
SONETOS FEITOS EM 26/07/2010
Data 26/07/2010 20:36:46 | Tópico: Sonetos
| 1 Por que não sei falar dessa maneira, Do jeito que tu falas ou até Ousando no caminho por ter fé No amor sem ser a sorte corriqueira, O tanto que ser ou mais não queira, O rumo se desvia e sei quem é Traçando outra vertente sigo a pé Minha alma se cansando, esta estradeira. Procuro algum alento ou mesmo um rumo, E quando sem segredo desaprumo Meu passo em discordância gera o fim, Escapo vez por outra da armadilha, Mas quando a sorte ausente ou maltrapilha O sonho faz estragos dentro em mim. 2 Usando os verbos vagos, virulentos, Ou mesmo alguns princípios discordantes Enquanto qualquer brilho me garantes Meus dias não seriam mais atentos, Esqueço da verdade seus proventos E bebo tais sutis e alucinantes Caminhos entre tantos, por instantes Exposto aos mais terríveis, toscos ventos. Encontro esta verdade quando busco E tanto poderia em lusco fusco Apenas discernir um verso a mais, Mas tramo inconseqüente outra desdita E quando qualquer sonho necessita Os dias são deveras mais banais. 3 Ao Poeta do Amor Estava folheando algumas páginas Leituras tantas de ofertas variadas Poemas, crônicas, contos, diversos Estacionei encantada nos teus versos Dezenas entrando como enxurrada Dum repentista de arte aprimorada Amor, emoção enviando na palavra Talento nato, herança do pai, a lavra Peguei papel e tinta no teclado Rabiscos enviei simples sem rima Aos poucos lendo tudo ritmado Aprimorei os versos e fiz-me sina No mestre do soneto do amor e canto Mais de quinhentos duetos de encanto sogueira Feliz dia do escritor Marcos Loures Obrigada pela parceria O quanto de um amor gera em ternura O sonho mais audaz, ou mesmo quando A vida noutra face se mostrando Tramando o que decerto se procura, Encontro dos dilemas minha cura E tento vez por outra me enganando, Um caminhar em paz suavizando O que esta vida traz em amargura. O verso permitindo refazer Em meio ao mais terrível desprazer O encanto em madrigais de antanho e agora. Diversas serenatas dentro da alma, A poesia sim, tanto me acalma, Até quando a verdade vil devora. 4 Fui embora, mas voltei Meu lugar é do teu lado Sem você nada mais sei Coração fica amuado. Esse gosto de pecado Essa gostosa euforia Só junto a ti, meu amado. Certo era, eu voltaria! Ana Maria Gazzaneo Um sonho se completa noutro sonho Perpetuando a mágica da vida, E quando se percebe a despedia, O dia se mostrar mais enfadonho, Um novo amanhecer; quero e proponho Ousando na palavra assim urdida, E tendo esta certeza concebida Num ato mais feliz, em céu risonho. Prenunciando o gozo mais gentil, Além do que deveras se previu, A vida renascendo em cor sublime, Um ermo caminhar por certo tempo Embora gere muito contratempo, Na bela poesia se redime. 5 Sim, é apenas minha lágrima escorrendo pelo rosto, a limpar esta mágoa ... (Olhos de Boneca) Deságua em cristalina e dolorida A fonte em farto brilho, dor e pranto, Enquanto novo tempo eu te garanto Renasce esta esperança em nossa vida, A mágoa tantas vezes pressentida, E nela se transforma em vão quebranto, Mas quando esta quimera enfim espanto, A sorte se presume ressurgida. Qual fosse um diamante, o lacrimejo Traduz a plenitude quando o vejo Do amor imaculado e mais perfeito, Superna realidade após o medo, A ti no mesmo tom eu me concedo E neste raro amor, em paz me deito. 6 No caminho colhemos frutos Suculentos e doces A saciar nossa fome e sede, Sou tua fruta saborosa Suga-me...Devora-me... Regina Costa Desfrutando do imenso e raro gozo Ascendo a mais sublime perfeição, Meu corpo no teu corpo em provisão Momento sem igual e majestoso, Exprimo com ternura o caprichoso Caminho pelo qual dias virão Traçando a mais perfeita direção Mesmo quando se vê tão tortuoso. Podendo então sorver cada momento E nele com fartura me alimento, Cerzindo o bem supremo que extasia Hedônicos delírios percorridos, E neles exaltamos os sentidos Orgástico delírio em fantasia. 7 Flauta Doce... Olhei com fascínio... Pupila dilatada, Pele úmida e eriçada, Completamente hipnotizada, Extasiada... Grandiosa Obra de Arte, Presente da natureza! Diante dos olhos Ereta, gotejando e ávida; Enquanto contemplava, Desejava... Desejava... Desejava... Pude sentir A intensidade, o volume e a amplitude; Senti... A boca se aproximar, lentamente, Os lábios encostar, ternamente, Emudecida fiquei... A provar o sabor, Deliciando-me! Intermitentemente... Traduzi tua partitura integralmente, Entoando o mais belo ato, Melodia e harmonia, Espaço intermediário, Entre O real e o simbólico, O possível e o imaginado, Constelado no céu da boca, Ressonando uma música Tão santa quanto profana, Sinfonia inspirada em tua Flauta Mágica, Arte dos sons, Lirismo derramado... REGINA COSTA Desvendo com suave mansidão, Entranhas delicadas, belas locas, E quando assim desnuda me provocas Sabendo do final em erupção, Ao mesmo tempo bebo esta amplidão Enquanto o barco adentra em meio às rocas E ancora no delírio destas tocas Nesta úmida loucura a sensação. Espasmos pós espasmos, contraindo Num êxtase sobejo, doce e lindo, Arfante caminhada rumo ao Éden E os gozos quando gozos mais concedem Perpetuando assim neste sacrário Além de qualquer tom imaginário. 