
TUDO NASCE, TUDO MORRE
Data 27/07/2010 19:21:16 | Tópico: Poemas -> Esperança
| Admirava as chamas que crepitavam na minha lareira Vi um cavaco em agonia, estava a ficar em cinza. Nesse momento pensei à vida, pensei à morte! Pensei que esse cavaco veio de uma árvore Que brotou da terra, que cresceu, fez-se forte. Como nós, também tem vida, tem o seu ciclo. Do seu tronco brotam os ramos, dos ramos as folhas Vivem altaneiras e dão beleza à Terra, Dão-nos a sombra para nos podermos refrescar. Dão-nos o oxigénio para podermos respirar. O dia vem em que o seu ciclo começa a chegar ao fim. São abatidas, desfolhadas, cortadas sem piedade. Mais tarde vamos encontra-las em nossas casas Transformadas em móveis, transformadas em cavacos Para nos aquecerem e nos darem comodidade. Como nós, elas morrem, acabam em cinzas. O homem em cinzas também ou em poeira. É assim a vida quer se queira ou não queira. Chora-se a pessoa que morreu, Não se chora a árvore que nos aqueceu. Por ela, ninguém se vai enlutar, ela... Que nos ajudou a respirar, ela que purificou o ar!
A. da fonseca
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