Encontro em discordância o bem do amor E neste amanhecer nada rodeio.
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Meus olhos fogueados quando a vê E sabem quanto em ti podem sonhar Ausente dos meus dias o luar A vida já não tem qualquer por que, Cansado de lutar sem nada e crê Na sorte que jamais há de voltar, Marcando a minha vida a cada olhar Distante deste aonde nada revê Quem fora sonhador e nada leve Senão esta alegria, frágil, breve De uma esperança feita em tom mais claro, Amante inconsolável nada tendo Apenas o vazio; em mim desvendo E em versos solidão que ao fim declaro.
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Amando os roseirais encontro espinhos E tanto pude ver apenas cores, Mas quando desenhando aonde fores Dicotomias tantas nos caminhos, Por vezes os meus passos são daninhos E neles se percebem tais horrores Acumulando medos, dissabores Tentando em tua boca raros vinhos, Aprendo a discernir os meus destinos, E quando no dobrar dos velhos sinos A morte anunciada dita enfim O sonhador que agora já partindo Procura mesmo além do tempo findo O quanto levo em paz dentro de mim;
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Por serem tão tristonhos, mas tão belos Os sonhos onde encontro quem queria, A noite se presume em alegria Gerando tantas vezes seus castelos, Porém na impavidez de vãos anelos Os rumos onde a paz se cerziria Encontram a total melancolia Ousando com até velhos rastelos. Arando esta aridez um solo agreste No quanto a realidade não reveste O meu caminho em tons diversos quando O marco se desenha em tom sombrio, O sonho desde então somente adio, Enquanto vejo o céu além nublando.
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Por ser a flor somente e nada além Já bastaria para esta nobreza Aonde uma alma entregue sem surpresa Encontra o quanto quer e rumos tem, O manto multicor trazendo o bem No olhar envolto em rara sutileza Desejo sem igual servido à mesa Traduz tanta beleza que contém, Meu canto enamorado em primavera Exala este perfume que recebe E quando adentra em paz a flórea sebe Retém o quanto quer e mais espera, Assim ao me entregar ao teu jardim, Floresce um novo tempo dentro em mim.
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Na angústia enquanto enfermo procurava O olhar de quem bem sei já não veria, A morte se transborda em agonia E o coração adentra a fria trava, O passo onde deveras, pois se lava Trazendo com ternura um claro dia, E nele este cenário poderia Tramar além do quanto se esperava, Após a cura vejo esta doença De uma paixão superna enquanto imensa Gerando até quem sabe a redenção, Mas quando me percebo e não estás O quanto desejara enfim em paz, Somente mera chuva de verão.
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Gorjeia dentro em mim esta esperança E nela se refaz uma alvorada, A sorte noutra senda desenhada Agora sem defesas já me alcança O amor quando demais gera a aliança E nela se percebe a mesma estrada Porquanto tanto tempo desejada Trazendo a noite agora bem mais mansa. Ao assumir meus erros, pude então Sentir em tons sutis diapasão Harmonizando o quanto ainda existe De vida aonde outrora nada havia E assim em mais sobeja sincronia A sinfonia ainda ora persiste.
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Numa noite em lua desenhada A sorte se transcende à própria prata Dourando com ternura me arrebata Tomando com furor a bela estrada Promessa há tantos anos; desejada E sei o quanto a luz invade a mata Deixando-se antever esta cascata Guardada nesta senda então cerrada, Ao perceber assim esta beleza, O coração adentra a Natureza E segue sem defesas até quando O sol com sua força magistral Tomando este arrebol trama afinal O dia sobre tudo dominando.
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Tão delicada e triste uma alma tenta Ao menos um descanso após a guerra E quando na verdade só descerra Após a tempestade outra tormenta, A vida muitas vezes virulenta Esboça o caminhar e ali se encerra A sutileza imensa em tosca terra Na qual toda a beleza se apresenta, Vestir a fantasia de quem sonha E vendo a face atroz, mesmo medonha De quem se fez além de mero traço, O tanto que a desejo e não me quer, O risco de sonhar, hoje sequer Expressa um bom caminho e o nada eu traço.
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Aroma em castidade e em tez profana A dama se vestindo em meretriz, Assim como se fosse alguma atriz Enquanto a minha vida além se dana, A imagem tantas vezes soberana E nela a própria cena contradiz E ser feliz é tudo o quanto eu quis, Mas sei que a sorte amarga desengana. Restando muito pouco em minha história A sorte que destarte é merencória Expondo este retrato envelhecido Das rugas, minhas cãs tão prematuras O quanto do vazio me asseguras Não faz e não fará qualquer sentido.