8 É que perdi meu tempo, uma bandeira, Nos ermos mais profundos e sombrios, E quando aceito assim os desafios A vida noutra face já se esgueira, E quanto mais eu sonhe ou mesmo queira Os olhos percorrendo tais vazios, Esboçam reações, adentram rios, E tentam cada queda ou corredeira, A sorte na verdade contradiz E gera ao mesmo tempo a cicatriz Que trago tatuada no meu peito, Meu verso em discordância vez em quando Noutro caminhar se demonstrando, Gestando este vazio quando eu deito. 9 Desfraldada por sobre os excrementos A sorte desmembrando passos duros E quanto mais entranho em tais apuros, Os dias ditam velhos sofrimentos, E neles outros tantos negam ventos Os sonhos não serão sequer maduros, Meus passos noutro escasso tentam muros, Porém enfrentam dores, desalentos. Erguer o meu olhar e ver além Do quanto muito pouco se retém Na vida deste mero sonhador, Presumo cada traço do que outrora Pudesse e na verdade me apavora Herdando dos meus sonhos, desamor. 10 De quem tentou ferir sem dar sequer A menor chance mesmo de defesa, Da vida sendo assim, a mera presa, O corpo em desalento se aprouver E venha com firmeza o que vier, Já não mais gerará qualquer surpresa, Porquanto minha vida, dura e tesa, Não sabe do destino o que se quer. Ressalto em descaminho um passo quando O mundo em terremotos desabando Desabonando o sonho de quem tenta Singrar mesmo oceanos mais pacíficos, E os dias não serão mais tão magníficos Restando para mim dor e tormenta. 11 A quem amara, em todos os momentos Independentemente do que tanto A vida se mostrara e não garanto Sequer menores sonhos, provimentos Assim ao erigir mais pavimentos Aonde com certeza o desencanto Penetra e deixa à vista em todo canto Somente os meus terríveis sofrimentos, Amar e ter talvez alguma chance, Enquanto em teimosia já me lance Sem ter sequer aporte ou nada enfim; O manto mais escuro da saudade Gerando este temor que desagrade O que inda resta vivo dentro em mim. 12 A vida me ensinando a cada dia O quanto posso ou não tentar ainda Depois da fantasia agora finda, O sonho sem defesas não recria Um mundo feito em paz e em harmonia Ao qual a própria sorte em paz já brinda, No tanto que desejo e sei ainda Maior esta vontade em alegria. Utópicas montanhas, cordilheiras Demonstram na verdade o que mais queiras, Porém a vida dita em precipícios As quedas mais temidas e ferozes, E somos com certeza tais algozes Na imensa podridão de nossos vícios. 13 Eu vou correndo sempre, mas por quê? Já não consigo mais sentir a sorte Que vez em quando vem e até conforte Enquanto a realidade nada vê, Quem tanto se procura e já não crê Apenas se expressando em dor e morte, Desconhecendo algum- se existe- norte Olhando para o nada se revê. Especular caminho em ostracismo, Ainda sobre rocas, medos; cismo Tentando ter ao menos um destino, Esbarro nas arestas pontiagudas E quando necessito; não ajudas, Neste vazio; opaco, eu me azucrino. 14 Quis tragar melodias e senzalas, Levando para frente esta promessa, Ao quanto posso ser e se endereça Ainda quando aquém tu já te calas, Os ócios mais tenazes; avassalas E nisto a vida mostra a mesma pressa, No resto que inda tenho recomeça Tentando perceber supernas galas; E graciosamente num sorriso, No sonho mais tranqüilo eu me matizo E vejo algum sinal de vida enquanto O passo cambaleia e se enreda Causando da esperança a dura queda; Mas quando caio em mim; eu desencanto. 15 Não pude mais conter esse chicote Que ainda vergastando as minhas costas Apresentaste assim como respostas, Atocaiada fera, vil coiote, Aonde quer que o sonho teime e bote Já não aceitas mais velhas propostas E as cicatrizes tantas; vejo expostas Mesmo que ninguém sinta e sequer note. Aprendo com a farpa e com a adaga E quando esta mortalha ora me afaga A frialdade invade o meu outono, Enquanto em tais arestas teimo e piso, Minha alma se inundando em tal granizo, Um gélido delírio em abandono. 16 Mas as costas lanhadas onde sinto As tantas dores toscas de quem vendo A vida como fosse algum remendo, Um passo sem destino cego instinto Cumprindo o meu caminho, quase extinto No quanto quis um dia me perdendo, O manto se destroça e não desvendo Sequer algum traçado e ousado eu minto. Presumo o fim da história em tal sangria, O corte me estraçalha dia a dia A pútrida verdade não sonega Excêntrico e tão pálido delírio Transcende ao próprio dolo e em tal martírio Minha alma se expressando muda e cega. 17 Não me deixam sinais ou cicatrizes Os tantos e diversos vis caminhos Imerso entre meus ermos mais daninhos E neles tantas vezes contradizes Os sonhos que pudessem ser felizes, Mas sei quando se fazem tão mesquinhos, Já não comporta em mim senão espinhos Agrisalhando a sorte em seus matizes. Esboço reações, um ledo engano, E cada vez que tento mais me dano, Espúria criatura ora se afasta, Nos íntimos momentos solitários Apenas os demônios solidários Desta alma tão cansada quão nefasta. 