
run coeur.
Data 06/07/2010 22:32:22 | Tópico: Textos
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agora que plantaram os membros superiores do meu corpo na perfeição da imagem estou horizontal. olho a intemporalidade das estrelas, quase móveis, seguras à noite por pedaços finos de sediela. corpo voltado para a camada de terra mais próxima, fria, os membros inferiores enfiados nela. ouço os insectos no pátio a assombrar a previsibilidade das memórias recentes. subitamente lembro-me da tua face, pequena face entregue aos palmares do incauto. serena e frágil como uma semente levada por um ciclone. os olhos abertos relentam afectos e a boca, sempre a boca, quase aberta, quase fechada, quase longe, quase perto, quase. quase minha. o trajecto do rosto é o espaço vazio entre as estrelas e a pele, imagino-te ali suspenso, seguro à noite por um pedaço fino de sediela. sou quase feliz.
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