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A tua boca expressa em rubro tom O quanto de um desejo já florescia Adentro a cada instante esta alegria E sei que amor detém o raro dom Do encanto mais que um simples, vão neon E é muito além do quanto eu merecia, Assim ao se espalhar a poesia O canto mais augusto traz num som Suave e delicado, o meu desejo, Embora na verdade não prevejo Senão a própria queda incontrolável, Meu mundo se insensato já se fez No fundo resta apenas timidez E o manto noutro espaço, impenetrável.
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O rosto que me faz sonhar e traz A plena maravilha deste anseio Enquanto constelar em devaneio Permite ao sonhador um canto em paz, O quanto nesta vida fui mordaz E tantas quedas dizem de um alheio Cenário aonde a sorte ora permeio Gerando o que à verdade satisfaz, Escassos dias quando pude então Viver a imensidade e sei que não Encontraria a sorte após a queda O mergulhar no vago de teus braços Expõe os dias mesmo quando baços E a sorte noutro rumo já se enreda.
39
As pétalas da rosa em meu canteiro Trazendo algum alento a quem sombria Verdade noutra face mostraria O mundo num cenário costumeiro, E quando no teu canto já me inteiro Prenunciando a glória de outro dia Imerso na mais clara fantasia O amor bebendo em paz deste tinteiro. Primaveris delírios são constantes E neles cada passo que adiantes Forrando com matizes meus caminhos, Embora saiba bem dos roseirais E neles entre tantos magistrais Delírios também haja seus espinhos.
40
Quem sabe nesta neve de um inverno Feroz se prenuncie um calmo dia, Mas quando a primavera surgiria Tomando com ternura o duro inferno, O amor que ainda trago, mas o interno Numa eclosão fantástica traria A bela e tão sonhada melodia, Enquanto em solidão, agora hiberno, Vestindo esta promessa nada além Dos dias que virão e neles têm A glória presumida deste fato, Aonde com firmeza mergulhara Tornando sempre flórea esta seara E nela toda a dor; hoje eu resgato.
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Um astro que vagueia sem destino Espaços consonantes e diversos Galgando por tamanhos universos E neles; meu caminho eu determino Aonde fui deveras um menino E bebo os meus venenos mais perversos, Encontro os meus temores e os dispersos E neste mergulhar eu me alucino, Agrisalhado céu onde pudera Apenas discernir a dura espera De quem se fez poeta e quis além Do pouco que inda resta no seu peito, E mesmo quando em pedras eu me deito, A poesia invade e a paz contém.
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Repouso nestas trevas onde um dia Quisera tão somente algum descanso, E quando o meu caminho sem remanso Buscara tão somente a fantasia Fortuna novamente eu não veria Apenas no vazio enfim me lanço E assim às teimo e me esperanço Rondando o que inda resta de alegria. O peso de viver já não concebe E a escuridão domina inteira a sebe Cerzindo este abandono dentro em mim, Meu verso sem defesas; segue alheio Satélite sem rumo o vão rodeio Alimentando o inferno de onde vim.
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O quanto o mundo é frio e nada posso Após tentar alguma luz e sinto O coração entregue ao vento extinto E neste caminhar sou qual destroço, Desejo que pensara ser tão nosso Agora noutra face enfim o tinto, Vergando este terror que agora eu sinto Enquanto busco sorte, eu me remoço, Mas sei do fato sórdido vindouro E quando imaginara algum tesouro Ouro de tolo; apenas adivinho, E bebo cada gole do vinagre Qual fosse a redenção que me consagre Espúrio em acidez horrendo vinho.
44
Apenas lividez aonde um dia Quisera o brilho imenso e constelar, Aonde se moldara algum luar Brumosa noite enfim me apetecia, Restando tão somente a poesia E nela ainda cismo num vagar Distante do que pude imaginar Morrendo pouco a pouco, dia a dia, Esgoto os meus domínios no vazio E quando algum momento eu desafio Ousando para tal ter a esperança E resta dentro em mim apenas isto, E o fim se aproximando enquanto insisto E o olhar sem horizonte ao longe avança.
45
Inunda-se esta noite em solidão, E aprendo com meus erros tão somente O quanto do vazio já se sente Transforma num inverno o meu verão, A morte talvez seja a solução De quem se fez decerto impertinente E quando outro caminho mesmo tente Os dias se repetem. Tudo em vão, Mesquinharias ditam o que há tanto Pudera acreditar e não garanto Somente este vazio dentro em mim, Ausenta-se do olhar o brilho raro E quando novo mundo eu escancaro Encontro o meu delírio e o sei sem fim.
