
VERSOS VÁRIOS
Data 18/07/2010 09:35:47 | Tópico: Sonetos
| 001
Chegando ao quanto pude mesmo em sonho Traçando alguma curva antes da queda Aonde o meu caminho ali se enreda Quem sabe qualquer curva recomponho? O tanto quanto quis ou me proponho No fundo o meu delírio se envereda Nos antros do passado e me degreda Num ermo desejar quase bisonho, Auspiciosamente a vida traz Uma ilusão por vezes mais tenaz E tanto se entranhando noutra senda Quem sabe no final mereça a luz? Ao farto desejar jamais me opus Sem nada, na verdade que inda atenda.
002
Tempestuosamente até quem sabe Eu pude acreditar em tal promessa Quem ama na verdade tendo pressa Bem antes que ilusão em vão se acabe Desenha outro cometa e até se gabe Da falsa sensação e se endereça Ao vago começar, mais que depressa Depois percebe a casa onde desabe, Assim ao perecer esta emoção Momentos mais diversos se farão E neles o vazio perpetua, A sorte desdenhosa e passageira No fundo quer deveras ou não queira, Após qualquer tempesta vem a lua.
003
No mesmo caminhar aonde outrora Pudesse adivinhar quem me quisesse E sendo o coração em tal benesse Apenas o vazio me decora, O risco de sonhar, não tendo agora No fundo deste mar, não recomece O sonho aonde o nada se obedece E o sentimento atroz somente ancora. O passo rumo ao farto não mais dera E o manto se transgride em primavera Na espera alucinada, nada vejo, Somente a mera sombra do que um dia Pensasse ser só minha a fantasia E nela desenhado o vão desejo.
004
Falar de amor com quem jamais me escuta É como se pregasse num deserto E quando o sentimento ali desperto A ausência se tornando mais astuta, O passo se encaminha, mas reluta Este alvo nunca vejo aqui por perto O rumo que pensara estar aberto Somente no vazio e sem permuta. O ranço desenhado no teu rosto, O amor noutro momento em contragosto O riso anunciando o fim da peça, O sonho desmedido? Mera fraude O quanto na verdade fora embalde Ao sofrimento enfim já me endereça.
005
Premissas de outros dias tão iguais Os olhos esvaziam o horizonte Sem lua nem momento que se aponte Os ritos se repetem, tão banais, E quando nestes antros siderais O amor já presumira qualquer ponte Ainda quando muito desaponte E traça riscos tolos e venais. Ocaso de um poeta em solilóquio A vida não permite outro colóquio E a minha insensatez ora me isola, O quanto quis deveras e não tive, O mundo aonde o passo enfim detive O sonho insatisfeito em dor imola.
006
Já não contenho mais algum jardim, A morte se aproxima e se vendo O olhar em duro corte, mal retendo O que inda resta em luz dentro de mim, Cenário na verdade ledo e enfim O meu caminho apenas um remendo Do quanto imaginara e fui perdendo Nas tramas deste canto até o fim. O manto destruído da esperança E nele tão somente a vaga alcança Naufraga qualquer messe que inda houvera, Assim ao me sentir mais isolado, O tempo noutro tempo sonegado Jamais refletiria a primavera.
007
Não quero esta promessa vã de fato Apenas prosseguir e sem descanso Buscando dentro em mim qualquer remanso Ou mera providência de um regato, No todo aonde às vezes me retrato O nada com certeza; vejo e alcanço O prazo terminando e não avanço Somente a solidão em tom ingrato. Escapo da mortalha que me deste E o canto ainda mesmo mais agreste Não deixa que se creia num verão, O marco desnudado mostra a face Da morte que deveras cedo grasse Tomando em suas rédeas o timão.
008
No prazo que termina desde agora Acasos se repetem, pois no fundo Do todo aonde um pouco ou não me inundo O olhar ao ver vazios se apavora, O quanto a fome esboça e não aflora Sequer algum momento e neste imundo Delírio procurando nalgum mundo O canto aonde o prazo não demora. Restituindo em tom diverso o quanto Perdera noutro rumo, eu te garanto Jamais imaginei qualquer resgate, No tanto que pudesse e me maltrate A vida se transforma em vil quebranto E nesta dor intensa me desate.
009
Orgásticos caminhos do passado, Apenas meras sombras vejo e tento Ainda que se mostre o sentimento O mundo há tanto tempo derrocado, O vasto caminhar em farto prado O coração jamais se fez detento, E quando um novo amor, procuro e invento Somente o meu temor mal disfarçado, A morte se aproxima e dita o rumo E quando na verdade me acostumo Querendo vez em quando alguma luz, O resto dos meus dias leda paz, A sorte a cada ausência já desfaz O que meu mero sonho inda produz.
010
Já não mais caberia solução A quem se fez ausente da esperança E o passo sem destino bem mais cansa, Sedenta noite dita este verão, O amor sem ter remédio, em provisão Diversa da que tanto em confiança Exprime tolamente esta mudança E novos tempos tento desde então. Se caprichosamente a vida omite E o tanto ultrapassando este limite, O rastro que persigo se perdeu, Ainda vivo aquém do quanto quis, E sei do meu delírio de aprendiz, Num mundo onde julgasse fosse meu.
011
Jamais eu poderia imaginar Qualquer caminho aonde se escondesse Estrela que meu mundo merecesse E nesta maravilha qual luar Seguindo cada rastro até achar Quem tanto imaginei e assim se tece O coração afoito em tal benesse Deveras não se cansa de sonhar. Viver cada momento que se visse O amor além do caos, tanta mesmice Refaço cada passo noite afora, E quando sinto em ti farta beleza Minha alma se sentindo à tua presa, No cais mais desejado, pois se ancora.