18 Traduzindo seara tão diversa Daquela que pensara ser só minha, O quanto deste nada me convinha, Deixando a vida amarga e mais perversa Uma esperança tosca se dispersa Enquanto no vazio; alma se alinha E tendo esta certeza má, daninha Quem vê cena tão torpe; desconversa. Escracho pária eu sigo em noite escusa, Somente este fantoche agora cruza Com vermes tão iguais no mesmo esgoto, E o pântano que habita dentro em mim, Tramando cada passo até o fim, Demonstra o caminhar esparso e roto. 19 Em busca da saída; nada vejo Somente os meus demônios corriqueiros, E tanto são leais e companheiros Cobrindo com as garras meu desejo, A cada passo eu sinto o mesmo ensejo, E os dias são diversos espinheiros, Os passos não prosseguem mais ligeiros Nem mesmo num vão verso inda verdejo. Esparsas fantasias já são mortas, Fechando para mim últimas portas, O fim se aproximando em puro tédio, A morte talvez seja um bom remédio, E embora por estradas vagas, tortas Eu finalmente sinto o seu assédio. 20 Talvez queiras viver felicidades; Lacaio desta turva negritude, Minha alma na verdade não se ilude. Ainda que esperanças (tola); brades Viver as mais cruéis fatalidades Morrendo a cada passo onde transmude Horrenda e caricata juventude Aguarda atrás das finas, frias grades. Nublada tarde diz de um ego tolo, Meu sonho sem local aonde pô-lo Esbarra nos heréticos esgarces, Esgares por resposta? Não aceito. Eternamente eu sigo insatisfeito, Ainda quando o tédio em vão disfarces. 21 Vitais nocivas fraquezas Onde vejo se espelhando O retrato outrora brando, Mas imerso em tuas presas, Qual repasto sobre as mesas, O meu tempo se esgotando Pouco vou me devotando Tento contra as correntezas Impossível caminhar E tentar qualquer lugar E viver em paz, somente. Neste olhar indiferente De quem tanto quis amar, Vejo a fúria francamente. 22 Fosse este ato de furor Numa atroz sinceridade, Outra vez mais me degrade Esta imagem furta-cor Se eu pudesse sonhador Conhecer a liberdade Reviver a claridade Onde existe o dissabor, Sem algemas nem correntes, E talvez quando pressentes O final, a derrocada, O meu passo sem valia Traduzindo o dia a dia, Trague sempre o mesmo nada. 23 Na mistura mais sagaz Entre tantas que pudesse, Não conheço uma benesse Que este desamor nos traz, Ao viver e crer na paz, O meu mundo agora tece Outro rumo e já se esquece Do passado tão mordaz, Passo novo em nova vida, Num olhar sem despedida, Urdo o tempo que vier, E bendigo a minha sorte, Pois em ti a luz conforte, Já não temor sequer. 24 Tantas sombras eu andei Procurando algum afeto, O meu rumo se completo Negaria qualquer lei, E se um dia quis ser rei, Hoje apenas me deleto E talvez um novo feto Noutro tempo nascerei. Redimindo cada engano, Se deveras eu me dano Quem me dera se talvez Noutra face, noutra vida, Encontrasse uma saída Que decerto se desfez. 25 Adentrando o pensamento Qual falena busca a luz A verdade reproduz No meu passo outro momento Onde ainda teimo e tento, Mas o farto não conduz E se tanto eu já me opus Hoje resto, um excremento. Navegasse em mar tranqüilo, Mas decerto hoje desfilo Entre as águas turbulentas, Ao gerar em mim a ponte, Novamente desaponte Quando as ondas; mais aumentas. 26 Às avessas renascendo O que outrora fora paz Navegando em mar mordaz A esperança é mero adendo, E tão pouco recolhendo Deste tanto que ora traz O caminho mais audaz Entre tantos, revivendo Representas o futuro Quanto mais em tempo escuro, Teu olhar farto irradia, Num prelúdio em melodia, Entoando o que procuro Vejo em ti; sabedoria. 27 Nesta vida já sem-nexo O meu canto se esvaindo Onde quis, outrora lindo Um caminho mais complexo, E reparo, tão perplexo O desejo se extraindo De tão pouco resumindo Um banal, torpe reflexo. Na expressão tão mais comum Na verdade sou nenhum Onde quis ser talvez algo, O meu canto lacrimeja E deveras malfazeja A minha alma agora salgo. 28 Nestas lâmpadas eu tento O meu guia onde não sigo, E carrego o desabrigo Onde encontro o desalento, O meu manto em tal perigo, Noutro passo mais sangrento, Quando muito virulento Farsas; visto. Fato antigo. Vasculhando estas gavetas Onde agora tu prometas, Olhos fixos no passado, Mas encontro algum sinal Do que fora bem ou mal Vejo tudo embolorado. 29 Num cambaleante passo Tento às vezes prosseguir E não tendo mais porvir Em vazios me desgraço, Onde outrora quis ou faço O meu verso a conduzir A verdade sem sentir O destroço a cada espaço. Laços rotos, abandono, No final me desabono E me perco totalmente, Poderia num instante, Mas se o nada me garante, Nem o todo ora desmente. 30 Quando a vida volve a ser Tão diversa do que um dia Muitas vezes bem queria Quem se fez em padecer, Resumindo o apodrecer Em tão torpe vilania, Procurando uma harmonia, A mortalha eu sei tecer, Vagamente lembro quando O meu mundo transmudando Noutra face tão nefasta, O meu passo sem destino, Onde quis ser um menino, A rapina hoje repasta. 