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Da fria noite em névoas sinto ainda Apenas a temida turbulência A vida se perdera em sua essência E o nada além do nada se deslinda, Enquanto a sorte em dor, a vida brinda E nisto se percebe uma ingerência Do marco mais atroz a imprevidência Que tanto se desnuda enquanto finda A sorte não pudera ser assim, O fátuo caminhar persiste em mim E o manto já puído da esperança Apenas levemente se revendo Traduz este cenário agora horrendo Aonde o meu caminho em vão se lança;
47
O gume desta adaga penetrando O corpo mais atroz e nada veio Somente o mesmo passo em devaneio E o manto noutro tom se destroçando O véu das esperanças desnudando Meu canto deste todo segue alheio E quanto mais a sorte em vão anseio O mundo se mostrara quase infando, Resumo no vazio o que inda trago E bebo em grandes goles este estrago Recomeçando a vida aonde um dia O tempo não pudera ser assim, Marcando toda a dor dentro de mim, O encanto sem resposta o tempo adia.
48
Sinistra esta montanha em tez brumosa Aonde na verdade nada tendo Senão este desenho vago e horrendo Invés da mais sublime e majestosa, O olhar sem mais sentido ainda glosa A face que pudesse me envolvendo E o todo se perdera já descrendo Da sorte muitas vezes caprichosa. Aprendo com meus erros, mas enquanto A vida se transforma e desencanto Meu verso sem sentido e sem razão, O mundo imaginário não existe, Retrato este delírio agora triste Tramando dias frios que virão.
49
Um sonho sem igual ainda tento E vejo a discordância em tom venal Meu rumo tantas vezes desigual Prepara para o medo e o desalento, Aonde se pudesse em provimento Beber este delírio sensual, O risco de sonhar expondo o mal E nele só presumo o alheamento. O quanto tantas vezes teimo e busco Embora o meu caminho em lusco fusco Já não permitiria qualquer brilho, E quando alguma luz; ainda vejo Apenas um delírio do desejo E a morte sem saber tanto estribilho.
50
Luar se banha em sonhos prateados, E o canto em tantas noites mais dorido Agora se mostrando num sentido Diverso dos meus dias desolados, Expresso em fantasia meus herdados Caminhos variados; mas sofrido Um trovador entoa neste olvido Momentos sem iguais, abandonados. Resumo em poucos ditos; o que quero E sendo sem defesas, mais sincero O amor já não condiz com o meu sonho, Velhusco caminheiro em desatino, Tentara num segundo ser menino, Porém especular rosto é bisonho.
51
As lavas da montanha em erupção Traduzem a paixão que me domina E quando da emoção percebo a mina Momentos em total fúria virão Nessa alucinação vejo a paixão Aonde o próprio passo determina Vulcânica loucura que alucina Desenha neste céu tanta amplidão E sei dos meus delírios onde eu possa Trazer a sensação que a quero nossa Num fumegar intenso rara frágua No amor quando no amor teima e deságua Fomentos sem igual; resumo a vida E nela nova face desenhada A messe dominando a minha estada Impede que se beije a despedida.
52
Na lividez atroz onde se expressa A vasta e tão temida incoerência A sorte ao se mostrar nesta ingerência O risco a cada passo se confessa O amor que imaginara vã promessa Transcende ao que seria prepotência E vejo neste fato uma indulgência De quem se fez amante e assim começa A vida após a morte em dor e tédio, O amar é com certeza um bom remédio E extraio nestes versos meu futuro O quanto pude mesmo acreditar No encanto dentre tantos; desenhar Cenário aonde a paz teimo e procuro.
53
Nesta paixão tamanha aonde eu creio O mar adentra em mim e em paz me alaga Curando do passado qualquer chaga Enquanto dos temores vou alheio, O tanto quanto posso e até rodeio Da lua imaginária que se traga Deixando no passado alguma adaga Esconde-se ao luar que em paz anseio Estendo o meu olhar noutro horizonte E vejo quanto em paz o canto aponte Transcende-se ao mais claro que há em mim, O beijo delicado de quem ama E a noite se estendendo em rara clama Acende da esperança este estopim.
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Vestido de ideais caminhos; tento Seguir sem mais temores vida afora, O amor quando demais decerto aflora E bebe este delírio onde o freqüento, E sei que mata até o alheamento Enquanto em luzes claras me decora O tanto quanto quero e desde agora Expressa o mais sublime pensamento, Depois de tanta luta e do fastio, O canto onde deveras eu desfio Meu único desejo, o ser em ti Apresentando a luz como destino, Assim a cada instante determino O quanto mais sublime conheci.