012
Meu verso se fazendo de ilusão Ganhando qualquer passo rumo a ti, No quanto ao desejar te mereci Qual fosse meu caminho em teu timão, Vagando noite adentro, a sensação De quanto imaginara encontro aqui E sei que te encontrando eu me perdi Abençoada e rara perdição. Altares que erigi ao nosso amor, Num ato tão suave e encantador Geraste novo altar dentro de mim Qual fosse algum templário, nele eu vejo O sonho discernindo benfazejo E tramo babilônico jardim.
013
Ecléticos caminhos perfilados Transcendem ao que pude desejar, Quisera qualquer gota do luar E nele meus anseios desenhados, Os rumos na verdade demonstrados Nas ânsias mais gostosas de encontrar, Resumo cada passo a te buscar Em dias tão somente iluminados, Raiando dentro em nós cada momento Aonde na certeza me alimento Do sonho aonde tramo a poesia, Qual fosse cristalina fonte eu creio No todo que me dás e sem receio O amor ao ver amor, amor recria.
014
Somáticos anseios; minha luta Traduz em verso e luz o que ora almejo Marcando com delírio mais sobejo Vencendo calmamente a força bruta, A noite do teu lado, o mar se escuta E nele saciando este desejo Sereia entoa cantos e te vejo Desnuda nesta praia, lua e gruta. Resulto deste tanto caminhar Por ânsias tão diversas de um luar Expresso em teu olhar e em tua voz, Resumo de uma vida que pensara Atroz e agora vejo bem mais rara, Atando esta esperança viva em nós.
015
Já não podia mais com a incerteza, Cansado de lutar inutilmente O fim do nosso caso se pressente E digo sem temor e sem surpresa, No quanto a minha alma andara presa E neste caminhar impertinente, O farto do delírio já se sente Seguindo mansamente a correnteza, Andando em meio às tais constelações Aonde com carinho tu me expões A redenção divina que eu tentava, Assíduo passageiro em verso e canto, Deitando do teu lado eu me agiganto E enfrento qualquer onda atroz ou brava.
016
Essencialmente eu busco a paz e tento Sentir a providência em cada verso No quanto nos teus braços sigo imerso E tenho com certeza ali o alento Que tanto procurara em pleno vento Ansiosamente crio este universo Ousando no caminho mais disperso Resumo de meu mero pensamento, Alheio aos dissabores; vejo em ti O quanto desejei e descobri Que um dia poderia ser só meu. O amor desafiando qualquer sorte No todo e no momento em que conforte Atinge sem perguntas o apogeu.
017
Ainda que tu fosses além mar Eu não me cansaria nem sequer De ter nos meus delírios a mulher Que tanto desejei um dia amar, E a cada amanhecer, a luz solar E nela toda a força que aprouver Trazendo farto amor e se puder No coração deveras aportar, Permanecendo assim, enamorado, O tempo transcorrendo lado a lado Alado passageiro da esperança, Meu canto não lamenta, comemora E a vida que pensara atroz, agora Ao vasto do infinito em paz me lança.
018
Acendo outro cigarro e na fumaça Eu vejo esta presença de quem tanto Desejo e na verdade em desencanto Agora noutra senda além já passa, O verso ora se cansa e sei que é baça A vida de quem busca o claro manto Vestindo esta ilusão, mas eu garanto A sorte anunciada o rumo traça. E tento após a queda a redenção E sei que nos teus braços poderão As luzes mais suaves conhecer. Assim ao me entregar sem ter receios Sentindo a maciez dos fartos seios, Desenho no teu corpo o meu prazer.
019
Esboço uma canção aonde eu possa Grassar sem ter o medo de uma ausência E tendo nos teus braços a anuência Sabendo que esta vida agora é nossa, Ultrapassando em paz, o poço e a fossa, O risco se mostrara em inclemência E agora já não vejo uma imprudência No passo rumo ao tanto que se endossa. O amor não deixa mais qualquer detalhe Espúrio, e se caminha enquanto talhe No céu a redenção em luz sublime, O quanto se percebe o nosso caso, E nele a maravilha onde aprazo O sonho que deveras nos redime.
020
Marcando em voz sombria o meu passado, Agora não teria outro caminho Senão este do qual eu me avizinho Vivendo o dia a dia do teu lado, O rumo com certeza já traçado E nele o meu delírio gera o ninho Aonde o coração qual passarinho Encontra o seu destino enamorado. Elaborando assim um novo tempo Aonde não se vendo contratempo Perpetuando a paz que se buscara, A sorte abençoando quem se dera Gerando dentro em nós tal primavera Dourando com ternura esta seara.
021
.Censura teus amigos particularmente, e louva-os em público..
Públio Siro
O quanto erraste eu sei e não me omito O dia necessita deste sol, Assim nossa amizade qual farol Traçando não somente o que é bonito, E quando se perdendo no infinito Gerando tão somente um girassol Assídua tempestade no arrebol, Deveras neste ardor não acredito. Eu louvo quando tu mereces, mas O tanto que se mostre quando faz Também a ti censuro na calada, Ao ver nossa amizade desta forma, O quanto abençoada se transforma, Traçando em consonância a bela estrada.