31 Um deserto que percorro Quando vejo em meu olhar Outro igual a reparar Sem saber sequer socorro, Como fosse já sem forro Numa chuva a se mostrar Quanto é frágil desvendar Dos delírios; cada jorro. Numa farta hipocrisia, Teu olhar me mostraria A face real da vida, Onde o início precipita Senda outrora mais bonita Hoje apenas vã; perdida. 32 Meu olhar quando tateia E procura cada espaço, Deste todo ainda baço, Pelo menos devaneia, Lua nova, antiga ou cheia Descansando em seu regaço Refazendo cada passo, Onde o nada inda permeia, Pirilampos dentro em mim, Percorrendo até o fim O cenário em trevas feito, Quando sinto a tua pele, Ao delírio me compele, Mas, sozinho hoje eu me deito. 33 Onde quis seda e veludo, Pedregulhos simplesmente, O caminho não desmente Mesmo quando em vão me iludo, Neste fátuo vejo tudo E se tento estar contente, O delírio impertinente Deixa o coração mais mudo. Arremedos de ilusão Onde outrora quis paixão Tão somente este vazio, Meu olhar se perde quando Outro rumo desenhando Muda a foz do antigo rio. 34 Minha vista tão cansada, Um presbíope ancião Procurando a direção Encontrando o mesmo nada, A saudade desfraldada Quando viva sensação De momentos que virão, Mas ao fim, a debandada. Resumindo este universo Onde à toa cismo e verso, Esperando algum alento, Num cenário agora baço, Sem noção de tempo/espaço, Caminhar; ainda tento. 35 Um oásis poderia Transformar este cenário Do deserto imaginário Uma nova fantasia, Mas a vida negaria, Vendo em mim um adversário Tão sutil, desnecessário, Resumindo em ironia, Este vândalo caminho Onde sândalo quisera Presumindo a dura fera, Do não ser eu me avizinho, E mergulho sem defesas, Entre as garras, frias presas. 36 A minha alma não suspeita Desta queda inevitável Onde quis um solo arável O vazio vira seita, Quando o fim não mais se aceita Outro tétrico e intragável, Mesmo até já descartável Toma a cena e se deleita. Restaurar o que está morto, Renascer após o aborto, Mero feto em desafeto, No que tange ao ser poeta, O meu verso se repleta Onde em paz eu me deleto. 37 O caminho sendo incerto E deveras mais sofrido Já não faz qualquer sentido Quando o rumo, enfim, deserto, Mas se tanto inda desperto Neste sonho feito olvido, Outro fato consumido, Não concebo e nem me alerto, Ao quitar o que persiste, Num delírio tosco e triste Eu deveras me esvaíra, Todo o sonho fora em vão, Outros dias mostrarão Cada verso foi mentira. 38 Uma luz já bastaria A quem tanto quis promessas E sem ela tu tropeças Mesmo no clarão do dia, Onde há sorte a ventania Expressando em medos, pressas, Caminhar ora às avessas Nova dita não traria. Esgotando cada chance Ao vazio já se lance, O meu passo mais sutil, Num errático delírio, Comungando em tal martírio O que outrora enfim se viu. 39 Concebia a caravana Em tropel, corcéis diversos, E vagando em universos Onde a sorte não profana, A minha alma já se engana, E também errôneos versos, Quando espúrios e submersos A matilha faz campana. Campanários da ilusão Dobram sinos por quem ama, Derradeira, ultima chama E mais nada resta após. Sendo assim, mergulho e ledo Noutra forma não procedo, Só vislumbro falsos nós. 40 Quando em súbita visão Expressaras com temor, O que tanto em desamor Aprouvera desde então, Resolvendo este senão Tento apenas recompor, O meu mundo em clara cor, Quando bebo escuridão, Aversões aos meus engodos, Adentrar por vários lodos, Revelando este ar sombrio, Um errático e medonho, Quando às vezes teimo e sonho, Meramente desafio. 41 Neste tempo sem espaço Outro tempo poderia Revelando à luz do dia O que à noite já desfaço, Temporal que em eu traço, Tempestade em euforia Nesta atemporal teria Contratempo passo a passo, Num espaço tão diverso No compasso aonde verso Faço errático poema, Mas num traço discordante Lassos dias, num instante Rompo laços, tiro a algema. 42 No vértice deste sonho Um momento mais cruel, Ao alçar longínquo céu, Outro véu; em mim componho Um corcel claro e medonho, Ouço a voz e sorvo em fel, O meu passo mais fiel Calabouço eu não reponho. Extraindo cada ponto Pouco a pouco enfim me apronto E penetro esta amplidão, Vago sem saber se há rumo, E deveras se me esfumo, Outros mundos surgirão. 43 Ao descer nem sei escada Nem por onde nem se quando Outro sonho deformando, Num momento sem parada A minha alma alvoroçada Ou no tétrico e nefando Quanto mais se estou nevando Preparando outra geada. Esboçando em variáveis Os meus ermos intragáveis, Explosões em vendavais, Não se vendo mais estorvo, Alimento em mim o corvo Neste etéreo: nunca mais. 44 Já não mais me encontrarei Nem procuro algum detalhe Onde a sorte me retalhe Mude logo a senda e grei, Tanto tempo eu esperei Na verdade cada entalhe Permitindo o que se espalhe Dominando fosse lei, O resumo em fumo e luz Ao vazio me conduz E não deixa sequer rastro, Vagamente sou poeta, Noutra cena se completa O cenário onde me alastro. 45 O que fora e não se faz Ascendendo ao mais sobejo, Ao final nada mais vejo, Queda dura e tão mordaz, O cenário se sagaz Impedindo algum desejo Resumindo em tal negrejo Este passo outrora em paz. Reparando a cada ausência O senão em anuência Afluências no estuário Onde a sorte se transporta Ao abrir do mar a porta, Imagino-me um corsário. 