55
Jamais na indiferença em gelidez Eu pude discernir esta vontade E quando uma ternura em paz invade O amor tanto se envolve enquanto vês Reinando sobre a tola insensatez Moldando com brandura a realidade E assim neste momento além se brade O canto em mais sobeja lucidez. Supera as desventuras costumeiras E traz todo o desejo aonde queiras Seguir com toda a pompa em rara gala, Amar e ter nos olhos a certeza Da vida em mais sutil, rara nobreza Na voz que ninguém mais teimando, cala.
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Escondem-se as paixões num dia manso Aonde a tempestade diz bonança E assim o meu olhar além alcança O quanto desejara sem descanso, O manto mais sublime, este remanso, O dia em fúria e doce temperança A sorte desvendada já se lança E quando me percebo a ti avanço, Resplandecente lume e nele tenho O encanto mais voraz, mesmo ferrenho E tento acalentar com minha luz O quanto em discrepância dor e gozo O amor se mostra então mais caprichoso Enquanto sem defesas nos seduz.
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No frio destas altas cordilheiras Cenário sem igual em azulejo, Assim também o amor quando te vejo E dele sem notares tu te esgueiras Ousando na esperança por bandeiras E tendo a cada passo um novo ensejo Resumo o meu caminho em teu desejo E sonho que também tanto me queiras, Embora paralelos os caminhos E neles se percebam os mesquinhos Desvios de quem; tanto quer e teme Repare nas estrelas, são eternas, E nelas a certeza das lanternas Que a eternidade em luz, domine e algeme.
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No cume das montanhas tanta vez Uma águia faz seu ninho e assim protege A vida que deveras gere e rege Com todo este denodo que tu vês Assim também neste ápice, talvez O que pareça a ti um mero herege Permita o caminhar onde se almeje Além do quanto pode a sensatez, Restando do meu canto solitário Um sonho e decerto é necessário Saber que mesmo quase que impossível, O medo não impeça este caminho, Porquanto nos pareça mais daninho Tornando então palpável, mesmo incrível.
59
A lava que se oculta dentro da alma Não deixa que se veja a déia diva E quanto em ilusões o mundo criva Transforma qualquer medo e nos acalma, Repare quando a vida é feita em calma E nisto a mansidão, imperativa Gerando outra ternura que cativa Negá-la é produzir inútil trauma, A fúria de um anseio pode ser Ou não um raro anseio de um prazer, Mas quando em bases firmes, sentimento Até se parecer um mero sonho, E nele a derradeira força eu ponho, Perdê-lo tão somente assim, ao vento?
60
Adentro estes vulcões aonde um dia Apenas mera cinza se previra E quando a lua imensa ora interfira Traduz a mais perfeita poesia, O tempo na verdade não seria Somente lastimável quando a pira Expressa a mansidão se a luz se atira Trazendo à plena noite a fantasia. O outono nada pede à primavera, Mas quando a vê decerto regenera Dos tons sombrios; rara florescência Sorvendo este matiz inigualável, Sonhar é necessário e o imaginável Reduz da dura bruma esta inclemência.
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Pudesse te falar do quanto sinto E crer ser mais possível o que sei Diverso do que possa em tosca lei Dizendo muito mais que mero instinto, Vulcão um dia morto ou semi-extinto Agora noutra face o desenhei Traçando num fulgor o quanto errei E vejo novamente e assim desminto A morte companheira de poema, E nela tão somente não se algema O rumo mais ditoso e nele eu vejo Um dia após tempestas e temores, Sabendo que buscando novas cores, Entranho estes matizes do desejo.
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Esconde friamente no passado A imagem das geleiras onde um dia Tentando transtornar a poesia O mundo que imagino, desolado, Agora ao perceber bem ao meu lado O canto mais suave em alegria Saudando muito além do que podia Esboço reações; mudo o traçado, Mas tanto quis o amor e nada importa Somente o arrombar da velha porta E nem a recompensa ao fim espero, Aplaco o que pensara mais feroz, E quando ainda escuto de ti a voz, Transformo ora magnânimo o que é mero.
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Sem que se trema a voz de quem delira Jamais eu pude crer noutro cenário, E sei do quanto é mesmo necessário Ainda que isto seja uma mentira O gosto de um poeta pela lira Tornando o canto até mais temerário Gerando este delírio, algo corsário Aos mares mais diversos já se atira. O risco eu sei deveras inerente A quem noutro caminho sempre tente Vencer os seus demônios, com astúcia, Na doce maciez desta pelúcia O riso de um amor mesmo que falso Impede a solidão, vil cadafalso.