022
.Meu Deus protegei-me de meus amigos! Dos meus inimigos eu me encarregarei.. Voltaire
Bem sei que me traíste, companheiro, E sinto por não ter em teu olhar Beleza tão sobeja a se mostrar E deste turvo rumo eu já me esgueiro, O mundo tantas vezes traiçoeiro Cansado de sentir e de lutar, Porém em ti jamais imaginar O bote com terror, bem mais certeiro. Dos inimigos sei e os reconheço, Se dos amigos perco este endereço, Tropeço a cada passo em vão degrau, O quanto me mostraste em fria face E o tempo na verdade agora grasse Moldando este cenário turvo e mau.
023
.Enquanto fores feliz contarás muitos amigos; quando o tempo se tornar nublado estarás só..
Ovídio
Tua amizade eu sei que na verdade Não tem qualquer sentido ou consistência No quanto se gerara em inclemência Na fúria quando a mesma nos invade,
Assim ao se mostrar a realidade E nela a mais difícil convivência O tanto que se quer, sem indulgência Matando o que pensara e se não agrade.
O risco de tentar um novo passo Enquanto estou feliz, já não condiz Com toda esta beleza e a cicatriz
Traduz cada momento que ora traço, Insólita presença deste “amigo” Melhor é não trazê-la aqui, comigo.
024
.Ama teu vizinho, mas não derrubes tua cerca.. G. Herbert
Respeito cada passo que tu dás E sei desta vital necessidade Embora insuportável qualquer grade, Limite com certeza nos compraz, O risco de se pôr bem mais audaz E não saber lidar com liberdade É torpe e com certeza nos degrade Deixando no passado qualquer paz. Por isto meu amigo, se presume Por mais que atinja logo imenso cume, Nossa amizade é feita em tal respeito, O quanto de teu canto quero e aceito Não diz totalidade nem pudera, Senão acordaria a tosca fera.
025
.Quanto mais cedo você fizer novos amigos, mais cedo terá velhos amigos.. Eric Berne
Manter uma amizade é necessário E saber discernir cada caminho Deveras a certeza dita o ninho, E nele todo encanto é temerário, Mas quando o amor se faz mais solidário E dita em mansidão eu me avizinho Do quanto pude em sonho e já me alinho Da paz agora manso este emissário. No tanto que desejo este novel Caminho que me leve ao raro céu Eu sempre acreditei mantendo o antigo A força com certeza multiplica E assim bem mais que uma alma nobre e rica Carrego o mundo inteiro, pois comigo.
026
.Não escolhas para amigo um homem de mau cará- ter.. Talmud
Reflexo deste espelho se mostrando No olhar de teu amigo, esteja certo, O quanto do demônio em mim desperto Num ar que seja turvo e até nefando, Mas tudo se transforma desde quando Mantendo o meu olhar bem mais aberto O rumo com certeza agora acerto E nele o bom caminho acompanhando. Não temo mais as dores costumeiras E sei também do bem que tu me queiras E traduzindo em nós esta aliança A vida se transcorre em paz sublime, E todo descaminho se redime Enquanto em nós houver tal confiança.
027
.Amigo é quem o é no infortúnio.. Do Panchatantra
Não quero esta amizade tão venal Que apenas desfrutar e não cevar, Assim ao aprender a caminhar Num rumo que se faz consensual, O risco de negar o próprio astral E ter bem mais disperso algum luar, Gerando o duvidoso desdenhar Quando a verdade dita um ar fatal. Arisco, sei que sou e na verdade, Ao crer somente quando uma amizade Enfrenta as tempestades corriqueiras, Ascendo ao mais sublime quando vejo O desenhar em mar turvo ou sobejo De luzes tão sinceras, verdadeiras.
028
.O inimigo mais terrível é aquele que já foi nosso amigo, pois conhece as nossas fraquezas.. Fernando Guimarães
Eu sei que tu conheces cada passo Por onde caminhei em minha vida, E sei desta armadilha presumida No quanto com terror já não mais grasso O rumo que desenhas, ledo traço, Preparo enfim a dura despedida E sei do quanto atroz a leda lida E o tempo se perdendo em vago espaço. Do laço com firmeza, nada sobra Apenas vejo ali a fria cobra Que atocaiada espera algum momento Aonde o bote certo se escancara E assim ao destruir toda a seara Mortalha que com paz, eu alimento.
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.O maior herói é aquele que faz do inimigo um amigo..
Talmud
Fazer de quem outrora se fez mal Um companheiro agora é privilégio Que vence com certeza um sortilégio E neste caminhar, é triunfal, Diversa realidade em tal colégio Traduz a convivência, isto é normal, Porém quando o temor é abissal, O medo se transforma em tom mais régio. A discordância gera a imprevidência E nisto é necessária a paciência, Mas; sobretudo além da concessão Saber o dividir e respeitar Permite um novo e claro caminhar Ousando até na mesma direção.
030
.Todas as glórias deste mundo não valem um amigo fiel.. Voltaire
É glorioso sim quem conseguira Num mundo tão atroz, esta verdade De ter compartilhado uma amizade Aonde o que vigora, atroz mentira, Olhar e mansamente ter na mira O quanto deste canto nos agrade, Vencendo o que deveras já degrade E nisto uma lição sempre se tira. Fidelidade é chave para o tanto, E neste passo afim eu me garanto Sobrepujando a dor do dia a dia, E quanto estou contigo, companheiro, O mundo que se fora um espinheiro Transborda em rara paz bela harmonia.
031
.Na prosperidade nossos amigos no conhecem; na adversidade nós conhecemos nossos amigos.. Collins
Enquanto a minha vida fora farta A mesa se mostrara sempre cheia, E agora tão somente o vão rodeia E a solidão ninguém de mim aparta, Porquanto enquanto a vida se reparta Na plenitude em voz atroz e alheia, Assim quando o vazio nos permeia Qualquer sinal de luz, eu sei, já parta. E tanto conhecera as duas faces Enquanto na verdade agora grasses Caminho bem diverso do que é meu, O quanto no apogeu tu foste amigo, Agora condenado ao desabrigo, O rumo desta casa se perdeu.