46 Em diversas sensações Outras tantas; imagino E se tento um cristalino Caminhar onde me expões As temidas ilusões, Ou meu verso em desatino, Rebrilhando, perco o tino E não tenho outras opções, Sigo espástico e me calo, Quando deste tom vassalo Expressões dispersas; bebo, Do remédio em amor próprio, Um caminho vago e impróprio, Meramente algum placebo. 47 Já não posso me incluir Nesta cena aonde outrora, O caminho desancora Degenera algum porvir, E se tento presumir O que possa ou já devora, O saber sem ter nem hora Se assenhora do existir. Esboçando um passo além Do que tange ou me convém, Tinjo em rubros os meus dias, Viperina sensação De uma espreita em precisão, Com furores me trarias. 48 Se já não bastasse o fato De não ter e não saber O que possa acontecer Quando a morte; em mim resgato, Ao sentir farto maltrato De quem tanto quis prazer, Passo mesmo a perceber Mundo atroz temido ingrato; Cinzelando novo sonho, Mergulhando desde antanho Nesta insânia, nada resta, Perecíveis ermos vãos Os meus passos tecem nãos Do futuro? Sequer fresta. 49 Sem haver qualquer traçado Dentro ou mesmo fora em mim, Desafeto trago ao fim Do caminho mal tramado, Ermo passo, desolado, Chego ao trágico que enfim Acendendo este estopim, Restaurando o meu legado. Esgarçando cada fato, No puído me retrato Sem resgates, sou retalho, Quando busco algum instante Tão diverso doravante, No vazio então me espalho. 50 Sem noção sequer do que Poderia se diverso, O meu canto ora disperso E deveras não se vê Nem tampouco o que se crê Transformando o mais diverso Ou gestando este universo Onde a morte se prevê. Caos em mim, mera constância Outro tanto em vaga estância Estancando esta sangria, Mas no fundo, problemático, O meu canto tão errático Não conhece a poesia. 51 De ponta-cabeça o mundo Onde a voz já não se escuta A verdade sendo astuta No passado onde me inundo Ou no quanto me aprofundo Gera a força atroz e bruta, E se tanto inda reluta, Ermo sonho, um vagabundo. Represando o que pudesse Na certeza da benesse, Outra luz se entornaria, Mas resumo cada instância No vazio da inconstância Deixo ao canto uma agonia. 52 Se eu pudesse me mover Ou talvez até pensar No caminho a desvendar Noutro passo esmorecer, E quem sabe recolher Cada traço do luar E bebendo inteiro o mar, Salgando meu bem querer. Lastimando cada queda Onde o nada ora envereda E domina por inteiro, Ouso até buscar quem trace No meu mundo nova face, Num cenário costumeiro. 53 Já não sei sequer meu nome E quem sabe não faria Nem tampouco em ironia, Furioso mar consome Quem deveras tenta e some O mergulho na agonia Produzindo a alegoria, Mas não mata a minha fome. Presunçoso? Não, somente Do caminho que se ausente Feito um pária sem destino, Desenganos que acumulo O meu passo não é chulo Nem ao vago eu me destino. 54 Tal qual fosse um pendular Desengano em tons diversos Vou ousando nestes versos Tento até qualquer lugar, Onde eu possa desvendar O que trazem universos Se complexos e perversos Tons submersos ao luar. Sem respaldo nada faço, Erros tantos, cada passo Desviado sem ter nexo, E medonha garatuja Face torpe, tosca e suja Do meu ego algum reflexo. 55 Morto o corpo jaz na sala E não vejo algum velório Onde tanto fui simplório Quando a voz, em paz se cala. Alma tosca e até vassala Num caminho merencório, Percorrendo o mar inglório Mergulhando em rasa vala, Escorraço corriqueiro, Num terrível, vil canteiro O meu passo se acostuma, Se a minha alma pensou tanta, A verdade desencanta, No final vaga ou nenhuma. 56 Esqueço-me no horizonte Mirando o que nunca vem, O Passado diz tão bem Do que desde o além se aponte Ao morrer na própria fonte O riacho não contém Sem as águas vou também, Sendo inútil qualquer ponte, E cansado de cismar Mesmo tom, igual lugar Espreitando o que jamais Poderia haver enfim, Pois se até dentro de mim Morto mar. Ausente cais. 57 Devaneio vez em quando Na procura por talvez O que há tanto se desfez Noutro rumo navegando, O vazio me tomando, Onde agora já não vês E o que vendo não mais crês Um fantoche se entregando Ao não venha, ao deus-dará E percebo não virá Qualquer luz além do nada, Precedendo ao passo em vão, Como sempre o mesmo não Desenhando a falsa estrada. 58 O que posso percorrer Se jamais houvera um barco Com naufrágios tantos, arco Neste mar ao perceber Outra ausência a me tolher, A vontade em tom tão parco, Desamor gerando um marco Destroçando enfim o ser. Resplandece além o sol, Mas sem nada no arrebol Tão somente o vago em mim, Cego eu sigo sem sentir Se deveras há de vir Ou em paz descanse, enfim. 59 Desde quando o ser ou não Poderia ser diverso Do ditame de algum verso, Sem destino ou provisão? Risco espaços, bebo o chão E prossigo tão submerso Nos instantes que disperso Desconverso e volto ao vão. Cãs somente o quanto trago, Cão em busca de um afago, Mas no fim eu me acostumo. O cenário é sim, reflexo E se tento estar perplexo Do cevado sou resumo. 