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Mal sabes do desejo que me move, E sei que nada disto mais te importa, O sonho abrindo enfim a dura porta No fundo tanta pedra se remove, Não quero sequer mais prova dos nove Sangria desatada não aborta O velho caminheiro agora exporta O verso noutro tanto e disto prove Somente em ilusões, mas já me basta Ainda se a resposta for nefasta Um mero devaneio me alimenta, Não quero uma certeza meramente, O todo noutra face se apresente E aplaca a solidão, cruel tormenta.
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Paixão tanto palpita desde quando O mundo na verdade se soubera Depois de qualquer luz em primavera Até mesmo se em mim está nevando, O corpo com certeza se enrugando A sorte na verdade é dura fera, Mas quando em fantasias se tempera O que fora feroz agora é brando. Restauro com ternura a juventude E até quando este fato falso ilude Permito qualquer luz que inda desvendo, E sei que neste espelho há em verdade Um ser que a vida já degrade Mostrando este cenário quase horrendo.
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Quando louca e fremente a noite invade Meus sonhos mais audazes; nada vindo O quanto imaginara outrora lindo Agora noutra face é tempestade, Viver e acreditar felicidade Aonde cada verso eu não deslindo E bebo deste fel, no quanto findo Caminho feito em vã temeridade. Senzalas que inda trago dentro em mim, Amortalhada sorte diz do fim E dele nada vejo além desta ilusão Vertendo a cada passo em tal delírio, Apenas se presume no martírio Os dias que decerto inda virão.
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O sol quando se apruma no horizonte Trazendo a imensa e rara claridade Ao mesmo tempo enquanto nos invade Deveras outro rumo ainda aponte Deslinda-se sobejo sobre a fonte E bebo deste encanto à saciedade, Tentando discernir tranqüilidade Aonde nada além veja e desponte. Resumo o meu caminho em tais veredas E sei que na verdade não concedas Sequer algum alento a quem pudera Durante tanto tempo ainda ver Distante dos meus olhos o prazer Deixando sepultada a primavera.
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Aonde nos trigais desta emoção Cevara com ternura e nada colho, O quanto imaginara hoje é restolho, Os dias são terríveis desde então, E sei dos meus tormentos e verão A fúria desenhada e neste molho A morte tão somente; inda recolho Traçada pela dor de cada dia, E quando ainda busco quem traria Somente um raio manso de luar, A cena se repete e envelhecido Cenário revolvendo o vago olvido Deveras mata invés de me alentar.
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O fulvo dos teus pelos sob o sol Dourando a tua pele me transtorna, E a vida outrora fria ou mesmo morna Agora se transforma em tal farol, E dominando tudo no arrebol, A sorte desvairada já se entorna E o quanto se perdera enfim retorna, A vida segue mansa e sempre em prol, Alheio as mais cruéis vicissitudes Ainda que deveras; tanto iludes Esgoto-me na fonte mais sublime, E ao ver farta beleza em rara praia, Por mais que tal miragem sempre traia, Apenas por sabê-la eu me redime.
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As horas mais sangrentas do passado Aonde não pudera acreditar Nem mesmo na vontade de tocar O sonho tantas vezes delicado, O risco de beber e inebriado De anseios outro tanto mergulhar Sem nada que pudesse me ancorar O mundo dentro em mim já naufragado, Respiro tão somente este desejo E sei que quanto mais a ti almejo Maior esta distância que separa Meu sonho do real discernimento E mesmo assim decerto ainda invento A mais sublime luz nesta seara.
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Vagando pelos ares, pensamento Não tendo mais paragem nem sossego Aonde se queria algum apego Apenas novamente o desalento E quando na verdade fora pego Por quem noutro momento ainda tento Tocar ao aplacar meu sofrimento Não teve para tal menor emprego. E peço arrego quando vejo assim O amor que tanto quis longe de mim Neste infindável sonho dito vida, Enquanto nada levo dentro da alma A solidão decerto, um duro trauma A cada nova ausência mais urdida.
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Flores que tanto eu quis desabrochadas Agora num aborto nada vejo E quanto mais audaz o meu desejo Maiores os terrores, tantos nadas, Percebo tão distantes alvoradas E quando um velho tempo; inda revejo Nas mãos o mesmo velho realejo E as facas cada vez mais afiadas Não tendo solução, meu ermo mundo E nele como um mero vagabundo Inundo-me de sonhos, mas prossigo E sei que este vazio é o que inda resta À morte o meu delírio em vão se empresta Jogado pelo canto em desabrigo.
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Douradas as espigas desde quando O manto transcorrera em meus trigais Agora noutros dias, vendavais O tempo novamente descorando, O quanto se perdera transformando Os dias em momentos mais banais, Pudesse acreditar e querer mais, Jogado pelos cantos, nauseando. Exposto aos doloridos dias; sigo Refém do que talvez seja um abrigo E tantas vezes; mostra a face escura De quem emoldurando a sua sina No quanto este vazio determina A vida aonde o nada se procura.