032
.Aquilo que nos agrada em nossos amigos é a atenção que eles nos dedicam.. Tristan Bernard
Jamais em ti eu vi uma atenção Enquanto eu precisava de um afeto, O meu caminho eu sei ser incompleto Ausente neste fato a direção E mesmo noutros tempos que virão, O quanto vejo em ti eu já deleto, O passo contrafeito nega o feto, O aborto traduzindo ingratidão. Desagradando sempre desta forma, Uma amizade aos poucos se deforma E vira mera sombra do passado, No tanto que pensei compartilhado Agora dividido em tez sombria, O próprio caminhar já não se via.
033
.A amizade multiplica as coisas boas e divide as más..
Gracián
Na exata divisão do bem e mal, O farto caminhar em tons dispersos Traçando na verdade os universos Num tom que nunca foi consensual, Assim ao me encontrar neste degrau Os olhos noutro rumo vão imersos, E tanto poderia, mas diversos Destinos desfazendo o magistral. O quase ser feliz numa amizade Deveras cada dia se degrade Enquanto não divide o maremoto, Mas quando soma apenas a ventura, Já não condiz com tudo o que procura Quem sabe num amigo um ser remoto.
034
.Desconfio do respeito de um homem para com seu amigo ou sua bandeira quando não o vejo respeitar o inimigo ou a bandeira deste.. José Ortega Y Gasset
Assim como na justa divisão O olhar não sobrepõe sequer ao quanto Divirjo do teu rumo e te garanto, Respeito a tua própria decisão, Mas quando se percebe algum senão E nele se apresenta em desencanto, Ao denegrir imagem erro tanto Que ao fim já não mereço compaixão. Defendo o teu direito tal qual fora Imagem mais diversa e refletora Do eterno caminhar por sobre a Terra, E tendo esta completa convergência No quanto entre nós dois há divergência A liberdade plena assim descerra.
035
.O amor é cego; a amizade fecha os olhos.. B. Pascal
Saber do que não vejo em farto amor, E crer ser diverso do que eu sinto, Assim ao se mostrar a voz do instinto Perdão se transformando em árdua cor. Porém quando a amizade traz no ardor A senda mais sublime aonde eu pinto O rumo que pensara outrora extinto Num passo sem pensar a se propor. Enquanto não enxergo mesmo olhando O passo se gestando bem mais brando Permite no futuro o solidário Caminho da amizade, mas também No amor tanta cegueira se contém Que qualquer passo além é temerário.
036
.Os amigos são parentes que a gente mesmo arranja. . Eustache Dechamps
Durante a minha vida, a solidão Batendo em minha porta vez em quando, Mas ao se perceber nos transformando Uma amizade diz desta união, E nela o parentesco desde então É mais do que decerto o se tomando Numa coincidência dominando Da vida qualquer rumo e decisão. Meu passo eu compartilho com o amigo E sei que na verdade assim consigo Bem mais do que se fez ora aparente, No fundo a gente tendo esta certeza Vencemos com furor a correnteza É da alma, com nobreza tal parente.
037
.A Bíblia nos ensina a amar o próximo e também a amar nossos inimigos provavelmente porque eles em geral são as mesmas pessoas.. Mark Twain
O próximo que a ti pode bem ser O mais distante até do que pensavas, E nele as ondas duras, firmes, bravas, Fazendo qualquer messe padecer. A dita se transforma em desprazer E gera na verdade duras travas, E quando noutro rumo tu te lavas, A sorte talvez possa conhecer. Assim ao se mostrar ao lado teu O quanto deste encanto se perdeu Trazendo num olhar ódio e terror, Aonde se pudesse ser diverso, Vagando para além meu olhar verso Quem sabe na distância eu veja o amor?
038
.A amizade é a afeição divina.. Rose Bonheur
Bem mais do que uma bíblica promessa De remissão e cura, ou mesmo o eterno, Nas mãos de uma amizade o bem mais terno Enquanto a vida além já recomeça, Assim ao mesmo rumo se endereça E neste desenhar, jamais inverno, O quanto em meu amigo ora me interno O bem que nos redima se professa. O risco de viver em solidão Transcorre da difícil solução Que damos ao tentar em desalinho Aquilo que em conjunto se consegue, E o solitário apenas mal navegue Já perde este timão errôneo ninho.
039
.Entre pais e filhos não há maior abismo que o silêncio..
Roger Rosemblatt
Já não suporto mais este vazio Gerado pela voz que agora ausenta, Assim a vida dita esta tormenta Aonde o meu futuro é mais sombrio, O solitário errático em tal fio Trazendo em sua face virulenta A dor que na verdade se apresenta E nisto gesta apenas ledo frio. Abismos entre nós, eu não mais quero, Prefiro mesmo o golpe mais sincero Ao nada que se trama quando alheio Ao passo ou quem desenha o pensamento E gesta com terror o sofrimento Matando em tal quietude o que eu anseio.
040
.É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.. Coelho Neto
Ao ver em ti reflexo do que um dia O ensinamento ousara ou sonegasse Demonstrar sem saber na tua face O que quando menino recebia, Assusta-me viver a hipocrisia E neste caminhar em turvo impasse A solidão deveras não mais grasse E trace novo canto em alegria, O fato mais constante que se sente Na mesma realidade tão freqüente Retratos tão iguais de pais e filhos, Desvendo este mistério ao conhecer Na parte o mais completo a se tecer Tramando caminhar em iguais trilhos.