60 Este vácuo aonde aflora O daninho costumeiro, Erro farto no canteiro, Qualquer cor já foi embora, A certeza sem demora A incerteza e o jardineiro O fatal e corriqueiro Derradeiro desarvora. Chego tarde, reconheço, E no fim sem adereço A mortalha é simples qual Vida leda em terra alheia, Nem saudade me rodeia. Facilita o funeral. 61 Coração, a velha esfinge Já cansada de dilemas, Entre curas ou algemas Muitas vezes teima ou finge, E se tanto já se tinge Quanto mais deveras temas, Noutros dias, outros temas, Mas decerto não me atinge, Sou deveras tão volúvel E se tentos ser solúvel Nada trago em minhas mãos, Nem passado nem futuro, Sobre o imenso e tosco muro, Entre os sins, erijo os nãos. 62 Qual se fosse transparência A alma nua segue enquanto Procurando em qualquer canto Reproduzo esta aparência, No que diz conveniência No final, nada garanto, Nem sorriso e nem quebranto, Talvez trague a incoerência. Vasto mundo dentro em mim, E no fundo nada enfim A não ser o que reflito, Amor talha na mortalha E no fim quando se espalha Este incerto é ledo mito. 63 Das pirâmides ao caos, Dos abismos aos solares, Entre tantos ao buscares Já não vês velhos degraus, Ouso até vagar em naus Por dispersos, vis lugares E se tento noutros bares, Dias toscos, rudes, maus Enfrentando o meu espelho, Neste nada me aconselho E atropelo o meu caminho, Se deveras fui errático, Jorro em gêiser, mas sou prático Se eu prossigo, estou sozinho. 64 Tão diverso este perfil Do avatar que trago além Sei somente se convém Se deveras já nunca viu Ou no quanto sei ser vil, Mas disfarço e muito bem, Nada em mim, tento e contém Finjo até ser mais servil. Passo a passo sigo ao vento, E deserto quando tento Algo mais que a própria queda, Por vagar em desencantos, Vasculhando tantos cantos, O caminho ao fim se veda. 65 Um abismo imensurável Nada além do costumeiro, Ergo o olhar e sei do inteiro Mar deveras navegável Quantas vezes, mais saudável Das palavras, garimpeiro, Lapidando o verdadeiro Ou traçando imaginável Perco o tempo, ganho a vida, Mas decerto vai perdida A palavra lavra em mim, Dos cinzéis e dos buris Tantas vezes nada fiz A não ser teimar jardim. 66 Paro quando eu perceber O que nada mais resiste, Se em verdade o sonho insiste, Volto mesmo a descrever, Sou metáfora do ser E permito ser mais triste, No que tange e não existe Sou mortalha e me tecer. Esquecendo do que um dia Fosse apenas fantasia Eu me sorvo em cada verso, Bebo em cálice venal, Mas no fim sou desigual Do que sou e ora disperso. 67 Se eu pudesse soterrado Entre as pedras do caminho Quando fiz aquém o ninho, No final, ledo passado, Vento quando desvairado Muitas vezes sou daninho, Noutra mero e tolo espinho, Tantos dias, sempre errado. Nestes trâmites percebe A verdade noutra sebe E recebe o que não veio, Cada frase solta ao vento, Se eu pudesse, quando eu tento, Ser além de devaneio. 68 Sob a luz da lua cheia O meu tanto quase nada, Atropela a velha estada Mariposa, a luz rodeia, Esquecendo a dor alheia Vago em noite constelada, Na certeza garimpada Onde a morte não anseia, Esgotar o mar em mim, Tantas águas e no fim O desértico poema, O meu carma eu sobreponho Num prismático e medonho Caminhar que nada tema. 69 Uma enorme fantasia Marca o dia onde pudera Ao beber em mim a fera Outra fera se recria, Na mutante alegoria O que jaz em primavera Noutro rumo destempera E me espera dia a dia, Ecos tantos semeando, Num arquétipo nefando Roseirais já não florescem, Os meus passos entre fartos Representam velhos partos, Torpes ecos obedecem. 70 Varro em mim o que inda sobra Da tangência ou queda plena, Na verdade não se acena Nem espreita fera ou cobra, O passado se recobra Na vontade se serena Ou se tanto me envenena Noutra face se desdobra, Abro em mim os vãos umbrais E se tento ou nunca mais A colheita diz semente, No final de cada fase, O que tanto vague e atrase Noutro rumo se consente. 71 O cadáver me procura Em noites frias, turbulentas Quando além do que apresentas Bebo em goles a loucura, O meu tempo não tem cura E deveras são sangrentas As palavras virulentas Quando busco a vã ternura. Esgotando o que talvez Inda alheia tu não vês E jamais tu sentirias, Percebendo o que reflito, Meu cadáver vai aflito, Faz das noites, todas, frias. 72 Barcos, naus em rio imenso, Ou quem sabe noutra foz Estuário em mesma voz, Quando em ti querida eu penso, Na verdade me compenso Ao não ser o teu algoz, E repito em velhos nós O que outrora fora tenso. Num jazigo ou neste leito, Minha herança eu sempre aceito Decomponho a cada morte, Esgueirando de mim mesmo, Quando tolo me ensimesmo, Qualquer cais, pois me conforte. 73 Numa vaga e tão difusa Expressão coloquial, O diverso vendaval Onde a sorte se entrecruza Com a vida mais confusa, E deveras bem ou mal, Vago espaço sideral Quando o charco em mim abusa Disfarçasse qualquer ato E se tento ou já desato No final restando alheio, O meu fado em qualquer nota Pouco a pouco se denota O que alhures, devaneio. 