
A estrada e o violeiro (Sidney Miller)
Data 29/07/2010 12:57:46 | Tópico: Letras de Música
|  Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Parece um cordão sem ponta, pelo chão desenrolado Rasgando tudo que encontra, a terra de lado a lado
Estrada de Sul a Norte, eu que passo, penso e peço Notícias de toda sorte, de dias que eu não alcanço De noites que eu desconheço, de amor, de vida e de morte
Eu que já corri o mundo cavalgando a terra nua Tenho o peito mais profundo e a visão maior que a sua
Muita coisa tenho visto nos lugares onde eu passo Mas cantando agora insisto neste aviso que ora faço Não existe um só compasso pra contar o que eu assisto
Trago comigo uma viola só, para dizer uma palavra só Para cantar o meu caminho só, porque sozinho vou à pé e pó
Guarde sempre na lembrança que esta estrada não é sua Sua vista pouco alcança, mas a terra continua
Segue em frente, violeiro, que eu lhe dou a garantia De que alguém passou primeiro na procura da alegria Pois quem anda noite e dia sempre encontra um companheiro
Minha estrada, meu caminho, me responda de repente Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente?
Tanta gente, tão ligeira, que eu até perdi a conta Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor que a dor não conta Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó
Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino Saio fora desse leito, desafio e desafino Mudo a sorte do meu canto, mudo o Norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força, não há forte Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar Eu também quero um dia poder levar Toda gente que virá Caminhando, procurando Na certeza de encontrar.
Sidney Miller, grande músico e compositor brasileiro (1945-1980), morreu precocemente de forma trágica, deixando uma bela obra. Participou de diversos festivais de música naquela década, classificando algumas canções e obtendo prêmio de melhor letra em 1967, no festival da Record, com "A Estrada e o Violeiro", com esta música que foi interpretada pela inesquecível Nara Leão e pelo próprio. Quando morreu, trabalhava na Funarte RJ, no departamento de projetos especiais. A sala em que trabalhava ganhou o seu nome.
Esta é uma das canções que mais marcou os meus tempos de estudante.
Imagem: Estrada na Islândia.
Veja o vídeo no Youtube, da célebre apresentação em dueto no Festival de Música da Record. [/youtube]
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