041
.Só damos valor ao amor de nossos pais quando também somos filhos.. Henry Ward Beecher
Quando a vida traz noutro momento A face tão diversa e convergente Do quanto na verdade se apresente E nisto vejo assim, estando atento O olhar aonde o todo eu incremento E teimo mesmo sendo impertinente Vencer os meus anseios, plenamente Mudando a direção de cada vento. Ao ser pai percebi o quanto é rude O descaminho aonde tudo ilude E trago noutro olhar mesmo horizonte, Assim ao se mostrar num novo lado, O rumo desta feita desenhado Talvez para um consenso logo aponte.
042
.É, em grande parte, no seio das família que se prepara o destino das nações.. Papa Leão XIII
O mundo se converge enquanto traz No olhar a plenitude feita em brilho, E quando a realidade eu tento e trilho O olhar por vezes trama um rumo audaz, Mas quando num só traço a vida faz Gerando a realidade em estribilho O tanto do meu mundo onde palmilho Persiste até na vida mais voraz. Assim ao se fazer com precisão O certo caminhar em direção Ao claro amanhecer em bela senda, Unindo nossos braços, tão somente Enquanto a vida dita esta semente Colheita com fartura já se entenda.
043
.Se queres que seus filhos tenham os pés assentes no chão, coloque-lhes algumas responsabilidades nos ombros.. Abigail Van Buren
Ao dividir assim a direção Também é necessário o quanto creio Na vida mesmo quando em devaneio Gerando com ternura e precisão, O fato de viver em comunhão Expressa a realidade deste meio E nele ao convergir onde rodeio Transmite em segurança este timão. A história continua quer não queira E quando se mostrando verdadeira Responsabilidade transmitida Na força que se traz e nos reúna A sorte com juízo coaduna E gesta com firmeza inteira a vida.
044
.Não é a carne e o sangue, e sim o coração, que nos faz pais e filhos.. Schiller
Amar é poder ter no mesmo rumo O olhar ditando assim este horizonte E quando um bom caminho já se aponte O quanto de teu passo sempre assumo, E neste partilhar também me aprumo Gerando entre nós dois a firme ponte Na qual com mais firmeza se confronte A vida em tez diversa, ou ledo sumo. Presumo o parentesco de quem ama E redundando assim na mesma chama Fortalecendo então a claridade Da qual a sorte tanto necessita E gesta uma beleza que infinita Com toda a mansidão agora invade.
045
.Junto dos teus pais, procede do mesmo modo que desejarias procedessem os teus filhos.. Fiacomo Leopardi
Repito em atitude com quem amo A mesma forma aonde eu mais queria Ser revelada em rara sintonia Quais fossem deste arbol, o mesmo ramo. E quando este caminho em ti reclamo Ousando na amizade por bandeira Além da mais comum e corriqueira, Um novo amanhecer contigo eu tramo. Ascendo passo a passo ao mais completo Cenário aonde eu vivo o pleno afeto Traçando em consonância um passo audaz, Qual fosse refletido num espelho O quanto te desejo eu me aconselho E nisto o mesmo passo, a vida traz.
046
.De uma pequena tolice e uma enorme curiosidade resultam muitos casamentos.. Bernand Shaw
Por vezes neste enredo se percebe A dissonante história em comunhão, E quando se renega a floração Matando em nascedouro a bela sebe, O quanto no vazio não se embebe Quem tenta neste prumo a conversão Ousando mesmo quando dado em vão, Um passo em prejuízo ora concebe. O amor seja bendito enquanto unindo Trazendo este cenário claro e lindo Além de simples tola penitência Curiosidade apenas, nada disto. Eu vivo tão somente o que persisto E nisto não concedo mais clemência.
047
.Casa-te cedo demais, e irás arrepender-se tarde demais.. Randolph
Uma atitude assim desarvorada Transtorna em realidade tudo em volta E o tempo com o tempo se revolta E gera a face atroz e desolada, Precoce deslindar de audaz estrada Enquanto desarmando toda a escolta O quanto foste além deveras volta E traz a realidade em dura alçada. Neste arrependimento mais tardio Certeza de viver em pleno estio Ausente uma colheita em profusão, Assim ao se fazer precipitado O mundo noutro dia é condenado E cinde com certeza esta fusão.
048
.O problema com as boas idéias é que elas acabam dando muito trabalho.. Peter F. Drucker
Somente imaginar já não mais basta É necessário sempre ter nas mãos Certeza de cevar com ardor grãos Senão a própria vida nos afasta E quando a realidade assim contrasta Gerando no caminho fartos vãos, Inúteis pensamentos, artesãos Demonstram sua vida em luta gasta. Idéias com certeza não traduzem Nem mesmo ao bom cenário nos conduzem Somente por si só já se perdendo, O quanto se batalha e enfim porfia Num ato repetido dia a dia É que nos dará sempre um dividendo.
049
.Não é triste mudar de idéias; triste é não ter idéias para mudar.. Barão de Itararé
No quanto sou volúvel, mas eu penso O risco de ficar mudo e calado Há tanto do meu mundo não notado E nisto a cada passo um novo, imenso, Errático cometa? Eu me convenço E tento caminhar mesmo negado O rumo para além imaginado Quem sabe no final me recompenso? Ausente de mudança tão somente Quem nega no caminho esta semente E farto do vazio nada cria, Assisto aos meus anseios e percebo O quanto de alegria ora me embebo Por poder albergar a fantasia.