74 Fosse um barco abandonado Neste cais sem previsão Nem sequer se inda virão Outros dias, mesmo enfado, O caminho deste gado Entranhado em divisão Esquecendo algum senão Mesmo quando anunciado. Restaurando o meu engodo, Resumindo em dor e lodo Cedo quando passo em branco Dia a dia sorte tenta Ou deveras segue lenta, Quando em queda me desanco. 75 Infiel ao meu caminho Num estio costumeiro, Onde quis qualquer canteiro Já não posso, sou mesquinho, E se tanto vou me aninho Neste céu em vão tinteiro, Agrisalho o tempo inteiro E revolvo rosa e espinho. Na incerteza de ouro ou nada, A verdade garimpada, Não lapido e já me aquieto O cascalho em pó e lama, Não importa quem me chama, Sou o mesmo, torpe inseto. 76 Se eu seguisse sempre a pino O meu passo em consonância, Quem percebe a militância Onde tanto me alucino, Já não sabe do menino Que a mortalha em discrepância Mata aos poucos na inconstância Deste tosco e vão destino. Expressões diversas; tento E se tanto sigo atento Não reparo queda e corte, Anuncio o fim do jogo E se tenho ainda em rogo Morto apenas, me comporte. 77 No descaso caso venha Veja o fim quando se expõe No passado decompõe E teimando em pouca lenha, A verdade não se emprenha E o futuro não compõe O que agora ao medo opõe Se não sabe chave ou senha. Lacra o passo, nega o rumo, Mas no fim eu me acostumo E presumo qualquer dita, Sou meu ermo e não me engano, Quando olhando o velho dano, Nem reparo necessita. 78 Quando lanço ao velho mar Estas prendas, morte e riso, Projetando o mais preciso Ou disperso navegar, Timoneiro a procurar Outro tempo ou Paraíso, Mas no fundo o prejuízo Toma tudo a divagar, Esgueirar em meio às ondas Onde agora tu me escondas Sem respostas o que tento. Mar imenso em tez sombria, Mas procela desafia Este olhar jamais atento. 79 Entre velas ondas proas, Olhos vagos no horizonte, Presumindo quem aponte Onde a sorte; ainda arpoas Noites claras, belas, boas E o meu passo em vaga fonte, Cada engano desaponte A versão que agora entoas. Gestos fartos ermos ledos, E se tento outros degredos Dos segredos, procissão, Um marujo acostumado, Neste tanto mareado Descobrindo a diversão. 80 Num frescor sem paralelo, A manhã renasce após O desando feito em nós Ou no caos que em mim revelo, Outra vez, novo castelo, A incerteza dita voz Semeando a sombra atroz Onde outrora quis mais belo, Afastando alguma sombra Busco além qualquer alfombra, Mas no fim o quanto resta Traduzindo em pedra e espinho, Pouco a pouco eu me definho, Este sol, já não diz fresta. 81 Sorvendo a eternidade desta noite Aonde cada passo poderia Trazer quem sabe a vida em alegria Ainda quando o sonho nos açoite. Espaço o tempo alheio ao sentimento E sei o quanto eu sou, por vezes mórbido, Mas não seria ausente, ou até sórdido Apenas o caminho; ainda eu tento. Contemporaneidade dita normas E nela se percebe ou mesmo não, Os ermos onde os dias traçarão, Enquanto, mais sutil; nada transformas. Bebendo do passado em lua nova, O mundo é tão igual. Mas se renova? 82 Vejo a morte desde cedo Num ditame e não escapo, Na verdade este farrapo Noutro vago eu me concedo, E cerzindo o meu enredo Onde apenas vejo o trapo, Principesco e tosco sapo Nada resta no que tange, Mesmo quando o tempo esbanje Na procura por respostas Sendo as marcas destas presas Nestas costas mais obesas, O que enfim desejas, gostas. 83 Na brevidade do instante Feito em vida, ou quase tanto, O que posso e não garanto Noutro modo se adiante, O meu sonho, um ruminante, Versa quando em vão quebranto A passada eu adianto Num cenário atordoante. Investindo neste nada, A minha alma destinada A não ter senão infaustos, Já não quero um novo grão, Mesmo quando se farão Tais escusos holocaustos. 84 Outra vez em solidão Tento ao menos qualquer face Onde a vida ainda trace Mero alento ou mansidão, Caminhando sempre em não, Se em meus sonhos inda grasse No que tanto já desgrace Este torpe turbilhão, Sou errático e; portanto Cada passo onde adianto Nova queda prenuncia, Sendo assim e mesmo até O destino diz quem é E o que trama a fantasia. 85 Vez por outra tento em risco As veredas mais estranhas Onde mesmo as que ora entranhas Noutro tempo não arrisco, E o que tento em paz; confisco Mergulhando em novas sanhas Ou teimando nas montanhas Face idêntica do disco, Esgueirar pelo passado E tentar outro recado Mesquinhez? Talvez ou não. Sinto o verso quando o nego, E o vagar traz em nó cego Desviando a direção. 86 Adentrar cada alameda Onde pude ou nada disto, Mesmo esgar e não resisto Quando o nada se proceda, Ou quem sabe esta vereda Trame o quanto em vão insisto, Respirando e assim, existo Novo rumo eu me conceda. Estuário mais diverso Ainda quando em mim eu verso Procurando por talvez Outra sebe onde descanse, Mas sequer mero nuance Do que em mim ainda vês. 87 Sedas entre rendas; vejo E se tento algum disfarce Condenado ao quanto esgarce Mergulhando em vão negrejo, Sou deveras malfazejo Onde tento e não disfarce E gerando novo esgarce Bebo o fim que não prevejo, Ascendendo ao quanto eu pude Nada trago aonde pude Ilusões são costumeiras, Sem saber se eu posso ou não, Vibro a cada sensação, Mesmo quando outra tu queiras. 