
Canto do Justo (Gabriela Mistral)
Data 06/07/2010 22:50:41 | Tópico: Poemas -> Religião
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Peito do meu Cristo mais ensanguentado do que o pôr do sol: meu sangue secou. Mãos de Jesus Cristo que à feição das pálpebras retalhadas choram: nada mais imploro.
Braços do meu Cristo largamente abertos para toda a terra: meu abraço existe.
Flanco do meu Cristo Fonte que se exaure restaurando a vida: desde que te vi rasguei-me a ferida. Olhares de meu Cristo por fugir ao corpo erguidos ao céu: desde que vos vi não contemplo mais minha vida em sangue. Corpo de meu Cristo nessa cruz de sempre vejo-te cravado: meu canto hei de erguer-te no dia em que os homens te hajam libertado. Quando será? Quando? Dois mil anos há que espero a teus pés e espero chorando.
Gabriela Mistral, poeta chilena.
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