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.Nada é mais perigoso que uma idéia quando ela é a única que você tem.. Émile Chartier
O fato de se crer num só estigma Presume a derrocada no final, E vendo a variante deste astral Aonde na verdade vivo enigma Não quero e não consigo um paradigma Que seja mesmo até consensual, No risco de perder a minha nau Comporto alfa e também ômega e sigma. Aberto o pensamento à novidade O quanto do velhusco não degrade Talvez seja melhor a comunhão, E ter na força plena o bom futuro Melhor do que vagar em pleno escuro, E nisto se perder a dimensão.
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Contemplo este tesouro Em jóias mais diversas E quando além tu versas Do quanto em nascedouro No sol aonde eu douro O coração; imersas Vontades que dispersas Num raro ancoradouro, Vestir esta beleza E ter na fortaleza De quem se fez bem mais, Certeza de vencer Com raro e bom prazer Os tantos vendavais.
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Ondulações da vida Em altos entre abismos E quando os cataclismos Ditando a voz perdida, Além da mais dorida Encontro novos sismos E destes vandalismos A sorte é construída. Assim ao me tecer Nas tramas do querer Pudesse imaginar Um bem tão variável E nada controlável Expresso em vão luar.
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A força em elegância O passo mais audaz, O quanto me compraz E gera a discrepância Aonde a concordância Já não se fez capaz, O mundo busca a paz E nela uma constância. Mas tanto quanto pude Viver em cena rude Ou mesmo transformá-la, Quem sabe noutro fato Deveras me retrato Ou mudo toda a sala?
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Mulher cada milagre Que vejo em ti desnudo Transforma mais; contudo Além do que se sagre, O vinho em tal vinagre No fundo mais miúdo O gesto onde me iludo Também não me consagre, Resvalo em falso prisma Enquanto uma alma cisma Vestir a fantasia, Se tanto não me quis O quanto por um triz Quem sabe, quereria?
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Robusta face aonde O amor dita a seu rumo, E quando me resumo No fato onde se esconde O nada me responde E bebo enfim o sumo Do fogo onde me esfumo E perco a senda e o bonde. Restauro o passo enquanto O fardo não garanto Nem tendo serventia, O certo dissabor Não diz do claro amor Que tanto poderia...
56
Reinando sem destino O olhar neste horizonte Aonde quer que aponte É lá já determino O rumo descortino E traço nova ponte Matando a velha fonte Do sonho de menino, Agora em tez cruel O risco toma o céu Lampejo tão somente, E o quanto quis um dia Somente em voz sombria Deveras também mente.
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Os ócios deste rei E as tramas do reinado O gozo desejado Aonde me esbarrei E sei do quanto errei Ou mesmo sigo errado Caminho lado a lado Com quem tanto sonhei, Sorvendo o mesmo fel Atando em tom cruel O passo ao fim mordaz, Mas tanto quis assim Que até saber do fim Deveras satisfaz.
58
Contemplo este sorriso No olhar de quem amava E sei que em fúria e lava Vivi tal paraíso, O rumo mais conciso Aonde se tramava A sorte desdenhava Em tom mais impreciso. Vasculho dentro em mim E chego sempre ao fim Depois de muita luta, A noite sem estrela Difícil percebê-la No quanto é mais astuta.
59
Na fátua companhia De quem se fez fugaz O amor já não compraz Nem mesmo mudaria Cenário deste dia Agora mais mordaz Até quando tenaz A sorte não veria Quem tanto quis um sol, E tendo em arrebol A bruma costumeira, No fundo não se vendo Morrendo em tal remendo Sonhando com bandeira.
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Um prolongado olhar Vasculha sem sentido O quanto da libido Ainda irei notar, E tanto procurar Já não mais diz do olvido O rumo preterido Não deixa outro chegar, O resto ora concebes E sabes destas sebes Aonde no passado Vagara sem destino E quando me alucino, Somente o mesmo enfado.
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O rosto delicado Da fêmea mais voraz Enquanto dita a paz O tempo sem enfado Momento decifrado E nele já se faz Além do quanto audaz O todo desenhado, Resumos de outros dias Aonde poderias E mesmo não mais vices, Os quantos ermos trago E neste ledo afago Amor já diz mesmices.
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Em cada rasgo da alma A voz que não se escuta Traçando a face bruta Aonde nada acalma E sei do ledo trauma Na fúria aonde a luta Por vezes não recruta Quem tanto quis a calma, Aprendo com abismo E quando ali eu cismo Prismática verdade Em tanta claridade O amor mesmo que arcaico Traduz qualquer mosaico.
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Na voluptuosidade Com fúria em tom tenaz O amor quando compraz Deveras se degrade E nada mais enfade Que o tempo inda mordaz Alheio ao que se faz Em crua realidade. Sonhar não é preciso? Eu sei do prejuízo Em cada novo sonho, Mas tento esta saída Enquanto a despedida Aos poucos eu componho.
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Dotada em majestade A deusa em tom profano Aonde quis engano Augura em tempestade, O rosto em ansiedade O verso onde me dano E quando é soberano O rumo não agrade. Assino com meu sangue Em pântano este mangue Aonde me entranhara E sirvo de alimária Além da temerária Faceta dura e amara.
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Encanto quando excitas E tramas novas regras, Também mal desintegras As horas infinitas E quando necessitas E logo não integras Decerto já te alegras Com horas mais aflitas. E tento acreditar No quanto este luar Pudesse ainda ter Quem sabe no futuro Em céu turvo ou escuro Eu tenha o teu querer?
