
CHAMPANHE ESTRAGADO COMO EU
Data 11/07/2010 13:55:40 | Tópico: Prosas Poéticas
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Hoje abri uma garrafa de champanhe bem preservada quando me dei conta que não tenho nada aqui para comemorar. A minha vida vivo-a por arrasto e com muito esforço alcanço os meus fins, que principiam sempre por algum lado, lado esse onde eu não me encontro bastas vezes, sou o próprio reverso de mim mesmo e não vale a pena as minhas justificativas para merecer o ar que respiro…. por pressuposto sou um pária da sociedade já que meus poemas morrem logo no seu inicio e por mais que eu queira não levam pão à boca de ninguém, quer chore de inanição, quer de outros maltratos que uma criança não devia estar exposta… grito sim eu grito, não me ouvem gritar a dor que me vai no peito? O que é feito de vocês poetas e escritores que se tornaram omissos pela palavra? Crianças ranhosas esbugalham os olhos ao ver-me não pronunciam palavra que o choro morreu-lhes na garganta não acicatada… mas eu ínsito à revolta vós que sois poetas têm obrigações, não vale a pena escarrar na parede e ver a miséria sem fazer nada. Contra o focinho da palavra minhas veias se expõem minha garganta incha com a dor e o verso que ficou atravessado na dita cuja que apresenta tons vermelhos pelo esforço de gritar ao mundo que isto é um fratricídio com o qual temos de lidar pés firmes na terra, somos todos culpados e até o champanhe estava estragado. Sou um vagabundo percorrendo as areias do deserto minha voz não tem precursor e isto vai de mal a pior. Masturbadores passivos sóis vós, que escrevem sobre o amor sem o doar a ninguém, preferível ser transgressor e acicatar tudo isto, desde o coto até ao membro decepado. Dou-me conta que as pessoas não querem saber da fome dessas crianças, limpando o ranho ao pulso, para parecerem mais decentes, escreva-se um poema sobre o amor e é garantia de que será lido, escreva-se uma prosa social e ninguém quer saber do que lá vem escrito, nem se dão ao trabalho de abrir o trabalho do poeta e escritor. Conto pelos dedos as pessoas que abrem um poema social para o lerem com olhos de ver e pronunciar-se acerca de… enquanto escrevo esta prosa dezenas de crianças morreram sob nutridas e por falta de medicamentos, que no primeiro mundo há aos montes. Hoje abri uma garrafa de champanhe e não tenho nada para comemorar, apenas chorar e me culpabilizar ante os factos.
Jorge Humberto 10/07/10
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