88 Apresento a tão sonhada Noite aonde nada vira Senão ermos da mentira Tantas vezes dando em nada, Onde quis mais orvalhada A verdade se retira E negando brasa ou pira Farsa feita e bem tramada Ouso até pensar no alheio Quando o meu passo não veio Expressando a morte em mim, Vasculhando esta gaveta Outro fato me arremeta Ao cenário de onde eu vim. 89 Azulejo o passo em rumo Aos meus tantos e diversos Expressares quando em versos Tolamente eu me resumo, Procurando essência e sumo Dos meus erros mais dispersos Noutros tantos já submersos, No final acerto prumo. Esgueirar queira ou não queira, Estopins; acendo quando O meu canto derramando Traz em si; a verdadeira Face escusa, mas voraz, Que o passado vivo traz. 90 Tantas quantas eu pudesse Ansiedades simplesmente No talvez quando se mente Omitindo qualquer prece, No vazio a vida esquece E traduz mera semente Onde fora plenamente Qual demente se enlouquece, Nesta insânia contumaz, Quanto mais constante a cena Outra idêntica condena Ao caminho que não traz Quem deveras fora tanto, Hoje apenas desencanto. 91 Pela escada rumo à queda Um degrau em discordância Vida passa e sem instância O meu passo o tempo veda, No vazio se envereda E buscando uma constância Onde houvera mera estância E bem sei; apenas seda. Sedas entre teus cetins Sonhos traçam ledos fins E os enganos refletindo, O que tanto quis, disperso, Busco o prumo quando verso, Mas sei quanto o tempo é findo. 92 Nestes rios, sangue, veias Outros tantos, confluência, Vendo já sem ingerência O que ainda em vão rodeias, Luas claras e permeias Com fatal incongruência Ao transtorno e penitência Providências são alheias, Cedo enquanto no horizonte O futuro nada aponte, Tão igual ao que vivemos, Neste fátuo caminhar, Ir e vir céu e luar, São deveras frágeis remos. 93 Cordilheiras dentro da alma Em condores, lhamas, Andes E diverso se desandes Noutra trama diz do trauma, Onde nada mais acalma Nem torturas e desmandes Hoje sigo em sonhos grandes, Mas conheço a mera palma, Resta apenas o retrato Tantas vezes tolo e ingrato, Resgatando o já não sido, O mergulho em tais montanhas Traduzindo estas entranhas Noutro fátuo, vago olvido. 94 Das nevascas e geleiras, Onde outrora vira a cena Que jamais pensei serena E desfaz velhas bandeiras, Nestas horas corriqueiras, A verdade leda e plena, Muda quando a minha pena Em teclado tu mais queiras, Caminhar em cardo e farpa, Mergulhar de cada escarpa Escapar quase que imune Aos que tange ou me interessa, Tanto tempo em vã promessa, E o futuro o velho pune. 95 Destas tantas umidades Fantasia em aridez, O que tanto já não vês Noutro espaço ainda invades, Rompo em mim algemas grades E tentando em lucidez Caminhar a insensatez Mesquinhez, realidades. Expressões diversas; sinto Quando tento novo aprumo, Mas da América eu resumo O vulcão agora extinto, Que no fundo em lavas lava A sua alma sempre escrava. 96 Por planetas meros rastros Dos medonhos antes quando Tal formato se moldando Não deixara sequer lastros, Onde quis em alabastros O meu ermo cinzelando No final se desolando Os destinos sem seus astros. Na vidência de um cigano Turbilhão em que me dano Novo fato, mesma cena, Na incerteza do que tenho, Outro mundo, mesmo empenho, À guerrilha se condena. 97 Varre a terra onde passara Esboçando risos, medos E se tanto sei de enredos Navegando em vã seara, O meu canto se prepara Onde cismo sem segredos Dias fátuos, tempos ledos, Outra voz se desancara, Carpideira de plantão, A mentira em previsão Nega a queda do que é morto, Olho e vejo este reflexo E mirando mais perplexo Presumindo cada aborto. 98 Uma arma que se empunha a cada cena Outra desnuda enquanto o carrossel Vestígios desta pólvora no céu Apenas à verdade se condena, Ardente caminhar, tola sirena Bebendo em goles fartos o cruel Desenho feito em sonhos de papel, Ousando nesta mesma tosca arena. Escaravelhos dizem do que resta Nesta iguaria tanto desonesta Servida em funerais, minha alma cede, E o verde se esgotando a cada passo Cenário aonde o ledo e mero traço Ainda que a verdade morra ou vede. 99 Ninguém pode sequer colher o farto Desejo em vã colheita quando tento Vencer o caminhar contrário ao vento E deste desenhar eu já me aparto, Tomado pela essência deste parto Aonde vejo o tênue, mas sangrento Delírio desejado em provimento E o todo noutro errático eu reparto, Esboço bem mal feito do que assumo E sigo contumaz, ledo resumo Do frágil suicida em tantos nãos, Expresso ou mais confesso um erro quando O todo noutro par compartilhando Restaura a invalidez de torpes chãos. 100 Pastoreando a sorte em dissabores, Aonde pude outrora crer num fato Resgate do que em nada já retrato Seguindo sem prenúncios onde fores, Anunciando a queda em fátuas flores Bebendo este insalubre e vil regato, Escasso caminhar; sei e constato Os cernes mais medonhos, grises cores. Errante bandoleiro vago à toa, E sinto quanto mais em mim ecoa A voz em discordância tão sutil, Esparsos dias sinto quando ateio O manto desnudando o passo alheio Ao quanto de mim mesmo não se viu. MARCOS LOURES FILHO
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