
MARES DA PAIXÃO
Data 18/07/2010 17:00:01 | Tópico: Poemas -> Amor
| Como um barco à deriva Pelas sendas dos mares da pai navego Gritando teu nome até secar-me a saliva Mesmo sabendo que sofrerei me entrego.
Já não sei dizer se posso Afastar-me deste amor que carrego Sinto-me agredido pelo remorso Pois foi de tanto amar que fiquei cego.
E perdi o leme O leme do coração Hoje inconsolavelmente minh’alma geme Com os olhos molhados pedindo perdão.
Navego pelos mares do amor Para um dia poder dizer-te O resumo da minha dor E que em hipótese alguma deixei de querer-te
Mesmo sob duras ameaças Mantive-me firme Dia após dia chorando por este amor que me desgraça. E por esta dolência que mi oprime.
Num destes dias curvado aos prantos Não sabia que fazia parte dos teus planos Amar-me tanto A ponto de me causar danos.
Apesar de tudo que sofri Naufragado em ardentes desejos Sufocado pela distância que existe entre mim e ti Por este amor que mata-me e não vejo.
Neste barco sou impelido para os quatro mundos Onde pouco a pouco vou deixando os meus lamentos Sofrendo por um pouco de tudo Cantando meus versos nas harpas trêmulas dos ventos.
Talvez você não veja, mas tenho minh,alma doente Pelas palavras chorosas que meu coração dita Sofro e ninguém sente Sofro por alguém que não acredita.
Em minhas confissões deixadas ao meio Nem nas estrofes que o meu coração diz Banho-me neste mar, respiro fundo e devaneio. Pois sei que jamais vou esquecer das loucuras que já fiz.
Para não te perder Para preservar a todo custo esta esperança Quis morrer, sim quis morrer! Porém você me veio à lembrança.
Veio a mim a lembrança do tu rosto Eu em alto mar tomado de alvoroço Amargando as muitas mágoas que as ironias do amor me tem posto Fui tomado por um delírio e vi minhas lágrimas correrem por teu pescoço.
Deslizando até os teus pés Gritei com a ardência do meu peito ferido Vendo meus prantos lavarem o convés É duro saber o quanto te hei perdido.
Julga-te vitima de alguma ofensa? Qual foi o meu erro Senhora? Será que errei em devotar-te este amor por excelência? Será que errei ao render-me a este amor que me devora?
Onda após onda busco respostas para minha alma cansada O desejo de amar é mais forte que eu e me consome Com a face em lágrimas mergulhada Pergunto: qual foi o meu delito Madame? Para que te sintas ofendida. Rasgue-me agora o peito com doçura e lance no fundo dos mares esta solidão. Cura-me desta ferida Que dilacera a cada dia meu coração.
Enfim desperto Deste delírio, deste sonho que nunca foi vivido. E com os olhos abertos Caio em mim com o coração liquefeito, diluído...
Sozinho na embarcação Com saudades do teu amor, do teu carinho. A todo momento pedindo-me perdão Usando uma coroa de espinhos.
Pedindo perdão por ser um mártir navegante Um poeta sonhador Lançando versos nestas espumas flutuantes Eu sou o holocausto do amor.
Ás vezes reflito e não sei Se algum mal te tenha feito Por confessar-te o quanto te amei Ou se algum mal me fiz oferecendo-te a casa do meu peito.
Para você fazer o teu recanto A tua morada Entrar, deixar as marcas do teu encanto. E querer sair sem dizer nada.
Se fores Deixe comigo uma lembrança tua Leve consigo uma lembrança minha E em minha embarcação não navegarei sozinho E em tua vida não seguirás sozinha.
Escritor Jailson Santos
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