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Enquanto me aproximo Do fim que desenhara E nele a sorte aclara O quanto não estimo, O amor ditado em limo Prepara nova escara E a queda desampara Quem tenta além do cimo. E o vasto deste vale Aonde quer que cale Já não mais me conquista, Assim ao perecer Nas tramas do querer Não sou mero cambista.
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Amor quando em blasfêmia Gerando outra vertente Aonde se apresente Uma alma que eu quis gêmea. No topo deste monte O olhar já não traduz Sequer a mera luz E mata este horizonte, Resumo em verso e prosa O vento aonde um dia Pudesse em alegria A senda pavorosa, Negando qualquer sorte A quem jamais comporte.
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Divino corpo teu Aonde desnudada A vida diz do nada Ou toma este apogeu, O quanto se perdeu Assim em mera estrada A sorte desejada Ou tudo se escondeu Nos vértices do sonho Aonde me proponho Apenas mera sombra, O risco se alentasse E nada em dura face, O medo toma e assombra.
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Uma ventura dita O rumo de quem quis Um dia ser feliz E disto necessita A paz onde é finita Seara esconde o triz E bebe cada atriz A prece em tal desdita, Assisto ao fim do fardo E quando ali retardo O passo não me atende, O medo se transcende E gera em tom tetânico O imenso e torpe pânico.
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Mascaro com meu verso A dor que me carrega A sorte sendo cega E nela vou imerso Procuro e desconverso Enquanto em mim se entrega A parte que sonega O rumo do universo. Restauro o passo enquanto O todo mais garanto Na queda em que o final Exprime a minha vida Há tanto já perdida Em dor fria e venal.
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Não chorem, pois a morte Apenas um detalhe Aonde a vida talhe O fim que nos conforte, Depois da dura sorte O vago deste entalhe Traduz o mero encalhe Do barco sem um norte. Assim ao prosseguir O rumo em meu porvir Integro a plenitude Da qual já não condigo Enquanto em desabrigo A vida tanto ilude.
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Um anjo simplesmente Mergulho no vazio E tento enquanto esfrio O passo me desmente, O amor de mim se ausente E neste vago estio O quanto desafio Do todo impertinente, Resumos de passados Em dias destroçados Restauro com meu sonho, Mas sei que no final O velho ritual É sempre igual: medonho!
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Um anjo reclamava Presença de um comparsa Aonde a vida é farsa E o medo gera a trava O corte não atava O passo não disfarça Quem segue e já se esgarça Na trama feita em lava, Sorvendo cada gole Do quanto ora se atole O passo em lamaçal, O amor não mais bendiz E sigo em cicatriz Anseio a paz final.
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A peregrina sorte Não tendo mais paragem Ousando outra visagem Na qual já se conforte, Traduz o ledo aporte E cerzi esta barragem Aonde uma ancoragem Jamais alguém comporte. O passo sem destino Meu ermo determino Nos antros que freqüento Em hordas costumeiras As ditas são bandeiras, Desfraldam neste vento.
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Divina constelar A bela se afastara Do olhar que se prepara Deveras a rumar Vagando sem lugar E nesta vã seara A vida não é clara E nega algum luar, Assisto ao fim enquanto O passo eu mal garanto E a queda me condena, Aonde quis promessa A vida se professa Em dura e leda cena.
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Ao firmamento sigo Buscando qualquer rastro E quando além me alastro Vislumbro este perigo Estando já contigo O mundo dita o lastro Amor um alabastro Cinzel? Não mais consigo. Aprendo com a fúria E nela esta penúria Gestando a realidade, O quanto fora fútil O mundo agora inútil Aos poucos se degrade.
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Dormindo esta criança Que tanto quis um dia E agora morreria Na paz que não alcança O tempo diz mudança E gera a fantasia, Mas mera alegoria O todo já se cansa, E rondo esta mortalha Enquanto além se espalha O rumo que tentei, Infante delirar Aos poucos ao notar Vazia a minha grei.
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Reluz farta beleza No olhar de quem anseio E sinto em cada seio A doce gentileza De quem nesta surpresa Em pleno devaneio Vencendo algum receio De mim fez sua presa. Mas quando eu acordasse E nada além da face Venal em vago espelho, O rito em solidão Invade e em profusão Meu cenho enfim engelho.
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Carmim em lábios; trazes E moldas a esperança De quem a ti se lança Em passos mais audazes, Amor em tantas fases Promete outra mudança E nele esta fiança Que agora já desfazes No risco de sonhar A queda a se mostrar Maior do que eu pensava, As frágeis ondas mortas Batendo em toscas portas A imensa dura e brava.
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Os olhos dizem pranto E o canto não me agrada A sorte desarmada O amor dita o quebranto O quanto não garanto E perco cada estada Marcando em desolada A vida em duro canto, Assisto ao descaminho E sigo mais sozinho Enquanto nada vejo, E morto desde então O rumo sigo em vão Aquém do meu desejo.
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O riso encantador Exposto em belo rosto, O mundo assim proposto Nas ânsias de um amor Reflete o redentor Caminho sem imposto E o tanto do desgosto Atroz a decompor. O marco mais sombrio Já tanto vejo e esfrio Com fúria em cada olhar, Apascentando o medo Ao tanto me concedo Sem nada a procurar.
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Eu sei quanto era bela A dama do meu sonho, Valete que proponho Enquanto se revela A vida não mais sela O rumo onde componho E logo em enfadonho Desenho vejo a cela. O risco de saber Aonde o meu prazer Agora já se esconde Procuro e não alcanço Sequer qualquer remanso Pergunto e quem responde?