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Entre os perfis suaves onde um dia Pudesse acreditar felicidade Apenas a verdade que degrade Matando o que minha alma fantasia Gerando noutro tanto a hipocrisia Jorrando em teu olhar a falsidade Aonde procurei sinceridade O nada com certeza; esperaria, Marcando com a fúria do desdém O amor quando jamais algo contém Não deixa que se veja logo após As fartas corredeiras do passado, Um estuário enorme e tão sonhado, Morrendo o rio sem sequer a foz.
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Tudo é tranqüilo aonde pude ter Nos olhos a esperança, mas sei bem Que tanta fantasia não convém A quem já se cansara de sofrer, O quanto do meu mundo passo a ver Dos sonhos e promessas muito aquém, Resulto do passado e sem ninguém, Colheita em solidão a se fazer. Jogado pelos cantos desta casa Apenas o vazio ainda embasa O que inda resta vivo deste sonho, Jocosa face dita com sarcasmo, E a vida se repete num marasmo, Deveras sem sentido e até medonho.
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Olhando para trás e esta paisagem Repete-se decerto quando eu tento Vencer o meu terrível sofrimento E ter após o medo nova aragem, O amor quando se fez, leda miragem Traçando tão somente o alheamento E neste já não ser sem ter alento A vida perde o prumo na engrenagem, Seviciado sonho em tom cruel, O amor quando se fez; perdido ao léu Nem mera sombra existe do que um dia Pudesse ser bem mais do que este vago Caminho ande o mundo em dor alago E o sonho sem seu cais, naufragaria.
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Não vejo mais sequer o quanto em Deus Ainda poderia ter a messe Do sonho que em verdade já se esquece Deixando tão somente um vago adeus, Os dias onde outrora quis só meus E neles o vazio ora se tece, O risco de sonhar vida padece E volta sem pensar, seus apogeus, Na face desdenhosa da verdade, Ausente dos meus olhos claridade A liberdade escorre pelos dedos E quando me imagino mais tranqüilo, Apenas este fel venal destilo, Em dias tão terríveis quanto ledos.
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Quem possa imaginar alguma cena Aonde já vencido o temporal Apenas outro dia e sempre igual, Minha alma tão sozinha quão serena, Ainda que a quisesse ao menos plena No fundo se prepara o funeral De um sonhador escuso e tão banal, Sem ter neste final o que o envenena. Acordo e nada tendo, nem ninguém Somente a solidão decerto vem E neste infausto exposto ao vil marasmo, Irônica verdade se desvenda O sonho que alentara; mera lenda Ou mesmo do viver, triste sarcasmo.
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A delicada forma alabastrina Gerada pelo sonho de um poeta Agora no vazio se completa E o fardo a cada passo determina, Enquanto a realidade sempre mina E a sorte na verdade não repleta Esta alma dolorida e quase asceta Nem mesmo algum nuance me fascina. Vestindo esta dorida hipocrisia, O quanto do meu canto é fantasia Explode nesta ausência de futuro, E quando me proponho uma mudança Apenas vagamente o que me alcança Reflete o caminhar em céu escuro.
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No quanto se levara ao infinito O sonho audacioso, mas vazio De quem a cada passo desafio E tento novo dia mais bonito, E todo grande amor onde acredito Gerando novamente em mim o estio, Expressa o que se faz e em desvario O risco se transforma em tolo rito. É claro que sonhar é permitido, Mas sei também do fato consumido Amortalhando em mim qualquer detalhe Por onde quis apenas uma luz Sombria realidade se produz E o sonho em mil pedaços se retalhe.
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Perpasso sobre os dias mais atrozes E vago tão somente por tentar Ainda nova face desenhar Aonde se percebem tão ferozes Os dias entre os fartos, velhas vozes Tomando cada fato em seu lugar E sinto a minha imagem mergulhar Aquém do que permitam tais algozes, Velozes; vastos, vis, vagos; percorro E quando na verdade sem socorro Esqueço que talvez pudesse crer Num tempo onde se visse a remissão Dos erros costumeiros e do não Eu posso novamente me rever.
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Sombria alma grisalha diz da sorte Terrivelmente exposta às mais doridas Noções entre tormentas, tolas vidas Sem nada que deveras me comporte, O quanto imaginara e não suporte As horas entre tantas já perdidas, E até que noutro instante tu me agridas Não mais trará decerto velhos nortes. Estranhas noites; vago sem descanso E o pouco que inda resta e não alcanço Expõe a minha face caricata O risco de sonhar? Apenas isto E neste caminhar já não desisto E tento embora frágil um remanso.
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Procuro qualquer par, de tanto que uno Cansei de vasculhar um devaneio E quando a estrela rara hoje rodeio, O passo sem sentir não coaduno, E o mero caminhar onde desuno Meu mundo sem saber do mundo alheio Expressa a realidade e de permeio Ao ver-me solitário, enfim me puno. Esgoto cada verso em meu delírio E tantas vezes; vejo este martírio Qual fosse bendizer quem noutros tempos Vestira uma ilusão e não sabia Da vida como imensa fantasia Imersa entre terríveis contratempos.
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Namorados dos sonhos, dois amantes Procuram ao luar um brilho além E quando a realidade agora vem E toma seus delírios por instantes O quanto pareciam diamantes No fundo se desenha este desdém Amor quando do amor é muito aquém Os erros na verdade são constantes, Respaldos para as messes prometidas Expressam ilusões e tomam vidas Gerando no vazio outro cenário, Porquanto para amar a farta entrega Aonde em mar imenso se navega É mais do que pensaste, necessário.
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As frases deste amor imaginário Talvez dissessem fases mais diversas E quando sobre tudo ainda versas Pensando num caminho temerário Escuto muito além do necessário E tento preservar velhas conversas, E quando num instante desconversas O manto se puindo em tom mais vário. Esgoto o meu caminho noutro rumo E sei que na verdade assim me esfumo E sinto a discrepância desta sorte, Gerando novamente a dor imensa, No amor quando se quer ou mesmo pensa O fim prenunciando a dura morte.
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Uma criança apenas, nada mais E sei do quanto pude crer no fato Do amor onde meu mundo não resgato Mergulho nos momentos terminais, E quando se apresenta ainda um cais, O peso de viver; eu desacato E tento novamente o mesmo trato Aonde os dias fossem mais iguais, Resulto desta turva primavera E dela tão somente o vão se espera, Singrando estes vazios dentro em mim, Medonha face escusa e caricata A sorte na verdade não resgata Matando última flor do meu jardim.
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Um trecho do caminho aonde um dia Pudesse desenhar novo destino E quando este vazio eu determino Realidade apenas isto adia, Maior sendo decerto a fantasia O nada vezes nada; toma o tino E enquanto solitário eu me alucino, Menino do passado morto agora O barco sem o cais jamais ancora E o medo de sonhar ainda doma O quanto poderia haver em mim Traduz o que deveras sei no fim, Causando este torpor, um quase coma.
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A tela mais suave aonde eu teça O coração audaz de quem se tenta Vencer com mansidão qualquer tormenta E nisto esta verdade se obedeça, Quem ama e deste fato não se esqueça Já sabe como a vida é virulenta, E o tanto que se mostra bem mais lenta A vida no final jamais se aqueça; Esgoto a realidade em tons venais E tanto me entregara aos vendavais Tentando pelo menos um lugar Aonde poderia ser assim, Florindo em alegrias o jardim Que um dia quis exposto ao teu luar.
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Um pedaço de terra aonde eu tente Apenas o descanso após a luta E quando a realidade se reluta E nada mais se torne tão clemente Olhando o meu passado este impotente Cenário aonde vence a força bruta A porta se fechando e nada escuta Quem novo caminhar ainda invente. Especular delírio aonde eu veja A minha dura estada malfazeja Resumo em tanta dor o que pudera Talvez ser necessário mesmo quando O mundo noutro infausto se formando Adestra inevitável, vil pantera.
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Abrindo o seio enorme aonde um dia O coração batera sem juízo, O amor acumulando em prejuízo O quanto noutro tempo não sabia Esgota a cada passo esta ironia E vejo o meu delírio em impreciso Desejo quando em sonhos me matizo E morro pouco a pouco, em agonia. Utópica manhã já não se acena E o tanto que me resta diz da plena Tormenta costumeira e sem saída, Negando qualquer passo rumo ao sonho, O todo noutra face decomponho Marcando com furor a torpe vida.
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O coração ditoso caminheiro Das trevas e dos céus iridescentes No quanto farto amor deveras; sentes Ou mesmo solitário companheiro De errático delírio costumeiro Entranho vez por outra em envolventes Delírios onde também tu pressentes A bela florescência de um canteiro, Regendo cada verso em tom aonde Nem sempre a própria vida corresponde, Mas gera em fantasias muito além Do quanto poderia ou mesmo até Vivendo cada instante em rara fé Dicotomias várias, pois contêm.