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Azuis olhares; tinha Quem tanto fora algoz E quando ouvisse a voz Julgando seres minha A sorte mais daninha O canto mais atroz No sonho que é feroz A morte se adivinha, Eu sei e não me calo Do quanto sou vassalo E tento a liberdade Enquanto assim me privo Do amor ainda vivo A dor que tanto brade.
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Vestida em plena luz A dança se perfila Em ânsia mais tranquila Enquanto me conduz E nisto se reluz A sorte que desfila E nada mais destila Senão quanto propus. Resumo em verso e canto O passo que adianto Rumando para ti, Mas quando me percebes Vagando noutras sebes Eu sei que te perdi.
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As ondas quais arranjos De deuses do passado, Aonde este legado Transcende aos próprios anjos E sinto em descompasso O risco de sonhar, E tento outro lugar E nada mais eu traço Somente o velho esgoto E nele já mergulho Resulto em pedregulho Um corpo semi-roto E todo o meu futuro Alheio é frio e duro.
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Dormindo neste mar Quem tanto quis sereia E quando me incendeia Nas fráguas do luar, Pudesse acreditar Na lua sempre cheia E quando devaneia Uma alma se tocar Nos ermos do meu fado O dia relegado O tempo não condiz Com tudo o que eu buscara A noite não mais clara E sei não sou feliz.
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Profética ermida Da qual não escapo E quando em farrapo Retratos da vida A sorte puída O olhar antes guapo Agora este trapo Procura guarida Legado da dita E nada acredita Senão no seu fim, O marco que trago Da falta de afago Do amor morto em mim.
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Dilato as pupilas Nas ânsias de amores Que nunca em pudores Diversos desfilas E quando destilas Venenos e flores Ciganos pendores Nos sonhos que grilas, Herética luz Em dores produz Reflexo em retina Que busca e não vendo O olhar se perdendo Aonde alucina.
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Em marcha me pus Na busca do fato Aonde em retrato Diverso reluz Ao medo faz jus Quem ata ou desato Em tal desacato O quadro, outra cruz, Amanso o meu peito E não mais me deito Alfombras granito, E quando te quero O corte mais fero Sonhar; necessito?
89
Carrego os pequenos Anseios poéticos E tento proféticos Olhares venenos E neles serenos Aonde se herméticos Talvez mais heréticos Ou mesmo tão plenos. Refaço o que outrora Ainda se ancora No peito em tal cã. A vida em verdade No quanto se brade Perdida, foi vã.
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Os ombros feridos, O peso da vida A sorte cumprida Em ermos sentidos Olhares sofridos A lua perdida, Sorte presumida Em tempos puídos Os olhos, o anseio E quando rodeio As sombras restantes Além dos meus ledos Caminhos, enredos Talvez adiantes.
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São feros desejos Os medos que tenho Do olhar mais ferrenho Dos dias sobejos Assim em lampejos O nada contenho E de onde provenho Dispersos ensejos, E sendo tal forma A vida deforma Sem norma ou paragem, No fundo sou nada, A voz disfarçada Contendo em barragem.
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Tesouros diversos Em olhos sombrios As curvas e os rios Assim universos E neles imersos Os meus desvarios Os corpos vazios Vadios meus versos, Versando ao que possa Além desta troça Comum a quem passa E vendo este verme Aquém, quase inerme Somente carcaça.
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Aos pés de quem pude Singrar noutro sonho O manto componho Mato a juventude E bebo o que ilude Ou tanto bisonho Redundo ou me ponho No pasto transmude. O vasto que tento O olhar desatento Não vê nem sinais, Enquanto tivera Aquém primavera Cantos outonais.
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As armas luzentes Os dias são meus E nele apogeus Também já não sentes, Os olhos, os dentes Os medos e os breus, Os passos no adeus Em versos, repentes. Reflito o que tento No olhar desatento Atrevo em canções Diversas das quais Pudesse em fatais Sutis ilusões.
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Ao largo em carroças Diversas; o andejo Procura este ensejo Aonde tu possas Vencer o que endossas E nada revejo Senão meu desejo Imerso nas troças. As cordas que afino O medo de então Sem diapasão O velho menino Agora em sobrados Refaz seus legados.
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Os pés seguem sujos Das lamas que piso A vida em aviso Trazendo sabujos Diversos em cujos Caminhos eu biso O erro e matizo Vitais caramujos Aonde me escondo E tanto repondo Espúrias vontades E nelas perplexo De ti um reflexo Enquanto me enfades.
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Jogado em currais Diverso caminho No fundo este espinho Traduz os florais E quando bem mais Do quanto mesquinho Seguindo eu me alinho Em erros fatais, Fadado ao final E neste sinal Apenas tropeço, O quanto recebo Em gozo ou placebo No fim, eu mereço.
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Passeio em teus céus Vagando um cometa Que tanto arremeta Em vis fogaréus Nos olhos meus véus E neles prometa O quanto em faceta Diversa os incréus Delírios de quem Vivera e não tem Sequer solução. Açodo os frangalhos E neles os talhos Decerto virão.
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Os olhos pesados De quem horizontes Buscara quais fontes De antigos traçados, E nestes traslados Os erros que apontes E quando despontes Os dias malgrados. Os cantos erráticos Os tempos temáticos Em termos vulgares Olhar para trás Por vezes me traz O que mal notares.
100
Nostálgico passo Num álgico rumo E neste me esfumo Ou nada refaço, E quando me enlaço No corte que assumo, Apenas sou fumo E sigo além, lasso, Carcaça de um sonho Aonde bisonho Beijando o vazio, Ao menos pudera Conter qualquer era, Num sazonal rio.
MARCOS LOURES FILHO
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