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Ao conceber a vida desta forma Em tantos e sublimes bons matizes Além do que talvez queiras e dizes A vida noutra vida se transforma Numa incessante e nobre, bela norma Mutáveis tons gerando outros matizes E quando se percebem grandes crises O que era costumeiro se deforma, Assim do caricato surge o nobre E do mais variado se descobre Uníssono caminho ou mesmo vário, A morte é redenção e dela a sorte Diversa da que tanto dizem morte Refaz outro desenho, necessário.
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Podes contar comigo, sabes disto Estarei sempre ao lado mesmo quando O tempo se perceba então nublando Jamais esqueça e até mesmo por isto, Repito e na verdade eu quero e insisto No quanto sigo e teimo revelando Que o mundo traz em si a dor e o brando, Mas libertário mesmo apenas Cristo. O amar não tem medidas, incontido Tua presença nele faz sentido E gera a paz que tanto quero e deve Mesmo na eternidade de um momento Permite este desejo onde alimento A vida mesmo quando eu sei-a breve.
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Para olhar e tentar outro segredo Enquanto muitas vezes fora assim, O mundo se transforma e diz ao fim O quanto deste sonho eu me concedo, Amar é consumir-se num segredo E dele ter certezas, mas enfim Expresso venturoso este jardim Porquanto em minha vida eu fora ledo. Encontro os meus sinais a cada passo E quando novo rumo ainda traço Envolto nas escumas deste mar, À praia volvo e sigo por entre as ondas E mesmo quando além ainda escondas, Um dia hei de talvez, pois te encontrar.
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Ao adoçar a vida em mero canto Quem sabe poderia acreditar Nas tramas mais diversas de um luar Erguendo sobre nós seu claro manto E quando me proponho e sei do encanto Aonde um timoneiro enfrenta o mar, Disperso caminhante hei de voltar Embora a vida ceve algum quebranto, Envelhecido e nunca envilecido O canto mais suave toca o ouvido Qual fosse uma sirena e assim se escuta A doce melodia e nela sinto Bem mais que a sordidez de um mero instinto O amor já lapidado em árdua luta.
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A vida se depara a cada instante Com tantos descaminhos, mas prossegue E mesmo quando a sorte nos renegue O passo se desenha doravante E quando navegasse e se não sossegue O mundo noutra face jamais negue Desenho aonde a sorte se adiante Mostrando a realidade mais audaz E sinto o quanto amor deveras traz A quem se fez bem mais que meramente Num átimo o superno caminheiro E quando da verdade não me esgueiro O mundo num esgar jamais desmente.
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Num oceano rude em ondas tantas Expressa o quanto ainda aqui resiste E o coração mostrado agora em riste Explode enquanto em sorte me garantas
E nada do que tento me adiantas Porquanto em cada passo a paz persiste Na audácia demonstrando o quanto insiste E traz momentos duros onde espantas
Mesmo na sorte amarga e quase ultriz O tanto se perdendo a cada dia Talvez um novo tempo; se ergueria
Traçando o que em verdades sempre quis. E volto a caminhar entre espinheiros Meus dias, com certeza, os derradeiros.
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Arrojo-me entre os braços desta a que A vida permitira mais que um sonho E quando ao teu delírio eu me proponho No todo desejado ora se crê. E o quanto pude mesmo e sei até Seguindo cada rastro onde passaste De todo o meu desejo tu és a haste E vivo na certeza por quem é O canto mais audaz e delicado, Desenhos em mosaicos, multicores Seguindo sem sequer ainda opores Presumo o meu destino sempre ao lado De quem se tanto quero e já me quer, Traduz bem mais que um simples, mero affaire.
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Em toda a imensidade de um momento Amplificando o passo rumo ao farto, Desenho cada sonho e se o comparto A vida segue em paz, raro incremento, O todo dentro em nós quero e fomento E quando me percebo e já não parto, Apenas mergulhando não descarto O dia que virá; raro alimento Desta alma tantas vezes sonhadora E quando se percebe ou mesmo fora Somente um ledo encanto, sei que enfim O quanto desejei e sinto ausente Num átimo decerto se apresente Traduza todo o bem que incide em mim.
100
Tábua de salvação? Não necessito, Apenas um carinho bastaria, Mas sei do quanto amor rege a agonia Trazendo a gelidez deste granito, E quanto mesmo creio mais bonito O tempo se transforma em agonia E o tanto quanto pude me daria Além do mero sonho mais aflito, Medonha face exposta de quem sabe O quanto cada passo já desabe E sinto-o desaguar em mar imenso, Mas tudo que de antanho inda pudera Agora me espreitando, torpe fera, Já não traduz somente o que inda penso.
MARCOS LOURES FILHO
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